Um Santo Natal

18 12 2009

Podia até desejar- vos um Natal muito feliz cheio de saúde, paz e amor junto dos que vos são mais queridos, mas isso certamente encherá os vossos telemóveis e caixas de correio.

É tudo muito belo  nestes próximos dias, mas depois do dia 25 já ninguém  mais se lembra da paz e do amor.

Então hoje vou apenas lembrar que o Natal só existe porque nasceu Jesus. É verdade! Não tivesse Ele nascido e não haveria Natal. O Natal é Dele! E tantas vezes nem nos lembramos. Ou melhor, até lembramos, mas só quando é para pedir.

Desejo- vos pois neste Natal que Jesus vos dê  aquilo que merecem e desejo ainda que pensem Nele e falem com Ele, dando-lhe a atenção que merece, como damos aos nossos mais queridos aniversariantes, com a vantagem de não termos que gastar um tostão em prendas, bastando apenas que sejamos ou tentemos ser uns seres humanos melhores.

Um santo natal e aqui vos deixo o refrão de mais uma canção ( adivinhem de quem):

Vivamos um Natal diferente

Seguindo o caminho do bem,

E vendo na luz de Belém

Um raio de sol permanente!

Porquê o Natal num só dia?

P’ra isso Jesus não viria,

Que seja eterna esta alegria

E no dia-a-dia haja sempre AMOR!





Vertigo

17 12 2009

Incumbida pelo nosso senhorio de vos contar as peripécias da nossa última caminhada dominical, aqui fica o relato à laia de despedida para férias natalícias!

E é do alto das pernocas ainda doloridas que vos falo hoje camaradas blogueiros, amigos, companheiros, palhaços! Que isto de se ir para o monte sem qualquer preparação tem muito que se lhe diga! E para mais com a planta do pé direito feita num oito com ruptura muscular e saquinho de líquido a acompanhar…(que isto são só coisas boas que me aparecem)…

Domingo, nove da matina, crianças despachadas com catecismo na mão para casa da vovó, e há que ir de encontro aos restantes caminhantes que nos aguardavam no Parque da Cidade.

Neste ponto, nem o frio nos deteve e o objectivo era calcorrear o percurso amarelo, que seguia em direcção à serra de Pias. Pelos vistos a excitação toda residia numas ravinas e tal e coisa, mas nada que chegasse para atordoar os sentidos!

Infelizmente face à indecisão em que se encontrava o cão pisteiro que levávamos, e porque não conseguisse quórum suficiente, outras vozes se levantaram a sugerir que o percurso vermelho ficava ali tão mais à mão, era só uma subidazita, as vistas eram deslumbrantes, e foi então completamente aniquilada e quase por unanimidade a proposta para o percurso amarelo!

Eu digo unanimidade, porque a nossa Nelita, depois dos copos com que ficou na véspera, estava afónica. A gente bem a viu a esbracejar, mas como tanto podia ser a dizer que sim, como que não, como que queria fazer uma mijoca, ninguém lhe deu muita atenção!

E o que dizer da tal subidazita?? De botar os bofes pela boca fora, minha gente! Aquilo tinha uma inclinação de para aí 80%, e logo pelo meio de pedregulhos e silvas! O Fonte, o Nelson e uma outra caminhante (a inclemente que nos sugeriu o feito) deviam ter sido cabritos monteses na outra encarnação tal era a rapidez com que subiam. Nós, o carro vassoura do grupo, íamos aproveitando o cone de vento do pelotão da frente e lá nos arrastávamos como podíamos serra acima!

Realmente a chegada ao topo foi triunfal, cabelos ao vento, enfim…aquela coisa! Quanto às vistas, o cansaço não me permitiu apreciar por aí além a paisagem: as lágrimas de felicidade toldavam-me os olhos!

Encetámos a marcha de regresso só para constatar que estávamos muito mal servidos de guias, pois mais de meia hora foi perdida em busca do caminho para o CIA (centro de interpretação ambiental). Andamos ali às voltas feitos tontos até que fizemos uma mesa redonda onde se discutiu as probabilidades de sobrevivência no meio do mato, ao que a Nela, fiel ao seu espírito solidário, saltou em defesa de todos nós doando uma das suas coxas em caso de necessidade para que pudéssemos fazer uma canjinha! Eu em compensação, levava duas pedras de dominó no bolso, com as quais contava fazer um belo foguinho. Já não se perdia tudo… tínhamos a carne e o engenho para a assar!

Estávamos quase resolvidos porque afinal era tudo gente prática, e o canibalismo já era aceite desde tempos imemoriais…quando nos aparece um grupo de ciclistas que amavelmente se prontificou a indicar-nos o caminho. Eu em surdina, ainda propus fazermos-lhes uma emboscada e ficarmos com as bicicletas, para o resto da descida ser menos custoso, mas como ninguém me deu ouvidos lá arrepiámos caminho chegando ao famoso Fojo das Pombas, que é como quem diz, ao fim da viagem, porque é por essas bandas que avistamos novamente a cidade!

Certa que ficaram com um exclusivo retrato de uma sobrevivente, resta-me desejar a todos que o Menino Jesus (ou o gajo das barbas brancas) não se esqueça de por vos pôr no sapatinho o presente desejado!

Feliz Natal!





ChristmasTime – Smashing Pumpkins

16 12 2009

Esta será a última música antes de partirmos para as férias de Natal.

Por esse facto, aproveito para desejar a todos os leitores do blogue um Santo Natal e uma Próspero Ano 2010. Estaremos de regresso no dia 04 de Janeiro.

Até lá… BOAS FESTAS, de preferência… pelo corpo todo.





Caminhada na Serra

15 12 2009

Conforme foi largamente publicitado por estas bandas, no passado domingo, dia 13 de Dezembro, em plena Serra de Santa Justa, teve lugar mais uma caminhada dos “Pedaleiros”. Essa actividade, será devidamente esmiuçada pela “menina das quintas”…

Até lá, fiquem com as fotos… e uma boa semana.

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A gripe e os homens – António Lobo Antunes

14 12 2009
Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha,
Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.




Como se Divorciar com Elegância

12 12 2009





Eu e o meu umbigo

11 12 2009

Hoje decidi escrever sobre o meu umbigo! E que giro que ele é! Tão fundinho, rodeado de tanta chichinha! Pronto, não é preciso começarem já a enjoar. Esperem só mais um bocadinho. Tenho andado aqui a reparar, eu e o meu umbigo, que nesta altura tanto se compra e pouco se oferece. Tenho aí umas dezenas de prendas para oferecer (e não vou quantificar para que não me chamem novamente de louca) distribuídas pela família, amigos, colegas, vizinhos, educadora, funcionárias da escolinha, etc. É mais um paninho, uma velinha, uma pecinha de bijuteria e lá se vai uma pequena fortuna! Tenho fugido dos shopings e escolhi a baixa do Porto para fazer as minhas compras este ano! Sempre adorei o Porto, principalmente a Rua de Santa Catarina, onde há sempre tanto para ver e comprar, e sempre agradáveis surpresas!  Já tenho quase tudo comprado e embrulhado e quando olho para a árvore com os embrulhinhos das lembrancinhas sinto um alívio e uma sensação de “missão cumprida” e comprida também. Afinal este ano até me despachei cedo!!

Algumas das prendas são oferecidas por amizade e simpatia, outras com o intuito de recompensar algum favor e outras para “não se ficar mal” porque também nos oferecem. É verdade e não posso dizer o contrário! Já por várias vezes se disse ” temos que acabar com isto” e o que é certo é que o “isto” continua. Mais um ano, mais um Natal, mais umas prendinhas para fazer mexer o comércio e o resto?

Pois meus caros amigos e demais leitores, apesar de não dispensar andar adornada de linda bijuteria e ter a casa também cheia de velinhas, paninhos e bonequinhos natalícios trocaria tudo por um daqueles presentes que se encontram à venda naquelas lojas onde o que se “vende” não tem preço!! Sabem quais são? Já repararam nessas lojas?? Normalmente nelas as pessoas nem entram. Algumas pelo medo de que o preço seja muito alto, outras porque acham que se não têm preco é porque não têm valor, e se estão vazias é porque não vale a pena lá entrar. É tão mais fácil comprar uma velinha dourada, um paninho bordado, uma bijuteria, uma vez por ano,  que até se oferece com alegria e com vontade, do que perder tempo com as pessoas durante todo o ano ou quando elas mais precisam.

As minhas prendas compensam algumas das pessoas que durante o ano perderam o seu tempo comigo, óbvio que nunca compensarão em valor monetário, mas apenas pela lembrança. Outras das pessoas a quem vou oferecer nem sequer estão preocupadas se rio ou se choro, se estou bem ou mal, com saúde ou com falta de alguma, mas a essas, a hipocrisia dita a sua ordem. Outras há ainda que não vão receber prendinhas, mas às quais faço questão de dizer amiúde como gosto delas e agradecer a paciência J

Não vou apelar para que entrem e “comprem” esses presentes  porque cada um sabe o que deve ou não oferecer, na certeza porém, de que todos nos devemos lembrar de que o que hoje “oferecemos” é o que amanhã receberemos.

Hoje quero apenas, falar de mim, do meu umbigo e do alto da minha egocentricidade e “umbigocidade” agradecer as prendas que me vão oferecendo durante todo o ano, e que para mim, sem dúvida são as mais valiosas e não se pegam na mão, nem se penduram ao pescoço, mas que fazem brilhar os olhos e recordar, sozinha com o meu umbigo, o que vale ou não a pena, e sobretudo em quem vale ou não a pena “investir” e essas prendas são na sua maioria perguntas do tipo “ Estás bem?” “ Que cara é essa?” “ Estás melhor?”  e o tempo gasto para ouvir a resposta.

Boas compras!!