Coisinhas, boazinhas…. na mesinha.

10 11 2009

Olá amigos caminheiros e pedaleiros, de tempo seco… pois com tempo chuvoso, parecem ter medo que vos salte “la minha” pró rabinho!!!

Esta semana, como extremoso pai, acedi ao pedido da minha filha de ir ao Mc Donald`s, uma vez que, seria a sua primeira vez e teria a possibilidade de lhe demonstrar “in loco” que comer aquela comida, em inglês, foodida, não faz qualquer sentido, comparada com as iguarias gourmet que habitualmente lhe preparo…

Depois de meia hora para estacionar, pois a par da gripe A a promoção dos brinquedos, do Continente, também é capaz de levar a população a um nível de histeria extrema, e com a prova do estacionamento superada, parti para a segunda etapa, carrinhos assassinos, e eram às dezenas a circularem, de forma mais ou menos desgovernada, conduzidos por personagens que se escondiam por detrás das pilhas de brinquedos cuja estabilidade era duvidosa. Chegados às escadas rolantes, estava passada mais uma etapa…

Não será preciso dizer que por esta altura já estava arrependido de ter saído de casa e que a pequena, já tinha pedido, vezes sem conta, para fazer o xixi, o cocó, que tinha sede, que tinha fome, que lhe doíam as pernas… AHHHHHHHHH…. Alguém me ajuda?

Depois de formatados durante alguns segundos na fila e a responder por impulso ao chamamento do funcionário… deixo sair da minha boca, já sem qualquer autonomia: Um happy meal, pf.

Lá nos sentamos, junto de uma família que já haviam terminado o manjar, mais do mesmo, estando já na parte dos arrotos de satisfação, enquanto o colesterol batia palmas no interior dos obesos corpos.

Aproveitei a deixa e expliquei à “ciganita”, enquanto lhe comia parte do lanche, que o seu futuro seria mais ao menos aquele se insistisse naquele tipo de alimentação, ao que ela me responde: – Pai, não se fala com a boca cheia. Claro está, calei-me, conforme manda a etiqueta.

Entretanto, ao folhear um revista que havia comprado, quase morria engasgado com um palito de batata atravessado na garganta!!! Não é que há um estudo, não sei se científico, que revela que os que comem “fast food” são pessoas deprimidas… quase obriguei a pequena a vomitar, mas, a etiqueta, ditou o contrário… lá a convenci a virmos para casa, deixando o lanche ranhoso a meio e pelo caminho, chego à conclusão, de que o estudo deve ter uma base de verdade… senão, porque é que o senhor palhaço, mc Donald`s, oferece prendas aos miúdos??? Só pode ser para combater a depressão.

Para mim, não há nada melhor que um verdadeiro restaurante, com comida verdadeira, em que os funcionários são chatos e estão sempre de volta da mesa, quase como as moscas na merda, em que tudo o que se come é inho ou inha, é a batatinha, o arrozinho, o suminho, o pãozinho ou o cãozinho, queria dizer, cabritinho… até os pequenos são filhinhos… mas que na hora de pagar, a conta é sempre inversamente proporcional a todos os inhos proferidos…

Vou-me lá, tenho à espera, na mesa, uma bela lasanha de vitela, morta à estalada, para não danificar a carne (coisas gourmet é o que é) e um belo tinto Roriz, para degustar.

Até para a semana…. Gordurosos.





Rosa Lobato Faria – E de novo a armadilha dos abraços

9 11 2009

E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.





É como diz o outro 2

7 11 2009





Um ano

6 11 2009

Ao olhar para trás normalmente costumo dizer ” Já passou um ano??” mas ao olhar para o primeiro texto que publiquei neste blog só me ocorreu uma dúvida: “Só passou um ano??”

É verdade! Ás vezes não damos conta que o tempo passa, ou então que passa demasiado rapido.

Ainda ontem ao ouvir que o presidente dos Estados Unidos já lá está há um ano, fiquei parva!! Achei que só lá estaria há 6 meses, no máximo, mas não, já passou um ano!!

Ao completar um ano de “vida” neste blog, não podia deixar passar em branco esta marca na minha própria vida porque  ao recordar aquele momento de loucura em que a menina Inês e o menino Nelson se lembraram de me fazer embarcar nesta viagem,  reparo como a minha vida mudou a um ritmo alucinante!

Se era mais feliz se esse dia ( ou dias porque eles são umas pestezinhas insistentes, principalmente a menina das quintas)  tivesse sido roubado do calendário? Talvez…

Podia  eu viver sem este blog? Podia, mas não era realmente a mesma coisa.

Neste ano que passou, tanta coisa por aqui passou também … Tanta gente, tanta personagem, tanta alegria, tanta gargalhada, tanta amizade  e também, infelizmente tanto veneno e outras coisas do género.

Como sempre acreditei, e continuo a acreditar, tudo na vida tem uma hora certa para acontecer e um propósito definido.

Por mais banal que pudesse parecer escrever umas coisitas num blog e que aparentemente até seria divertido, em certas alturas tornou-se uma “prisao” ( não uma gaiola) e outras um fardo muito pesado,  e não fora a amizade e a força transmitida pelo menino da Terça e pela menina da Quinta hoje já não estaria aqui. Mas como estou, recordo este ano, como uma passagem importante e necessária na minha vida, da qual retiro duas lições em duas palavras apenas: Perder e ganhar!

Pelo que tenho visto e aprendido com este blog e tudo o que o rodeia, posso dizer que tem sido uma verdadeira escola de vida para mim! Aqui ganhei e perdi muita coisa, mas sobretudo aprendi!

E meus amigos, aprendi muita coisa… e ganhei também uma coisa muito importante: a amizade destes dois malucos que me acompanham e que espero que se mantenha por mais um ano…

Beijos com carinho!

Até domingo e conto convosco para me fazerem de muletas!!

Manuela





Pump it

5 11 2009

Todos nós conhecemos gente repioqueira –Deus do Céu – que trocam de bom grado uma caminha quentinha por um fato de ciclista. Sim!! Já todos os vimos aos domingos cheios de genica pedalando a torto e a direito por esse mundo fora!

Também o meu marido mais o seu grupo de javardos costumavam sair logo pela manhã, regressando já bem depois da hora do almoço, suados mas felizes, da sua volta de 80 kms! E também eu andava contente, pois era menos um chato para aturar. Infelizmente o pobre coitado, se há coisa que não sabe fazer é andar de bicicleta. Entre uma e outra escoriação, parte óculos, capacetes e mãos. Espatifa-se contra o chão para não ser albarroado pelos carros. Enfim, é um nunca mais acabar de lamentáveis acidentes.

Entretanto desistiu das jornadas dominicais com os amigalhaços até ao dia que se lembrou de me convidar para sua partinére. Eu nem estava para aí muito virada, mas que querem, empaturrada de pão com queijo e um café expresso, sinto de tempos a tempos uma vontade de investir a fundo, rir às gargalhadas e num impulso (algo insano) não consegui resistir ao pedido!

Primeira viagem: Estacionamos a carripana no Freixo e toca a fazer o percurso das 5 pontes, ele montado na sua Scott topo de gama e eu na minha velha Esmaltina, ele de calção estofado no rabo e capacete na cabeça, eu de calças de fato-de-treino vulgares e cabelos ao vento. Oh! Que lição preciosa eu tirei, o capacete amigos, não é só para proteger a cuca em caso de queda…aparentemente também previne que os miolos torrem com o sol. O rabinho? Nem vos falo, tal foi o calo com que fiquei. E os cabelos? Pareciam um ninho de ratos, e eu sei disso porque já tive um hamster em tempos idos!

Segunda viagem: Como o meu alento era inversamente proporcional à espantosa vontade do marido, lá o convenci a ficarmos só por umas voltinhas no parque da cidade! A opinião dele era que aquilo era passeio de maricas, mas lá abalamos para Matosinhos. Amigos! Foi impressionante! Para qualquer lado que nos virássemos levávamos com ventos de 180 km/hora na fuça. Nem sei como não apanhei uma pneumonia. O ganho? Uma dor de cabeça brutal e os olhos a lacrimejar durante todo o dia…

Ai a volta era para mariquinhas? Deixa-te estar! Terceira viagem: Ida e volta a Couce! A minha mente perversa já estava a trabalhar… Um quarto de hora para ir, uma meia horita para o regresso e trás pás, prova superada! Estava mesmo bem arquitectado o plano, mas…. o marido decidiu que era muito mais giro se regressassemos por S. Pedro. Olhem, sabem o que vos digo?? Que se aqui estou hoje a relatar o feito, é porque o meu anjinho da guarda é muito forte, que eu vi a morte à minha frente. Ah pois é! Depois de uma pessoa chegar a Couce, a civilização acabou. A via empedrada virou caminho de cabras e era tanto salto e ressalto que só visto. – Anda pela beirinha que é mais plano, diz ele! Nada disso, que da maneira que sou azarada já me estava a ver a rebolar pela ribanceira abaixo e ir parar ao rio. De qualquer das maneiras lá chegamos à Mó, e eu toda feliz porque achei que em cinco minutos me punha na estrada D. Miguel. Qual quê!! Meia hora a pedalar cheiinha de sede! Para agravar o estado das coisas, só informo que a porcaria da terra fica para aí 500m abaixo do nível do mar e aquilo é só subidas! Subidas essas que eram feitas por mim essencialmente com a bicla às costas. Ali para os lados do campo de futebol do S. Pedrense e com o estradão da Santa Justa à vista mandei o compincha comprar água, ao que ele retornou com uma água bem geladinha! Bem! Só me apetecia bater-lhe… Fartinho de saber que desde que tive aquela maldita doença, nunca mais pude beber líquidos gelados… O que fazer??? Alombar com a bicicleta e arrastar a língua pelo chão. Claro que este passeio teve uma vertente pedagógica: Imaginam os amigos que eu tive o privilégio de assistir a uma transacção de cariz sexual em loco e em tempo real? As coisas que a gente aprende!!

Outras passeatas houveram, mas eu por falta de espaço e tempo deixo para vos contar noutra ocasião.

E se der, não esqueçam, venham passear connosco a pé no próximo domingo!





Michael Bublé – Crazy Love

4 11 2009

Ainda imbuído nesta onda “in love”, aqui fica o novo single deste magnífico cantor. Uma brisa primaveril, neste cinzentismo Outunal.

Boa Semana





Feira das Vaidades

3 11 2009

Dia 01 de Novembro, 08.50 horas.

Acordei bem cedo, tendo em conta que não havia nada marcado, as gotículas de chuva na janela e o som inconfundível das viaturas a caminharem sobre o asfalto, molhado, adivinhavam um dia chuvoso. Tentei afundar-me, de novo, na almofada, quente, mas já estava demasiado desperto para voltar a sonhar.

Depois de aperaltado, saí de casa procurando um local tranquilo para tomar o pequeno-almoço, ler as notícias do dia anterior, no jornal, e depois, como faço habitualmente, rumar ao cemitério para visitar aqueles que me são queridos e já partiram.

O café estava bem composto, o calor interior contrastava com a humidade que se fazia sentir cá fora, sentei-me numa mesa junto à janela a contemplar a cidade e suas gentes. A meu lado um casal, falavam de problemas financeiros, mas o seu pequeno-almoço parecia um banquete de um rei, pelo menos, comparativamente ao meu.

Pela janela avistava um corre-corre de pessoas, algumas das quais, nunca as havia visto para estas bandas, algumas velhas, trajando de preto, carregando no regaço ramos de flores, um grupo de homens, subitamente, interromperam o silêncio e invadiram o meu “espaço”, absorto que estava de tudo, não dei conta que o café já jazia sobre a mesa… pronto a aquecer a alma.

Segui rumo ao cemitério, parecia um dia de romaria, as pessoas haviam tirado do fundo dos baús as mais vistosas vestes, os homens devidamente engalanados, com suas gravatas, multicolores, davam um ar pitoresco ao cenário, as senhoras, adornadas ainda, por cabeleiras, superiormente trabalhadas, algumas parecendo verdadeiros ninhos de amor, para aves e outros gaviões que por ali andavam, também conferiam algum nível à função.

Vendedores de flores e de velas, congestionavam a passagem, aproveitando o negócio dos mortos para dar um pouco mais de alegria à sua vida. Não percebi o que fazia o vendedor de farturas, mas no meio de tantas vaidades, uma fartura e um churro, talvez não seja nada de escandalizar!!!

A escadaria de acesso parece interminável, em passos curtos atinjo o cume… Pensei para comigo: “Eu sabia que não deveria ter vindo”. Dezenas de pessoas invadiram o espaço, contrastando com os outros cinquenta e um domingos em que, por vezes, o silêncio imposto torna o momento num misto de agonia e paz de espírito. Sobre as campas, ardem velas, cujo cheiro deixa, o meu espírito, meio toldado. Um grupo de senhoras, talvez uma comissão de avaliação, vai aquilatando qual o arranjo vencedor, no meio, das centenas que por lá foram colocados, alguns dos quais apenas para fazer vista, desprendidos de qualquer sentimento.

Lembro-me de já ter visto a enfeitar algumas campas, flores de plástico!

Sinto-me a mais naquela feira, de vaidades, ainda bem que no restante ano o espaço fica limpo de materialismo e de gente passageira, deixando o espaço livre desta asfixia material e de presunções.

Gosto de me sentar, por vezes completamente só, a observar, a meditar, que não vale a pena grandes lutas e barulhos… mais cedo ou mais tarde, tudo se acaba, em silêncio.