Peregrinação a Fátima, pelo Caminho de Santiago

Caminhadas, Caminho de Santiago

Todas as grandes histórias começam com… “Era uma vez…” no entanto, esta começou com um convite / desafio lançado pelo Nuno para o acompanhar numa peregrinação ao Santuário de Fátima.

Já a tinha feito, no passado, calcorreando a berma da estrada, o perigoso IC. Apesar de ser uma experiência marcante do ponto de vista pessoal e espiritual, caminhar longas horas de mãos dadas com o perigo era algo que não queria repetir.  Propus então que a fizéssemos noutros moldes, pelo Caminho de Santiago. Ele aceitou. Estava na hora de descobrir o que o Caminho Português reservava do Porto rumo ao Sul.

Inicialmente, para recolher alguma informação baseei-me no site que mais utilizo para preparar os meus caminhos – Gronze – mas depois, quando entrei na busca mais fina de informação, encontrei no site da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima tudo que precisava para projetar as possíveis etapas.

Esta Associação disponibiliza informação sobre os vários traçados dos Caminhos de Fátima que poderá ser descarregado para o telemóvel, no entanto, não será necessário, atendendo a que todo o caminho está perfeitamente sinalizado! Têm ainda para “oferecer” uma bonita credencial dedicada em exclusivo ao caminho de Fátima e que pode ser adquirida online.

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Tudo arrumado na mochila, estamos prontos para partir… mais que coisas, vai carregada de sonhos…

Santiago

Porto (Sé) – S. João da Madeira – 37 km 

Enquanto rasgávamos a praça da Sé Catedral, em busca do nosso primeiro selo, sinto um arrepio a percorrer o corpo, a frescura matinal e a sombra provocada pela barreira que o Paço Episcopal forma, não deixando passar os, ainda tímidos, raios de sol ajudava a acentuar essa sensação, mas, no fundo, era mais um misto de emoção e regozijo pelo inicio de um novo caminho, desta vez, rumo ao Sul, até ao Santuário da Virgem Maria, mas pelos caminhos milenares de Santiago.

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O repicar dos sinos na torre da Sé provocou um reboliço nas aves que por ali andavam, gerando uma espécie de bailado no céu azul. Outras danças aconteciam sobre as pedras que cobrem o terreiro, onde turistas e peregrinos vão tomando o seu rumo. Desejos de bom caminho para uns, bons dias para outros. À nona badalada fez-se silêncio, somente interrompido pelas nossas passadas nas, gastas, pedras da praça.

Começamos por transpor o rio Douro para a outra margem pela Ponte Luis I, que melhor cenário poderia pedir para inicio de caminho? Será difícil ou é apenas o meu coração nortenho a falar! 

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A Avenida de Gaia nunca me pareceu tão longa, senti-a interminável! O Nuno ia entusiasmado, e eu, entusiasmado por ele e por mim. Em Canelas, uma paragem para subtrair a roupa que, agora, já parecia excessiva. Escolhemos um lugar emblemático para o efeito – junto ao memorial ao primeiro edifício publico de Canelas – Escola Primária de Pinheiro, construída em 1954.

Um par de quilómetros adiante cruzámos com o primeiro peregrino, primeira neste caso, que num inglês com sotaque de terras de Sua Majestade nos deseja boa sorte para o que havia de vir, nós retribuímos,  mas mal prosseguimos percebemos que por agora precisávamos de um pouco mais de sorte que ela… e de um pouco mais de pulmões… pese embora a inclinação, foi, neste dia, um dos poucos quilómetros em que nos sentimos rodeados de verde. 

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Já em Perosinho, um momento hilariante. enquanto fazia um registo para a posteridade de uma placa alusiva ao caminho de Santiago, um “canito”, apesar de todos os alertas, resolve ir fazer o seu cocó bem em frente da objectiva!!! 

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O dia avançava lentamente, o sol empinava e o calor abafava… Atracamos na Taberna Santo António, em Grijó, para molhar a palavra e fomos recebidos à moda de Espanha, com direito a “pincho”… carimbada a credencial prosseguimos até ao magnífico Mosteiro de Grijó.

“De acordo com a tradição, o primitivo mosteiro foi fundado em 922, no lugar de Muraceses por dois clérigos, Guterre e Ausindo Soares, vindo a adotar a regra e o hábito da Ordem de Santo Agostinho em 938.

No ano de 1112 foi transferido para a atual localização. A igreja do novo mosteiro foi sagrada em 1235 pelo então bispo da Diocese do Porto, D. Pedro (IV) Salvadores (1235-1247).

No início do século XVI o convento encontrava-se em ruínas e, em 1535, João III de Portugalautorizou sua transferência para a serra de São Nicolau, em Gaia (Mosteiro da Serra do Pilar). No entanto, nem todos os clérigos concordaram com a transferência e, desse modo, em 1566 o Papa Pio V separou os dois mosteiros.

Com o retorno dos monges a Grijó, diante da necessidade de reformas no edifício, a comunidade contratou, em 1572, o arquiteto Francisco Velasquez, então mestre de obras da Sé de Miranda do Douro, para desenhar o novo projeto. Dois anos depois, a 28 de junho de 1574, era lançada a primeira pedra do dormitório. Até 1600 estavam concluídas duas alas do claustro, o refeitório e a sala do capítulo. No entanto a construção da igreja arrastou-se por mais cerca de trinta anos, uma vez que a capela-mor só foi fechada em 1629.

No ano de 1770 o convento foi extinto, passando os seus bens para o Convento de Mafra.

fonte  |  Wikipédia

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Adiante fica o Albergue de peregrinos de São Salvador de Grijó, uma casa antiga à beira estrada, – a chave está na vizinha do lado. Atirou um senhor no café. Fomos até lá e pedimos para selar a credencial. Prosseguimos caminho…

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As grandes expectativas sobre o caminho começaram a gora-se à medida que os quilómetros iam sucedendo, o facto de ser um percurso muito urbano influencia a opinião, mas, lá iam aparecendo aqui e ali uns cenários para alegrar as vistas.

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O acumular de quilómetros nas pernas começaram a fazer-se sentir e o Nuno começou a, cada passo, ficar cansado de dar mais um passo… mas de bênção em bênção pelas inúmeras capelas e igrejas lá fomos subtraindo quilómetros à etapa.

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Em S. João da Madeira já eram visíveis e audíveis as dificuldades. Paragem no centro da cidade para descanso e alimentação, mas depois… aiiiiiiii… depois… quase foi preciso montar uma grua para o levantar e retomar o caminho.

Albergue, banho, jantar – tudo feito com algumas dores – o Nuno caiu no colchão e apagou!!! Sonhou até que durante a noite havia chegado um peregrino e esse havia subido para uma cadeira!!! Felizmente foi só uma alucinação do cansaço!!! O peregrino, era só um técnico da instituição que foi ajudar a regular o ar condicionado!!! 

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Albergue – Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira

                    Rua Manuel Luis Leite Júnior, 777  –  +351 256 837 240

Preço – Donativo

 

Santiago

S. João da Madeira – Albergaria-a-Nova – 25 Km

Um novo dia começa…

Os olhos, apesar de “feridos” pela paisagem maioritariamente urbana do dia anterior eram a parte do corpo que se mexia com maior destreza e assertividade, até a voz, quiçá pela hora da alvorada, estava arrastada e quase imperceptível!!!

Saímos do albergue a andar pior do que alguns dos utentes do Lar da 3ª idade que nos acolheu!!! As dificuldades eram notórias no meu companheiro de viagem. Apesar dos queixumes e de quase atirar a toalha ao chão… um bom pequeno almoço e uma sessão de motivação feita por “eu próprio” lá o convenceu a caminhar uns quilómetros até os músculos aquecerem.

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À passagem pela vila de Cucujães, cucujo nome nos fez sorrir e fazer alguns trocadilhos, começou a ecoar, entre a estreita rua, uma verdadeira “grafonola” a debitar música popular portuguesa em altos berros!!! Pelo facto do relógio ainda não ter passado das oito da manhã, pelo facto de não haver sinal de festa e, pelo facto, de não se pressentir viva alma achamos tudo muito estranho, até que, por detrás de um pequeno quiosque emerge um veterano senhor, muito animado, que com a sua voz de rouxinol esganiçado solucionava tão caricato “mistério”. Fomos a rir durante vários quilómetros à conta da personagem e por momentos as dores foram esquecidas.

Continuamos por cenários de pouca beleza, interrompidos, aqui e ali, por bonitos elementos, como este, onde a Ponte de Salgueiro sobressai.

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“A ponte, junto à povoação do Salgueiro, que está sobre o rio Ul, situa-se em caminho transversal às principais vias de circulação de quem vem do lugar da Igreja para o de Vila Cova.

Dizem ser romana ou mourisca, todavia não o será, pois apresenta raiz medieval.

Baixa, de dois arcos de traçado inicialmente circular, deformados hoje pela pressão exercida perpendicularmente na parte intermédia que obrigou a linha medieval de cada vão a um desvio em direção à respetiva margem.

Só a parte inferior dos arcos é revestida de cantaria aparelhada, sendo o resto alvenaria, o que permitiu os movimentos de construção. Os pequenos talhamares veêm-se descolados pelo raizame dos arbustos parasitários.

Há bastantes siglas do tipo de outras pontes que são de uma época média a que corresponde o século XIV.

Devido ao seu estado de degradação, foi reconstruída no ano de 2000.”

fonte  |  cm-oaz.pt

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Até à localidade da Bemposta foram algumas as paragens, ou para falar com peregrinos, poucos, ou populares, não muitos mais!!!

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Gostei muito do percurso ao longo deste eixo habitacional da Bemposta, um concentrado de história na história do país.

“Segundo a tradição, a origem etimológica do seu nome provém de um grande pinheiro que existia junto à antiga estrada, no lugar da Areosa, debaixo do qual os passageiros descansavam. O nome Bemposta provém da sua airosa e elevada posição, de onde se abarca larga panorâmica sobre a Ria de Aveiro, desde Ovar até à Serra da Boa Viagem ou ainda até ao mar.

O Município da Bemposta, de fundação antiquíssima e ao qual o rei D. Manuel dera foral em 13 de Julho de 1514, foi extinto por decreto de 24 de Setembro de 1855. 

O maior interesse do património construído está no Cruzeiro do Pinheiro da Bemposta, Monumento Nacional, datado de 1604, com restauros posteriores. “

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Já se cheirava a Albergaria e apesar do telemóvel “dizer” que estávamos quase lá… caminhamos, caminhamos, caminhamos… e caminhamos um pouco mais (!), as dores acentuaram-se até ao ponto de num momento de “desespero”, perante o alcançar visual da placa que anunciava a “meta” e de uma paragem de autocarro deserta alguém atirou: – Estás a ver ali aquela paragem?! Vou-me sentar ali e não dou mais um passo. 

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Mentira, deu mais uns quantos, primeiro porque a paragem não tinha banco, depois, porque o albergue estava a 800 metros dali!!!

É excelente o espaço exterior que o albergue dispõe, o preço é igualmente bom, 10 euros, e com possibilidade de confeccionar uma refeição. No albergue há possibilidade de compra de alguns produtos. A alberguista, foi de uma amabilidade extrema. Um espaço de paragem que aconselho.

Albergue – Hostel / Albergue Albergaria-a-Nova 

                     EN-1, km 252,3, nº 66 – tel. +351 234 547 068 – E-mail: albergue@albergaria.eu

Preço – 10 € (Beliche) – tem outras opções a outros preços.

Dispõe de Cozinha, Zona de lazer, Sala de Convívio, Bar, Máquina de Lavar e Secar roupa.

 

Santiago

Albergaria-a-Nova – Águeda – 22 Km

Em contraste com os primeiros dias, esta etapa, foi marcada pela frescura e pelo cinzentismo.

Recuperadas as forças saímos em passo ligeiro, por uma zona de monte, o que parecia antever uma mudança de cenário… 

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Já fomos novos e vamos para velhos, o mesmo acontece em Albergaria, depois da Nova, sucede-lhe a Velha!!!

Aí chegados, Albergaria-a-velha, dia de festa na praça, fizemos uma paragem para um café e carimbar a credencial. Adiante fica o Albergue Municipal Rainha D. Teresa, o nome talvez derive do facto de ter sido neste concelho que a Rainha D. Teresa fundou a primeira albergaria para “pobres e passageiros” no século XII (!). Está instalado na “Casa dos Magistrados” atendendo que esta habitação e a contigua foram concebidas para serem a residência do Juiz Distrital e do Delegado do Procurador da Republica da Comarca de Albergaria-a-Velha.

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Abandonada a povoação e mais adiante um novo percurso de mato, onde tivemos uma aparição!!! Desenganem-se já os crentes fervorosos… esta era bem terrena e andava a tentar seduzir algumas almas!!! 

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Passagem sobre a nova ponte no IC2 que faz a travessia sobre o rio Vouga, à esquerda, (na foto é em frente) já sem serventia, as ruínas da velha ponte.

Hoje, ao contrário dos primeiros dias avistamos muitos peregrinos em direcção a Santiago. Nós, continuamos a ser os únicos em direcção ao sul!

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A Ponte Velha do Marnel foi um balão de oxigénio ao sufoco que a viagem se estava a tornar perante a falta de atractivos e dos quilómetros de alcatrão.

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A Ponte Velha do Marnel, também é conhecida como Ponte do Cabeço de Vouga.

Situada sobre o rio Marnel, afluente do Vouga, esta ponte de cinco arcos terá sido construída na primeira metade do século XIV, ficando então conhecida como «ponte nova do Marnel», o que sugere a existência de uma ponte anterior no mesmo rio. Esta ponte foi sofrendo reparações e reconstruções ao longo dos séculos.

Esta ponte fazia parte da chamada estrada coimbrã, estrada que ligava a cidade do Porto e o noroeste de Portugal à cidade de Coimbra, e que seguia de perto a velha estrada romana.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1956 .” 

fonte  |  wikipedia

Neste local bucólico, convidativo a momentos de contemplação paramos um pouco a observar os patos e as galinhas de água, a escutar o coaxar das rás e o trinar dos pássaros, uma verdadeira orquestra da natureza. Este momento de paragem carregou a bateria para a forte subida que tivemos de vencer adiante.

Pensávamos que seria um pedacinho de subida, mas, foi mais um Pedaçães (nome do lugar).

 

Até Águeda foi rápido, hiperbolicamente falando. Conseguimos escapar da chuva que acabaria por cair mal chegamos ao Albergue Celeste. 

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Sobre o albergue só posso dizer bem, pelo bom acolhimento por parte da colaboradora que nos recebeu, super amável e prestativa, pelas condições que oferece: cozinha, uma sala de estar, pelo quarto e pela limpeza geral. Tem na proximidade um café  e supermercado.

Ao contrário dos albergues anteriores mas na linha do que se havia passado hoje, este estava cheio de peregrinos das mais variadas latitudes. 

A nós calhou-nos partilhar quarto com um casal de portugueses, os únicos para além de nós que rumavam em sentido contrário à “corrente”!!! Já sabem como é esta coisa de peregrinos… sentados à mesa lá fomos falando das nossas experiências nos caminhos, de nós, do mundo e sei lá que mais… peregrino tem sempre muito para contar… e como tal a conversa fluiu até à hora do Zé Pestana chegar.

Albergue – Albergue de Peregrinos Santo António (Residencial Celeste)

Avenida da Misericordia, 713 (EN-1)  –  tel. +351 234 602 871

Preço – 12 € (Beliche) – tem outras opções a outros preços.

Dispõe de Cozinha, Zona de lazer, Sala de Convívio, Máquina de Lavar e Secar roupa, micro-ondas, frigorífico.

 

Santiago

Águeda – Mealhada – 26 Km

A primeira luz da manhã irrompe pela pequena janela do quarto, no pátio começam a deambular peregrinos, mais uma volta no saco cama e penso para comigo: – Só mais 5 minutinhos! A luz intensifica-se tal como o som que vem da cozinha… está na hora de levantar para mais uma jornada.

Saímos do albergue debaixo de um espesso manto cinzento… Sob o corta-vento a pele eriçava-se do embate com a frescura matinal, seguimos em sentido descendente até ao centro de Águeda. Nada de muitas falas que o acordar ainda não era pleno!!!

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A passagem pelo centro foi mesmo uma passagem, sem direito a paragem… seguimos caminho por um agradável parque onde os mais madrugadores já passeavam as suas bicicletas.

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Adiante, seguimos por uma via estreita ladeada por casas antigas… estamos em Sardão. 

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“No centro da povoação do Sardão, eleva-se a capela de Nossa Senhora da Guia do século XVII. Dentro, entre outras imagens a de Nossa Senhora com o Menino, da invocação de Nossa Senhora da Guia e de São Brás, ambas esculturas de pedra do mesmo século.”

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No final deste lugar e após cortar, a direito, a N1 iniciamos uma demorada subida de quase 1 km. O frio da alvorada já se tinha dissipado e o corta-vento já havia sido dispensado. Era tempo de fazer uma paragem, para um café e dois dedos de conversa animada com a proprietária do café Rasteiro. – “Ó filhos, ir carregada assim até Fátima?! Eu já lá fui com apoio, mas se fosse agora… metia duas cuecas, o porta moedas ao bolso e mais nada!!!”  (na próxima peregrinação parece uma ideia sensata para colocar em prática)

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Prosseguimos viagem, uma vez mais, por paisagens pouco prometedoras até à mais meridional localidade do concelho – Aguada de Baixo, onde paramos para uma foto ao Memorial, construído em 2014, comemora os 500 anos do foral atribuído a Aguada de Baixo pelo Rei D. Manuel I em 1514.

Em Avelãs do Caminho, uma paragem junto ao albergue de peregrinos para um carimbo, no entanto, como ninguém estava por lá, seguimos caminho na busca de um outro ponto de “carimbage”.

O Nuno começava a acusar o desgaste da etapa e precisou de um impulso… para sair disparado como um… missil(e).

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O percurso pôs-se macio para facilitar o caminhar, mas, nem a passagem por um casal de peregrinos que transportavam as suas crianças num triciclo e os seus pertences noutro, nem, um outro, cuja pequena criança lá seguia junto aos progenitores alegremente transportando a sua mochila foram suficientes para “alegrar” os pés do Nuno!!!

Era preciso outro míssil, mas por agora, não tínhamos munições… bebemos água para afogar as mágoas!

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Quase a atirar a mochila para um fontanário que se colocou no caminho e perante uns fantásticos bancos de jardim o Nuno lança um, novo, ultimato:

– Vou parar aqui.

Mas estamos quase a chegar, digo eu.

– Já disseste isso à dois quilómetros atrás. – responde ele. Acrescentou – No próximo natal já sei o que te vou dar. Um telemóvel. mas daqueles que fazem a medição dos quilómetros como deve ser!!!

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Ainda não se tinha sentado e olhando em frente lá estava o albergue!!! Uma situação hilariante às portas do albergue Hilário.

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Mais descansados, fomos comer a tradicional sandes de leitão com outros peregrinos que seguiam para Santiago e com os nossos amigos portugas, a Andrea e o TóZé, com os quais haviamos pernoitado em Águeda.

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Albergue – Albergue de Peregrinos Hilário

                      Avenida da Restauração, 30  – tel. +351 914 437 715

Preço – 10 € 

Não dispõe de Cozinha mas a poucos metros tem vários locais onde é possível comer algo, tem um tanque para lavar roupa e para secar não falta espaço… 

 

Santiago

Mealhada – Coimbra – 27 Km

O sono foi interrompido por um barulho quase mudo dos peregrinos que rumavam a Santiago, um húngaro e um português que haviam pernoitado no albergue e com os quais ainda dividimos umas cervejas na noite anterior.

O dia estava cinzento e a previsão de chuva feita pelos senhores da meteorologia parecia que se iria  cumprir!!! Despedimo-nos dos nossos companheiros portugueses e marchamos. 

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Depois de passado a zona mais central, entramos numa outra de campos verdejantes e, pela primeira vez, senti-me envolvido pelo caminho…

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Primeiro uma pinga, depois outra e já não havia forma de não dar uso à capa de chuva… chegou mansinha mas foi gradualmente aumentando a intensidade à medida que a jornada avançava. À boleia da maré lá fomos deambulando por estradas mais ou menos desertas e bosques mais ou menos fascinantes…

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Saídos de um monte envoltos numa aura de natureza e perfumados a pinheiro e eucalipto somos atirados para a poluição, a berma de uma estrada bastante movimentada, 500 metros de puro terror, chuva, camiões a grande velocidade. A capa a esvoaçar para todos os lados, salpicos da passagem dos automóveis… felizmente chegamos “rápido” a Sargento-mor!!! Aqui, por uma estrada paralela ao IC onde o movimento é outro tudo parece melhor.

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A chuva deu tréguas, fizemos uma paragem para um café e algumas provisões numa mercearia. Quando regressamos ao caminho, regressou a chuva!!!

Entretidos com o colocar da capa e com os cumprimentos dumas senhoras que por ali se encontravam falhamos o caminho a seguir… Inicialmente estranhamos a ausência de setas azuis, depois estranhamos o facto de voltarmos a interceptar a estrada movimentada, o que não era suposto!!!

Lançados os dados voltamos à “casa de partida”.  Na passagem pelas senhoras diz uma:  -Eu até disse aqui à minha amiga que vocês iam pelo caminho errado, mas vocês já iam ali em baixo!!!  (O ali em baixo eram uns 10 metros, 20 que fossem… podiam ter gritado!!!) Bom, afinal foi apenas mais um quilómetro percorrido.

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Daqui em diante as paragens foram praticamente nulas não é que as pernas não pedissem, só que a chuva intensificou-se de tal forma que, por estarmos ensopados, seria grande o desconforto. Nem a máquina fotográfica saiu do aconchego do bolso.

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A aproximação a Coimbra foi penosa, um autentico diluvio que arrastava consigo as energias que ainda restavam, foi um lavar de alma. Os últimos quilómetros foram feitos em marcha lenta!!!

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Como por artes divinas a tempestade foi dando lugar à bonança, as nuvens foram dissipando-se e já no interior da cidade os primeiros raios de um sol tímido.

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O nosso dia iria terminar aqui e o caminho também. Havia, no entanto, semáforo verde para subir à Sé de Coimbra para recolher mais um carimbo.

“Constitui um dos edifícios em estilo românico mais importantes do país. A sua construção começou em algum momento depois da Batalha de Ourique(1139), quando Afonso Henriques se declarou rei de Portugal e escolheu Coimbra como capital do reino. Na Sé está sepultado D. Sesnando, conde de Coimbra.”

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Santiago

Coimbra – Zambujal – 29 Km

Volvida uma semana regressamos a Coimbra para completar a nossa caminhada até Fátima. Para que este corte temporal parecesse não ter existido, S. Pedro, presenteou-nos com uma chegada à cidade com uma chuvada valente, parecendo desta forma a continuidade do tempo da semana anterior! Felizmente à medida que íamos cruzando a ponte sobre o rio Mondego o tempo começou a mudar deixando adivinhar um bom dia de caminho.

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Após o atravessamento da ponte, à nossa mão esquerda, podemos contemplar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e, logo a seguir, o mui conhecido Portugal dos Pequenitos, adiante, no enfiamento do percurso apresenta-se o majestoso Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, para lá chegar há que vencer a primeira inclinação do dia sob as pedras gastas pelo tempo. 

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“O Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, também designado como Convento da Rainha Santa Isabel.

Foi erguido no século XVII em substituição ao antigo mosteiro medieval de Santa Clara-a-Velha, vítima das inundações periódicas do rio Mondego. Era um verdadeiro mosteiro de clausura franciscana e não um simples convento.

Constitui-se em um importante repositório de arte portuguesa dos séculos XIV a XVIII e guarda as relíquias da Rainha Santa Isabel, fundadora do mosteiro antigo.”

fonte  |  wikipédia

Continuamos em sentido ascendente.

Quase a ficar sem fôlego, não pela subida, mas pelas vistas à passagem pela igreja da PALHEIRA. Desta “história” falarei mais adiante.

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Continuamos caminho por zonas rurais, áreas de mato onde a chuva do dia deixou a terra bem macia e obrigou a uma espécie de jogo “salta pocinhas” para evitar molhar os pés.

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A paisagem era agradável à vista e neste entretimento dos sentidos e de umas boas risadas com o Nuno o dia lá foi passando da melhor maneira.

Num ápice chegamos a Conímbriga, por sorte era domingo, por sorte éramos portugueses e por sorte éramos residentes em Portugal, logo não pagamos a visita, por sorte.

Um carimbo na credencial e partimos à descoberta deste rico pedaço de história…

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“A antiga cidade romana de Conímbriga é um dos sítios arqueológicos mais ricos de Portugal.

Um dos sítios arqueológicos mais ricos de Portugal, Conímbriga teve origem num castro celta da tribo dos Conii, nos finais da Idade do Ferro. Ocupada pelos romanos a partir de 139 a.C. e a sua população totalmente romanizada, foi sob o imperador Augusto, no séc. II d.C. que a cidade conheceu o seu esplendor, tendo sido construídas então termas públicas e um Forum, cuja reconstituição se pode ver no Museu. 

Com o declínio do Império nos finais do séc. IV, foi elevada uma monumental muralha defensiva, o que não impediu o assalto da cidade pelos suevos, em 468 e o consequente declínio de Conímbriga, que se foi desertificando e os habitantes que restaram deslocaram-se para Condeixa-a-Velha, mais a norte.

As grandes escavações levadas a cabo ao longo do sé. XX revelaram um valioso e complexo conjunto de edifícios, incluindo termas, um aqueduto que percorre mais de 3.400 metros desde a fonte, e restos de uma basílica cristã, provavelmente do séc. VI. 

O visitante não deixará de maravilhar-se à vista das casas nobres que conservam magnífico chão em mosaicos polícromos, destacando-se a casa de Cantaber, residência típica do séc. III e uma das mais amplas em todo o mundo romano ocidental e a casa dos Repuxos, com uma área de 569 m2 pavimentada de mosaico, ornamentada com vistosos quadros que ilustram temas mitológicos e do quotidiano, onde um peristilo central ajardinado e com jogos de água o tornam único.”

fonte  |  www.visitportugal.com

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Regressados ao caminho iniciávamos um dos troços que mais gostei desde o Porto. A paisagem é belíssima como podem confirmar pelas fotos…

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Paralelos ao Rio de Mouros que por estes dias corria com vigor, mas que grande parte do ano se encontra seco, seguimos até ao lugar de Poço. 

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Na passagem, à esquerda do caminho, uma pequena ponte – Ponte Filipina.

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“Aí, além de outros pontos de interesse, podemos ver a Ponte Filipina, sobre o rio dos Mouros, também designado por Rio Pau e “Caralium Secum”, na Idade Média e, ainda por Ribeira de Alcalamouque e Rio Ega. É uma pequena ponte, bem ao jeito do leito, que é preciso atravessar (no Verão, nem seria necessária, dada a ausência de água), remontando à época dos Filipes! Se, em pleno Estio ela não seria necessária, o mesmo não acontece, em épocas de pluviosos e rigorosos invernos. Nessas alturas, e já nos inícios da Primavera, o curso de água cobre-se de pequenas flores brancas, dando-lhe um encanto especial. Fica o registo, para quem goste de fugir ao bulício citadino e “ouvir o silêncio”, onde menos se espera.”

fonte  |  www.oponney.pt

… rumamos depois em direcção ao Zambujal onde iria terminar a nossa etapa de hoje, mais concretamente, na Casa das Raposas.

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Literalmente em cima do caminho estava o alojamento que nos iria acolher, Lara e Sérgio, foram uns bons anfitriões. A habitação é muito acolhedora e disponibilizam alguns mimos, café, chá, umas bolachas. A envolvente é igualmente bonita mas não tivemos oportunidade de calcorrear aqueles caminhos porque logo após a nossa chegada, o mau tempo abateu-se sobre a região.

Um final de dia e uma madrugada chuvosa para embalar uma boa noite de sono. 

Albergue – Casa da Raposa (Zambujal)

Tel. 965 006 277

Preço – 40 € 

Podem solicitar a confecção da refeição – 10 € por pessoa

 

Santiago

Zambujal – Albarrol – 27 Km

Depois de uma noite muito bem dormida e com o corpo descansado levantei-me mal o despertador do telemóvel soou… eram sete horas da manhã. A noite foi de chuva intensa e ao abrir a janela para avaliar as condições atmosféricas o ar frio da manhã trespassou-me o corpo como faca quente em manteiga.

Preparamos um chã e umas bolachas para aguentar os primeiros quilómetros de caminho até ao Rabaçal (4 Km), local onde encontramos o primeiro café e o Albergue “O Bonito” que, para aqueles que pretenderem na etapa anterior caminhar um pouco mais poderá ser uma excelente opção – ( Rua da Igreja – tel. +351 916 890 599) 

O Caminho desde a Casa das Raposas até ao Rabaçal é feito entre campos verdes e muita tranquilidade. Eu e o Nuno fomos conversando sobre como estavam as nossas forças e os momentos vividos até aqui… noutros momentos fomos em silêncio a contemplar a paisagens que o caminho nos oferece.

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O nome da localidade “Rabaçal” deriva do nome rabaça, uma fitotoponímia que significa campo de plantas vivazes da família das umbelíferas (rabaça), usada por vezes como tem­pero e própria de terrenos com águas correntes. Por estas andas o Queijo do Rabaçal destaca-se no plano gastronómico, sendo produto de origem protegida.

Fizemos uma paragem no café Bonito, o tal do albergue, para reforço do pequeno almoço e para carimbar a credencial. Bonita foi a espera para completar as intenções… o casal por detrás do balcão até tinham vontade, mas um grupo de peregrinos sentados numa mesa, com os seus pedidos a conta gotas lá foram “empatando” a nossa jornada!!!

Arrumados lá prosseguimos viagem… continuamos rodeados de bonitas paisagens e boas sensações.

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Depois de uma pequena paragem num, igualmente, pequeno parque de merendas, iniciamos uma pequena, mas dura, subida até Alvorge.

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“A primeira referência a Alvorge surge em 1141 num documento, onde D. Afonso Henriques doa em testamento a herdade de Alvorge e a sua torre, situada na Terra da Ladeia, ao Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
O topónimo Alvorge, que significa pequeno forte ou torrinha, remete para a ocupação árabe existente neste lugar. A colonização cristã das terras da Ladeia (espécie de fronteira movediça, ora pertencente aos cristãos, ora aos mouros), onde se inclui Alvorge, teve início com D. Afonso Henriques que tinha o objetivo de alargar a fronteira portuguesa a sul. Para tal mandou construir, em 1142, o Castelo do Germanelo, dando-lhe foral, que determinava, que além de serem livres de impostos, concedia paz, perdão e isenção de justiça a todos que tivessem cometido crimes de homicídio ou de furto, sob a condição de se refugiarem nas terras do Germanelo e de as cultivarem. Assim, ficariam livres da ação da justiça.”

Esta localidade dispõe de um Albergue, mas os nossos planos levavam-nos mais além… No centro da povoação encontramos um casal vindos de Taiwan e seguiam para Santiago, uns minutos à conversa, uma selfie para a posteridade e… nova paragem, no café do Sr. Luis, para mais um carimbo e para matar o bichinho que estava a reclamar no estômago. 

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Quase de saída do café quando… irrompem café adentro o grupo de peregrinos que encontramos logo de manhã no café Bonito… e o momento foi bonito e bastante engraçado…

Um senhora, de estatura baixa, ao entrar no café foi logo fazendo os pedidos sem dar tempo a que os restantes se pronunciassem!!! – 5 Cafés por favor, atirou ela para o senhor atrás do balcão. Mas um “rebelde” achou por bem não aceitar a demanda!!!

– Não queres café?!! Queres o quê?! Uma cerveja?!…

– São então 4 cafés e uma cerveja…

Não sabemos como acabou a história, mas pela forma divertida da cena recomeçamos o caminho de sorriso de orelha a orelha e fomos ao longo do dia brincando com o momento sempre que parávamos num café ou bar, quer para carimbar a credencial, quer para descansar ou beber algo.

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Os quilómetros foram-se sucedendo a bom ritmo, nesta parte do caminho encontramos bastantes peregrinos estrangeiros, conversa com um, saudações a outros e nesta distracção chegamos a Ansião, localidade situada entre o rio Nabão e os maciços da Serra de Sicó.

 “A localidade de Ansião é ocupada desde tempos pré-históricos, apresentando registos memoriais e patrimoniais das épocas romana e árabe. Recebeu foral em 1142, e no ano de 1175 surgia referida pela primeira vez em documentação oficial. Porém, foi com a reforma administrativa do reinado de D. Manuel que, ao receber o seu segundo foral, Ancião iniciou um período de prosperidade que culminou com a elevação a vila por D. Afonso VI, já depois da Restauração.

No centro da vila pode visitar a Igreja Matriz, com o seu portal barroco, descansar na escadaria do pelourinho seiscentista, de onde apreciar o antigo solar dos Condes da Ericeira, que hoje alberga os paços do concelho, ou atravessar o Nabão percorrendo a Ponte da Cal. Não deixe de visitar o Complexo Monumental de Santiago da Guarda, situado no antigo palacete dos Condes de Castelo Melhor, que alberga a torre medieval que lhe está adjacente e uma villa tardo-romana dos séculos IV e V, cujos belíssimos mosaicos não deixarão, certamente, de o impressionar.”

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Inicialmente Ansião tinha sido o local escolhido como a meta para este dia, mas perante a inexistência de albergue publico na vila decidimos caminhar mais 2 km até Albarrol – Albergue ibon Ansião.

Durante o dia liguei para saber se havia disponibilidade para nos acolherem. Com resposta afirmativa, decidi inquirir se tinham um espaço para confeccionar uma refeição.

A resposta foi pronta – Jantam connosco, como família.

Questionei ainda: – Qual o valor da dormida e da refeição?!

A resposta marcou o meu dia e este caminho: – Dás o que o teu coração disser.

Até chegarmos ao destino tivemos que ultrapassar alguns obstáculos para não “sujar as patas”, senti-me uma espécie de cabra montesa, por cima de muros não muito estáveis! 

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Chegados à porta do albergue e perante o cenário ficamos um pouco… um pouco… um pouco… (acho que não encontro um adjectivo para enquadrar a nossa preocupação).

Resolvemos entrar para ver, à nossa espera estavam a Rose e o Steve, ela Filipina, ele inglês, e que foram uns excelentes anfitriões, desde logo, uma visita por todo o espaço circundante ao albergue onde estão a criar várias zonas que vão desde as estufas onde produzem produtos hortícolas, ao pequeno jardim das ervas aromáticas, à zona da piscina…

Depois, a indicação de tudo que precisávamos saber sobre o albergue, o banho, o pequeno almoço, etc etc, etc… já instalados e de banho tomado decidimos ir explorar as redondezas.

No regresso, lá vinha o tal grupo de peregrinos da manhã e da tarde, os tais “empatas” matinais, os hilariantes da tarde.  Abordei-os…

– Nós já nos conhecemos, ficam por aqui?

– Não, vamos ficar em Albarrol.

– Aqui é Albarrol, respondo. Este supostamente é o albergue.

Consegui ver nos rostos deles aquilo que terá sido a minha reacção à chegada!!!

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Entretanto Steve e Rose já estavam a preparar o jantar e que jantar… não faltou nada na mesa, alimentamos o corpo, mas também a alma com a amizade destes amigos que acabamos de conhecer.

Durante o repasto  Nuno faz um comentário sobre o facto de eu tirar fotos a todas as igrejas e capelas do caminho, ao que o Zé diz:

– Então tiraste à Igreja da Palheira.

Claro que sim respondo, enquanto inicio a procura na máquina! É esta, pergunto. Não, dizem-me. – E mais para a frente. Então é esta, contraponho. Não, é mais para trás!!! 

O Zé saca do telemóvel e mostra uma foto da ermida ao Nuno…

– É esta, lembras-te?!!! O Nuno desata a rir… lembro-me perfeitamente… ele disse que não tirava foto a essa porque a pala sob a entrada era demasiado feia!!!

Bem… a história não ficou por aqui, mas sobre a Palheira e a sua Igreja ainda havemos de voltar a falar.

A noite foi divertida, por entre boas gargalhadas das anedotas do Zé e as tiradas futebolísticas do Nuno e do João. A Belita só por si era uma animação e mais tarde chegou a Liliana para animar ainda mais o albergue com as suas tiradas!!! 

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O albergue demorou algum tempo a silenciar… mas o cansaço levou a melhor sobre todos.

Deste albergue irei sempre guardar boas memórias. A impressão que tive na chegada e que depois foi completamente ultrapassada pelo acolhimento, pela amizade e boa disposição dos anfitriões que, como diz o ditado, quem vê casas (caras), não vê corações. O divertido convívio com o grupo da Palheira, o carimbo que ficou gravado na credencial feito com borra de café e que de todos os que recolhi até hoje é o mais original.

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Albergue: ibon ansião

tel. + 0351 937576745

Preço: Paguei o que o meu coração mandou.

Tem um tanque para lavar a roupa e muito espaço para secar. Tem cozinha, mas acredito que eles mesmo fazem o jantar.

 

Santiago

Albarrol – Caxarias – 27 Km

Os primeiros raios de sol iluminaram a sala do albergue não conseguindo aquecer o ar gélido deixado pela madrugada… aos poucos vamos ficando aperaltados para mais uma jornada.

Depois do pequeno almoço saímos em grupo como se de um só se tratasse, a boa disposição do final do dia teve continuidade logo nas primeiras passadas.

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O percurso maioritariamente por zonas rurais permitia alguma descontracção na marcha e na mente… partilhamos experiências, vivências e rimos muito durante toda a etapa, nesta partilha de conhecimentos acabamos sempre por aprender algo

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Neste percurso tivemos tempo para um “mergulho olímpico”, dos joelhos para baixo, pois por muito engenho e arte que houvesse era impossível não molhar os pés!!!

Afinal era possível, mas só descobri isso adiante quando voltei a encontrar o João e o Rodrigo de sapatilhas secas!!! Mas para isso era preciso dar uma “gaaaaaanda volta”.

Com andamentos distintos rápido nos separávamos, para adiante, agruparmos novamente – parecia a marcha do elástico.

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Viemos de longe, do Porto carago, para encontrar a nossa rua!!! 

As madames encontraram o cenário perfeito para um retrato e posto isto um batalhão de paparazis sacaram as suas potentes máquinas telefónicas para registar o momento para todo sempre.

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Um pouco mais à frente instalou-se a dúvida na minha mente!!! Valongo?! Terei andado em círculos sem nunca ter saído de casa? Afinal parece que não… era a fome a falar mais alto!

O relógio da torre sineira da igreja do Fárrio marcava “hora de almoço”. Os nossos novos companheiros convidaram-nos a partilhar mesa com eles e nas traseiras da ermida montamos o acampamento para o repasto. Para quem não tiver a mesma sorte de encontrar almas boas, a cerca de 100 metros existe um café.

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A uma dezena de metros da igreja nova encontra-se edificada a antiga capela da localidade, na minha opinião, de linhas mais bonitas, no entanto, voltada ao abandono!!! E sobre ela encontrei a seguinte informação:

“Na localidade do Fárrio, encontra-se também a Antiga Capela mandada edificar pelo Padre Feliciano. A construção de uma capela no Fárrio era um desejo antigo da população local, por isso apresentaram a ideia ao Padre Faustino, Pároco da Freixianda, que recusou tal ideia. Foi já nos anos 40, que o Sr. Padre Feliciano lançou novamente a ideia da construção de uma capela, opinião que foi muito bem acolhida pelas gentes desta terra. Foi inaugurada no dia 01 de janeiro de 1949. Encontra-se neste momento num estado de abandono e degradação, à espera da sua recuperação.”

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Hoje, eu e o Nuno, tínhamos planos de ficar em Caxariais num albergue indicado no site dos amigos dos caminhos de Fátima, no entanto, na hora de almoço o tema surgiu à mesa, depois de explicarmos a nossa intenção, eles, amavelmente, convidaram-nos a pernoitar no centro paroquial de Caxarias. (Quis o destino que assim fosse, pois se tivéssemos seguido não encontrávamos o albergue que entretanto havia fechado!!!)

– O problema é que não temos colchões! disse.

Não foi problema. Num ápice desbloquearam a situação com um telefonema e à nossa chegada ao destino já havia uma esteira para dormir!!! 

O almoço estava óptimo mas o caminho chamava por nós…

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O final da etapa não prima pela beleza e as forças já não eram muitos, até para registos fotográficos…

…depois de banho tomado e já descansados montamos arraiais . Com a colaboração de alguns amigos deste grupo, lá apareceu a refeição, umas sopinhas e uma bifana, a sobremesa foram umas boas risadas entre dentes para não acordar os que já descansavam.

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Isto de pernoitar num espaço amplo com dezenas de pessoas tem muito que se lhe diga!!! A noite foi um autentico pandemónio de má educação!!! De madrugada a coisa parecia ir chegar a vias de facto entre dois grupos que por lá estavam, por momentos, questionei-me se estava a dividir o espaço com peregrinos ou com hooligans!!!

Onde dormir: Residencial Manalvo – tel. +0351 249574161

 

Santiago

Caxarias – Fátima – 24 Km

Hoje não posso começar o dia a dizer que foi uma noite bem dormida, que estava bem descansado e fresco como um alface… não… estava mais parecido com um repolho e os meus companheiros também… mas a noite mal dormida não esmoreceu a nossa boa disposição nem o entusiasmo da quase chegada ao santuário.

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Caxarias acordou debaixo de um manto de nevoeiro que conferia à paisagem a nostalgia que o último dia sempre traz. O fim de cada caminho é sempre algo agridoce, a satisfação da chegada em contraste com a tristeza de chegarem ao fim os dias de caminho.

Ultrapassada a primeira elevação do dia ficamos acima deste manto e foi possível contemplar um magnífico céu azul, o sol iluminava a paisagem pintando-a com as suas mais bonitas cores.

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Parte do dia dividi estrada com o João e nesta “fuga” fomos os primeiros a sentir o aroma a boa comida que, trazido pelo vento, veio ao nosso encontro e nos conduziu até ao acampamento montado ali paredes meias com o caminho.  

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Uma divinal sopa da pedra regada com um copinho… foi o tónico perfeito para que o cérebro dissesse às pernas para não andarem!!!

Mas como não podia ser, meio arrastado, prosseguimos debaixo de um sol abrasador. 

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As últimas rampas antes do Santuário são penosas… mas a força de vontade atenua a percentagem de inclinação das subidas.

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Com um par de centenas de metros ainda para andar já é possível avistar a Basílica, a emoção começa a tomar conta de todos.

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Muitos dos que aqui se deslocam fazem-no com o propósito de agradecer uma graça… e o chegar para esses é quase uma “obrigação”, o que faz com que a emoção se multiplique descontroladamente…

As lágrimas de alegria são comuns nestes momentos e hoje não faltaram à chegada. Todos tínhamos um propósito para ali estar e eu estava imensamente feliz por ter conseguido cumprir o meu e sobretudo feliz por o Nuno ter alcançado aquilo a que já algum tempo se havia proposto. Não fiquei indiferente à alegria destes amigos que dividiram o caminho connosco, pessoas simples, generosas e de um coração imenso… foi muito bom partilhar esta emoção com eles…

…é impossível não me emocionar mesmo quando a esta distância descrevo o momento.

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Chegamos mas o caminho ainda não havia sido concluído…

Voltemos à história da igreja da Palheira.

Por algum desígnio do destino não tirei foto à Igreja aquando da passagem pelo local e não me recordo de ter falhado qualquer outra igreja ou capela que estivesse ao pé do caminho!!! Por algum desígnio do caminho este grupo entrou em cena e quis o destino que me conduzissem de volta até lá para que completasse a “caderneta”.

Afinal, a pala é linda!!!

 

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Assim terminou mais um caminho, mais uma aventura… o caminho espera agora por vós! BOM CAMINHO.

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PR1 ST – Histórico Pré-Industrial

Caminhadas

De regresso a Santo Tirso para mais uma caminhada, desta feita, para percorrer o PR1 ST – Histórico Pré-Industrial, um percurso histórico e de natureza com nota máxima – folheto e track GPX aqui.

Este percurso de pequena rota, com uma distância aproximada de 8/9 Km e com um grau de dificuldade médio, tem como principais pontos de interesse a Serra Hidráulica de Pereiras, as Azenhas de Valinhas, as Quedas de Fervença, o Castro do Monte Padrão e o Rio Leça.

Iniciamos a nossa caminhada no Carvalhal de Valinhas, um bonito parque adornado por belos exemplares de carvalhos e sobreiros, alguns centenários, onde se encontra edificada a Capela de Valinhas e onde se realiza anualmente, no mês de setembro, uma romaria, a qual é já referenciada nas Inquirições-Gerais de 1758.

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Tomamos a direcção do monte Padrão por um caminho frontal ao parque, uma dúzia e passos adiante encontramos as Azenhas de Valinhas. 

Aproveitando a energia da água foram-se estabelecendo ao longo dos vários afluentes do rio Leça, alguns moinhos e azenhas, estruturas vitais para a economia local e onde se desenvolviam as mais distintas actividades, desde a moagem dos cereais, à serração e também o apisoamento de tecidos. 

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Inicia-se um pequeno ascendente sem grande dificuldade, no entanto, apesar do dia frio previsto, foi suficiente para subtrair parte da roupa que levávamos no corpo. 

Vencida esta pequena inclinação encontramos a Capela do Senhor do Padrão, uma pequena ermida setecentista, onde, reza a lenda, foi edificada no lugar onde esteve implantada a antiga igreja e mosteiro beneditino de Monte Padrão.

Abandonamos por momentos o percurso, pelas traseiras da capela, para visitar o Castro do Monte Padrão, uma belíssima estação arqueológica, bem preservada e documentada por painéis que permitem compreender a sua importância histórica. 

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A mais antiga ocupação registada no Monte Padrão reporta-se ao Bronze Final, séc. IX a.C., período cronológico, a que genericamente corresponde o período de formação da “Cultura Castreja”.

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Retomamos novamente o trilho junto à capela e seguimos na direcção do Centro Interpretativo do Monte Padrão, infelizmente encerrado (!), continuamos em cenário rural até ao lugar de Pereiras, onde se encontra instalada a Serra Hidráulica de Pereiras. 

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Um exemplo da arquitectura pré-industrial e cuja função era a serração de madeira para uso industrial e doméstico, recorrendo à força da água para mover o engenho de serrar. Está classificado como Imóvel de Interesse Público.

Nas proximidades existe um parque de merendas, sendo este, um outro ponto de inicio deste percurso.

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Deixado para trás o parque das Pereiras seguimos paralelos ao rio Leça, uma centena de metros, entrando posteriormente num caminho de terra batida, entre muros, que adiante dá lugar a um caminho pedregoso em sentido descendente que obriga a atenção.

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Voltamos a abraçar o Leça, rio que nasce na parte sul do concelho de Santo Tirso e corre para o Atlântico, onde desagua junto à cidade de Matosinhos.

Esta parte do percurso é absolutamente fantástica, nós fizemos acompanhando a direcção da corrente, tornando o percurso mais desafiante, face aos vários desníveis que se tem de ir ultrapassando, alguns bastante pronunciados, por rochas húmidas, cobertas por musgos… um autentico escorrega natural!

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Um local bucólico pintado em tons de verde e castanho,  com pequenas pontes artesanais a acrescentar magia, com o rio a cortar o silêncio em que se encontra envolvido o local e o canto dos pássaros a trazer uma, aprazível, musicalidade natural ao cenário.

As Quedas de Fervença, sucessão de pequenas cascatas que resultam de um acidente geológico natural, são o ex-libris desta parte do percurso, um espectáculo magnífico da natureza!

51556320_10215625391380709_6652494958106247168_nQueda de água da Fervença

Depois de uma pausa para capturar momentos prosseguimos o caminho, de pedra em pedra como verdadeiros “salta-pocinhas”.

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Abandonamos o rio assim que interceptamos a estrada de alcatrão… a qual seguimos por uma centena de metros para depois iniciar a última subida do dia que nos havia de conduzir novamente ao parque e Capela de Valinhas. 

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Mais um percurso descoberto, mais um dia bem passado… agora é a vossa vez… 

Boas caminhadas.

PR4 ST – Abraço

Caminhadas

Dispondo de um vasto leque de percursos pedestres para descobrir, Santo Tirso, foi o destino eleito para a mais recente aventura. Um percurso de pequena rota, com cerca de 13/14 km de extensão e com um grau de dificuldade moderado.

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Santo Tirso foi o nome atribuído ao mosteiro fundado ou reedificado, no século X, pelos monges beneditinos na localidade de Moreira de Riba de Ave, sob patrocínio de Aboaçar Ramires, filho bastardo do rei Ramiro II. O uso do termo “Mosteiro de Santo Tirso”, rapidamente substituiu o nome da localidade “Moreira de Riba De Ave”.

A informação disponibilizada no site do município (aqui) é suficiente para que se possa percorrer todo o percurso sem enganos, no entanto, porque não descarreguei a parte da “literatura” seguimos em sentido contrário ao sugerido!!!

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Partimos já não era cedo do parque de estacionamento junto aos Paços do Concelho, ainda meios desorientados, seguimos em direcção ao complexo desportivo (primeiro engano!), descemos a rua em direcção ao bonito Parque do Matadouro, por onde corre o Ribeiro do Matadouro, um afluente do Rio Ave.  O silêncio imperava, envolto num ar húmido e gelado de um final de manhã de inverno. O sol, bem se esforçava por trespassar os despidos ramos, no entanto, o corpo teimava em não aquecer! (Voltamos a entrar na rota correta)

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Depois de umas dezenas de metros paralelos à estrada fizemos o seu atravessamento e seguimos por caminhos rurais…

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No lugar da Lomba, onde o caminho bifurca para S. João do Carvalhinho e Nossa Senhora da Assunção seguimos pela segunda (segundo “engano”!)

Deste ponto até atingir o cume onde se encontra instalada a Basílica de Nossa Senhora da Assunção o percurso é sempre em subida constante, por vezes dura, adornado com bonitos quadros oferecidos pela mata do monte de Nossa Senhora da Assunção. Quem estava com frio… deixou de estar!!!

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A basílica foi concebida pelo arquiteto Korrodi sob a inspiração romano-gótica com alguns laivos de neo-romantismo. De planta em cruz grega, a sua soberba construção faz lembrar as monumentais basílicas orientais.

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A sua localização permite uma ampla visibilidade sobre a cidade e territórios vizinhos.

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O dia que se previa de céu limpo, foi momentaneamente interrompido por uma nuvem negra que fez cair, ainda mais, a temperatura que por estes dias já por si é baixa. Utilizando as paredes da basílica como protecção ao vento fizemos ali o nosso “almoço”. 

Com a temperatura corporal a voltar a níveis desagradáveis, tipo “Bater o Dente”, seguimos em sentido descendente, novamente por entre a zona de lazer da mata em direcção à Capela de Santa Cruz. 

Segundo reza a lenda esta ermida foi mandada edificar em agradecimento ao Bom Jesus da Santa Cruz, por um viajante brasileiro que se salvou de um ataque de uma cobra neste monte.

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Continuamos por entre terrenos agrícolas e florestais até à Capela de S. João do Carvalhinho, localizada num antigo castro romanizado, a capela edificada em 1702 desfruta de uma bela vista sobre o vale de Burgães, sobre o rio Ave e Monte Córdoba.

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Com a cidade na linha de vista apressamos o passo.

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Chegados novamente às imediações do parque do matadouro, corrigimos o engano inicial e percorremos o escadório da Quelha da Pêssega junto à Fonte da Maria Velha,  à qual está associada a trágica lenda de amor impossível entre o filho de um Senhor de Burgães e Maria, uma lavadeira, cujas lágrimas fizeram brotar a água da fonte.

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Terminado o percurso, partimos à descoberta dos famosos doces tradicionais da região “os jesuítas“… prometemos voltar… não só pelos jesuitas, mas no intuito de conhecer um pouco melhor este território e suas histórias.

Até lá… Boas Caminhadas.

PR1 CBT À Volta do Castelo e “Villa de Basto”

Caminhadas

Antes do virar de página de mais um ano ainda houve tempo para mais uma actividade ao ar livre, uma caminhada por terras de Basto, um percurso que já estava “agendado” há vários anos, mas, por motivos vários ainda não tinha sido possível concretizar.

PR1- À volta do Castelo de Arnoia e antiga Villa de Basto é um percurso de pequena rota que se desenvolve em dois círculos distintos. A partida e chegada acontece na aldeia do Castelo, antiga Villa de Basto que foi sede do concelho de Celorico de Basto até ao ano de 1719.

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O Castelo de Arnoia, em volta do qual todo o percurso se desenrola, é referido em documentos datados do ano de 1064, aludindo ao Castellum Celorici et oppido ibi.

Este Castelo enquadra-se na arquitectura militar da época românica, existindo nele elementos que concorrem para ser inserido nesta arte: a torre de menagem; a existência de uma única porta (a multiplicação de aberturas tornavam a defesa do Castelo mais vulnerável); a cisterna subterrânea no pátio amuralhado (com objetivo de conservar as águas pluviais perante uma possível guerra de cerco) e, por fim, o largo adarve, que define uma planta triangular.

Aproveitamos o largo da Capela de Santa Luzia para aparcar e dar inicio ao nosso percurso…

A primeira parte do percurso ou o “primeiro círculo” faz-se no núcleo habitacional próximo ao castelo e por caminhos florestais levando-nos da aldeia do Castelo até ao monte do Calvelo onde se encontra edificada a Capela do Senhor do Calvário, tem uma extensão aproximada de 4.250 m com um grau de dificuldade baixo, 

Mas, antes de lá chegar ainda há muito para ver e descobrir… desde logo as “Alminhas do Castelo“, património representativo da religiosidade que, por norma, se encontram instaladas à beira dos caminhos ou em encruzilhadas.

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Aproveitamos o fator frescura física para subir até ao castelo, ao alto da sua torre de menagem e ter o privilégio, graças ao céu limpo, avistar toda a beleza natural da região.

O Castelo encontra-se sempre aberto, pelo que a visita está assegurada…

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Terminada a visita prosseguimos em sentido descendente até à aldeia onde se destacam alguns edifícios históricos. Apesar da sua importância encontram-se em avançado estado de degradação!!! Como é o caso do edifício que albergou a Cadeia e Casa das Audiências, utilizado desde o séc XVI, símbolo do poder judicial…

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…e da Casa de Boticas, séc. XVIII, a farmácia dos tempos modernos.

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Uns metros adiante, nas imediações do Centro Interpretativo encontramos mais elementos de grande significado, o pelourinho e o tanque comunitário e fonte, este último um elemento essencial à vida da comunidade e ponto de encontro.

Deixamos para trás o núcleo habitacional e seguimos por um caminho de terra batida até ao alto do monte de Calvelo, deste local temos uma vista privilegiada sobre o Castelo e serras circundantes.

Esta primeira parte do percurso, na minha opinião, não prima pela beleza, nem tem um grande interesse histórico-cultural, à excepção do núcleo em volta do Castelo, pelo que, quem pretender fazer este PR com crianças ou para quem não pretender fazer muitos quilómetros poderá subtrair esta parte do percurso.

A segunda parte é de grau de dificuldade mais elevada, um pouco mais extensa, mais ou menos  6.750 m e mais apaixonante em termos de paisagem.  Podemos considerar que este segundo troço inicia-se a partir da passagem pelo restaurante “A Forca”, localizado ao lado do centro interpretativo.

Seguimos em sentido descendente até ao fundo do vale, por entre campos agrícolas, onde a cultura da vinha domina.

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Passagem pela Casa de Sequeiros, um solar oitocentista com capela.

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Ultrapassado um pequeno ribeiro inicia-se uma subida acentuada até ao Miradouro de Penícia, um bom ponto de paragem para retemperar forças e para fazer mais um registo fotográfico do Castelo.

Daqui temos uma maior percepção da localização, quase inacessível do Castelo, dada a forte pendente da formação rochosa onde está edificado. 

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Ultrapassada a maior dificuldade do percurso, o regresso até à aldeia do castelo faz-se sem dificuldades dignas de registo…

Os Moinhos de Combro certamente tiveram grande importância para a economia dos habitantes locais, mas hoje, são mais um amontoado de pedras com telhado, onde a vegetação se encarrega de ir tapando a desgraça em que se encontram…

Passagem pela calçada tradicional, muito antiga, a chegar ao lugar de Chelo.

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O restante percurso até à aldeia e às imediações do Castelo fez-se de forma rápida por entre belos quadros rurais…

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Um pouco mais de história sobre o Castelo de Arnóia:

“A sua construção deve ser entendida no movimento de encastelamento que entre os séculos X-XII marcou o território europeu com a intenção de defender as populações locais contra investidas inimigas.

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Todavia, não poderemos entender a construção deste Castelo em termos de defesa territorial, mas, sobretudo, como marco de um espaço geográfico em reorganização: encabeçando a Terra de Basto, gerou-se junto a ele uma povoação denominada por Vila de Basto.

No entanto, o seu isolamento e a limitação de espaço que impedia a expansão da vila poderão estar na origem da transferência da sede concelhia para a freguesia de Britelo, no ano de 1717, e que veio a ser mais tarde designada de Celorico de Basto.

O abandono do Castelo deu-se precisamente a partir do ano de transferência da sede do concelho, quando as elites deixaram a pequena Vila de Basto e fixaram residência em Britelo.

Sinónimos do abandono, no dealbar do século XX, os sinais de degradação eram evidentes nas aduelas da cobertura que se encontravam no seu interior, na silharia com rombos e múltiplas deslocações ou na torre de menagem reduzida às suas paredes.

Esta situação permaneceu até à década de 1930, quando se iniciaram as diligências com vista à classificação deste monumento. Este processo só ficou concluído em 1946 com a sua classificação como Monumento Nacional.”

fonte  | rotadoromanico.com

Agora é a vossa vez… encontramo-nos brevemente numa outra aventura, até lá, boas caminhadas.

PR3 – Fisgas de Ermelo

Caminhadas

O PR3 – Fisgas de Ermelo é um percurso circular de 12,4 Km que se inicia na Aldeia de Ermelo junto à igreja Paroquial e nos conduz pelas paisagens de excelência da serra do Alvão,. O grau de dificuldade é moderado, embora em alguns locais poderemos considerar difícil. Em termos de sinalização encontra-se muito bem sinalizado, no entanto, podem sempre fazer-se acompanhar de um ficheiro GPS – usei este.

Um percurso, na minha opinião, para ser feito durante a primavera ou o outono.

“Ermelo deriva provavelmente do germânico lo, que significa floresta e de irmin do qual existem diversas explicações entre as quais a palavra “divino” ou a referência ao antigo deus germânico de nome Irmin.

Uma outra explicação  para a palavra é eremus, proveniência latina cujo significado é solitário ou desértico.”

Caminhada

Iniciamos o nosso percurso um pouco antes do inicio oficial do mesmo, junto ao café, no coração da aldeia. Atravessamos a aldeia por entre casas e muros de xisto e à medida que abandonamos o casario, a natureza começou a abraçar-nos…

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Iniciamos a descida por entre uma paisagem bucólica que nos leva até à ponte de madeira que faz o atravessamento da Ribeira de Fervença. Daqui em diante, como diz a placa, não há wi-fi… a “conecção” é outra (já não chegava vandalizar o património!!!) e quase sempre em sentido ascendente até à aldeia de Varzigueto.

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A subida inicia-se na margem oposta, primeiro num caminho estreito, sobranceiro à ribeira, ladeado por uma protecção de cordas, abrindo adiante, para uma espécie de estradão “corta-fogo”  com bastante pedra solta… 

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Da Lomba do Bolhão, a meio da subida, já é possível observar a queda de água das Fisgas… uma pequena paragem para respirar, para registar o momento em foto e prosseguir em passo lento.

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O percurso prossegue num segmento mais técnico, por um solo em pedra que quando molhado se torna escorregadio. Quanto mais alto vamos subindo mais longe a nossa vista vai alcançando, daqui já é possível observar o monte da Senhora da Graça desde o cume até à base.

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Continuamos em sentido ascendente até ao Alto da Cabeça Grande um novo miradouro sobre a queda de água e onde é possível ter a noção exacta da profundidade do desfiladeiro por onde corre o rio Olo e que segundo o painel informativo é abrigo para uma enorme variedade de espécies animais e vegetais.

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A cascata com os seus 200 metros de desnível, feita em vários patamares é uma das maiores quedas de água de Portugal e uma das maiores da Europa.

Prosseguimos depois em direcção às Piocas de Cima, pequenas piscinas naturais que em dias de calor serão um local de paragem obrigatória para um mergulho.

Depois de um pequeno momento de descanso junto às Piocas de Cima, para ajudar a recuperar da longa subida, prosseguimos por entre o pinhal, guiados pelo brilho dos sacos de resina fincados aos troncos. Descemos até ao nível do rio que fomos percorrendo, paralelamente, até à aldeia.

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Esta aldeia incrustada sob a massa rochosa da montanha, aos 745 metros, está de mãos dadas com o rio Olo.  Depois de cruzar o povoado seguimos pela estrada. Uma centena de metros adiante, depois de passar sobre a ponte, volvemos à esquerda e prosseguimos novamente em sentido ascendente até à Cancela do Miradouro. Um deslumbrante “varandim” sobre a paisagem.

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Por um piso de alcatrão, em sentido descendente, que mais tarde dá lugar a um caminho florestal com bastante pedra solta avançamos até ao Miradouro das Fisgas de Ermelo, a oportunidade de uma nova paragem para observar a mesma paisagem de outra perspectiva.

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Se até à Cancela do Miradouro o sentido foi sempre ascendente, agora estamos no reino das terras que descem… daqui até ao Fojo pelo trilho mas difícil tecnicamente, devido à grande quantidade de pedra solta.

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Ao longo da descida é possível observar as Piocas de Baixo, no entanto, como o céu azul começou a dar lugar a um mais cinzento, acompanhado por uma massa de neblina, decidimos não descer para as ver mais de perto.

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Voltamos a entrar numa zona de bosque com belas cores, belas árvores, belos musgos, que nos acompanham até à Ponte da Abelheira, onde cruzamos o rio Olo pela última vez.

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Uma última rampa para vencer por entre muros e campos agrícolas antes de entrarmos na aldeia.

Uma mulher jovem conversava com um homem mais velho, este sentado num velho banco… do alto de um escadote, também ele velho, é atirado na nossa direcção – Boas tardes. Devolvemos a saudação enquanto a tesoura de poda prosseguia o seu trabalho por entre os ramos das videiras…

…a pacatez da aldeia é contagiante, que o digam os gatos!

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Sob o telheiro da esplanada do café da aldeia terminamos a nossa caminhada, um percurso que não deixará ninguém indiferente. Se gostaram  têm de sair à descoberta…

… Boa Caminhada.

Descida do Rio Coura

É o qu`eu digo...

Já tinha saudades… de escrever, de ler os meus textos neste fantástico blogue e, sobretudo, saudades destas aventuras a quatro.

Escrever sobre o que se passou no dia 04 de outubro não é fácil mas é a minha quota nesta aventura. Será, seguramente, mais entediante do que ver as fotos e/ou os vídeos mas a vida é mesmo assim: cada um nasce para o que nasce…

A ida ao Minho – outra vez – já estava há muito nos planos. “Durante a primavera é que deve ser porreiro” diziam uns. “No verão deve ser ainda melhor”, atiravam outros. Fomos no outono, num dia de temperaturas primaveris e com saber a verão.

À hora marcada, mais coisa menos coisa, lá partimos. Os quatro do costume a caminho de Caminha. E nada de autoestrada porque o condutor conhece cada canto e recanto deste cantinho. E lá fomos em ritmo de passeio. E antes de Caminha fica… as bolas do Natário. Desta feita não foram as originais mas as do Zé que também tem umas belas bolas… de Berlim. E lá foram três bolas (explicar o porquê de serem apenas três seria complicado e no fim continuaríamos sem entender a razão). Adiante…

Viana continua encantadora como sempre. Sem carros no centro e com um grande parque de estacionamento… gratuito. Ai se a moda pegasse!!!!

Forrado o estômago seguiu-se o tratamento às vistas. Fazer a nacional 13 entre Viana e Caminha é um verdadeiro regalo. O sol continuava a iluminar o caminho, fosse espelhado no mar ou no rio fosse reluzindo no extenso arvoredo que ladeia a estrada.

Chegados a Caminha dirigimo-nos ao restaurante previamente escolhido, contudo, cumprindo uma tradição inexplicável, estava fechado para férias. Mas, como sempre, a solução de recurso não se mostrou pior opção, bem pelo contrário. No restaurante do Sporting Clube Caminhense despachamos três robalos e quatro acompanhamentos (a explicação continua a ser complicada). O atendimento é cinco estrelas.

Seguiu-se um passeio pela zona antiga mas bem conservada de Caminha. É um postal que nos encanta e nos faz viajar. E lá chegamos ao destino. Bem no centro da cidade fica a Minh’Aventura. O Sérgio e a Diana foram os nossos anfitriões. Alguns (muitos) minutos depois estávamos equipados a rigor e prontos para seguir para o ponto de partida. Depois de uma curta viagem de carrinha, chegamos ao local mítico onde em agosto a música ganha uma nova vida: Vilar de Mouros. Não houve tempo para contemplações pois estava na hora de nos fazermos ao caminho. E desta vez o meio de transporte era bem diferente, assim como a via. Com malta experiente, seja por ação ou omissão, tudo se torna mais simples. Coletes postos e veículos no rio. Três kayaks, cinco homens e um rio (Coura) para descer. Os maiores num, os menos grandes no outro. No outro ia o Sérgio… coitado!!! Uma breve explicação sobre o trajeto e lá fomos nós para a água (bem fresquinha por sinal). Os primeiros metros foram de estudo que redundou numa grande reprovação. Ainda não tinham passado 300 metros e zás: embarcação virada e homens à água. Comprovadamente fresquinha.

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Retomados os lugares a aventura prosseguiu sob o olhar atento do Sérgio. Atento e muitas vezes perplexo. Aqueles quase todos quarentões prosseguiram em marcha lenta rio abaixo, ora contemplando a fantástica paisagem, ora encarnando jovens adolescentes em animadas pagaiadas… não na água mas nos companheiros de viagem.

A descida do rio Coura faz-se tranquilamente havendo apenas a necessidade de alguma atenção para a vegetação que em algumas zonas cobre a quase totalidade do leito do rio. Mas o silêncio e a tranquilidade abafam todo e qualquer obstáculo.

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Os primeiros quatro quilómetros fazem-se por um rio estreito ladeado por densa vegetação por onde o sol só entra a espaços. Finda esta parte do percurso segue-se uma pausa para recuperar. Um mergulho, que a temperatura da água e a forte corrente não permitem mais, e uma conversa animada preencheram estes breves minutos.

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De regresso ao kayak, a paisagem muda por completo. O leito do rio “abre-se” e a densa vegetação dá lugar a extensos canaviais. E o sol continua lá em cima a brilhar. Com a meta à vista uma nova queda.

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Na tentativa de recriar a célebre imagem do Titanic, a outra dupla foi à água. Pelo meio umas valentes gargalhadas e a certeza que nos últimos três quilómetros fizemos mais de quatro mil metros. No final estávamos todos felizes da vida, sobretudo o Sérgio por ter conseguido ver-se livre de nós.

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De novo com a farda à civil, abancamos numa pastelaria bem no centro de Caminha. E no fim foi tudo com a telha para casa (doce tradicional da região).

E assim se passou mais um dia que irá, certamente, para a galeria dos notáveis. Quando a companhia é boa tudo se torna prazeroso.

Até à próxima!!!!! Sistelo?????

texto  |  PF

Ecopista do Tâmega

Pedalada da Semana

Esta é a ecopista que melhor conheço, aquela onde mais vezes circulei embora sem nunca ter pedalado toda a sua extensão, cerca de 40 km, de uma só vez…  mas aconteceu agora.

A Linha do Tâmega ligava a estação de Livração no Marco de Canaveses à estação de Arco de Baúlhe em Cabeceiras de Basto, numa extensão aproximada de 50 quilómetros.

No entanto, em 1990 os serviços ferroviários foram cancelados entre Amarante e Arco de Baúlhe deixando a linha e todo o património ao abandono até que as autarquias dos territórios por onde a mesma passa unissem esforços para a recuperação do canal e de algumas infra-estruturas, oferecendo às suas populações uma área de excelência para a prática desportiva e de lazer.

Parti e não fui só… este primeiro troço percorre o município de Amarante ao longo de 9 km, inicia-se um pouco depois da estação local e termina na estação de Chapa.

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Atravessamento do túnel de Gatão, 150 m, o único ao longo de todo o percurso. Um pouco adiante a recuperada e belíssima estação de Gatão.

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Rodeados de verde prosseguimos a todo o vapor imaginando como seria ser maquinista noutros tempos… o privilégio de guiar a máquina ao longo de paisagens tão fascinantes.

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Nesta fase do percurso a ecopista dá lugar a um percurso de terra batida mas ciclável, estes cerca de 3 km aguardam a sua conclusão para depois das obras da possível barragem de Fridão.

Aqui entramos numa segunda etapa, a mais extensa, 21 km,  mas também a mais espectacular, com paisagens magníficas sobre o vale do Rio Tâmega. Começa um pouco antes da Estação de Codessoso e termina adiante de Canedo de Basto no lugar de Dentro.

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A estação de Celorico de Basto acolhe o núcleo interpretativo da antiga linha férrea e possui alojamento para aqueles que pretenderem fazer esta viagem por etapas e ir descobrindo o que estas terras têm para oferecer.

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O monte da Senhora da Graça ou monte Farinha, como também é conhecido, destaca-se dos demais… os seus 947 metros elevam-no até “próximo” do céu.

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Por vezes a beleza da paisagens leva-nos a distracções que deixam marcas… pequenas nódoas, grande ensinamentos. 

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No lugar da Mulher Morta em Vila Nune inicia-se a última parte desta ecopista, 5 km, quase sempre em sentido descendente leva-nos até à estação de Arco de Baúlhe, estação terminal.

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Pedalada atrás de pedalada lá se vão vencendo os quilómetros, tentando enganar o cansaço e a fome com o fim do percurso!!! A antiga estação de Arco de Baúlhe alberga o Museu das Terras de Basto, que integra um Centro Documental e um Núcleo Ferroviário, neste, para além do próprio edifício e de várias peças ligadas ao mundo da ferrovia destacam-se algum material circulante que foi recuperado.

Esta estação foi várias vezes galardoada, em 1962, com o primeiro prémio no concurso das estações floridas e em 1970 no concurso das estações bem cuidadas. Que pena os nossos governantes não dêem continuidade a estas ideias, a estes concursos.

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Iniciamos o regresso a Amarante com o estômago a roncar…

Havíamos visto em Canedo um cafézito que laborava nos antigos armazéns da estação e era essa a próxima paragem. Íamos a contar com umas sandochas mas havia comida da panela, aproveitamos para forrar um pouco melhor o estômago, acumular energia para os restantes 30 Km!!!

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Depois de muito Parar para Escutar e Olhar a paisagem terminamos mais uma aventura… agora é a vossa vez…

Folheto informativo aqui percurso GPX aqui

Boas pedaladas.

Acompanhem-me pelo Facebook e pelo Instagram

Uma espécie de bikepacking…

Pedalada da Semana

O prometido é devido, lá diz o ditado, e assim sendo não restava outra alternativa senão colocar em marcha um desafio que lancei aqui ao pequeno ciclista cá de casa.

Dois dias de aventura no formato: “uma espécie de bikepacking”!!!

Saímos de casa tão cheios de vontade de pedalar que até nos esquecemos do registo fotográfico! Depois de um pré aquecimento de meia dúzia de quilómetros aproveitamos a boleia do comboio para nos levar até Campanhã – Porto onde iniciamos oficialmente esta aventura, no entanto, a ponte Luis I, com o Porto e o rio Douro a adornar o cenário, foi o local escolhido para a foto oficial da jornada. 

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Descendo das alturas mais uma paragem para admirar a beleza da cidade do Porto, já tantas vezes observada e registada em foto, mas que nunca cansa… 

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A caminho da Afurada e seguindo a corrente do Douro cruzamos com estes engraçados Segway. O dia estava óptimo para pedaladas, um sol não muito quente e uma brisa que ajudava a controlar a temperatura corporal… e a manter os níveis de bateria no máximo.

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A capela do Senhor da Pedra é um registo fotográfico obrigatório. Sobre a sua origem já aqui falei.

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A deslocação do ar provoca sorrisos, apesar do ar de desconfiança do ciclista que segue nas minhas costas.

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Quando as imagens nos conduzem a poemas …

MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

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Depois da cidade de Espinho as ciclovias foram trocadas pelos passadiços, sob a zona dunar, próximo da linha de costa, onde o ar é perfumado pelo cheiro intenso a maresia…

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Nesta aventura, tal como na vida, nem sempre o caminho é fácil… mas uma boa atitude, espírito de sacrifício e alguma resiliência levaram a ultrapassar estes pequenos mas extensos “problemas”.

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À passagem pela Barrinha de Esmoriz, uma pausa mais demorada para contemplar como a natureza foi generosa neste pedaço de terra…

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Percorrida a fantástica Estrada da Floresta, ou melhor, percorrida a ciclovia que acompanha a Estrada da Floresta, para quem não conhece pode ver aqui, fomos relaxar um pouco junto ao atlântico.

O final da etapa estava bastante mais próxima que a linha do horizonte e entre pedaladas e dois dedos de conversa lá chegamos ao local de pernoita onde uma piscina de água bem fresca nos aguardava para um mergulho. 

Dia 2

Depois de uma noite muito bem dormida por mim e ainda melhor pelo “meu ajudante” , que apagou para o mundo logo após o jantar, iniciamos o dia, ainda o relógio não passava muito das 7 horas da manhã, para um faustoso pequeno almoço.

Continuamos em piso fofo, ciclovia, até à Torreira… e ainda bem que o piso era macio pois o meu companheiro de aventura estava a “estranhar” o seu selim! (riso)

Continuamos nas proximidades de um curso de água – Ria de Aveiro…

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Nada como uma vintena de quilómetros para normalizar, novamente, a adaptação ao selim…

Depois da Torreira finda a ciclovia e até S. Jacinto o percurso é feito por estrada, que, apesar de ter pouco tráfego obriga a atenção redobrada.  

O calor começou a apertar e com o termómetro e o conta-quilómetros para lá 30 o ânimo começou a faltar! 

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Nada que não pudesse ser resolvido ao balcão de uma pastelaria com a aquisição de “ração de combate” e umas bebidas frescas e com um pequeno período de pausa  na travessia de Ferry Boat de São Jacinto para a Gafanha da Nazaré.

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Com o sol a pique, a queimar, deixamo-nos seduzir pela frescura da sombra das palmeiras no Jardim Oudinot e aí montamos acampamento para o repasto embalados pelos acordeões de um encontro anual de amigos que ali decorria.

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De volta à estrada, com a temperatura nos 35 graus a vontade de pedalar começava a derreter…

… não faltaram as mensagens de alento…

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… nem os condimentos, paisagísticos, para ir temperando a gosto a jornada… 

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… mas por momentos o melhor cenário foi mesmo este, desde a esplanada de um café… as nossas bicicletas ali encostadas e o olhar a encantar-se pela elegância das fachadas desta pitoresca cidade.

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Regressamos a casa, não de barco, mas de comboio, depois de dois dias de aventura e partilha de experiências.

A falta de “treinos” e a centena de quilómetros percorridos fizeram-se sentir, no entanto, a alegria da jornada foi um bálsamo para as dores.

Em breve volto com novas histórias… até lá… Boas Pedaladas.

Caminho Sanabrés – Outeiro / Santiago – 17 km

Caminho de Santiago

Santiago

Num albergue com iluminação programada para ligar à hora X é difícil contrariar o contador de tempo, assim, às 06.45 h, o albergue despertou em uníssono para um novo dia.

No arranque para a última etapa todos estavam bem dispostos e de sorrisos que iluminavam os olhares, um dos dois alemães que se haviam juntado aos repetentes dos albergues anteriores decidiu avivar o despertar colocando no seu telemóvel, de forma bem audível, BILLY OCEAN – Love Really Hurts Without You, elevando o ânimo de todos para níveis estratosfericos… 

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A nossa ideia era sair bem cedo pois queríamos subir ao Pico Sacro, local onde, segundo o Códice Calixtino, esteve a primeira tumba do apóstolo Santiago, no entanto, alguns atrasos matinais retardaram a saída.

Os primeiros quilómetros são feitos numa zona de bosque que aos poucos dá lugar a um território mais rural, com o aparecimento de alguns aglomerados habitacionais.

Em Lestedo podemos desviar para visitar o já falado Pico Sacro, fica a cerca de 2 km de distância e a um desnível de cerca de 150 m, atendendo que não queríamos perder a missa do peregrino na Catedral fomos obrigados a vários cálculos, a algumas contas de cabeça para decidir o que fazer. Decidimos prescindir da subida, uma vez que, o tempo ficaria muito à justa! 

A silhueta do local acompanhou-nos durante vários quilómetros. Segundo li, lá do alto é possível avistar as torres da catedral em dias de céu limpo…

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A beleza paisagística ia esbatendo-se à medida que o contador de quilómetros ia decrescendo… a aproximação “à civilização” tem destas coisas, muitas ruas, muito trânsito, a azafama do dia-a-dia, o verde que nos acompanhou ao longo dos dias dissipa-se… dando lugar ao cinzento das construções… 

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Felizmente, já dentro deste “novo mundo”, ainda tivemos direito a um pedaço de ruralidade na passagem pelo caminho real de Piñeiro.

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Depois de cruzar a aldeia há um café, a cerca de 20 metros do caminho, fizemos uma paragem para repor energias… 

Adiante, sobre uma ponte, uma espécie de memorial onde os peregrinos vão deixando a sua marca da passagem pelo Caminho… pronúncio que o final da etapa estaria para breve.

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Já próximo da cidade percorremos a Calzada de Sar, de onde temos uma magnífica panorâmica das torres da Catedral de Santiago. O peito enche-se de alegria.

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“Trátase do tramo máis próximo a Santiago de Compostela conservado do antigo camiño real que unía Compostela co interior de Galicia e con Castela, formaba parte do tramo común de dous camiños medievais.
Foi moi importante grazas ás rutas comerciais que por el chegaban a Compostela, o que fixo que se modificase e se arranxase en numerosas ocasións durante moitos séculos dende a súa creación, e tendo en conta que a actual rúa do Cruceiro do Sar non foi aberta ate ben entrado o século XX.
A maioría do empedrado está formado por anfibolitas de formas irregulares, no centro, disponse nunha espiña central formada por pedras morfoloxicamente máis regulares, presenta tamén restos de divisións transversais a xeito de debuxo que facían tamén labores de contención do pavimento así como canles laterais para a condución da auga.
Está documentada en torno ao ano 914 aínda que podería ser anterior e varios documentos do século XVIII fan referencia aos traballos de reparación do firme, onde se mencionan as veciñas canteiras de Santa Mariña como lugar de extracción da pedra utilizada.”

fonte  |  patrimoniogalego.net

Continuamos em sentido descendente até cruzar a ponte sobre o rio Sar, daqui iniciamos a subida até à Catedral. Com a hora a apertar não tivemos tempo para visitar a Colegiata de Santa Maria do Sar, plantada à esquerda, logo depois de passar a ponte sobre o Sar. Pareceu-me um belíssimo edifício, mas a visita, ficará para uma futura passagem pela cidade.

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De repente, acabam-se as setas, as vieiras, restam as torres da catedral para nos guiar, mesmo quando estas se afundam por detrás dos edifícios o coração encontra o caminho…

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Entramos no “casco” histórico pelo Arco de Mazarelos, a única porta que se conserva da antiga muralha medieval. Segundo informação contida no “Códice Calixtino”, era através desta porta que entrava o vinho na cidade, proveniente da cidade de Ourense.

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A cada passo aumentava a emoção da chegada, como sempre a cidade fervilhava vida, peregrinos misturavam-se com turistas e habitantes locais, a mescla de sons dos diversos idiomas misturava-se no ar… entramos na Praça do Obradoiro, dezenas de peregrinos davam cor e vida à mesma, não nos detivemos muito tempo, apesar da alegria da chegada.

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Seguimos à oficina para deixar as mochilas e levantar a credencial… após o que rumamos à catedral para a missa, tendo o privilégio de assistir ao Botafumeiro… Depois das cerimónias ficamos ainda um bom tempo a assimilar todas as emoções sob o olhar do Apóstolo.

Saídos do templo, percorremos em passo contemplativo as ruas, sempre movimentadas, em redor da catedral. Recolhemos os nossos pertences, desfrutamos de um almoço relaxado num bar da Rua das Carretas, um sol tímido mantinha o corpo aquecido dando conforto à refeição…

Regressamos novamente ao Obradeiro onde nos quedamos largos minutos observando a majestosa Catedral e todo o currupio de gente. Deixamos o pensamento vaguear por aquela atmosfera de magia, enquanto o corpo parecia fundir-se naquelas pedras centenárias!

Abandonamos a praça rasgando uma diagonal, tirada a régua e esquadro, estava terminada mais uma etapa, mais uma aventura, no entanto, o Caminho continua, porque esse, nunca acaba.

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Obrigado a todos/as que foram seguindo esta aventura…

Bom Caminho.

Etapa anterior: Silleda – Outeiro

Caminho Sanabrés – Silleda / Outeiro – 25 km

Caminho de Santiago

Santiago

Acordamos para um novo dia no caminho refeitos do dia menos bom que havia sido o anterior!!!

Tomamos o pequeno almoço na cama, literalmente, e depois partimos para mais uma jornada.

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O dia estava pintado de um cinzento carregado, a prometer chuva, mas nada que intimide! Sem medos atravessamos um pequeno aglomerado habitacional, O Foxo, que segundo inscrição no local trata-se de um dos aglomerados habitacionais mais antigos da região. 

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Depois de vários dias a reclamar do facto de ter andado carregado com a capa de chuva, eis que do céu se precipitam umas quantas pingas, a essas, juntaram-se outras tantas e foi então necessário dar uso à capa, a tal que só havia andado a pesar. Cinco minutos volvidos a chuva cessou… Afinal a capa andou a pesar mas foi bem útil!!! Peregrino prevenido… vale por dois!

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Em Bandeira, uma paragem para recolher uns carimbos e dar dois dedos de conversa com um transeunte sobre uma estátua que por lá se encontrava junto a um singular campanário.

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“A Bandeira é famosa pola súa feira celebrada os días 14 e 29 de cada mes que antigamente atraía a xente de toda a comarca do Deza e das parroquias veciñas do concello da Estrada. Nas últimas décadas tamén pola Festa da Empanada que se celebra no terceiro fin de semana do mes de agosto. O seu Entroido co seu Alto dos Xenerais constitúese como a tradición entroideira máis antiga do concello de Silleda xunto cos da zona de Lamela e Dornelas.”

fonte  |  wikipédia

Continuando, entramos de novo numa bonita zona rural que nos havia de levar até Dornelas, aí há um albergue particular e café “Albergue Casa Leiras”. Foi precisamente nesse café que avistamos o grupo, numeroso, de portugueses que havíamos visto em Dózon. Um bom dia distribuído por todos, mais umas quantas palavras sobre o caminho, emprestei os meus serviços fotográficos ao grupo para uma foto de “família”…

Ficamos no exterior do café entretidos com dois engraçados gatos, cor de mel, a aproveitar uns raios de sol que timidamente iam passando por entre o céu nublado.

Eles prosseguiram… Estes são os encontros e reencontros do caminho!

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Antes de abandonarmos a aldeia, passagem por uma antiga igreja, a de San Martiño de Dornelas. Em 1115 o Couto de Dornelas é dado pela rainha Dona Urraca à “Igrexa Compostelá”, onde mais tarde edificaram este templo. Num dos seus muros pode ver-se a data de 1171, que comprova a sua antiguidade!

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Continuamos rápido, em San Miguel de Castro, paragem no café para recolher mais um sello, o grupo de portugueses começava a instalar-se no exterior, enquanto alguns elementos pediam umas cervejas ao balcão do café… Convidaram-nos para partilhar a mesa com eles. Aceitamos o convite e ali ficamos largos minutos à conversa entre dois goles de cerveja fresca.

Desta feita, fomos nós os primeiros a seguir caminho… O nosso final de etapa estava, um pouco, mais distante do que o deles…

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A vista abre-se sobre o horizonte, com vistas largas sobre o território circundante iniciamos uma forte descida, por estrada, que passa paredes meias com o “Santuario de la Virgen de Gundián”.

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“Se sabe que en San Xoán da Cova, a orillas del Ulla, existió un monasterio del siglo IX dedicado a San Juan Bautista del cual desconocemos su situación exacta. También sabemos que en el año 1571 Galicia sufrió una época de copiosas lluviosas que propició el desbordamiento de muchos ríos. Esta crecida se llevó por delante numerosos puentes y construcciones cercanas a los ríos. Una de estas crecidas afectó al Ulla que hizo desaparecer para siempre el monasterio de San Xoán da Cova. En el siglo XIX y a principios del XX aún era posible ver los cimientos del cenobio pero las obras en la primera mitad del siglo XX de Ponte Gundián provocaron que estas fueran sepultadas por el destierro provocado.
Sabemos también que los monjes de este monasterio construyeron una capilla en la orilla opuesta dedicada a la Virxe de Gundián a la que se accedía por medio de un puente de madera que cruzaba el Ulla en el lugar que hoy ocupa el Ponte Gundián. La administración eclesiástica provocó que esta parte al sur del Ulla que debería formar parte de la provincia de Pontevedra y del concello de A Estrada sea el único punto al sur del río que pertenezca a la provincia de A Coruña, al concello de Vedra y a la parroquia de Santa María Magdalena de Ponte Ulla. Esta construcción se salvó de la riada y posteriormente fue adecuada para llegar hasta nuestros días.”

fonte  |  galiciamaxica.eu

Em Ponte de Ulla voltamos a avistarmos o grupo de portugueses que nos saudaram efusivamente.  Iriam terminar a etapa aí, nós, seguiríamos até Outeiro.

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Entretanto ligamos para o albergue para saber se dispunham de utensílios e equipamentos de cozinha, do outro lado da linha, somos atendidos por um simpático alberguista que nos deu todas e mais algumas informações sobre as questões colocadas. Havia lido, em vários sites, que neste albergue a alberguista que lá prestava apoio era muito antipática e não facilitava nada a vida aos peregrinos, daí este telefonema para certificar-me se valia a pena transportar, monte acima, durante 5 km, as compras que haveríamos de adquirir no supermercado que fica a uma dezena de metros do caminho.

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Compras feitas, carregados como abelhas lá metemos pés ao caminho para os derradeiros quilómetros, quase sempre, em sentido ascendente… Apesar do excesso de peso, do caminho em subida e do cansaço acumulado, não faltou a boa disposição.

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Próximo da chegada ao albergue sobre a esquerda do caminho surge a Capela de Santiago, está situada no lugar onde, segundo a tradição, “sucedió el acontecimiento de los bueyes que trasladaron los restos del Apóstol Santiago.

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Por detrás da capela encontramos uma bonita fonte, datada de 1670, onde é feita inscrição sobre o translado dos restos mortais de Santiago e onde se encontra uma imagem de Santiago, ladeado dos seus discípulos Teodoro e Anastácio. Segundo alguns autores estas duas figuras tiveram a sua proveniência no antigo coro românico da Catedral de Santiago. 

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O albergue surpreende pelo seu aspecto exterior, mas lá chegados, ainda ficamos mais… tudo responsabilidade do fantástico alberguista Fernando, que nos acolheu da melhor forma, sendo bastante prestável e atencioso. (Para mim, foi o alberguista mais simpático de todos os dias) Ver albergues do caminho aqui.

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A desfrutar das excelentes condições do albergue, terminamos o dia na sala de estar à conversa com os demais peregrinos, bebendo as suas histórias fantásticas!

Etapa anterior: Castro Dozón – Silleda

Etapa seguinte: Outeiro – Santiago

Caminho Sanabrés – Castro Dozón / Silleda – 28 km

Caminho de Santiago

Santiago

Acordamos com o barulho vindo da cozinha e da sala de refeições. Um novo dia começava no caminho…

Estávamos de chegada ao refeitório para o pequeno almoço e já a grande maioria tinha saído, alguns iam arranjando as mochilas enquanto outros faziam a verificação das suas máquinas enquanto acondicionavam os alforges.

Lief estava de saída também, uma breve conversa e a expectativa de nos cruzarmos ao longo do dia…

O manto negro da noite dava lugar a um pano azul, aqui e ali preenchido de “pedaços de algodão” que o sol se incumbia de pintar.

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Bordeamos a igreja de San Salvador e seguimos durante alguns quilómetros nas proximidades da estrada N-525. 

 

Atravessamos a pequena aldeia de Puxallos, onde se encontra edificada a Ermida de San Roque, adiante uma paragem para brincadeiras, relembrando os bons tempos de infância e embalados seguimos caminho por entre belíssimas paisagens.

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À chegada a A Xesta a Elsa dava sinais de um mau estar estomacal, quiçá, algo tomado ao pequeno almoço, condição que se foi agravando nos quilómetros que se seguiram… fizemos uma pequena paragem junto da Capela do Carme para descansar um pouco.

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Prosseguimos rumo a Estacion de Lalin, para uma paragem num café para que pudesse tomar um chã… apesar de termos visto um café a uma centena de metros achei que ainda não teríamos chegado a Lalin… prosseguimos… uns quilómetros adiante apercebi-me que me tinha equivocado. Infelizmente para a Elsa cuja a condição havia piorado esta constatação foi bem mais penosa!!!

Continuamos rodeados de bonitas paisagens até chegar a Donsión, passagem junto da Igreja de Santa Eulália, prosseguimos caminho até A Laxe, onde, caso a situação se agravasse, ficaríamos no albergue. 

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Como caminhávamos a baixo ritmo, tínhamos tempo para ir recolhendo fotos enquanto descansávamos. Foi numa destas paragens que o caminho fez o favor de nos “trazer”, para a derradeira despedida, o nosso companheiro norueguês. Despedidas feitas, prosseguimos… 

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Em A Laxe, passagem pelo albergue que tem um belíssimo aspecto, como estava fechado prosseguimos até ao café mais próximo.

Aí, uma longa paragem, a Elsa, às voltas com o estômago, em volta da casa de banho, eu, às voltas com o estômago, em volta de um prato de tortilha!!! Eu sei, parece criminoso…

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A senhora do café informou que haveria uma camioneta daí a uma hora para Silleda, o que, perante a condição talvez fosse a melhor solução… agradecemos a informação… minutos mais tarde, voltou a acercar-se de nós para dar conta que um taxista que ia para Santiago poderia levar-nos por um preço simpático, uma vez que teria de fazer esse trajecto obrigatoriamente. Conversamos um pouco e a Elsa, estoicamente, decidiu que iria para Silleda… mas pelo seu pé.

Faltavam 8 km. Foram feitos num ritmo mais pausado permitindo viver, ainda mais, cada centímetro deste trajecto.

 

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O chá, o descanso e a casa de banho fizeram milagres, o ânimo foi recuperando pouco a pouco… 

Sobre o rio Deza ergue-se a Puente de Taboada…

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“Construido sobre el río Deza en el año 912, fecha que figura en una inscripción realizada en una roca cercana. Une la parroquia de Taboada, del municipio de Silleda, a cuyo término municipal pertenece, y la de Prado, del municipio de Lalín.

El puente de Taboada Viejo, equivocadamente llamado romano, es un puente románico que pertenecía al camino real que unía a las ciudades de Santiago y Orense. Sustituyó con seguridad a anteriores puentes construidos sobre el mismo punto, probablemente de madera, de los que tomó el nombre (Pons Tabulata) Quedó sin uso al modificarse el trazado de la carretera en la segunda mitad del siglo XIX y construirse el puente de Taboada Nuevo, siendo hoy relativamente complicada su localización para quienes quieran visitarlo.
 
La única utilidad que conserva hoy es servir de paso a los peregrinos de la Vía de la Plata.
 
El puente, de sillería, se realizó con un único arco, de medio punto y notable altura, construido sobre dos peñas que estrechan el cauce del río hasta reducirlo a unos once metros. La clave del arco se sitúa a unos nueve metros sobre el nivel del agua. Una doble rampa de casi tres metros de ancho, hecha con losas de piedra, y un antepecho compuesto por dos hiladas de sillares del mismo material completan su diseño.
 
Su construcción, bien ejecutada, es muy austera. Los únicos detalles se observan en el citado antepecho, cuyos sillares, machihembrados unos con otros para dar más solidez a la obra, fueron rematados superiormente achaflanando sus aristas. En el centro del puente, el antepecho derecho ofrece un pequeño resalto a modo de mojón. En las entradas al puente, al inicio de ambas rampas, se realizaron en los pretiles, a ras de suelo, unos desaguaderos para evitar la acumulación de agua durante las lluvias.

Pocos metros después de cruzar el puente, camino de Santiago, hay una inscripción realizada en caracteres latinos sobre la cara plana de una gran piedra, parcialmente perdida, que dice: “LaVORABERVNT isTA PONTE In ERA DCCCCL eT FVIT PERFECTA pRIDIE KL DS APIES” (Trad. Labraron este puente en era 950 y fue terminado el 31 de marzo). La era 950 se corresponde con el año 912, su fecha de construcción. 
 
El puente tiene, además, varias cruces grabadas que se pueden distinguir a simple vista en diferentes puntos, siendo la más visible la del mojón central, de unos veinte centímetros de altura. Como curiosidad, había grabado un reloj de sol en uno de los sillares del pretil perdidos en el hundimiento que sufrió el espacio de arranque del puente, viniendo de Lalín, hace unos años”

fonte  |  arquitecturapopular.es

Seguimos em sentido ascendente por entre campos até alcançarmos, uma vez mais, a N-525, do outro lado da via encontra-se a igreja de Santiago da Taboada, cruzamos a via e fizemos uma nova paragem… o sol estava quente e esta paragem em solo sagrado, à sombra de uma árvore solitária restabeleceu um pouco a energia e a moral.

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Retemperadas as forças regressamos ao caminho, cruzando novamente a via, percorremos um bonito caminho que haveria de desembocar numa zona industrial. Passamos uma tangente a esta entrando novamente num agradável bosque.

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Ultrapassados os 26 km da etapa, o calor, o ritmo baixo da jornada, faziam-se sentir… o amasso era visível nas nossas caras!!! Em Transfontao destaca-se um bonito solar do séc XVIII, do qual fazem ainda parte uma capela e um bonito e bem preservado espigueiro.

 

Descemos por um caminho, entre muros, que nos haveria de levar a mais uma bonita zona verde e dali à entrada da cidade de Silleda.

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A tarde já ia longa, seguimos direitos ao albergue particular atendendo que Silleda não dispõe de albergue publico… depois de um banho e um par de horas de descanso saímos para comprar o jantar que haveríamos de confeccionar no albergue. (ver albergues do caminho aqui)

Antes do cair da noite ainda houve vontade para uma volta pela cidade. O dia terminou na praça da Igreja de Santa Eulália de Silleda observando a despedida do astro-rei que se ia escondendo na linha do horizonte.

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Mais um dia que termina, uma batalha ganha contra a tentação de desistir…

Etapa anterior: Cea – Castro Dozón

Etapa seguinte: Silleda – Outeiro

Caminho Sanabrés – Cea / Castro Dozon – 20 km

Caminho de Santiago

Santiago

Dia 25 de abril, dia da liberdade em Portugal…

O albergue ia aos poucos despertando de mais uma noite, a quietude ia lentamente transformando-se num pequeno turbilhão de gente e pertences em circulação de um lado para o outro, o grupo de portugueses faziam ecoar pelas paredes do abrigo a canção Grândola, Vila Morena, lembrando dessa forma o dia maior para a nossa pátria.

Quando comecei a projectar este caminho, Oseira era um local de passagem obrigatória, embora não seja o caminho oficial. 

Antes de partir rumo a este pedaço de história, havia que saborear o tão afamado pão de Cea, assim o fizemos num dos cafés do pueblo e gostamos… pena a sua dimensão não “permitir” o transporte!

 

Seguimos pela rua onde se encontra instalado o monumento à padeira em direcção ao “Campo de Futebol”, aí chegados a sinalização não deixava dúvidas e seguindo a indicação prosseguimos por um bonito e luxuriante bosque.

A temperatura da manhã era agradável para quem está a caminhar, o sol que trespassava as copas das árvores, como uma lança afiada, ia dando um aconchego ao corpo e um colorido primaverial à paisagem.

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Fomos saboreando cada metro, cada passo, por entre este mar verde, por estas idílicas paisagens. Como verdadeiros “salta pocinhas” fomos contornando, conforme se podia, os pequenos e grandes regatos que inundavam o caminho… 

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Abandonamos este território de fantasia junto à minúscula aldeia de Silvaboa…

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Daqui, iniciamos uma ligeira subida. À medida que íamos ganhando altitude começamos a sentir cada vez mais a mudança da temperatura, o ar gélido que corria monte abaixo de mãos dadas com o nevoeiro irrompia através da roupa, o que obrigou a colocar mais camadas para atenuar o frio que ia sentindo.

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À passagem pela aldeia de Pieles, mais ou menos 6/7 km do inicio da etapa, existe um café… mas não paramos, o pequeno almoço reforçado de hoje permitia continuar… mais 2.5 km e chegaríamos ao Mosteiro de Oseira.

Esta região no verão de 2017 foi fustigada por um enorme incêndio, bem visível nas encostas dos montes após Silvaboa, mas aqui, embora em áreas menos extensas, destruiu património natural com centenas de anos!!!

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Ainda envolto em pensamentos tristes relacionados com a visão que vinha a ter, sou surpreendido pelo majestoso Mosteiro que se ergue acima da linha de árvores.

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O Mosteiro de Santa Maria de Oseira situa-se num local rodeado de natureza, outrora, literalmente no meio de nada, certamente terá sido esse o factor principal para a sua edificação. Foi fundado no séc XII por monges beneditinos e mais tarde passou para a Ordem de Cister, pela sua grandeza é também conhecido por “El Escorial Gallego”. No seu período áureo teve cerca de 150 monges, actualmente, tem cerca de dezena e meia. Tivemos o privilégio de fazer a visita guiada tendo a guia em regime de exclusividade, o que na verdade foi maravilhoso, pois podemos colocar questões sobre os mais variados assuntos e tivemos tempo para ver, em detalhe, cada pormenor por ela indicado. Quem por aqui passar deve fazer uma paragem e a visita é obrigatória. Para os que desejaram terminar aqui a etapa existe um albergue no Mosteiro e poderão pernoitar. Existem ainda habitações para estadias mais longas, dedicadas ao recolhimento e meditação. Conheçam um pouco mais da história do Mosteiro aqui.

Destaco neste belíssimo monumento os seus 3 claustros, a igreja, a sala de refeições e a farmácia… mas todos os restante locais são magníficos… 

 

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Maravilhados com o que vimos, mas gelados, até aos ossos, face ao frio que preenchia o interior daquelas paredes de granito, fomos aquecer para a esplanada do café que funciona nas imediações do mosteiro. Aconselho uma sandes de chouriço, ou então, um chouriço assado.

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Mais compostos iniciamos a subida, em poucos metros já o Mosteiro ficara abaixo do nível dos pés permitindo ter uma panorâmica mais abrangente da sua monumentalidade. Inicialmente o percurso faz-se por um caminho de cimento que aos poucos dá lugar a um caminho bem pedregoso e de progressão mais difícil… adiante passa a caminho de terra, bem mais tranquilo, permitindo tirar os olhos do chão e aproveitar para ver o que nos rodeava…

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Atingido o cume e perante tão bonito cenário deixámos que a natureza nos envolvesse num silêncio sepulcral sobre o fofo tapete verde… pequenos prazeres do caminho.

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Daqui saímos em sentido descendente até à aldeia de Vilarello, passagem por Carbalediña e depois de Outeiro de Corias, vencemos uma subida ligeira e tivemos passagem por um tramo onde a primavera o pintalgou com bonitas cores.

 

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Adiante, pelo caminho que nos haveria de levar a A Gouxa uma paragem para lavar as sapatilhas e os pés… esta água gelada foi uma espécie de bálsamo para o que faltava da etapa.

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Restavam 4 km para chegar a Dózon.

A localidade, à passagem, não surpreende, decidimos então rumar directos ao albergue. Aí chegados já a turma que nos vem acompanhando há vários albergues descansavam, entre os quais, o nosso amigo Lief.

Sabíamos que neste albergue existiam 3 quartos individuais e assim que a alberguista chegou solicitamos uma habitação dupla para nós e uma individual para ele. (ver albergues do caminho aqui) Foi uma boa escolha pois de seguida foram chegando bastantes peregrinos, um grupo de 8 portugueses, mais uns quantos que ainda não os havíamos visto, mais alguns bicigrinos…

Este foi o albergue com mais gente em todo o caminho!!!

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Banhados saímos acompanhados com o nosso companheiro para descobrir o povo… à passagem pela igreja de San Salvador do Castro, uma simpática senhora convidou-nos para uma visita à ermida. Acedemos ao convite e ficamos ali a “charlar” um pouco sobre a origem da mesma…

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Havia conversado com o amigo do norte e sabia que este seria o ultimo albergue em que estaríamos juntos, decidimos então preparar um jantar, no albergue, para celebrar a amizade.

O dia termina, todo o cansaço acumulado esvai-se num brinde…

Etapa anterior: Ourense – Cea (via Canedo)

Etapa seguinte: Castro Dozón – Silleda

Caminho Sanabrés – Ourense / Cea (via Canedo) – 22 km

Caminho de Santiago

Santiago

Acordamos cedo e muito bem dormidos.

Bem disposto mas com uma fome terrível apressei o arranjo das tralhas no interior da mochila e descemos ao nível zero. Saímos à rua, do bar do hotel saía um aroma inebriante a café e pão torrado, croissants e churros… ganharam os sentidos…  Entramos, de sorriso nos lábios a funcionária cuidou de nos acolher e atender muito bem…

Partimos através da velha ponte medieval, que cruzamos a passo lento para guardar na retina toda aquela beleza.

A etapa de hoje pode fazer-se por dois caminhos, por Tamallancos ou por Canedo, pela primeira temos de caminhar mais um quilómetro, pela segunda, mais estrada e a subida da “Costiña de Canedo”, uma subida considerável numa via estreita onde os carros aceleram para vencerem os 21% de inclinação. Nós já havíamos elegido Tamallancos, por ter menos estrada e disso alertamos o nosso amigo.

A bifurcação está a cerca de 250 metros da ponte, pela direita, seguimos para Tamallancos, em frente, para Canedo… e lá fomos nós… em frente!!! Ah e tal cuidado na bifurcação…. blá, blá, blá… só tivemos consciência do engano ao chegar a uma zona industrial da qual não me recordava de ter lido nada!!! 

Como o que não tem remédio, remediado está… seguimos pelo “portal do tempo”, um curioso túnel, onde a passagem de peões e automóveis faz-se de forma alternada, vencemos a Costiña de Canedo, felizmente sem grande tráfego, mas onde os poucos aceleravam ruidosamente!!! Chegados a Castro de Beiro havia a referência a um restaurante, infelizmente ainda fechado, as reservas de mantimentos que carregávamos na mochila serviram para enganar o estômago.

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Prosseguimos em frente por um extenso caminho de terra que adiante irá desembocar numa estrada que nos irá levar até próximo da aldeia de Reguengo, onde é obrigatória a paragem na “La Parada del Peregrino”, um espaço diferente, onde César faz as honras da casa e como homem viajado tem sempre tema de conversa. Recolhemos um selo e prosseguimos viagem…

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De novo envoltos de um mar verde e de pés na lama. De novo de pedra em pedra, evitando molhar e sujar as sapatilhas. De novo, não foi possível evitar conspurcar os pés!!!

Passamos a “Puente de Mandrás”, uma bonita ponte medieval de um arco, sobre o río Barbantiño e adiante aproveitamos o fontanário para higienizar. Umas centenas de metros mais e aportamos num café, para beber algo fresco, combatendo o calor que se fazia sentir e limpar o pó, entretanto, acumulado na goela.

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Continuando caminho havíamos de cruzar o local onde os caminhos se interceptam e quem é que encontramos?! Nem mais, o nosso amigo Lief!!! O caminho acaba sempre por juntar quem se quer bem… Seguimos a três até Cea, até ao albergue, este, com boas condições (ver albergues do caminho aqui).

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Cea é conhecida pelo seu pão artesanal, actividade que está bem viva na localidade e onde foi possível atestar da existência de muitas padarias que produzem este pão seguindo o ancestral processo de fabrico. O pão de Cea é um pão feito de farinha de trigo, sal e água. Os espigueiros ou “horreos” surgem como cogumelos um pouco por todo o lugar ou não fossem eles fundamentais, em tempos idos, para o armazenamento do cereal. 

Desta bonita localidade destaco na Plaza Mayor, a bonita “Torre del Reloj” datada de 1926-1928, em que cada face da mesma ostenta um relógio.

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Depois de mais umas voltas descobrindo outros cantos e recantos, lendo e aprendendo nas diversas placas informativas…. procuramos o restaurante que vimos ao entrar na povoação para forrar o bucho com algo.

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Depois, foi regressar à Casa das Netas, nome do espaço onde se encontra instalado o albergue para um merecido descanso.

Etapa anterior: Xunqueiro de Ambia – Ourense

Etapa seguinte: Cea – Castro Dozón

Caminho Sanabrés – Xunqueira de Ambia / Ourense – 22 km

Caminho de Santiago

Acordar com a sensação de não ter dormido. Era assim que me sentia!!!  De facto não dormi, no máximo, dormitei em pequenos períodos… acompanhei a marcha do relógio e o bater das horas!!!

Um “ressonador” profissional ao meu lado, a agitação de outros e a falta de espírito peregrino de alguns que da alvorada, deles, fizeram uma festa, sem respeito pelos demais, contribuíram para a sensação de ter sido atropelado por um camião de mercadorias!!!

Uma vez mais somos os responsáveis por fechar o albergue. Não muito distantes seguia o grupo de portugueses, bem dispostos…

O ar da manhã estava demasiado fresco, envolto num espesso e misterioso manto de nevoeiro. Entramos num café para o pequeno almoço, a atmosfera quente do espaço era a única coisa que me fazia não desistir de ali ficar… depois de uma meia de leite e uma torrada manhosa… iniciamos verdadeiramente a etapa.

Os dois quilômetros que se seguiram ao “desayuno” foram simpáticos e até divertidos, por entre campos, terrenos alagados que nos obrigaram a montar um puzzle mental para ir progredindo na esperança de continuar de peúgas secas… não foi possível, mas o momento arrancou sorrisos!

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Cruzamos a ponte sobre o rio Arnoia, o mais comprido da província de Ourense, 84 km desde a nascente, na serra de S. Mamede, até desaguar no río Miño.

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Desde este ponto a etapa começa a perder encanto, iniciam-se, aproximadamente, 20 km de estrada e mais estrada, em muitos momentos com trânsito pesado em circulação o que aumenta a sensação de perigo eminente.

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Ao contrário dos restantes dias, passamos por várias povoações, Outorelo, A Pousa, Salgueiros, Gaspar, A Beirada, Ousende, A Neta, A Venda do Rio, Pereiras, A Castellana, Reboredo e Seixalbo, quase todas com cafés ou mercados.

Em A Pousa, junto à estrada, encontra-se edificada a Igreja da Virgem do Caminho, continuamos em sentido descendente, adiante, em A Beirada saímos da linha, não de uma forma literal, era a do comboio, por uma passagem superior.

O tempo cinzento, os sucessivos quilómetros na beira de estrada, a noite mal dormida, a falta de pontos de interesse começaram a tornar a etapa enfadonha…

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Atravessamos o Poligono Industrial de San Cibrao, mais uma coisa “bonita” para ajudar a alegrar o estado de alma… 

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Chegados a Seixalbo, o panorama alterou-se ligeiramente e a mente despertou do torpor em que vinha envolvida. O nevoeiro havia-se dissipado na paisagem e na mente.

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Este povoado foi declarado “Conjunto de Valor Etnográfico”, dispõe de um conjunto de edifícios brasonados, um bonito cruzeiro e em tempos idos dispôs da sua própria prisão e pelourinho. Aproveitamos para fazer uma paragem, carimbar a credencial na Padaria Roberto, “carimbador” acreditado, conforme indica a placa no exterior da mesma e simultaneamente alimentar o corpo do desgaste dos primeros 18 quilometros. A Igreja de San Breixo fez as despedidas do lugar…

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Pouco mais de dois quilômetros e estamos no interior da malha urbana da cidade de Ourense, na rotunda do chafariz, as placas indicam: à direita para o albergue, em frente, para prosseguir no caminho. Meio atordoado por uma etapa tão “penosa” deixei-me seguir na direção do albergue.

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Havíamos decidido que neste dia não ficaríamos no albergue público (Porque raio é que me lembrei de tomar esta direção?!!! Cuncatano.) não queriamos ficar reféns dos horários impostos nos albergues publicos, uma vez que, a cidade oferece muito para descobrir… 

Elegemos para pernoitar o Hotel Miño, preço e localização foram fatores decisivos na escolha (ver albergues do caminho aqui) depois de um banho e de largar a mochila, que hoje já não se faz sentir de forma tão intensa, partimos à descoberta… 

Pelo “casco antigo” vamos descobrindo pequenos recantos encantadores, as ruas vão enchendo-se de gente à medida que a tarde vai avançando e nós somos transportados nessa corrente ao encontro do nosso amigo, Lief, que curiosamente não vimos durante toda a jornada e que tal como nós andava a calcorrear a cidade.

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Seguíamos a direcção da Catedral de Ourense, ele já de lá vinha e reforçou a nossa ideia de uma visita demorada à mesma.

Assim fizemos, servimo-nos da preciosa ajuda do audio-guia disponibilizado pelos serviços da Catedral para melhor ficar a perceber cada pormenor, fiquei encantado pela história, pelas estórias e pelos seus tesouros.

“A Catedral de Ourense, diz a lenda, foi mandada construir por um monarca suevo chamado Carriarico, que ao adoecer o seu filho, pediu ajuda a São Martinho de Tours e, em agradecimento, mandou construir um templo no lugar onde se encontra agora a catedral.

Foi destruída pelas incursões dos muçulmanos e voltou-se a construir durante os séculos XII e XIII, em plena época do românico. A catedral tem uma planta de cruz latina com três naves. Na sua forma atual, a construção teve início em 1160, tendo ficado concluída em meados do século XIII.

Na entrada pela porta principal, encontra-se o Pórtico do Paraíso, que se assemelha ao Pórtico da Glória da Catedral de Santiago de Compostela, e que, junto com ele, representam os melhores conjuntos escultóricos das catedrais galegas.

Este pórtico, a imagem do compostelano, não seria um pórtico com uma funcionalidade de acesso ao templo, senão que, pela sua posição, tratar-se-ia de um nártice mirador, que não se convertirá em portada de acesso no caso ourensão até meados do século XX.

Entre 1499 e 1505 construiu-se por Rodrigo de Badajoz o zimbório que coroa o cruzeiro com planta octogonal.

Das diferentes capelas que tem a catedral, a mais importante é a do Santo Cristo, com uma imagem muito venerada pelos católicos da cidade, à qual, segundo conta a lenda, lhe cresce o cabelo.

Na catedral, também se encontra o Museu Catedralicio, onde é custodiado o conhecido como o “Tesouro de São Rosendo”.”

fonte  |  wikipédia

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Prosseguimos, novamente, em direcção a mais um ex.libris da cidade “As Burgas”…

As Burgas são fontes de águas termais. Delas brotam águas termais a uma temperatura entre 64 e 68°C, com um caudal de 300 litros por minuto. Estas águas podem ser aplicadas a diversos tipos de doenças de pele.

A origem do nome “As Burgas” não é clara. Para alguns autores, pode derivar do celta “beru”, que quer dizer quente. Mas a etimologia mais aceite é a que provém do latim “burca”, pia, em alusão aos banhos romanos.

São três os mananciais: a Burga de Cima, a mais antiga, de estilo popular e pertencente ao século XVII, a Burga do Meio, colada ao muro e de estilo moderno, e a Burga de Baixo, de estilo neoclássico, do século XIX, com dois canos laterais e uma pia lavrada no centro com outro cano.

A sua origem não é clara. Uma lenda conta que nascem debaixo da capela do Santo Cristo, na catedral. Outra diz que são causadas por um vulcão em repouso, que se encontra na base do Monte Alegre e que a qualquer momento poderá voltar a entrar em erupção.

No início de 2005, em virtude de escavações não autorizadas associadas à construção de um novo balneário, foi perfurado um dos poços que alimentam As Burgas, perdendo-se 40% do manancial e secando um dos canos principais das fontes por onde jorram as águas.”

fonte  |  wikipédia

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Depois deste tratamento de beleza, onde a Elsa quase estrelou a mão, partimos à procura de um local para jantar.

Rua acima, rua abaixo, o Caminho lá tratou de voltar a juntar-nos ao companheiro do norte da Europa. Mais um divertido jantar… onde tive o cuidado de o alertar para a etapa seguinte e a sua dupla possibilidade de seguir no caminho!

Antes do descanso ainda fomos visitar a Ponte Medieval ou Ponte Velha… mais uma joia da cidade e que bonita se apresentou aos nossos olhos sob o pôr do sol.

“A Ponte Maior de Ourense, também chamada Ponte RomanaPonte Medieval ou Ponte Velha, é uma ponte sobre o rio Minho situada no centro histórico da cidade de Ourense.

Segundo a tradição a ponte teria sido construída durante o reinado do imperador romano Trajano, mas na realidade foi no reinado de Augusto, no século I d.C. Apenas a parte inferior dos pilares (algumas pedras das bases segundo algumas fontes) é da ponte original romana. A ponte fazia parte de um ramal da estrada romana Via XVIII (também chamada Geira ou Via Nova) do Itinerário de Antonino. Foi restaurada em mais do que uma ocasião ao longo da história e o seu aspeto atual é em grande parte o resultado das obras do século XVII.

A primeira menção escrita à ponte é de 1119 — no testamento de Urraca I de Leão são mencionadas as obras de restauro da ponte. A situação estratégica da ponte como nó de comunicações no centro da então província da Galécia contribuiu muito para o desenvolvimento de Ourense nos séculos seguintes à sua construção. No século XII o arco principal da ponte cedeu, o que originou uma série interminável de reparações e derrubamentos que só ficaram concluídos no século XVII. As obras finais desse século foram dirigidas por Melchor de Velasco Agüero e deram à ponte o seu aspeto atual, marcadamente medieval apesar de se manterem alguns elementos romanos originais como alguns dos arcos.”

fonte  |  wikipédia

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Depois de uma etapa infernal foi bom ter acesso ao Paraíso, o Portico entenda-se, poder purificar-me nas águas quentes das Burgas e assistir ao pôr do sol sob o tabuleiro de tão magnífico monumento.

São os momentos menos bons no caminho que engrandecem, ainda mais, os momentos bons… e são tantos… 

… voltamos a entrar na “magia do Caminho”.

Etapa anterior: Albergaria – Xunqueira de Ambia

Etapa seguinte: Ourense – Cea (via Canedo)

Caminho Sanabrés – Albergueria / Xunqueira de Ambia – 21 km

Caminho de Santiago

Santiago

Acordei bem cedo neste dia, todos no albergue ainda dormiam, deixei-me ficar dentro do casulo a observar o pouco que se avistava desde o beliche inferior… Foi uma noite calma sem os habituais “ronquidos”!!!

O albergue começa a ganhar vida, as luzes das lanternas começam a percorrer o chão de madeira, os fechos e sacos começam quebram o silêncio… coloco os pés sob as tábuas e percorro alguns metros para verificar as horas no telemóvel que tal como nós passou a noite a carregar bateria. 6.45 h! Por entre as frestas da velha porta de madeira o ar fresco, da manhã, faz-se sentir… 

Arrumamos as coisas, arrumamo-nos… já não sobrava ninguém para apagar a luz e fechar a porta, tarefa que me coube… um último olhar antes da pesada porta assinalar com estrondo o fim de um capítulo. Atravessamos a rua deserta, entramos no bar e por detrás do balcão, Luis, aguarda-nos com um sorriso tímido. Pequeno almoço tomado, alguns mantimentos para o dia… partimos.

A saída de Albergueria faz-se por entre campos e mais adiante por uma zona de mato rasteiro, embora de forma menos vincada que no dia anterior, o percurso continua em sentido ascendente até à Cruz de madeira instalada no cimo do monte Talariño, 970 m, onde iniciamos uma bonita, mas pronunciada, descida pelo vale de Allarizque nos levará até Vilar de Barrio.

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À nossa frente encontra-se a “Laguna de Antela“, o maior lago de água doce da península ibérica, não o veremos pois foi seco para ser transformado em terras de cultivo, mas podemos  “abrir a porta” à imaginação de como teria sido.

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Os primeiros 7 km do dia estavam percorridos e entramos em Vilar de Barrio…

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…chegados à plaza del Toural, no café, lá estavam os jovens franceses e o nosso companheiro norueguês que à nossa passagem apanhou boleia. A Igreja de San Pedro de Fiz fica um pouco mais adiante. 

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Passagem pela aldeia de Bóveda e de seguida pela de Vilar de Gomareite. É na saída deste povoado que entramos nas monótonas retas de terra pelo território ocupado pela já falada laguna de Antela… sem mais peregrinos na linha do horizonte, fomos alternando com Lief o comando da etapa… até que tivemos de despertar os sentidos!!!

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Um mini lago, bermas cheias de água e lodo… havia uma passagem para um campo paralelo,a uns 10 metros, mas isso implicaria molhar os pés!!! Voltamos uma centena de metros atrás e pulando o rego que separa o caminho do campo entramos por ele adentro, terra fofa, pés a enterrarem… tivemos de ativar o modo “torna-te leve”, pela frente mais um obstáculo, um matagal para atravessar… depois, mais terra fofa e pelas marcas profundas deixadas também foi atalho de alguém… saímos por uma “ponte” improvisada e voltamos à monotonia do estradão.

Chegados a Bobadela, cerca de 15 km percorridos, fizemos uma pausa num bar de uma associação do caminho, selamos a credencial, pedimos algo para comer, entretanto chegou Lief, aportou, descalçou as botas e ficamos ali enquanto o bar se ia enchendo de pessoas, talvez por ser domingo.

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A saída da povoação faz-se por um bonito bosque de carvalhos que se mantém até à aldeia de Padroso. A pausa no café fez acentuar o peso da mochila que hoje parecia estar mais pesada do que nunca apesar de só vir com o essencial e até menos que isso… os ombros doridos estavam a reclamar.

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Deixamos a aldeia e continuamos por entre bonitos quadros naturais que aos poucos vão perdendo esta magia das árvores antigas e passa para outro tipo de paisagem, de mato rasteiro… voltamos a subir.

O trilho bem delimitado entre a vegetação leva-nos até uma “porta” natural, entre aglomerado rochoso, de onde a vista se abre para um lindo quadro de copas de árvores que a primavera começa a dar cor.

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Inicia-se uma descida por entre pedras soltas e terra batida até Cimo de Vila… resta pouco para a chegada ao albergue e não faltam incentivos para lá chegar.

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O Albergue, bastante bom (ver albergues do caminho aqui), fica afastado cerca de 300 metros do centro do povo e pouco depois da nossa chegada ficou praticamente lotado! Do nosso companheiro nem sinal…

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Depois de um banho tomado e já sem mochila seguimos à descoberta… à entrada do povo destaca-se uma belíssima oficina instalada numa casa centenária.

Adiante exibe-se a bonita colegiata de Santa Maria la Real, que teve origem num mosteiro fundado no séc. X, mas que infelizmente não podemos visitar por estar fechada fora do horário da missa. Vejam aqui o seu bonito interior onde se destacam o claustro e o orgão.

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Paredes meias encontra-se o edifício do “ayuntamiento” e mais adiante no sentido em que as setas do caminho indicam a Praza do Campo, onde se encontra instalado um Cruzeiro, uma fonte e a Capela de San Pedro.

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Regressamos à praça central e no renovado albergue particular, Casa Tomás, decidimos aproveitar o menu de peregrino e jantar… entramos e nesse momento descendo as escadas do albergue lá estava ele, o norueguês, mais um excelente jantar com boa conversa… apenas interrompido pela necessidade de voltar ao albergue para fazer o registo.

Hoje os meus ombros sentiram o “peso do caminho”!

Etapa anterior: Laza – Albergaria

Etapa Seguinte: Xunqueira de Ambia – Ourense

Caminho Sanabrés – Laza / Albergueria – 13 km

Caminho de Santiago

Abril voltou a ser sinónimo de peregrinação a Santiago, este ano, uma vez mais, fui bafejado pelo bom tempo. Bom tempo para caminhar à descoberta do mundo material que me rodeia e do imaterial que em mim habita, bom tempo para deixar a mente solta como o leve voo das aves, bom tempo para deixar a lente da máquina à solta para tal como o mais astuto predador sair no encalço da melhor “presa”… Os dias sem chuva são de facto uma benção…. e assim foram, abençoados, os que de seguida descrevo e ilustro.

O caminho eleito é conhecido por diversas denominações, Via da Prata, a mais utilizada, ou Caminho Mozárabe (este refere-se exclusivamente ao caminho de peregrinação). Mas o caminho que se inicia em Granja de Moreruela, povoação situada perto de Zamora e se dirige a Santiago de Compostela, via Puebla de Sanabria e Ourense, também é conhecido por Caminho Sanabrés.

É neste caminho mágico, desde Laza, que vos convido a seguirem comigo até Santiago.

Santiago

Os 200 quilômetros que separam Laza da minha casa foram encurtados pela boa vontade de um familiar que fez o grande favor de, a um sábado bem cedo, nos colocar no ponto de partida evitando assim as longas horas de transporte público e os transferes para lá chegar.

Aí chegados, a vontade de caminhar era imensa… no entanto, este ano, a vontade era inversamente proporcional à preparação física para o efeito! Os dias maus, a falta de tempo a isso contribuiram, mas como normalmente digo, o caminho é em parte mental, logo, onde a mente for o corpo acompanha (mesmo que doa um bocadinho).

Em poucas centenas de metros chegamos ao café-bar A Picota para o primeiro selo da credencial. Para um caminho que julgava quase deserto, na primeira paragem encontrar três italianos e dois franceses em busca do mesmo foi uma surpresa!

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Saímos da Praça da Picota rasgando, em linha reta, toda a povoação até desembocar na estrada OU-113, uma companhia constante nesta etapa… antes de avançar no relato, um olhar sobre a povoação e pelo magnífico cruzeiro que se destaca à nossa passagem. O cinzento da manhã, as casas antigas, algumas delas com marcas profundas da passagem do tempo, transmitem-me uma sensação de tristeza…  quiçá as minhas sensações fossem outras se percorresse estas mesmas vias por alturas do carnaval – entroido – onde os peliqueiros enchem as ruas do burgo de cor e som… ver aqui o vídeo.

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Na estrada a atenção deve ir sempre redobrada, embora com pouco trânsito e com condutores sensíveis aos caminhantes, tendo em consideração a distância de segurança com que abordavam a aproximação… assim nos mantivemos, atentos e vigilantes, até perto de Soutelo Verde.

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Nas proximidades da povoação vemos os italianos seguirem pela estrada quando a seta indica um caminho paralelo, tentamos avisar, mas não ouviram o chamamento!!!

De telemóvel em punho, um senhor alto e de boa constituição física, que já seguia atrás de nós há algum tempo, comenta, em inglês, que estão no caminho correto. Depois de  lhe indicar a marcação e dele consultar novamente a app do caminho concluímos que ambos os trajectos nos levavam ao mesmo local… preferimos o mais afastado da via.

Aproveitamos o episódio para uma curta conversa. Os caminhos percorridos, de onde vimos, onde pensamos ficar neste dia – as perguntas cliché entre os nómadas caminheiros. Os cabelos grisalhos faziam adivinhar a passagem dos anos… mas havia muito querer e força na sua passada certa…  Da terra do bacalhau vinha este peregrino… um companheiro, nos dias que se seguiram.

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Em Soutelo Verde há um café, mas à passagem estava fechado tal qual a Capela de San Martin, edifício dos inícios do séc. XIX que inclui um “peto de ánimas” onde se pode ler: “Pasajero que vas caminando, socorro de las almas que están penando

“Manuel Quiñones Abad y Cura Párroco de esta feligresía de S. Pedro de Castro de Laza y su Anexo de Santa María de las Nieves de Carrajo.
CERTIFICO:Que viendo muy indecente la capilla de San Martín de Soutelo, sin retablo, el Santo con las manos partidas y sin pintar, la capilla muy pequeña, con respecto a la población de aquel lugar que se compone de sesenta vecinos, pues no tenía de largo más que veinte cuartas, el techo de élla y un pórtico reducido, que se había podrido y amenazando ruina, determiné hacer otra capilla, alargándola todo cuanto ha dado de sí el terreno; hacer un muro defensivo para que el río no ofenda dicho edificio; un petitorio de las ánimas; hacer pintar el retablo; componer las manos y pintar el Santo, trasladando una cruz que se hallaba enfrente de la puerta de dicha capilla vieja a la parte del lugar que se llama el Peso, haciéndola de nuevo el pedestal y dando nueva figura a la Cruz, cuya obra costó once mil cuarenta reales, sin que los vecinos concurrieran con otra cosa más que con los carretos y peonaje para dicha construcción, cuya cantidad de los once mil cuarenta reales cedo y dono en honor de Dios y del glorioso san Martín quien me ha dado ejemplo, para hacer este corto desprendimiento dividiendo su capa y dando la mitad de élla a un pobre que le pidió limosna.
Pero si en algún tiempo los vecinos de aquel pueblo intentan erigir esta capilla en parroquia, es mi voluntad haigan de dar a la parroquia de Castro los once mil cuarenta reales que me ha costado dicha obra, pues con esta condición lo cedo y ofrezco y no de otra manera.
Y para que conste en todo tiempo lo certifico y juro. Castro de Laza a quince de noviembre de mil ochocientos quince.
D. Manuel Quiñones”

fonte  |  wikipédia

Desembocando novamente na estrada seguimos um par de metros pela berma, desviamos sobre a mão direita por um caminho de terra, por entre campos, que nos irá levar até à aldeia de Tamicelas.

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Junto da igreja de Nossa Senhora da Assunção, séc. XVIII, iniciamos o forte ascendente do monte da Travesa até Albergaria, um desnível de 500 metros em apenas 5 km, o que o projecta para o pódio dos maiores ascendentes de toda a Via da Prata e Caminho Sanabrés!!!

Iniciamos por entre um agradável pinhal continuando por um estradão pedregoso… o esforço é atenuado pela magnífica paisagem que se abre sobre o vale do Tâmega, no entanto, assaltaram-me a mente pensamentos sobre se estaria, de facto, preparado para esta “empreitada”… mas de imediato outros se sobreponham, recordando outras batalhas ganhas entre mente vs corpo!!! Na parte final a subida fica ligeiramente menos dura mas só vai aliviar quando o caminho beijar, uma vez mais, a estrada OU-113.

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Descomprimindo do esforço ao longo da extensa reta entramos em Albergaria, 910 m de altitude, o nosso “porto seguro” para o primeiro dia…

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Poderíamos ter seguido até Vilar de Barrio, não foi por falta de tempo, mas pelo facto de ter lido e visto algumas fotos sobre o “Rincon del Pelegrino” aquando a preparação das etapas. Não quis, nem poderia perder a oportunidade de viver esta experiência neste lugar emblemático do caminho.

Albergaria já teve um lugar de destaque nesta rota, chegando a ter um hospital de peregrinos.  Atualmente resta o bar de Luis Sandes, lugar único, surpreendente, marcante,  de paredes revestidas com as vieiras assinadas por todos que por ali foram passando desde 2004, ano em que Luis deu asas ao sonho.

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O albergue, também ele é peculiar, cujas paredes estão a ser revestidas de vieiras face à falta de lugar nas paredes do bar. Dois autênticos oásis no meio de um quase deserto. Em redor, uma dúzia de casas onde parece haver gente a cuidar delas… e outras tantas abandonadas à sua sorte! O albergue (ver albergues do caminho aqui) é modesto mas limpo, tem cozinha e disponibiliza produtos alimentares para que possa ser feita uma refeição ligeira, em alternativa, tem o bar com outros produtos, enlatados, empanadas, ovos cozidos, pão, café, cerveja ou sumos são alguns deles. Mesmo não existindo supermercado, um “mata-bicho” está garantido.

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Destacam-se ainda no povo a pequena ermida em honra de Santa Maria e o pelourinho “El Rollo – Pena de Picota”, elemento singular na Galiza, datado do séc XV, símbolo de jurisdição, justiça e castigo… 

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Que belo primeiro dia! 

Etapa seguinte: Albergaria – Xunqueira de Ambia

Caminho Mozárabe – Via da Prata

Caminho de Santiago

Esta classificação dos albergues é meramente pessoal e visa “avaliar” os albergues / hotel / pensão no/a qual pernoitei, o conforto da camarata, os duches, a possibilidade de confeccionar uma refeição, bem como a simpatia de quem nos acolheu são fatores que entraram nessa equação. Coloco ainda alguns links para albergues públicos que se encontram ao longo deste trajeto desde Laza até Santiago. 

* Mau ** Satisfatório *** Bom **** Muito Bom ***** Excelente

LAZA

Albergue de Peregrinos de Laza

ALBERGUERIA

Albergue El Rincon del Peregrino

N.º de lugares – 20 – Donativo

Camarata – ***

Duches – ***

Cozinha – ***

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: Bom

Albergue modesto mas com grande alma. Dispõe de uma cozinha com todos utensílios que permitem elaborar uma refeição, dispõe também de uma pequena “mercearia” o que evita ter de transportar mantimentos. Para os que não pretenderem cozinhar têm o bar do Luis do outro lado da rua. Tem máquina de lavar e de secar.

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XUNQUEIRA DE AMBIA

Albergue de Peregrinos de Xunqueira de Ambia

Hora de abertura: 13 h  –  Horas de fecho: 22 h

N.º de lugares – 24 – 2 dormitórios – 6€

Camarata – ***

Duches – ***

Cozinha – ***

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Bom

Um bom albergue, com boas instalações. A cozinha está apetrechada com alguns utensílios de cozinha, com algum engenho podemos fazer uma refeição. A 300 metros do albergue existe mercado. Tem máquina de lavar e secar.

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OURENSE

Albergue de Peregrinos de Ourense

Hotel O Miño

 

O hotel está localizado muito próximo do centro e no seguimento do caminho do dia seguinte. Tem boa relação qualidade preço, bastante sossegado e com boa higiene. Do outro lado da rua onde está instalado existe um bar com comidas a bom preço.

CEA

Albergue de Peregrinos de Cea

Hora de abertura: não tem  –  Horas de fecho: 22 h

N.º de lugares – 30 +/- – 1 dormitório – 6€

Camarata – ***

Duches – ***

Cozinha – **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Bom

Albergue instalado numa casa tradicional adaptada para o efeito. Cozinha modesta e com poucos utensílios, no entanto, permite elaborar uma refeição. Nas proximidades existe padaria, mercearia, café. Tem um tanque para lavar roupa, à mão, tendo também máquina de lavar e secar.

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OSEIRA

Albergue de peregrinos do Mosteiro de Oseira

CASTRO DOZÓN

Albergue de Peregrinos de Castro Dozón

Hora de abertura: 11h  –  Horas de fecho: 22 h

N.º de lugares – 45 – 2 dormitório – 6€

3 quartos individuais – 10€

Camarata – **

Quarto – **

Duches – ***

Cozinha – **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Satisfatório

O albergue está instalado num espaço agradável, no entanto, as camaratas precisam claramente de obras, nomeadamente a nível das paredes, cheias de humidades e com sinais de infiltrações. Os quartos estão um pouco melhores neste particular. A cozinha tem poucos utensílios, mas, um cozinheiro que se preze consegue confeccionar algo. Nas proximidades existe mercado e café.

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A LAXE

Albergue de peregrinos de A Laxe

SILLEDA

El Gran Albergue de Silleda

Albergue particular, não muito distante do caminho, com supermercado por perto. Dispõe de uma cozinha um pouco limitada. 

Hora de abertura: 11h  –  Horas de fecho: não tem

10€

BANDEIRA

Albergue de peregrinos de Bandeira

OUTEIRO

Albergue de Peregrinos de Outeiro

Hora de abertura: 13h  –  Horas de fecho: 23 h (verão) – 21.30 (resto do ano)

N.º de lugares – 32 – 2 dormitório – 6€

Camarata – ***

Duches – ***

Cozinha – ***

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Muito Bom

Apesar de estar bastante afastado de tudo, bares, supermecado, é um bonito e confortável albergue. A cozinha está muito bem equipada, disponibilizam leite, café, pão para o pequeno almoço. As camaratas estão limpas e cuidadas e são bastante amplas. Com o cair da noite ficou um pouco frio e foi ligado o aquecimento. O alberguista Fernando é fantástico, muito simpático e sempre disponível para ajudar. Não havia, mas estão a tratar de colocar uma máquina de lavar e secar e frigorífico. Tem uma área de lazer muito confortável… no geral foi uma agradável surpresa face aos comentários que fui lendo pela internet. Vale o esforço de fazer a subida desde Ponte de Ulla carregado com mantimentos.

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Cicloria

É o qu`eu digo...

Revisitando virtualmente, reciclando memórias de um bonito dia a pedais por entre belos cenários, sessões fotográficas, boa disposição e um repasto manhoso!!!

Bike

Num sábado como tantos outros juntamos as vontades e lá saímos os 4 para umas pedaladas por terras da Murtosa e Torreira… pedalar em comunhão com a natureza, ao sabor da brisa e da corrente, ao sabor das nossas vontades… numa paisagem de sonho.

Eu já havia percorrido a parte norte da Cicloria (neste passeio), mas o de hoje havia de nos levar por paisagens bem mais fascinantes ao longo da planura e da Ria de Aveiro.

O tiro de parida foi dado junto ao cais da Ribeira de Pardelhas, local onde levantamos os equipamentos, cedidos, gratuitamente, pela Câmara local, disponíveis a todos que assim o desejarem bastando para o efeito o registo no site Murtosa Ciclável.

Da Ribeira de Pardelhas seguimos rumo ao Cais do Bico, por uma paisagem marcada por maninhos e terrenos agrícolas… sob o “olhar” atento dos moliceiros e dos tradicionais barcos de pesca.

Numa localidade onde mais de metade da população tem na bicicleta o seu meio de transporte preferencial, não foi dificil encontrar um companheiro para dois dedos de conversa…

E debaixo de um manto cinza lá ensaiamos uma foto estilosa, desafiando as infimas probabilidades de aparecer um carro numa estrada deserta perdida entre campos de moliço… desafiamos e tal como os irmãos Dalton fomos mal sucedidos (!) a tal viatura que nunca passa, passou… e lá tive de correr a retirar a câmera do alcatrão!!! Salvou-se o registo.

Depois de atravessar a ponte da Varela seguimos em direcção à Torreira pela ciclovia paralela à estrada nacional 327… e fomos desaguar no Atlântico…

Depois da pausa para o almoço… lá seguimos viagem um pouco desconsolados… partimos em busca de novas iguarias, a famosa tripa… mas não tivemos sorte! Alguém nos disse: – Hoje está fechado, só abre amanhã. Raisparta a sorte!

De regresso à margem sul…

Passagem pelo Cais da Béstida, de onde se avista a Torreira e de onde se avistam aves migratórias e patos, sob o som de uma orquestra de rãs. Próximo cais, o da Mamaparda, este, sem paragem…

O pedal só haveria de deixar de rolar, novamente, no cais de Pardelhas…

Neste ou noutro formato haveremos de repetir um dia assim…não sei quantos quilometros percorremos… não sei quantos registos fotográficos fiz… sei que foi um dia bem passado na companhia de bons amigos.

Um dia destes voltamos com mais… até lá, boas pedaladas ou caminhadas.

P.S. – As melhores fotos são do A. as outras são minha.

PR3 – Vale de Aveloso – Cinfães

Caminhadas

Com o “acampamento base” a poucos quilómetros de um património natural de elevada beleza, seria um crime não aproveitar essa oportunidade para passear em tais cenários, regressamos então ao concelho de Cinfães para calcorrear o quinto percurso por estas terras.

O percurso pedestre do Vale de Aveloso é um percurso circular, em forma de oito, muito bem sinalizado, com início e fim na junta de freguesia de Tendais. Um trilho de 11 Km e um grau de dificuldade moderado. Um percurso marcado pela existência de muita água,  de vertentes acentuadas, de caminhos alagados, de campos ensopados, onde fintar estes obstáculos poderá não ser tarefa fácil, principalmente, na época das chuvas.

A Freguesia de Tendais é composta por 15 lugares habitados, não existindo enquanto povoação, correspondendo apenas a uma designação que congrega todas as aldeias.  A origem do topónimo “Tendais”, segundo a lenda, teria a ver com grupos de tendeiros que há muitos anos atrás acampariam nesta região.

Depois desta breve introdução vamos meter pés ao caminho…

Com estacionamento contíguo à Igreja aparcamos aí a viatura e seguimos até à Junta de Freguesia onde se inicia o percurso. Daí começamos logo da melhor forma, em ascendente.

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Depois de fazer o atravessamento da estrada N321, seguimos por uma área rural até à aldeia de Macieira.

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Por calçadas antigas e caminhos murados seguimos até a ribeira de Covais, o seu atravessamento não foi problemático, no entanto, em dias de chuva poderá não ser fácil, quer pelo caudal da ribeira, quer pelo facto de o atravessamento ser efectuado saltando de pedra em pedra.

A região é essencialmente rural e os seus habitantes, ainda hoje, se dedicam na sua maioria a actividades agrícolas e pecuárias, com especial destaque para a criação de gado bovino (raça arouquesa), bem como ovelhas e cabras.

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Os rios correm para o mar e as águas dos montes correm para os rios e ribeiras, logo, este caminho paralelo à ribeira tornou-se numa verdadeira aventura para transpor sem molhar as meias!!!

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Um pouco adiante, o caminho oferece dupla possibilidade de seguir em direcção a Aveloso, nós optamos por seguir pela direita, a meu ver o melhor caminho, tendo em conta que o regresso foi feito pelo caminho da esquerda que nos pareceu mais irregular e ainda mais inclinado do que aquele que foi a nossa opção.

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Chegados a Aveloso, famintos e sequiosos, tratamos de inquirir a primeira pessoa com quem nos deparamos sobre a existência de um café, um tasco, ou algum local para beber… com dificuldade lá fomos encaminhados para as opções disponíveis no local… as fontes da aldeia! Do mal o menos…

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Como vem sendo hábito, o repasto fez-se em solo sagrado, sob o sol quente de inverno, com a companhia de um “fiel amigo” que parecia tão faminto quanto nós… e porque estávamos em solo de Deus, seguimos as suas demandas: – Dar de comer a quem tem fome.

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Finda a refeição não perdemos muito tempo para voltar a colocar pés ao caminho, uma visita rápida pela aldeia, deu para comprovar aquilo que saltava à vista… esta é seguramente a aldeia mais empobrecida por onde passamos, num isolamento ainda maior que qualquer das outras aldeias por aqui visitadas!!!

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A descer todos os santos ajudam e por isso não foi difícil regressar novamente ao “cruzamento do oito”. Daí seguimos a direito até à aldeia de Meridões, pelo caminho duas pausas, uma para falar com o pastor de um pequeno rebanho, que à nossa abordagem nos acolheu num sorriso franco. Ali, a quilómetros de distância da povoação onde reside, só ele, só mas não sozinho… e todo um mar de verde, os seus animais e o cantos de aves.

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Adiante, uma outra figura, mulher de estatura baixa, gasta pela passagem dos anos e pela dureza da terra, à nossa saudação, o mesmo sorriso do pastor, aberto, de felicidade como a convidar a “duas de letra”. Assim fizemos e ambos ganhamos com a conversa.

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Atravessamos o coração da aldeia e prosseguimos em direcção a Tendais. Descemos, uma vez mais, até ao nível da ribeira para vencer de seguida o último ascendente do dia.

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Desta margem é possível observar com clareza a forma engenhosa, os socalcos, como as populações venceram os desníveis acentuados das vertentes da serra adaptando-os para a agricultura.

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Guiados pela torre sineira dirigimo-nos até à Igreja local onde terminamos mais uma viagem fantástica…. 

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… Boas caminhadas.

PR5 – Caminho de Canaveses – Marco de Canaveses

Caminhadas

Uma ida até à aldeia é sempre uma oportunidade de explorar novos recantos e foi o que fizemos no final de semana… embora ponto de passagem, quase obrigatório, sempre que fazemos a viagem até “à cabana” nunca tinha sido ponto de paragem: Sobretâmega.

Sobretâmega, situa-se na margem direita do Rio Tâmega, hoje uma freguesia do concelho de Marco de Canaveses, outrora foi parte integrante desse mesmo território. Terra com grande ligação aos nossos antepassados, território de eleição da rainha D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques. Foi também terra predilecta do Rei D. Pedro e segundo reza a história terá sido aqui, na Casa da Palmatória, que o mesmo jurou a sua mãe, D. Beatriz, que terminaria a guerra com o seu pai, D. Afonso IV, facto que não se chegou a verificar. Mas as origens da vila remonta ao tempo dos romanos que terão instalado em Sobretâmega uma estância balnear aproveitando a sua nascente de águas minerais. 

É neste território inundado de boas vistas e belas histórias que se desenvolve este PR5 – Caminho de Canaveses, percurso de 8 km, circular, de grau de dificuldade fácil e que tem inicio e términos junto ao Parque Fluvial do Tâmega, junto à Igreja Românica de Sobretâmega.

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Ao longo de quase um quilómetro percorremos o parque sobranceiro ao rio… depois o percurso segue por zonas mais agrícolas, em Teixogueira encontramos uma zona de bosque que adiante dará novamente lugar à paisagem rural dos campos de cultivo e vinhedo.

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No lugar de Pombal, transpomos o rio Paçô, pela Ponte dos Asnos… 

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…de seguida faz-se o atravessamento da estrada em direção à parte histórica da freguesia, o Largo do Santo e à Rua Direita onde se encontra edificada a Casa da Palmatória, já aqui mencionada.

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Daqui seguimos em direcção a Caldas de Canavezes, onde o percurso coincide com a estrada nacional mas onde o tráfego é reduzido o que dá alguma segurança a quem ali transita. Daqui, a vista volta a abrir para belos quadros naturais.

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Passagem por este pitoresco conjunto de casas que o inverno fez o favor de revestir de musgo conferindo-lhe alguma teatralidade… para adiante passar pelo antigo Hotel das Caldas de Canaveses que por estes dias se encontra em obras e que após conclusão será, seguramente, um edifício lindo para se visitar e fotografar.

O percurso deixa a estrada e volta a entrar na zona de parque fluvial para umas centenas de metros adiante, junto da Ponte, encontrar o seu fim.

Um percurso interessante para se descobrir… Boas caminhadas

A Cachena levou-nos ao paraíso (também conhecido como Corno de Bico)

É o qu`eu digo...
Esta é a verdadeira história por detrás da caminhada…
(Nota: a visualização das fotos em ambientes com intensa vida natural, sensualidade ambiental, alegria e descontracção podem despoletar efeitos nostálgico-depressivos, dos quais somos totalmente alheios. Veja o artigo com moderação.)

De adiamento em adiamento, eis que o dia chegou: 25 de novembro, o sábado depois dos primeiros três dias seguidos de chuva. Embora os dias anteriores não augurassem nada de bom, a verdade é que a previsão bateu certo e o sol brilhou. E fez brilhar. O Corno de Bico é um verdadeiro oásis no meio do muito deserto que povoa as florestas portuguesas. Mas vamos à estória.

As já famosas “reuniões de condomínio” sucederam-se a um ritmo considerável. Depois de muita discussão, o destino ficou traçado: Posta de Cachena. Os restantes pormenores vieram depois: Arcos de Valdevez, Corno de Bico e Lagar. E assim foi. A semana anterior foi de preparação intensiva. Visualização de fotos, escolha de tracks (caminhos, entenda-se), contactos telefónicos, escolha de indumentária… Enfim, uma panóplia de procedimentos apenas ao alcance de quatro verdadeiros artistas da planificação.

Às 7 horas em casa dele e 07h15 perto da tua (mal sabiam o quão longe se tornou este perto).

E assim foi. Uns minutos depois do combinado estávamos os quatro (na verdade eram três e meio porque o dia anterior tinha feito verdadeira mossa) a caminho do Corno de Bico. A viagem foi animada tal qual um programa da “Noite da Má Lingua”. O sol, como prometido, marcou presença desde o início e foi aquecendo a fria manhã. Chegar ao Arcos foi um “tirinho”. Mais uns quilómetros e estamos no destino. A aproximação ao Túmio parece surreal de tão bela e diferente (sem fotos porque os artistas foram apanhados desprevenidos).

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No destino somos logo brindados com o tradicional calor das gentes e animais desta terra. Um senhor com ar de muita sabedoria, um burro, um cão e uma cadela. Todos, sem exceção, fizeram-nos sentir, logo ali, que seria uma aventura memorável. E foi.

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Mochilas às costas lá partimos em direção ao Corno de Bico. E com companhia. O cão e a cadela que tão calorosamente nos receberam foram uns cicerones de pata cheia e partilharam connosco cada um dos 12 quilómetros do caminho.

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Sobre o percurso pouco se pode dizer e mesmo as fotos captadas pelos dois artistas ficam aquém da realidade (ainda assim contemplem-nas porque são verdadeiras obras de arte). A paleta de cores ultrapassa, e muito, aquilo que habitualmente percecionamos. O conjunto de espécies plantadas é revelador de um bom gosto que, infelizmente, não é comum. Há cantos e recantos que mais parecem retirados de um conto de fadas. E a companhia, como sempre, fez com que tudo faça sentido. Até fazer 12 quilómetros em sofrimento físico. Mais informações e fotos sobre o percurso aqui.

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Mais de quatro horas depois voltamos ao ponto de partida. De alma saciada mas de estômago vazio. Afinal o destino ainda estava por vir. Feitas as despedidas dos nossos companheiros de quatro patas, e sob o olhar atento do burro, lá nos compusemos para enfrentar o verdadeiro desafio: a Cachena.

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Deixamos o Corno de Bico para trás e seguimos para o Lagar. Mesmo fora da época de vindimas é um lugar que se recomenda. Em pleno centro dos Arcos, este pequeno e acolhedor restaurante de cariz familiar esteve à altura dos distintos comensais. E do seu apetite.

Para começar, umas pataniscas. No ponto. Seguiram-se… mais pataniscas. A cachena também veio e fez jus à fama que nos levou ao Lagar. Mas não veio sozinha. Em fim-de-semana de papas e rojões não resistimos a cumprir a tradição. E lá se fez um mix. Aprovado. E para encerrar as festividades vieram duas fatias do “doce gastronómico” (private joke) da casa: Doce de Discos. Uma verdadeira bomba (não acústica).

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Antes do regresso ainda houve tempo para esticar as pernas num curto passeio pelas margens do rio Vez. Aqui respira-se qualidade de vida.

Venha o próximo!!!

Texto – Paulo Figueiredo
Fotografia – André Carvalho  |  Nelson Branco
Orientação & Desorientação – Victor Rodrigues

 

PR1 – Trilho Corno de Bico

Caminhadas

Caminhada

Este trilho de natureza que se desenvolve ao longo de caminhos rurais tem início e terminus no Lugar de Túmio, em Bico, Paredes de Coura. Um percurso circular de aproximadamente 8 km com um grau de dificuldade baixo (folheto do percurso aqui).

No meu caso, aproveitei para fazer parte do PR2 – Trilho Alto dos Morrões, alongando a caminhada aos 12/13 km. As marcações do percurso nem sempre estão bem visíveis e o facto de existirem vários percursos no mesmo local pode levar a enganos. O melhor mesmo é levar um GPS ou telemóvel com uma app capaz de ler este tipo de ficheiros, mesmo assim, não asseguro que não se enganem. (risos) Deixo um link do Wikiloc para ajudar na tarefa aqui. 

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Partimos de Túmio, pela esquerda, onde a estrada de alcatrão dá lugar ao caminho empedrado de acesso ao centro do lugar. Estes pequenos núcleos ainda conservam muitos aspectos identitários da arquitectura do Alto Minho, desde logo, os inconfundíveis espigueiros. 

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Seguimos por entre campos de cultivo e de pastagem onde belos exemplares bovinos vão deambulando à procura da erva mais tenra. Longe do stress, com belos pastos, este gado tem tudo para ser feliz… não admira que a carne da região seja tão procurada e afamada.

Ao longo do percurso verificamos uma elevada diversidade de espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas, que dão abrigo a um infindável números de animais e pintam a paisagem com cores e odores fascinantes, impossíveis de demonstrar através de fotografias.

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O Corno de Bico é um pequeno santuário natural, um local de grande beleza que o homem soube moldar, mas não está a saber preservar convenientemente, mantendo-o protegido do flagelo dos incêndios. Este território ao longo dos tempos já serviu de local de culto, de espaço de defesa e de linha de fronteira, de zona de pastagens e de cultivo.

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O caminho transporta-nos até a um antigo posto de vigilância das florestas, em Alto do Espinheiro, o culminar deste percurso no Corno de Bico, assinalado por um marco geodésico à cota de 883 metros. Adiante, existe uma zona de lazer ideal para restabelecer energias e um pouco mais à frente, rodeado de blocos graníticos, encontramos o miradouro natural, onde é possível apreciar a beleza da paisagem que se abre para o Vale do Rio Coura, mas também, para os Vales dos Rios Vez e Lima.

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Na década de 40, do séc. XX, os serviços florestais levaram a cabo um processo de arborização deste território, até então, um espaço “rapado”, marcado pela excessiva actividade pastoril. Nos dias que correm, encontra-se inscrito na Rede de Áreas Protegidas de Portugal. Ao preservar o espaço natural contribuem igualmente para a preservação do património humano das comunidades rurais.

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Após a descida do miradouro continuamos por um estradão florestal que, aqui e ali, abre uma grande janela visual que permite pousar o olhar na linha do horizonte. Quando assim não é há, igualmente, muito para observar… os contrastes outonais, a beleza das cores… ou partir na busca de exemplares de cogumelos. (Aqui deixo dois, mas havia mais variedade).

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De volta a uma paisagem conhecida… o carro já estava próximo!

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Não me referia a este… era mesmo ao nosso. E à boleia desta imagem termina o percurso. Um belo percurso de natureza para fazer em qualquer altura do ano, mas acredito, que no outono tenha um charme especial.

Boas caminhadas.

 

Ecopista do Rio Minho

Ciclovias e Ecopistas

Arrebatando recentemente o terceiro lugar na cetegoria de Excelência nos European Greenways Awards, competição que premeia as melhores vias verdes europeias,  a Ecopista do Rio Minho deu um salto, para o topo, na minha lista dos locais a descobrir. Rumo ao norte, lá fui aferir da justeza do galardão. 

Esta ecopista que nasceu no antigo ramal ferroviário que ligava Valença a Monção,  divide-se em dois segmentos, o de Valença (9 km) e o de Monção (6 Km), fazendo a junção em Friestas / Lapela, perfazendo o percurso um total de 15 Km, um traçado sem qualquer dificuldade, sempre paralelo ao rio.

O PERCURSO:

129,769 | VALENÇA
                 | Ganfei
132,432 | GANFEI
135,244 | VERDOEJO
137,079 | FRIESTAS
140,300 | LAPELA
                 | Troporiz
142,381 | Senhora da Cabeça
146,152 | MONÇÃO

Legenda: ESTAÇÃO  |  Apeadeiro

O Percurso de Valença inicia-se na Casa da Linha, na Ponte Seca, segue depois em direcção a Monção por entre campos de cultivo e vinhas, numa pista de cor vermelha já bastante esbatida pelo tempo. Ecopista partilhada com os amantes das caminhadas e dos patins.

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“A fundação do mosteiro foi feita no período visigótico. Segundo uma inscrição no claustro o mosteiro foi destruído no ano 1000 pelo chefe árabe Almançor, nascido em Mação, sendo reconstruido em 1018 sob o patrocínio de Ganfried ou Ganfei, um cavaleiro francês que se tornou um santo, derivando do seu nome o nome da povoação e do mosteiro.

No século XVIII construíram-se as novas fachada e capela-mor, mantendo o restante da traça românica. Em 1760 foram transferidos os restos mortais de S. Ganfei para a igreja.”

Adiante pode visitar-se a Zona de Lazer da Pesqueira dos Frades, em Verdoejo,  aqui, pode também encontrar o Cemitério Medieval e o Cruzeiro do Adro Velho.

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A ponte metálica sobre o Rio Manco, foi a primeira ponte metálica ferroviária, deste género, a ser construída em Portugal, logo, mais um local de paragem obrigatório para o registo fotográfico.

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As várias estações e apeadeiros que fui encontrando pelo caminho, encontravam-se  quase todas fechadas e, algumas, com sinais de vandalismo, no entanto, os wc`s junto das mesmas, encontram-se disponíveis a quem quiser utilizar ou somente visitar! (riso)

Seguindo viagem entramos no troço de Monção, este de cor amarelada, cujo o terminus se situa no Lugar da Barca, Lodeira,  junto à EN 403, estrada que dá acesso à ponte internacional. Mas até lá ainda temos muito para ver…

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Este segmento do percurso é igualmente belo e tem também os seus pontos de interesse. Desde logo a passagem por Lapela, um pequeno núcleo habitacional de onde se destaca a Torre Medieval, atribuída ao reinado de D. Afonso Henriques, fazia parte da cortina defensiva de fronteira. O Castelo em redor foi demolido por volta do ano de 1706, reinado de D. João V, para a construção da praça de Monção, ficando apenas erguida a torre de menagem. “A Torre de Belém do Minho” – dizem alguns dos habitantes do local!

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Outro ponto de paragem obrigatória é o Miradouro de Troporiz, um recanto bucólico do percurso, um verdadeiro postal com o rio a ter papel de protagonista. 

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Continuando a pedalada por paisagens sempre agradáveis chegamos ao final do percurso… aqui, para aqueles a quem o trajecto abriu o apetite existe um estabelecimento de fast-food.

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Concluído o percurso era hora de regressar ao ponto de partida e fazer a avaliação.

Destaco como pontos mais positivos desta Ecopista: a beleza paisagística do percurso, a tranquilidade do mesmo e a possibilidade de aliar à diversão da pedalada alguns conhecimentos históricos através do património que vamos encontrando.

Os negativos são: o encerramento e vandalismo dos edifícios das estações e as barreiras que condicionam a circulação de outros veículos na ecopista, que para além de estarem parcialmente destruídas, são obstáculos aos utilizadores. Poderiam ser substituídas por pinos.

Deveriam ser corrigidos alguns pormenores como a limpeza e reparação do pavimento em alguns pontos do percurso, recolocar a sinalética vertical e os painéis informativos.

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Embora não tenha tido a felicidade de pedalar nas restantes ciclovias nomeadas, acho que o prémio recebido é merecido… Uma excelente ciclovia para descobrir em qualquer altura do ano.

A mim foi-me sugerido pelo Paulo Almeida, do blogue nabicicleta, o outono… não sei como será percorrer esta pista nas outras estações, mas pelo que vi e registei, esta é, de facto, fantástica.

Aventurem-se na descoberta, boas pedaladas.

PR4 – Encostas da Serra – Cinfães

Caminhadas

De volta às caminhadas, de volta ao concelho de Cinfães… desta feita para percorrer o PR4 CNF – Encostas da Serra. (folheto do percurso)

Um percurso circular de aproximadamente 8 km, com um grau de dificuldade moderado, com início na aldeia de Bustelo, também conhecida por Bustelo da Lage, nome que deriva da presença de uma impressionante laje de granito na aldeia que serve de eira. As eiras são grandes espaços amplos onde se realizam tarefas ligadas às atividades agrícolas como a secagem dos cereais ou a desfolhada do milho e, por norma, localizam-se em zonas de boa exposição solar e ventos favoráveis.
Esta em particular é uma eira comunitária de rocha natural, envolta num conjunto de edificações de apoio às práticas agrícolas, como espigueiros, pequenas arrecadações e cortes de gado, por aqui também denominadas como lojas.
A importância deste espaço foi tal, e ainda continua a ser, que a aldeia recebe no seu nome essa referência.

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Aqui, é possível observar as medas de milho espalhadas pela grande laje, cones “perfeitos” construídos com as canas de milho. Com alguma atenção também é possível observar mais alguns exemplares ao longo do percurso.

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Seguimos em direcção da aldeia de Alhões, mais precisamente do Centro de BTT. O percurso segue entre muros, por um caminho que altera entre o empedrado e terra, que vai subindo de uma forma ligeira sem causar dificuldade.

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Ao longo do percurso podemos contemplar as paisagens da serra do Montemuro, onde predominam as grandes rochas graníticas de formas e dimensões variadas.

Nas proximidades do centro de BTT temos de vencer um ascendente mais duro, mas não muito longo, aí chegados, percorremos a parte final de um percurso anteriormente realizado o PR5 – Caminhos das Portas, mas desta vez em sentido inverso, descida e nova budida até à aldeia de Alhões. (Percurso, fotos da aldeia, factos sobre a mesma e dos seus principais edifícios ver aqui)

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Como já conhecíamos a aldeia e estava quase tudo visto e revisto não perdemos muito tempo a turistar. Como já ia longe a hora do pequeno almoço e com o estômago e pernas a pedirem suplementos, decidimos aportar num local para o almoço volante. 

Não podíamos ter encontrado melhor local para o efeito do que o átrio da Igreja! Foi um almoço abençoado, aquecido pelo sol do início de tarde.

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Partimos em direção a Oeste, em direção ao vale do rio Bestança por calçadas e trilhos antigos, numa longa descida. Na foto seguinte está bem pronunciado o vale e ao fundo, o Douro, para onde corre o Bestança.

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Ao atingir a base da encosta passamos sobre o rio Bestança para a margem oposta, adiante voltamos a cruzar o rio uma outra vez… em sentido oposto.

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Atravessamento efetuado inicia-se a última dificuldade do dia, a subida até à povoação… aqui tivemos de vencer uma outra dificuldade!!! “Manadas” de mosquitos!!! Com o boné a funcionar como hélice lá tentei afastar a bicharada para longe, no entanto, eles deram luta e quase ganhavam a batalha!!!

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A aldeia de Bustelo tem no granito a base das suas edificações, embora modesto, um dos edifícios que se destacam na paisagem é o da Igreja Matriz, cuja fachada se encontra virada para o vale que acabamos de percorrer.  No adro encontramos uma arca tumular antropomórfica, que parece pertenceu ao culto cristão na época da monarquia suevo-visigótica.

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Daqui ao final restam uma centena de metros entre o casario.

Para os que se quiserem aventurar neste percurso o melhor local para ancorar a viatura é próximo do café Bustelo… ponto ideal para hidratar no final da contenda!

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Brevemente voltamos aos trilhos de montanha, até lá, boas caminhadas…

PR1 – Rota do Pico da Vila – Mesão Frio

Caminhadas

De passagem por Mesão Frio, não quis perder a oportunidade de conhecer um pouco da sua história, a sua cultura e o seu património natural, para isso decidi calcorrear o trilho PR1 – Rota do Pico da Vila, diga-se de passagem, muito mal marcado, disponibilizo por isso um track em GPX, aqui, para quem se quiser aventurar e não andar à deriva.

Percurso circular, numa extensão aproximada de 11,5 Km, com alguns desníveis bastante acentuados, percorre caminhos antigos entre monte e vinhas sempre em comunhão com a jóia local, o rio Douro. Segundo panfleto do percurso, o mesmo, inicia-se na Avenida Conselheiro Alpoim, centro da vila de Mesão Frio, no entanto, no local, não foi possível vislumbrar qualquer marco ou indicação do mesmo.

Começamos o nosso percurso um pouco antes do hipotético início do mesmo, no Largo do Cruzeiro.

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“1861  é a data inscrita na cartela do espaldar, assinalando a sua construção pela Câmara Municipal na frontaria do antigo Convento da Ordem Terceira de São Francisco  onde se tinham instalado os Paços do Concelho em 1834. Em 1940  foi deslocada pela Câmara Municipal do largo onde então se erguia para o actual local, devido a ter sido aí colocado um padrão comemorativo dos centenários da nacionalidade.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Descendo a rua por entre o casario caminhamos em direcção à Rua do Balcão, nome que deve advir ao facto da zona pedonal se encontrar mais elevada em relação à via, criando um balcão, mas antes de lá chegar, mais uma paragem para observar o pelourinho da vila.

“Situado na praça que tem o seu nome, foi o primeiro símbolo de poder local, remontando à época dos romanos. Este pelourinho é constituído por uma plataforma com 3 degraus, pela base octogonal, pela coluna e pelo remate com 4 argolas ao alto formando uma cruz. O reinado de D. Afonso III contribuiu para que a implantação deste símbolo fosse uma constante em todos os concelhos como poder local de julgamento, como era em Barqueiros, Mesão Frio, Vila Marim e Vila Jusã. A partir do século XVI serviam essencialmente para afixação de editais. Foi classificado imóvel de interesse público pelo Decreto-Lei nº23 122, de 11 de Outubro de 1993.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

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Sem mudar o rumo prosseguimos até à Avenida Conselheiro Alpoim. Inicio do percurso… nem vê-lo! Aqui na Avenida destaca-se o edifício que hoje alberga os Paços do Concelho, outrora, o Convento dos Franciscanos.

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“A fundação do Convento dos Franciscanos, em Mesão Frio, não tem uma data precisa. Fortunato de Almeida, o conceituado autor da “História da Igreja de Portugal”, diz que “o Mosteiro de São Francisco de Mesão Frio foi fundado em 1724, para frades”, e Frei Henrique Rema dá o ano de 1744 como data provável da sua função. É muito possível que o edifício para alojar os frades franciscanos tivesse começado a ser edificado em 1724, e que o seu acabamento se tornasse um facto apenas vinte anos depois. Entre uma e outra data aparece ao lado da igreja do Convento a Ordem Terceira de São Francisco, em cuja direcção estiveram outrora os frades. No interior dos Claustros do Convento, podem ver-se umas escadas subterrâneas que vão dar a um túnel. O povo, sempre de imaginação fértil, criou a lenda de que nesse túnel subterrâneo existe um caminho por onde os mouros atravessam o Douro em direcção ao Convento de Barrô. Actualmente, e desde 1834, é neste edifício que funcionam as várias repartições públicas do poder judicial, administrativo e autárquico da vila de Mesão Frio.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Em frente, encontra-se a Capela de Santo António, depois das fotos tiradas seguimos pela via da esquerda… em busca de alguma indicação sobre o percurso (!) na falta da mesma foi necessário recorrer ao apoio do GPS. 

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“Mesmo em frente à Travessa da Cerca do Convento, onde principia a Av. Conselheiro Dr. José Maria de Alpoim, destaca-se uma pequena capela de invocação a Santo António, em cujo frontispício se encontra gravado o ano de 1845. Álvaro Maria de Fornellos, diz que esta capela pública foi construída por “um tal Melo de Quintela” no ano de 1845, porém, quando foi arrematada em hasta pública a Cerca do Convento dos Franciscanos, o Edital da Junta de Crédito Público, publicado a 12 de Novembro de 1842, já falava da existência dessa Capela três anos antes da data que encima o edifício.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Na certeza que estávamos na direcção correta seguimos caminho sob um sol quente. Desaconselho este percurso em dias demasiado quentes ou chuvosos, no primeiro, porque a dureza dos ascendentes e a exposição solar dos mesmo pode levar a um “esgotamento”, no segundo, porque os descendentes, ora pela vinha, ora na estrada, podem precipitar uma queda…

Chegados ao largo da Igreja de São Nicolau temos de dividir a nossa atenção entre os dois edifícios que se destacam dos demais. Um é a própria igreja…

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“A Igreja de S. Nicolau, foi profundamente alterada no século XVIII. Diz-se que é um templo de raiz românica, mas, mesmo a versão de que o primitivo templo foi fundado pela rainha Dona Mafalda, carece de testemunhos documentados que legitimem a sua antiguidade. Muitos autores querem provar a antiguidade deste templo pela espessura das suas grossas paredes, mas o seu traçado arquitectónico é uma reconstrução oitocentista (na qual se aproveitou parte das pedras que pertenciam à antiga igreja da Misericórdia). No interior da Igreja de S. Nicolau, além da talha preciosa e de objectos raros do culto sagrado, encontra-se embutida na parede lateral virada ao nascente a sepultura de D. Francisco Souto Maior Pinto, fidalgo que foi Governador de Angola e capitão – general do reino. Do lado oposto a este túmulo construiu-se, em 1595, uma Capela brasonada na qual foram esculpidas as “armas” de António de Azeredo e Vasconcelos, seu fundador. As pinturas da sacristia são atribuídas a Manuel Arnau.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

… o outro é o edifício da Misericórdia.

“Ao lado do adro da Igreja de S. Nicolau, encontra-se o edifício da Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio fundada em 1560 por André da Fonseca. O grande impulsionador desta nobre instituição caritativa foi, sem dúvida, António de Azeredo e Vasconcelos ao legar-lhe todo o património rústico e urbano que se espalhava por Gradins, Vila Verde, Fundo de Vila, Vila Jusã, Barqueiros e Barrô.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Prosseguimos adiante na expectativa de encontrar alguma indicação sobre o percurso que haveria de aparecer um pouco mais adiante. Seguindo a orientação do mesmo lá prosseguimos paralelos à Adega Cooperativa e como o caminho anunciava passagem pelo miradouro de S. Silvestre, prosseguimos pela via em sentido ascendente. Numa centena de metros ficamos logo com uma visão ampla sobre a paisagem.

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As marcações voltam a desaparecer e volta a ser necessário recorrer ao ficheiro GPS, até porque, o caminho entra numa zona florestal sem qualquer tipo de referência, a não ser, a capela e miradouro lá no alto.

Aí chegados, uma visão de 360º percorrendo o território de três distritos, Porto, Vila Real e Viseu. No ponto mais alto deste monte encontra-se instalada a Capela em honra a São Silvestre.

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“Encontra-se nos cumes deste monte, com romarias desde os tempos imemoriais, evoca o primeiro papa do mesmo nome, natural de Roma, que faleceu a 31 de Dezembro do ano de 335. Desde épocas remotas a Capela teve ermitão próprio. Esta Capela foi restaurada em 1967, e, em dia de romaria que se realiza no último Domingo de Agosto, pode o visitante admirar os ícones sagrados do papa que lhe deu o nome, do mártir São Sebastião e de Santa Bárbara, quando em procissão religiosa, aos ombros dos romeiros, os andores sobem até à Capela.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Depois de contemplada a vista prosseguimos, desta feita, em sentido descendente, por um caminho, irregular, entre as vinhas. Desde o alto podemos seguir com o olhar o caminho a tomar até ele se precipitar sobre o monte seguinte.

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Este troço irá condizir-nos até uma estrada alcatroada que uma centena de metros adiante há-de passar a terra. É nesse segmento do percurso que somos surpreendidos por uma pintura vernacular pintada numa rocha e por novas indicações sobre o percurso. 

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Seguindo adiante, por um caminho com muito pó, havemos de redireccionar a caminhada em direcção ao rio. A descida é feita por estrada, quase sempre com uma grande percentagem de inclinação, com grande prejuízo para joelhos e musculos.

Este traçado, entre quintas, leva-nos a descobrir “pequenos mimos” que essas mesmas quintas guardam, pedaços de história em forma de adornos.

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Chegados a Barqueiros, aldeia que noutros tempos assumiu grande importância na região, tendo sido sede de concelho entre 1123 e 1836 e recebido em 13 Setembro  de 1123  foral pela rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, prosseguimos ao encontro da sua igreja, cujo o orago é São Bartolomeu.

“Tem como padroeiro São Bartolomeu, não obedece a qualquer estilo arquitectónico e foi construída em meados do séc. XIX. Esta igreja tem um aspecto enorme e robusto, pois a intenção da sua construção era acolher uma população numerosa. Em 1832 foi construção da sacristia (data inscrita no lintel da porta); 1855 a data provável de conclusão da construção (data inscrita sobre a porta principal); 1888 a execução do altar-mor (no frontal lê-se: José Caetano de Carvalho ofertou e mandou dourar em 1888).”

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Adiante encontramos a Casa do Povo.

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“A Casa do Povo de Barqueiros, foi a primeira a ser inaugurada, em todo o país corporativista. Aconteceu em 12 de Agosto de 1934.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Depois de ultrapassado o núcleo habitacional inicia-se uma ligeira subida que nos conduz a mais um edifício religioso.

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“Encontra-se na encosta da margem direita do rio Douro, rodeada de socalcos com vinhas. Ergue-se isolada e de flanco, entre um aglomerado de casas e a estrada, integrando-se num adro sobrelevado em relação à mesma, formando miradouro lateral para o rio. Construção efectuada no séc. 17 ou 18, em 1758 é feita referência à capela de Nossa Senhora da Conceição nas Memórias Paroquiais da freguesia, a qual tinha imagem muito milagrosa, razão por que era muito frequentada por romaria todo o ano.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Daqui até ao próximo ponto de interesse, a estação de Barqueiros, é sempre a descer por estrada. Como tantas outras espalhadas por este país a estação / apeadeiro está encerrado e com sinais de degradação e vandalismo. Não quis deixar passar a oportunidade de registar alguns pormenores sobre as portas de acesso ao edifício.

Daqui por diante, até Vila Jusã, o caminho segue por um forte ascendente, ao longo de quase um quilômetro,onde são precisas vencer algumas rampas com 25% de inclinação. A subida altimétrica é proporcional à subida da beleza paisagística…

Daqui até ao final não dista muito, nem existem dificuldades no percurso que agora volta a entrar na malha urbana da vila de Mesão Frio.

Melhor que o relato é poderem viver a magia destes trilhos…

Boas caminhadas.

Museu do Triciclo

É o qu`eu digo...

Mesão Frio, terra conhecida como a Porta do Douro, devido a estarem colocados no seu território os primeiros marcos Pombalinos da região vinícola mais antiga do Mundo – A Região Demarcada do Douro — e também, por ser o concelho que se localiza no derradeiro limite desta região acolhe, o único, Museu do Triciclo existente em Portugal. Tive a oportunidade de o visitar recentemente e partilho convosco algumas fotos das relíquias que por lá se encontram expostas.

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Esta colecção, particular, em exposição na Quinta de São José, nasce da paixão de Jorge Rodrigues por triciclos, alimentada ao longo dos tempos pela aquisição de mais de duas centenas de exemplares, oriundos dos mais distintos lugares do planeta.

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“Eu nunca tive nenhum triciclo em pequenino, nem na minha freguesia havia nenhum triciclo (…). Quando comecei a ver triciclos, peças tão bonitas, comecei a adquiri-las. Pensei: ‘já que não tive em pequenino, vou começar a ter agora” – Jorge Rodrigues

Para além de triciclos infantis, esta colecção conta com outros velocípedes de 3 rodas, movidos a pedais ou motor, carrinhos a pedal e ainda um grande número de bicicletas.

Conta ainda com um sem número de brinquedos tradicionais, onde figuram alguns provenientes da minha terra – Valongo.


É, certamente, um local a colocar no roteiro aquando de uma passagem por terras do Douro.

PR1 – Rota dos Cerejais

Caminhadas

Aproveitando a passagem por terras de Resende fomos calcorrear este percurso de pequena rota, circular, com uma extensão aproximada de 6 Km que se desenvolve por caminhos essencialmente rurais com passagem por pequenos núcleos habitacionais e tem o seu início junto à sede da Junta de Freguesia de São João de Fontoura.

Embora nem sempre com marcações adequadas ao rumo a seguir (característica a melhorar), o caminho é relativamente intuitivo e acessível a todos… Percorrendo um amplo “anfiteatro” natural possibilita captar toda a beleza do lugar e dos lugares circundantes, beleza que é transversal a todo o território Duriense.

O povo, no desejo de encontrar explicação para um nome um pouco estranho, diz que Fontoura vem de \”fonte da toura\”. Parece mais provável porém que derive de \”fons aurea\” = fonte de ouro, classificação popular que o povo daria, já na época da colonização romana, a alguma fonte existente no local que apresentasse cor amarelada nas suas águas, fruto de minerais desagregados e em suspensão como é por exemplo, a limonite.

Pode também o povo ter querido, já então, aplicar a uma fonte de águas frescas, abundantes e cristalinas que ali houvesse, a expressão conotativa, \”de ouro\”. No lugar chamado Fontoura existe de facto, ainda hoje, uma nascente de caudal nada vulgar.
O nome de S. João vem-lhe de uma ermida antiquíssima dedicada a Baptista, que existiu no lugar do mesmo nome, nomeada já nas Inquirições de D. Afonso III (1258).

in “Resende e a sua História” – Volume 2: As Freguesias, da autoria de Joaquim Correia Duarte

O inicio do percurso tem como referência a Junta de Freguesia de São João de Fontoura, no entanto, no largo onde o mesmo se inicia destaca-se como principal elemento arquitectónico a capela de Nossa Senhora da Guia e o cruzeiro. Neste local existe um café, o “Dez Filhos”, no entanto, não sei se o mesmo se encontra em funcionamento (!), uma vez que, na hora de partida e chegada, o mesmo, encontrava-se fechado. Também com dez filhos não deve restar muito tempo para o café!

Depois de visionado a placa com as características do percurso e de umas fotos à paisagem era hora de meter os pés ao caminho. Mas por onde? Felizmente à chegada dei conta de uma seta junto à estrada, decidi então optar por seguir essa mesma seta… para lá chegar é seguir até à capela e descer a escadaria junto à Junta de Freguesia, já na estrada seguir à direita e depois seguir as indicações.

Iniciamos um descendente bastante pronunciado por entre campos recheados de árvores de fruto, onde predominam as cerejeiras… produto que é imagem de marca do concelho e que o torna o principal produtor nacional deste fruto.

Em abril e maio, o caminhante tem a oportunidade de colher algumas para degustar ao longo do percurso. 

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O percurso rasga pequenos núcleos habitacionais, quase sempre com as marcas do tempo bem marcadas nas fachadas, muitas delas, em avançado estado de ruína. Estes percursos também possibilitam o contacto próximo com alguns residentes, sempre afáveis e com tempo para dois dedos de conversa. 

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Contornando a Igreja de São João de Fontoura, que se encontrava fechada, como acontece com quase todo o património da igreja, seguimos viagem por caminho de terra batida, passagem por um fontanário com água fresca, a única coisa fresca por agora, já que a temperatura seguia em sentido ascendente. 

Ter em conta que este percurso em dias de calor pode tornar-se um pouco difícil pois está constantemente exposto ao sol e entre socalcos o ar quase não corre.

Depois do lavadouro inicia-se uma ligeira subida que nos leva até uma bifurcação, opção A, continuar a subir, opção B, descida. Na falta de indicação seguimos a opção B pois na placa iniciar observei que teriamos de transpor um ribeiro e seguir em direcção ao Rio Douro, logo, pareceu-me a opção mais válida. E estava certo.

Cruzado o ribeiro, passagem por mais um núcleo residencial, também este, bastante degradado, com o Douro já em linha de vista… houve quem se quisesse fazer ouvir e marcar território, como a dizer: – Aqui, só eu canto de galo!

Prosseguindo no passeio damos de caras com um edifício imponente, alcandorado sobre as margens do rio, nota-se que não está em abandono, mas necessita de alguma intervenção.

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CASA DE PORTO DE REI
Na freguesia de S. João de Fontoura, junto ao rio Douro, zona de encostas e socalcos podemos encontrar um dos mais belos palácios do concelho de Resende, talvez mandado construir no século XVI, por Luís de Oliveira. Estamos a falar da “Casa Grande de Porto de Rei”, também chamada “Casa Grande”.
D. Maria Clara de Carvalho e Abreu, proprietária da Casa de Porto de Rei, no século XVIII e seu irmão, José Carvalho e Abreu que foi Chanceler da Índia, mandaram-na reconstruir e ampliar, fazendo dois torreões de grande beleza.
D. José de Carvalho e Abreu foi sepultado quando morreu, em 1743, na capela do palácio, num túmulo de mármore.
Palácio de grandes dimensões. É constituído por rés-do-chão e andar nobre. Do lado poente a capela de S. António, benzida em 29 de Março de 1746 pelo Bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora. Esta capela é uma reconstrução da anterior que já devia existir no século XVI, mais pobre e tudo leva a crer noutro local.
Na fachada frontal, do lado poente, está o brasão de armas dos antigos solares, com os Macedos, Melos, Carvalhos e Abreus.
No interior do palácio existem diversos salões, com tectos riquíssimos de madeira de castanho, formando variadas figuras geométricas e uma grandiosa cozinha com descomunal chaminé, toda em pedra.
Parte da casa do lado poente pertence hoje ao Dr. João Afonso de Melo Miranda Mendes que procedeu recentemente a grandes reparações.
A quinta, que pertenceu a D. Madalena Macedo, está hoje na posse de várias pessoas estranhas à família, bem como a parte do palácio voltado a nordeste.
Dada a construção do cais de Porto de Rei, este solar pode ser um polo de atracção turístico para todo o Concelho de Resende. Dizem que o palácio tem tantas janelas quantos os dias do ano. Diz a lenda que era neste solar que D. Afonso Henriques se hospedava quando vinha a Cárquere, por ser Porto de Rei um lugar de desembarque.

fonte  |  http://solaresresende.blogspot.pt

Continuando o caminho vimos “desaguar” na margem do Douro, junto ao parque de lazer de Porto de Rei, num cenário de beleza ímpar.  Dividindo o espaço da praia fluvial encontra-se a piscina municipal com o mesmo nome do local, onde a entrada é gratuita!!!

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Aproveitamos a beleza do local, a calma e a frescura propiciada pelo arvoredo para repor alguma energia com os snacks que transportamos.

Retomamos o caminho que agora será quase sempre em sentido ascendente…

Ultrapassada a zona habitacional voltamos aos caminhos rurais e novos quadros se abrem, estes com os limites visuais bem alargados. O Douro em todo o seu esplendor!

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Voltamos costas ao rio no local onde mais um postal de região nos é apresentado e apontamos na direcção do inicio do percurso. Aí chegados não resistimos ao apelo da piscina que havíamos visto e decidimos relaxar um pouco com direito a pés de molho.

Se estiverem de passagem por esta região, aproveitem para caminhar por estes trilhos, relaxar nas margens do Douro e, porque não, degustar um peixe de rio!

Boas caminhadas. 

Caminho Inglês – Sigueiro / Santiago – 16Km

Caminho de Santiago

Ao contrário dos restantes dias, hoje o céu acordou pintado de cinzento! Também nós acordamos assim meios cinzentos… Saudades do que ainda não acabou. 

A noite foi muito bem dormida e depois de um bom pequeno almoço, tomado no albergue, saímos… 

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A etapa de hoje é curta e sem dificuldades de registo. 

Entramos no caminho, junto ao albergue, percorrendo a cidade até à Avenida de Compostela, seguimos à esquerda até passar a ponte, de origem medieval, sobre o rio Tambre, seguimos novamente à esquerda em direcção à igreja de San Andrés de Barciela.

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Prosseguimos em sentido ascendente por um caminho de terra ladeado de vegetação.

Os nossos companheiros de caminho saíram cedo, tal como nos restantes dias, mas não tão cedo que não fosse possível um abraço… Hoje, voltamos a contar com a companhia do Hector ao longo da etapa e os três quebramos o silêncio por onde íamos passando.

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Passagem junto à ermida de Nuestra Señora de Agualada. 

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Hoje o caminho percorre, muitas vezes, paralelo a estradas com bastante tráfego, a paisagem alterna como do “inferno” para o “céu”!!!

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A cidade aproxima-se a cada passo. Quanto mais perto chegamos, menos vão sendo as setas e as conchas. Quanto mais perto chegamos, mais forte bate o coração. Quanto mais perto chegamos, usamos os pináculos da catedral como guia.

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Entramos na Praça do Obradoiro, lado a lado, chegamos ao fim de mais uma etapa. Juntamo-nos a tantos outros que, como nós, enchiam o rosto de sorrisos. Tiramos as fotos da praxe e seguimos para recolher a compostela.

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Com uma fila interminável e com a hora da missa a aproximar-se Héctor partiu para a catedral, nós continuamos ali, pois saíamos quase de seguida para casa. Despedimo-nos com um até já… sem saber se o encontrariamos.

Partimos para a catedral depois de obtida a credencial, uma, duas, três voltas e nada do nosso amigo, nada dos nossos amigos. Regressamos para apanhar as mochilas. À saída da oficina do peregrino, Erik e Peter, aparecem… sempre com um sorriso contagiante. Um abraço selou a despedida. 

Seguimos um pouco tristes por não poder dar um último abraço aos restantes, em especial, ao nosso maior companheiro destes dias! Rasgamos a praça novamente enquanto do céu caiam uns finos pingos de chuva… talvez uma purificação da alma.

Terminada a parede da catedral, já sem expectativas de o encontrar, olhamos em simultâneo para a rua de Fonseca… e ao fundo… lá vinha ele.

Entretanto, do lado oposto, chega Pat… de quem também nos despedimos.

Como é mágico este caminho!!!

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Um último abraço e de coração cheio seguimos pelas ruas de Santiago em direcção a casa…

Obrigado a todos que partilharam a estrada connosco, obrigado a todos que ajudaram a que o caminho fosse mais “leve” e mágico. Obrigado a si que leu estes textos que não são mais que um testemunho na expectativa de poder ajudar a quem vai ou a impulsionar a quem quer ir.

Não foi o fim do caminho, pois esse, nunca acaba!

Caminho Inglês – Hospital de Bruma / Sigueiro – 25Km

Caminho de Santiago

Um novo dia começa à mesa do Café Graña…

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Atendendo a que o final da etapa de hoje termina numa localidade sem albergue publico, decidimos fazer marcação, no dia anterior, para um dos albergues existentes o que dá liberdade para aproveitar a etapa ao máximo.

Assim, embora tenhamos acordado às horas de sempre pudemos sair do albergue um pouco mais tarde que o habitual (8h00)… 

Hoje contamos desde a primeira hora com a companhia do Hector.

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Ao contrário da etapa anterior, o dia de hoje, não apresenta qualquer tipo de dificuldade, percorrendo boas estradas e caminhos sem elevações dignas de registo.

Na etapa de hoje há que ter em conta os pontos de abastecimento, uma vez que, depois do café em Hospital de Bruma só temos novos pontos aos 3, 7 e aos 12 Km, este último, encerrado às segundas-feiras, o que no nosso caso obrigou a caminhar quase toda etapa sem qualquer reforço alimentar. 

Logo após o Café Granã encontramos, do lado esquerdo da via, a Capela de San Lorenzo.

 

“A ermita de San Lorenzo se encuentra en la localidad de Bruma, perteneciente al ayuntamiento de Mesía. Fue construida a mediados del siglo XVI, por lo que su estilo predominante es el gótico tardío. A pesar de que el templo  ha sufrido algunas remodelaciones a lo largo de los años, aún conserva el arco de triunfo primigenio, encontrándose actualmente escondido detrás de un falso techo.”

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Por estradas rurais, quase sem tráfego, caminhamos lalinhados ocupando toda a via… vamos falando um pouco de tudo e fazendo piadas sobre os acontecimentos dia anterior, mais concretamente, sobre uns tais 3 km inscritos num mural, mas que na realidade eram mais… Na verdade, para nós, qualquer ponto ficará sempre a 3 Km de qualquer coisa, mesmo que esteja a 20!

Passagem pela Paróquia de San Pedro de Ardemil.

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Por volta do 3º quilómetro, em Cabeza de Lobo, encontramos o primeiro café e umas singulares esculturas de algum artesão local ou, quiçá, escultor famoso!!! Destacam-se nestas obras, a escultura dos tractores, certamente homenageando os homens da localidade com grande ligação à vida do campo, a escultura de Santiago, pela sua dimensão, fazendo todo o sentido o local da sua instalação e uma escultura de outros tempos… um mega dinossauro!

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Adiante… 

Por caminho de terra e numa zona de bosque seguimos até à localidade de A Rua.

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Logo à entrada de A Rúa (mais ou menos a 7/8 Km do inicio da etapa) encontramos, do lado esquerdo, o primeiro café (fechado às segundas de tarde). Nova paragem para um café.

Logo de seguida encontramos a igreja de San Paio ou San Pelayo, santo que foi martirizado em Córdoba, com apenas 14 anos, representação que se encontra bem visível na  imagem instalada, no nicho, no exterior da igreja. 

Após a ermida há outro café.

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Seguimos caminho no Caminho. Por trilhos de terra, entre campos, com o verde a imperar na paisagem, seguimos com paragem marcada no café ao quilômetro 12, para almoço ou algo que se assemelha-se.  

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Em A Calle, a paragem no programado café “O Cruceiro”… mas… sem direito a almoço, dado que, à segunda-feira, o dito está fechado!!! Sem alternativas nas redondezas, não restou outra possibilidade senão vasculhar o interior da mochila em busca de algo para mastigar! Com alguma sorte lá encontrei dois pedaços de pão seco… que a dividir por 3 e juntando bastante água deu para sobreviver! 

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Depois da igreja, um trio de senhoras assistia à passagem dos peregrinos… após uma troca de palavras amigas, uma delas, prontifica-se para ir a casa buscar um pacote de bolachas, agradecemos, mas declinamos a boa vontade.

Seguimos caminho na berma da estrada durante alguns quilómetros. A conversa distraía a mente e afastava do pensamento: “Quero comida!”

A etapa vai alternando de piso, com frequência, até chegarmos à aldeia de Baxola, ao quilómetro 17. Através de uma passagem inferior, cruzamos a auto-estrada AP-9 e meia dúzia de centena de metros, viramos à direita…

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… para seguir ao longo de mais de 5 Km esta, infindável, recta que nos transporta, quase, até à entrada de Sigueiro.

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Passada a zona industrial de Sigueiro o primeiro avistamento de uma placa com a indicação de “Santiago”.

No final deste trajecto, volvemos à esquerda para entrar num parque que faz ligação ao centro da cidade. Sem sair das marcações do percurso continuamos em direcção ao albergue. Mas antes disso… paragem no primeiro café que apareceu para beber uma caña e comer algo. Que bem soube aquele liquido fresquinho a limpar o pó acumulado na garganta!!!

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Uma centena de metros adiante, sem desviar do caminho, surge o albergue “Caminho Real” (ver albergues do caminho aqui).

Muito bom acolhimento por parte dos proprietários Alicia e Pepe fazendo-nos sentir em casa. 

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Depois do banho o descanso dos guerreiros… Dennis, Pat, Peter e Erik!!!

Aproveitando as boas condições da cozinha e o facto de nas proximidades haver supermercado e mercearia resolvemos ficar pelo albergue e preparar o jantar… para quem não quiser há restaurantes próximo.

Começa o assalto dos sentimentos de nostalgia e tristeza pelo aproximar do final da aventura. 

Hora de descanso… 

Etapa seguinte (basta clicar para abrir uma nova etapa):

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

Caminho Inglês – Betanzos / Hospital de Bruma – 29Km

Caminho de Santiago

Dormir num albergue é uma experiência que qualquer peregrino tem de vivenciar, se bem que, dormir não seja a palavra mais adequada para utilizar.

Deitar cedo não pressupõe dormir mais, o albergue leva o seu tempo a acalmar completamente, são as saídas para a casa de banho, é o peregrino que se lembrou de algo e mexe na mochila e na catrafada de sacos plásticos fazendo um barulho infernal, é outro que liga a lanterna e coloca-a em modo holofote, é o vira que vira nos sacos camas… mas há um momento em que tudo acalma e é nesse intervalo de 4/5 horas que temos de dormir, isto porque, ainda vamos estar no “primeiro sono” já há alguém a levantar-se para se pôr a caminho… desta vez aconteceu com os meus “vizinhos” do lado! 4.50h?!!! Não queria acreditar.

Depois de várias tentativas, infrutíferas, para voltar ao sonho, depois de mais de meio albergue se começar a movimentar, não houve outra alternativa senão levantar e meter os pés ao caminho naquela que é a etapa mais longa e onde se sobe ao ponto mais alto no caminho inglês!

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Pouco passava das 7 e estávamos pronto para mais um dia… e não fomos nós os únicos a acordar cedo… o sol fez o mesmo!!!

Ter em conta de tomar o pequeno almoço no albergue, ou, caso saiam um pouco mais tarde que nós, em algum café da cidade, isto porque, o café mais próximo está ao quilômetro 9, afastado do caminho cerca de 500 metros.

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Sob o ar fresco da manhã cruzamos toda a cidade, de novo, até à praça central e daí iniciamos uma ligeira subida.

Junto aos bares ainda resistiam algumas dezenas de jovens que à nossa passagem foram soltando um audível mas meio enrolado de língua: – Buen Camiño!

Deixamos Betanzos saindo por uma antiga ponte medieval sobre o rio Mendo.

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Tal como no dia de ontem a jornada começa com um forte ascendente e em apenas 1.5 Km ganhamos em elevação, mais ou menos, 150 metros. Com o silêncio que nos rodeava o nossa respiração era bem audível… 

As mudanças de direcção são uma constante nesta etapa, o que obriga a uma atenção especial à sinalização. Apesar disso, sempre que o cenário permitia lá entramos em devaneios fotográficos para memória futura.

“As coisas mais bonitas do mundo são sombras.” – Charles Dickens 

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Recordo cada metro desta parte do percurso, os meus pensamentos, os cheiros e os sons dos cânticos dos pássaros, recordo como me senti grato por poder desfrutar deste momento. A felicidade muitas vezes está onde o nosso coração e a nossa alma encontra repouso.

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Depois de passar a ponte de Limiñón, sobre o río Mero, seguimos à esquerda por esta estrada ladeada de muito verde.

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Estas duas imagens, a anterior e a posterior, são as imagens que me assaltam a mente sempre que ouço, penso, falo – “Caminho Inglês”. A composição do cenário, o jogo de luz e sombras, aquela névoa mística, o silêncio. Tudo perfeito!!! 

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Seguimos em direcção da igreja de San Esteban de Cos…

“La iglesia de San Esteban de Cos se encuentra integrada en el mismo recinto que el cementerio, como muchos otros templos gallegos. Está formada por una única nave de planta rectangular y una pequeña capilla adosada a esta. La sencilla fachada tiene una coqueta espadaña con una única campana y a ambos lados del edificio hay dos pináculos rematando los pilares. En el centro hay una pequeña ventana rectangular y debajo se encuentra la puerta de acceso, con arco escarzano.”

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O caminho de hoje leva-nos por caminhos rurais e agrícolas, alguns deles, bastante deteriorados pela passagem dos tratores, há por isso que caminhar com cuidado nestes troços. 

Os terrenos de pastagem enchem-se das mais diversas espécies de animais: galináceos, cavalos, burros, vacas, cabras e ovelhas foram os mais vezes vistos…

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Em Presedo, por volta do quilômetro 12, mesmo junto ao Caminho encontramos um café-restaurante que merece uma paragem. El Mesón Museo Xente do Camiño é um quadro sobre a história da região, parem e admirem as pinturas cuja autora é a proprietária do espaço. Aproveitem para selar a credencial, com dois bonitos carimbos, deixem o vosso testemunho no livro dos visitantes e não saiam sem provar o bolo de laranja.

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Retomando viagem seguimos em direcção da igreja de Santa Eulalia de Leiro.

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Alternando entre caminhos de terra e estradas alcatroadas seguimos em marcha ligeira até San Paio de Vilacoba, onde vamos encontrar o último café-restaurante deste percurso – Casa Júlia.

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A paragem impõe-se para recuperar alguma da energia perdida ao longo destas horas de caminhada.

Adiante temos à espera a maior subida deste caminho que nos eleva, em apenas 2 Km, dos 122 aos 354 metros e que continuará a subir, de forma mais suave, até à cota máxima nos 458 metros.

Depois de um aditivo à base de cevada e malte seguimos caminho… em sentido descendente até encontrar, à nossa esquerda, a capela de San Paio de Vilacova com a paisagem a tomar conta do edifício abandonado.

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Virando à direita, início da subida, primeiro por estrada, com passagem pela igreja de Santo Tomé (santuário de San Paio de Vilacoba), em seguida, por um percurso de monte e eucaliptal. Apesar da inclinação e dificuldade, a subida, se for feita de forma pausada será ultrapassada com facilidade.

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Ultrapassada a parte mais dura da etapa e do caminho inglês entramos de novo em paisagem rural e agrícola, com a aldeia de Vizoño a “saudar-nos” à passagem.

Á frente vamos encontrar um local envolto em mistério, o cruzeiro de San Pedro de Vizoño! Seguimos paralelos à auto-estrada que havemos de cruzar por uma ponte. Após a passagem pelo viaduto sobre a auto-estrada,  nova subida até alcançar o ponto mais alto do caminho.

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Percorrendo uma zona de bosque aproveitamos a frescura da sombra e da água do regato para baixar a temperatura corporal. Já não falta muito para a meta.

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Na passagem por umas quintas agrícolas vamos interceptar o caminho inglês que vem da Corunha, disso vos dará conta o marco identificativo com vieiras de ambos os lados.

Situados junto ao marco temos a seguinte visão, à esquerda o caminho que estamos a percorrer, à direita o caminho vindo da Corunha e ao centro o caminho para o albergue.

A pacatez destas localidades é fascinante… vamos serpenteando por entre campos enquanto o agricultor prepara a terra para nova sementeira, indiferente à nossa passagem.

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Já na aldeia junto ao albergue o gato indica a direcção…

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Por fim, chegamos! 

O albergue de Bruma foi o primeiro albergue construído neste caminho, foi edificado em terreno onde outrora existira um Hospital de peregrinos, fundado em 1140. (ver albergues do caminho aqui)

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Fomos muito bem acolhidos pelo alberguista que logo nos informou sobre os albergues do dia seguinte, uma vez que, em Sigueiro, não existe albergue público e quais os pontos de abastecimento da etapa.

Depois de devidamente instalados e banhados fomos comer algo no único café das redondezas. Aberto em 2016 este café é o verdadeiro oásis neste deserto de bares e cafés!!! 

Por 10 euros podem pedir o menu de peregrino e ficarão satisfeitos, seguramente, se incluírem no menú o Caldo Galego.

Depois de um dia intenso regressamos ao albergue onde ficamos à conversa com os nossos comparsas do caminho.

 Hora de descansar… o caminho segue dentro de momentos.

Etapas seguintes (basta clicar para abrir uma nova etapa):

Hospital de Bruma – Sigueiro – 25 Km

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

Caminho Inglês – Pontedeume / Betanzos – 20Km

Caminho de Santiago

Mais um dia no caminho, mais uma etapa a cumprir, apesar das poucas horas dormidas acordamos de sorriso de orelha a orelha. A luz que entrava pelas frestas das janelas deixava antever mais um dia de sol o que acentuou essa sensação de felicidade. 

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A etapa de hoje é curta e muito agradável percorrendo locais essencialmente rurais, apesar disso, apresenta algumas subidas e descidas consideráveis. Ter em conta também que de Pontedeume até Miño, cerca de 10 Km, não existem cafés / bares, depois encontramos um junto a Ponte do Porco e outro sensivelmente a 6 km da chegada a Betanzos, junto à N-651, na parede exterior deste estabelecimento tem indicação que selam a credencial, o proprietário é bastante simpático.

Referi à pouco as subidas e descidas deste dia… a primeira acontece logo à saída de Pontedeume, curta mas pronunciada, fazendo logo disparar o termóstato. Em apenas 1.5 Km ganhamos cerca de 200 metros de altitude, por isso, não necessitam de se agasalhar muito.

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Ainda a subida estava a meio já a vista sobre a cidade ganhava uma amplitude bastante interessante, uma pausa para recompor a respiração enquanto recolhia a foto. Quem não precisou de paragens foi Dennis, com o seu sistema de tracção integral, fazia parecer que a subida era uma bela planicie!!!

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O percurso vai serpenteando por ambientes tipicamente rurais com a paisagem, de quando em vez, a exibir-se perante nós… não indiferentes a isso vamos registrando esses momentos. Nesta parte do percurso deixei a mente voar juntamente com as múltiplas espécies de aves que por aqui fui avistando… e foram muitas. Os diferentes cantos formavam uma autêntica orquestra natural.

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Findo este percurso, pela Reserva da Biosfera “Mariñas Coruñesas e Terras do Mandeo”, damos de caras com um arruamento, no pavimento existem umas setas alaranjadas com indicação de seguir na direcção da rotunda, ignorem, a vieira está do outro lado da via, mesmo de frente de onde acabam de sair, está instalada num marco junto ao campo de golfe. Ofuscado pelo sol não dei pela presença dessa marca e andamos, literalmente, às voltas na rotunda.

Atravessado o campo de golfe temos mais uma subida a vencer por entre um eucaliptal.

Adiante vamos cruzar o rio Baxoi por uma ponte medieval que tem cara de que sofreu melhoramentos recentemente. Seguimos depois por um percurso verde não muito bonito até chegar a Miño. Aqui, existe um albergue… está afastado do caminho cerca de 600 metros, no entanto, existe sinalização a informar a direção a tomar.

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Em Minõ aproveitamos para uma paragem – reforço do pequeno almoço. Seguimos viagem depois de abastecidos e na saída da povoação temos de seguir por uma passagem pedonal sobre a linha férrea, aqui atenção, no final da mesma temos de voltar 180º. As indicações estão visiveis, mas uma distracção pode precipitar o engano.

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Já próximo da Ponte do Porco passamos por uma zona de paisagem protegida inserida no programa Rede Natura 2000, zona muito tranquila e com uma paisagem de excelência.

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Aqui em Ponte do Porco (em referência ao javali existente no brasão dos Andrade), com a construção dos viadutos da autoestrada a paisagem perdeu um pouco de encanto!!! Antes da ponte tem um café que se encontrava em funcionamento.

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Transposta a ponte seguimos por uma subida acentuada, atingido o cimo, sobre o tabuleiro da auto-estrada giramos à esquerda para iniciar uma descida significativa, para novamente, voltar a subir consideravelmente até ao Pazo de Montecelo e à paróquia, de origem románica, de San Pantaleón das Viñas.

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Daqui havemos de marchar, por estradas rurais, em constante sobe e desce, até ao Café Navedo, onde recolhemos mais um carimbo. Depois, mais estradas bonitas, mais uma subida considerável!!! Dizem que as melhores vistas estão no cimo das montanhas… concordo plenamente.

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Com um dia de calor, esta fonte foi um oásis… que bem soube esta água fresca pela goela abaixo e sobre a pele ressequida pelo sol. Curiosamente, num caminho tão “marcado” pela água o avistamento de fontes foi uma gota no oceano!!!

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Com Betanzos já próximo atingimos a Igreja de San Martiño de Tiobre, uma das mais antigas da Galiza, de origem sueva, séc. VIII, no entanto, o seu estilo românico advém de uma reforma posterior. Em frente, junto ao parque, temos uma vista privilegiada sobre Betanzos e o vale do río Mandeo.

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A chegada à cidade faz-se por uma descida acentuada que nada ajuda pés e joelhos e já dentro da cidade continuamos a descer até o caminho beijar as margens do rio.

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Aqui chegados, somos “convidados a entrar” pela porta medieval da “Ponte Velha”, por entre ruas antigas, pela parte antiga da cidade calcorreamos a última subida da etapa até ao, magnífico, albergue de Betanzos. (Ver albergues do caminho aqui)

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Por fim chegamos ao albergue!

Embora curta esta etapa trouxe algum cansaço muito por culpa das constantes subidas, mas sobretudo, pelas descidas. Era hora de descansar um pouco para depois sair à descoberta do núcleo histórico.

(Na foto de cima, o albergue do seu exterior. Na foto de baixo, a vista que ele nos oferece desde o seu interior)

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A cidade é muito bonita, com muitos pontos de interesse para descobrir e para tal não é necessário caminhar para longe.

Paredes meias com o edifício do albergue temos o mercado municipal e, uma dúzia de passos adiante, a belíssima igreja de São Francisco.

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“La iglesia de San Francisco de Betanzos es un templo de estilo gótico construido en la segunda mitad del siglo XIV, gracias al mecenazgo de Fernán Pérez de Andrade, que reedificó el monasterio anteriormente existente, que databa del siglo XIII. Fue declarada monumento nacional en 1919 y, posteriormente, Bien de Interés Cultural.”

Não menos bela e dividindo o protagonismo do espaço temos a igreja de Santa María del Azogue.

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Ainda no mesmo local outro belo edifício que terá sido usado como escola onde está bem diferenciado o lado que caberia ao ensino dos rapazes e das raparigas.

Rumando ao centro, mais um punhado de belas edificações, entre elas, o Pazo dos Conde de Taboada, a igreja de Santiago, a torre do relógio, o coreto, os edifícios que ladeiam a praça central, o chafariz… e mais uns quantos etc`s!!!

Fiquei rendido aos encantos desta terra.

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Depois da visita e da compra de alguns mantimentos para o dia seguinte, pois a etapa o exige, recolhemos ao albergue com o sol a seguir os nossos passos.

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Mais um dia que se fecha no caminho, mas outro, já desponta no horizonte…

Etapas seguintes (basta clicar para abrir uma nova etapa):

Betanzos – Hospital de Bruma – 29 Km

Hospital de Bruma – Sigueiro – 25 Km

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

Caminho Inglês – Neda / Pontedeume – 15Km

Caminho de Santiago

Depois de uma noite bem dormida e um bom pequeno almoço, estava recuperada a energia gasta na luta contra o vento no dia anterior… de novo com a “casa” às costas seguimos viagem em direção a Neda e dali até Pontedeume.

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Com poucos quilometros para percorrer o dia era para desfrutar do caminho, tentar absorver toda a energia que o mesmo em si encerra… o sol dava ânimo e a paisagem também.

Uma dezena de metros adiante do hotel encontramos a Igreja de Santa Rita, um edifício de linhas simples muito bonito e resplandecente.

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Ao passar a ponte para a margem onde se encontra instalado o albergue, à nossa esquerda, um belo quadro natural… e adiante, à direita, a ponte por onde havíamos chegado ao albergue no dia anterior.

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Diante do albergue seguimos por um passeio que há-de dar lugar a um passadiço de madeira que percorre a margem da ria (marismas del Belelle). 

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Terminado o passadiço somos conduzidos através de uma estrada rural até à Igreja de Santa Maria de Neda.

Se levantó en el s. XVIII sobre el templo de Santa María del Puerto, en estado ruinoso en aquellos años. Los orígenes de la iglesia antigua los sitúan algunos historiadores allá por el siglo IV, en tiempos del rey Teodomiro. Las primeras noticias son del año 1114, en un documento de donación hecho por Bisclavara Bistraliz, biznieta del rey Ramiro I de León, al monasterio de San Martiño de Xubia (O Couto).

El Cristo de la Cadena; Es el elemento más valioso de todo el templo, situado en el retablo del altar mayor. Éste es de estilo barroco rural, con cierta influencia benedictina, con superposición de columnas y capillas. Presenta forma cuadrangular, con doce columnas corridas, seis en la parte de la Epístola y seis en la del Evangelio (derecha e izquierda del espectador, respectivamente). Las capillas estarían ocupadas por santos benedictinos, aunque tan sólo las dos figuras del cuerpo superior son de la época: San Andrés y San Julián, muy diferentes entre sí. Presidiendo el retablo está el Cristo de la Cadena. Según la tradición popular la estatua vino flotando sobre el río, lo que no deja de ser cierto: la imagen llegó en el año 1550 en un barco procedente de Inglaterra, capitaneado por John Dutton, un católico inglés que huía de las persecuciones religiosas que tenían lugar en su país. Junto al Cristo se trajo una imagen de la Virgen, conocida hoy como Nuestra Señora la Inglesa y que se puede ver en Lugo. Y un conjunto con Santa Ana y Santa María, en la Catedral de Mondoñedo. Estas fueron enviadas a San Martiño de Xubia y posteriormente a Mondoñedo, quedando en Neda sólo el Crucificado. La imagen pertenece al estilo Tudor, gótico del siglo XVI.

fonte  |  wikipédia

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Cruzando a pequena ponte sobre o rio Belelle entramos no núcleo antigo de Neda. Um pouco mais à frente vamos encontrar a “Torre del Reloj y Casa Consistorial de Neda”. A Torre do Relógio foi construída no ano de 1876 sobre as antigas ruínas de um hospital de peregrinos do séc. XVI.

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Para que ficasse um registo neste marco histórico do caminho pedimos para que no posto da policia local, instalado no edifício, colocassem o carimbo na credencial. Seguimos pelas ruas pitorescas da povoação, sem pressas, fotografando cada pormenor… por aqui tivemos o primeiro contacto com aquele que viria a ser o nosso maior companheiro do caminho.

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Deixada a povoação para trás e  ultrapassada uma via com algum tráfego, iniciamos uma subida não muito acentuada que nos colocou numa cota altimetrica que possibilita ver quase a totalidade do percurso feito até aqui, ou pelo menos, identificar determinados locais por onde havíamos passado.

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Por estes caminhos rurais, asfaltados, mas onde quase não nos cruzamos com carros em circulação, nem gente… seguimos até Fene, localidade conhecida pelos seus estaleiros.

Nesta cidade encontramos bares e nem precisamos mudar a rota, estão mesmo ali ao lado do caminho.

Com um grupo de espanhóis adiante de nós, envergando camisolas do Atlético e Real Madrid, resolvi meter-me com eles, futebolisticamente falando… super simpáticos animaram esta parte do percurso um pouco enfadonha e ainda nos colocaram na “linha” quando falhamos uma vieira por pura distração. É o que se pode dizer: Não caminhe enquanto fala ao telemóvel.

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Ultrapassado o Poligono Industrial de Vilar de Colo, o percurso volta a encher-se de verde e a nossa cara de sorrisos, adiante, voltam as estradas asfaltadas sem movimento, continua calmo o caminho.

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Ao esbarrar com a estrada AC-122 esbarramos também com este magnífico cenário, a praia da Magdalena, descendo por umas escadas e de seguida por uma via com alguma inclinação somos conduzidos até a um pequeno túnel sob a via férrea, transpondo este portal chegamos à praia.

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Aproveitando a beleza e a calma do lugar, aproveitando o sol quente do meio dia, ficamos ali sentados largos momentos a usufruir do melhor que o caminho e a natureza tem para nos oferecer.

Para quem prefere seguir caminho sem passagem pela praia pode faze-lo pelo pinhal que antecede o areal. Por este corredor arbóreo ou pelas areias finas da praia somos encaminhados para a ponte sobre o rio Eume.

Depois de a transpor chegamos ao final da etapa de hoje, Pontedeume.

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Com alojamento marcado na Pensão Luis (ver albergues do caminho aqui) a única preocupação foi a alimentação já que o estômago estava a reclamar.

Juntou-se a nós, Héctor, peregrino que avistamos logo pela manhã e que mais tempo irá dividir o caminho connosco e Peter, o simpático e divertido dinamarquês, presença habitual no final de cada etapa nos albergues onde fomos parando.

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Dizem que por estas terras o polvo é rei… na véspera alguém nos disse para não perder o prato de polvo em Pontedeume, assim fizemos, para regalo das papilas gustativas.

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Com o estômago mais composto e de banho tomado, saímos à descoberta do património de Pontedeume. Iniciamos o percurso  pela ponte e pelo rio que dão nome à localidade.

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A primeira referencia escrita é de 1162 e refírese a unha ponte de madeira. Porén xa debía existir desde tempo inmemorial para comunicar ambas marxes do río, habitadas desde tempos remotos. A finais do século XIV, Fernán Peres de Andrade, O Boo, mandou construír unha ponte de cantería. Dita ponte tiña 78 arcos e dúas torres: entre os arcos 8º e 9º a Torre da Ponte, e entre os arcos 40º e 41º a Torre do Risco. Entre os arcos 2º e 3º estaban, sobre unhas peañas, os símbolos de Fernán Peres: o oso e o xabarín. Ao final da ponte había un cruceiro. Tamén había un hospital de peregrinos entre os arcos 19º e 20º. A ponte foi reparada en varias ocasións dos estragos que ocasionaban as crecidas do río, mais non puideron evitar a deterioración progresiva da ponte. Así, desaparece o hospital entre 1791 e 1820 e en 1843 desaparecen as torres e os símbolos dos Andrade. Finalmente, derrúbase a ponte e constrúese unha nova entre 1863 e 1873, inicialmente con 11 arcos que se amplían progresivamente ata os 15 actuais. O oso e o xabarín da ponte de Fernán Peres están hoxe en día no claustro do convento de Santo Agostiño (actual casa da cultura de Pontedeume).

fonte  |  wikipédia

Nas imediações do porto, situa-se o Albergue de Peregrinos onde fomos recolher mais um selo e onde tive oportunidade de ver que as instalações não são aquilo que “pintam” em determinados comentários em sites sobre o caminho. Se voltasse hoje teria aqui ficado.

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Não muito distante daqui outro símbolo da cidade: O Torreón dos Andrade.

“O actual torreón ameado é o que queda do conxunto que formaban o pazo dos Andrade, o torreón ó sur e a capela de San Miguel ó norte. Esta última foi derrubada en 1909, mentres que a desaparición do pazo produciuse gradualmente. No ano 1904 o concello mercou o pazo á Casa de Alba e foi derrubada a parte máis próxima ó torreón para abrir a estrada que comunicaba a vila coa nova estación do ferrocarril. O que quedaba do pazo foi entrando nun estado de progresiva deterioración a pesar de ser declarado Monumento Histórico-Artístico nos anos vinte. Os últimos restos do pazo desapareceron no 1935.

Nese momento a torre mantiña a súa estrutura en boas condición mais o seu estado de conservación era lamentable. Foi obxecto de dúas restauracións no 1951 e no 1974 que lle deron o aspecto que actualmente ten.”

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O grupo de italianos que connosco foram partilhando o caminho e os albergues também teve direito a registo fotográfico junto do monumento.

Daqui, saímos à descoberta de outros locais, como o mercado, a Casa do Concello de Pontedeume, o jardim municipal, as ruas e becos da zona antiga e terminamos este passeio na Igreja de Santiago, por sorte, aberta para visitas!

Infelizmente foram poucas, ao longo do caminho, as que tivemos possibilidades de entrar por se encontrarem fechadas.

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O dia terminou aqui mas há mais caminho a descobrir já no próximo relato…

Etapas seguintes (basta clicar para abrir uma nova etapa):

 Pontedeume – Betanzos – 20 Km

Betanzos – Hospital de Bruma – 29 Km

Hospital de Bruma – Sigueiro – 25 Km

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

 

Caminho Inglês – Ferrol / Neda – 16Km

Caminho de Santiago

Enquanto preparava, no papel, este novo caminho reservei este dia, apenas, para as viagens do Porto até Ferrol e dormida na cidade, no entanto, quando colocamos em prática o esboçado… o que era, deixou logo de o ser!!!

Chegados a Ferrol decidimos começar de imediato o nosso caminho.

Eram 18.00h e separava-nos do Albergue de Neda 16km e uma janela de luz que duraria até às 21.30h. Com competência seria possível fazer parte dos 31 km da primeira etapa e chegar ao albergue antes de encerrar!!!

Depois de concluído o caminho acho que a opção tomada foi a melhor (explico mais à frente).

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O caminho inglês inicia junto ao porto de Cruxeiras, um monolito de pedra, com o símbolo da Galiza, colocado junto à farmácia Saavedra, marca oficialmente esse ponto zero. Daí, seguimos pelo arco “triunfal”. O dia estava luminoso com o sol a aquecer a alma já de si em êxtase pelo regresso a estes caminhos mágicos. 

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O percurso original encontra-se vedado logo adiante da partida, talvez por motivos de segurança, uma vez que tem passagem numa zona habitacional um pouco degradada. O desvio está devidamente sinalizado e subindo a artéria por onde somos encaminhados temos passagem obrigatória pela igreja de San Francisco.

“En el lugar del convento franciscano (1377), se construyó esta iglesia a mediados del s. XVIII, diseñada probablemente por ingenieros militares. Las autoridades de Marina impidieron añadirle torres que estorbasen la visibilidad de un observatorio astronómico que no llegó a construirse. En el interior destaca el retablo de José Ferreiro, el más importante escultor del neoclasicismo gallego, y la talla de santa Bárbara (s. XVIII), protectora contra las tempestades y patrona de los artilleros.”

fonte  |  http://www.galiciaenteira.com

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Prosseguimos viagem em passo ligeiro seguindo a direcção da Rua Real, daí sempre em linha reta com passagem pela praça de Amboage, onde crianças davam um colorido auditivo à mesma e onde as flores e a igreja de Nossa Senhora das Dores compunham o cenário.

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Avistado o Ayuntamiento de Ferrol é hora de mudar de direção. O atual palácio municipal foi inaugurado em 14 de setembro de 1953.

Descendo a rua temos passagem por um jardim, aqui é necessário alguma atenção pois rápido perdemos o contacto com as marcações.

Assim que cruzarem o jardim, por entre o túnel de árvores, sigam pela direita. Atravessando a estrada, inicia-se uma ligeira subida, daqui, seguimos sempre neste lado da via, ora pelo passeio, ora no calçadão mais adiante.

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Passagem pelo quartel da infantaria naval. De seguida entramos num calçadão largo, uma pista partilhada por peões e ciclistas que nos conduz ao longo da margem da Ria de Ferrol até bem perto da ponte que cruza a ria.

Para os que pretenderem, podem seguir pela ponte até Fene, ali há albergue de peregrinos e retiram à etapa 13 km. No nosso caso, preferimos seguir aquele que terá sido o percurso original.

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Abandonada a marginal seguimos junto a uma via com algum tráfego, embora com bons passeios a atenção deve ir redobrada até porque o caminho obriga ao atravessamento da via para seguir através de um viaduto que nos irá conduzir até à zona industrial de Gándara.

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Em virtude deste troço do percurso se encontrar  em obras somos encaminhados para um novo percurso bastante aprazível, um jardim que divide a zona industrial da Enseada de Gándara. 

Daqui é possível ver a ponte em toda a sua extensão e do outro lado Fene e os seus estaleiros. Aqui foi onde apareceu o nosso maior inimigo nesta etapa, o vento, que se foi intensificando à medida que a jornada se aproximava do final!!!

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Terminada esta parte do percurso chegamos a uma rotunda, aqui atenção, seguimos à esquerda no sentido ascendente e logo no entroncamento à direita sobre um pequeno viaduto, logo de seguida iniciamos uma pequena descida que nos irá conduzir por um caminho paralelo à linha férrea. Adiante cruzamos a mesma por uma passagem inferior e logo iniciamos uma subida ligeira.

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Depois de termos passado por um viaduto e um pequeno pinhal cruzamos uma zona habitacional sem qualquer ponto de paragem (café / bar) isso só iremos encontrar em Xubia, um pouco mais adiante. 

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Terminada a zona habitacional uma pequena descida leva-nos até Mosteiro de San Martiño de Xuvia.

“El monasterio de San Martín de Jubia (en gallego, San Martiño de Xuvia) fue un cenobio cisterciense en el municipio español de Narón, (provincia de La Coruña). Los restos del monasterio, la iglesia parroquial y el edificio anexo de la casa rectoral, fueron declarados en 1972 Bien de Interés Cultural con la categoría de monumento histórico-artístico.

Se trata de un edificio románico con añadidos del barroco gallego del XVIII. Una pequeña visita a la iglesia y dependencias monásticas puede mostrarnos una serie de datos alusivos al desarrollo constructivo continuo de este monasterio.”

fonte  |  wikipédia

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A partir daqui começamos a ver umas segundas marcações com um peixe vermelho, trata-se de um itinerário que partilha parte do Caminho Inglês e a quem interessar conduz até ao santuário de San Andres de Teixido. Reza a lenda que quem em vivo não for, irá depois de morto!!!

Adiante passamos por uma zona não muito agradável, percurso em terra batida ladeado de mato e eucaliptos que nos irá levar até próximo da auto-estrada, a qual, iremos cruzar por uma passagem pedonal.

De seguida iniciamos uma descida por uma zona rural até à Ria de Ferrol.

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Aqui já o sol se estava a pôr no horizonte não restava muito tempo para que a janela de luz se fechasse, mas o encanto das cores e do cenário detiveram-nos alguns minutos. O vento, cada vez mais forte e frio, precipitou o regresso ao caminho… daqui em diante com vento de frente em rajada continua a progressão foi feita com bastante custo!

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Bordeando a ria prosseguimos pelo passeio da Riveira. Adiante encontramos o jardim e na margem oposta do rio Grande del Xubia o albergue de peregrinos de Neda.

Eram 9.30h estavamos cansados pela luta contra o vento e com fome… entramos no albergue e não havia alberguista para nos receber! Já havia ido, uma vez que, o albergue estava completo.

Havia lido que existiam hotéis na proximidades e foi esse o caminho que tomamos, com frio, com fome, aportamos no primeiro que apareceu… e correu bem. Hotel Kensington. (ver albergues do caminho inglês aqui)

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Estes primeiros 16 km, dos 31, não apresentam qualquer dificuldades e ao caminhar este dia por um percurso que só é interessante no seu início e fim, ganhamos tempo para saborear a beleza da “segunda parte” desta etapa. (que contarei noutra publicação). Começar logo o caminho foi uma boa aposta.

Em nota de rodapé um alerta para a falta de bares e cafés ao longo destes primeiros quilômetros… importante abastecer em Ferrol, depois só existem bares próximo do caminho ao quilometro 6.5, na passagem pelo Polo Industrial, ou então, na entrada de Xubia, já no final desta metade da etapa.

O caminho segue dentro de momentos…

 

Caminho Inglês

Caminho de Santiago

Esta classificação, dos albergues, é meramente pessoal e visou avaliar o albergue / hotel / pensão no/a qual pernoitei, nomeadamente, o conforto da camarata, os duches e a possibilidade de confeccionar uma refeição.

* Mau ** Satisfatório *** Bom **** Muito Bom ***** Excelente

 XUBIA 

Hotel Kensington

Ctra. de Castilla, 832

telef. +34 981 387 326

30 € Quarto de casal 

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Bom

Hotel modesto mas limpo e o quarto que nos calhou em sorte era bastante tranquilo. No bar do hotel servem refeições com menu do peregrino. Podem também tomar o pequeno almoço antes do início da etapa. O pessoal do hotel é muito prestável e atencioso.

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NEDA

Albergue de Peregrinos de Neda

O Empedrón, s/n

N.º de lugares – 28 – 6 €

Abre às 13 h – Encerra às 22 h

Duches – ?

Cozinha – ?

Wi -Fi – ?

Avaliação Global: Satisfatório

O albergue é pequeno, como chegamos bastante tarde já se encontrava cheio e sem o alberguista presente. Entramos e apesar de ser modesto, parecia limpo. Não pude avaliar nenhum dos itens, no entanto, tem cozinha para confeccionar uma refeição e máquina de lavar e de secar caso seja necessário. Para quem vai de bicicleta, tem local para a recolher.

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PONTEDEUME

Albergue de Peregrinos de Pontedeume

C. del Muelle, s/n

N.º de lugares – 20 – 5 €

Abre às 17 h – Encerra às 22 h

Duches – ?

Cozinha – não tem

Wi -Fi – ?

Avaliação Global: Satisfatório

Albergue situado junto do porto, sem cozinha. Para que vai de bike tem local para guardar. 

Não fiquei neste albergue porque li alguns comentários pouco positivos sobre o local, no entanto, quando fui recolher o selo tive oportunidade de verificar que é bonito, encontrava-se limpo e hoje teria sido a minha opção.

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Pension Luis

C. San Agustín, 12

30 € Quarto duplo

Avaliação Global: Satisfatório

Uma pensão em zona central, com boas opiniões em vários sites. No restaurante da pensão pode fazer-se uma refeição por bom preço. O quarto que nos calhou era o suficiente para uma noite de descanso com direito a casa de banho privativa.

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BETANZOS

Albergue de Peregrinos de Betanzos

Rúa Pescadería, 4

N.º de lugares – 32 – 6 €

Abre às 13 h – Encerra às 22 h

Camarata ****

Duches ***

Cozinha **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Muito Bom

Situado na zona histórica da cidade é um bonito e organizado albergue. Dispõe cozinha apenas com micro ondas, mas possibilita fazer algo ligeiro. Os duches são bons, mas apenas possibilita dois duches em simultâneo. A zona de camaratas é bastante cómoda. Dispõe ainda de uma sala de estar. Máquina de lavar e secar e um tanque para lavar à mão. Para quem se desloca de bicicleta também há zona destinada às mesmas. Este albergue está dotado de equipamento elevatório para transporte de cadeira de rodas e quarto / duche dedicado a pessoas com necessidades especiais.

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HOSPITAL DE BRUMA

Albergue de Peregrinos de Hospital de Bruma

Hospital de Bruma, s/n

N.º de lugares – 22 – 6 €

Abre às 13 h – Encerra às 22 h

Camaratas ***

Duches ** 

Cozinha **

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: Satisfatório

Albergue rural muito acolhedor. As camaratas dividem-se por dois pisos, fiquei no primeiro andar por indicação do alberguista, no entanto, se puderem escolher optem por ficar nesse andar… é mais amplo e com menos camas. A cozinha não me pareceu muito apetrechada mas possibilita confeccionar uma refeição ligeira, no entanto, mesmo em frente existe um café-restaurante muito bom. Os duches são no exterior do edifício e de uso misto. Tem lugar para aparcar bicicletas.

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SIGUEIRO

Albergue Camiño Real

C. Ourense, 9

+34 981 691 657

Facebook

N.º de lugares – 18 – 15 € com pequeno almoço

Camaratas *****

Duches ***** (dispõe de toalhas, champõ e gel de duche)

Cozinha ****

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Excelente

Albergue moderno e muito bem equipado. Cozinha permite fazer uma refeição como em casa. As camaratas, duas, têm apenas 3 beliches cada o que é fantástico em termos de descanso. Tem também um quarto com camas baixas e um quarto de casal. Os Alberguistas são extremamente simpáticos e disponíveis para ajudar. Tem ainda a vantagem de ficar paralelo ao caminho.

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Ecovia do Rio Lima – Percurso das Lagoas

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O percurso das Lagoas inicia-se do lado norte da ponte romana e medieval de Ponte de Lima. Na seguinte localização: GPS: 41º 46′ 07.7″N  :   8º 35′ 04.2″W e termina na ribeira da Silvareira, em Fontão, numa extensão de aproximadamente 10 Km, sem qualquer grau de dificuldade.

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Após o atravessamento da ponte romana, contornamos a mesma em direcção ao Clube Náutico, que se encontra do lado esquerdo da ponte para quem faz o atravessamento vindo da vila. Dali, segue-se sempre junto à margem até à área de lazer fluvial do Souto de Bertiandos. Não muito distante ficam as lagoas, local de visita quase obrigatória.

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A Ecovia até às Lagoas tem como piso uma laje de cimento por grelhas no mesmo material, sobre a laje circula-se se forma tranquila e cómoda. Na inicio e nas proximidades de Bertiandos o piso é em empedrado. No restante percurso encontramos saibro e terra.

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Esta via tem todo o potencial para continuar até à cidade de Viana do Castelo o que não acontece neste momento. No entanto, por caminhos rurais, consegue-se atingir a cidade sem necessitar utilizar por muito tempo a estrada nacional.

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Ecovia do Rio Lima – Percurso das Veigas

É o qu`eu digo...

A Ecovia do Rio Lima, divide-se em vários percursos distintos ao longo das margens do Rio, este em particular, com uma extensão de aproximadamente 13.5 Km tem início na área de lazer de Deão, em Viana do Castelo, junto à conduta adutora da empresa Portucel, nas seguintes coordenadas. GPS: 41º 42′ 27.9″N  –   8º 42′ 56.2″W

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A Ecovia percorre os caminhos rurais situados entre a margem do Rio Lima e os campos agrícolas ou Várzeas, terrenos situados nas margens de um rio que são inundados na época das cheias.

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Sendo um percurso na margem de um rio o grau de dificuldade é praticamente nulo pois não encontramos declives. O piso é quase sempre em saibro, que de quando em vez dá lugar a empedrado, principalmente na proximidade de zonas de lazer. Todo o percurso encontra-se sinalizado dispondo igualmente de vários painéis explicativos sobre a área circundante.

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Este percurso oferece aos visitantes diversas zonas de descanso, praias fluviais e zonas dedicadas à pesca. Ao longo do trajecto encontram-se instalados vários parques de merendas.

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Saindo da área de lazer de Deão, a Ecopista do Lima, atravessa o Lugar da Passagem, as áreas de Lazer de Vitorino das Donas e da Correlhã, a Veiga da Correlhã, e termina na vila de Ponte de Lima, na majestosa Alameda dos Plátanos, um dos ex-líbris da localidade, este que é para quem peregrina a Santiago o “tunel” de acesso ao final de uma etapa.

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O sarrabulho de Ponte de Lima, as bolas do Natário e as bicicletas do costume

Pedalada da Semana

Uma nota prévia: esta aventura tinha tudo para correr mal mas a conjugação de variados fatores quis que assim não fosse. O nosso sincero agradecimento a todos que contribuíram para mais umas pedaladas épicas.

O trabalho de casa foi, como sempre, bem feito. Longas e proveitosas reuniões preparativas permitiram-nos enfrentar o “desconhecido” com a certeza de que tudo ia correr como planeado. As bombas de gasolina foram alvo de um estudo exaustivo… os horários vistos e revistos… a política da CP alvo de inúmeros debates… o restaurante motivo de variadíssimos estudos de opinião… e unanimidade relativamente às bolas do Natário… as de berlim, entenda-se… Nada podia correr mal.

Primeiro teste ao plano: apanhar a camioneta das 6h30 – Falhado!!! A camioneta não apareceu.

Ativada a opção de recurso, a aventura lá prosseguiu com 10 minutos de atraso e umas palavras grandes (palavrões) para aliviar o stress.

As primeiras pedaladas serviram para acordar. Do Susão à estação de Ermesinde. À hora certa partimos em direção a Nine. Às nine e pouco lá chegamos. A Nine. Uma espera de 20 minutinhos e a certeza de que o “nosso amigo” tinha sido amigo. Sentimo-nos acolhidos. Primeiro o maquinista e depois o revisor fizeram-nos sentir “em casa”. Bicicletas acomodadas e nós aliviados. A segunda dificuldade estava ultrapassada. E lá seguimos em direção a Darque num comboio que já viu melhores dias… Provavelmente na década de 70… A simpatia do revisor e a boa disposição dos quatro melhoraram significativamente a experiência.

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E lá chegamos a Darque. Um abastecimento rápido, um aligeirar do vestuário e estava na hora de subir para cima delas. Os astros estavam alinhados. O sol brilhava e aquecia. Meia dúzia de quilómetros pela estrada nacional e eis que entramos noutra dimensão.

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O início da ecovia é apenas um pequeno vislumbre do que está para vir. O rio Lima de um lado, grandes campos agrícolas do outro entrepassados por pequenos aglomerados de árvores ou por uma pacata e pitoresca povoação.

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A simpatia das pessoas com quem nos cruzamos e trocamos um simples mas singelo bom dia tornaram o dia ainda mais produtivo. Famílias inteiras labutam nos campos sempre com boa disposição. O barulho de um ou outro trator quebram o silêncio tranquilizador que nos faz sentir num mundo à parte. As águas pacatas do Lima, ora límpidas ora sujeitas aos devaneios do Homem, servem de passatempo a alguns pacientes pescadores.

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E nós lá seguimos tentando ser apenas uma pequena parte – passageira – deste cenário. É verdade que são um pouco aborrecidos na tentativa de registar cada pormenor mas também é verdade que a tão batida expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” é, no mínimo, adequada ao “trabalho” do N. e do A. Desfrutem.

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Embora a viagem tivesse sido feita a um ritmo contemplativo chegamos a Ponte de Lima 45 minutos antes do previsto. Uma foto à medida do N. levou-nos 15 desses minutos. Os restantes foram passados a fazer o reconhecimento de uma outra etapa já agendada para 2018.

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Às 12h30 estávamos sentados na esplanada do Alameda com elas debaixo d’olho. Sempre. Na hora certa. Nada de indefinições. Arroz de sarrabulho para todos e vinho para três. Dito e feito. O arroz vinha a fervilhar. E pelos comentários o vinho fazia fervilhar. Combinação perfeita. Embora com um bom enquadramento, boa luminosidade, etc e tal, a foto aqui apresentada não faz jus à imagem que temos ao vivo. O aroma que exalava daquelas travessas é impossível de mostrar. E o paladar impossível de descrever. Duas doses e uma caneca depois estavam todos satisfeitos. Satisfeitos mas não preenchidos. Bolo de bolacha, baba de camelo e bombons Magnum. Um para cada. E três (bocadinhos) para um. Um atendimento “amoroso”, comida 5 estrelas e uma conta condizente com tudo isto.

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Satisfeitos e preenchidos voltamos para cima delas. Mas não foi a mesma coisa. A Ponte de Lima pareceu-nos a Vasco da Gama de tão comprida. Do outro lado da margem uma miragem: um banco, relvinha da boa, um solzinho que tostava e as águas do Lima que embalavam. Irresistível. A foto, embora ilustrativa de metade da trupe, elucida o que foi a primeira meia hora do regresso. A viagem seguiu por “outros caminhos”.

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Retomados os trilhos, lá seguimos sob as ordens do GPS do A. Os primeiros cinco/seis quilómetros são verdadeiramente fenomenais. Sobranceira ao rio, a ecovia leva-nos por caminhos de cortar o fôlego. O sol batia de frente e fazia brilhar o Lima. Uma leve brisa acompanhava-nos. Embora “assarrabulhados”, o ritmo não baixou e lá seguimos em direção às bolas… a Viana.

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A aproximação a Viana fez-se por pequenas ruelas secundárias já um pouco distantes do Lima. Nada que fizesse esmorecer pois chegamos uma hora antes do previsto. Tempo para… descansar?? Talvez sim, talvez não. Descemos à marginal e reencontramos o Lima que, curiosamente, estava mais agitado e “corria ao contrário”.

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Três hipóteses: descansar, ir à beira-mar ou subir à Santa Luzia. Entendendo a ressaca de um de nós lá escolhemos a opção mais lógica: subir até ao alto de Santa Luzia. E lá foram mais meia dúzia de quilómetros de um percurso ligeiramente mais… inclinado. Mas valeu cada metro. A vista sobre Viana é estonteante (sobretudo se chegarmos lá a cima depois de uma valente sarrabulhada).

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Descemos em direção às tão desejadas bolas. As do Natário, como sempre, tinham fila. E que fila. Uma hora depois nada. E o comboio aqui tão perto. Quinze minutos antes do comboio faltavam duas fornadas para acabarem as bolas. E nós nada. Eis que surge a penúltima. 14 das nossas 22 bolas estão na saca. Faltam 8… bolas. Faltam 10… minutos para o comboio. Esperamos ou vamos? Chega a última fornada. Levamos as 22. Na fila ficam dezenas de pessoas que não vão provar as bolas do Natário. Cinco minutos para o comboio. Saltamos para cima delas com 22 bolas… de berlim.

Chegamos à estação. O homem da bilheteira não nos vende os bilhetes. A CP só transporta três bicicletas. Só o revisor nos pode valer. E vale. E a simpatia dos revisores atingiu o nível máximo. Bicicletas acomodadas e as bolas bem colocadas no banco. Estavam quentinhas. As do Natário são de outro nível.

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Embora cansados estávamos plenamente satisfeitos. Uma pausa técnica em Ermesinde e cada um seguiu o seu caminho na certeza de que tinha sido mais um dia para o álbum de recordações. Quando se faz o que se gosta, quando se come bem, quando sentimos orgulho no país em que vivemos e quando se sente tudo isto junto de verdadeiros amigos podemos dizer que nos sentimos realizados.

Venha a próxima!!!!

texto  |  p. f.

fotos  |  nelson branco

PR5 – Caminho das Portas – Cinfães

Caminhadas

Segundo dia, terceira caminhada. Depois do descanso não se aceitam queixas!!!

Partimos em direcção a Alhões, debaixo de um sol quente e um manto azul vivo, aldeia encrostada na vertente norte da Serra de Montemuro, a mais de 1000 metros de altitude, cujo topónimo radica em Aliones, povo claramente pré-histórico, derivado possivelmente dos celto-lígures Allobreges, provavelmente construtores das célebres muralhas conhecidas por Portas do Montemuro.

PR5 – Caminho das Portas, é um percurso circular de apenas 5.4 Km, de grau de dificuldade fácil. O percurso inicia-se no parque de lazer de Alhões, um excelente espaço para no final fazer um piquenique ou meramente descontrair as vistas sobre uma paisagem de excelência.

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O percurso inicia-se pela estrada de asfalto, virando logo à esquerda, por uma estrada de terra batida, começando logo a subir, logo de seguida, o piso passa a calçada e mais adiante novamente a terra batida num tramo onde o caminho começa a ser murado.

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Olhando em volta percebemos que rapidamente ganhamos uma centena de metros em termos altimétricos, isto porque, na partida a aldeia encontra-se ao nível do olhar.

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Depois de atingido o planalto, o percurso segue quase sempre entre muros. Montemuro, é uma serra de constituição essencialmente granítica onde se destacam os volumosos blocos desta rocha que caracterizam a aspreza da paisagem do topo da montanha.

Parte do caminho estava parcialmente alagado, reflexo certamente da chuva do dia anterior e talvez do degelo da neve que caiu uma semana antes nesta região, o que obrigou a alguma estratégia para ultrapassar esta zona sem molhar os pés.

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Quando atingimos o cruzamento entre percursos, volvemos à direita em direcção à aldeia. A visão sob a aldeia, lá do alto, é sublime, é possível distinguir sob os telhados o, bem delineado, Vale do Bestança, e lá ao fundo o rio Douro. O percurso atravessa toda a aldeia, aproveitando esse facto, demoramos um pouco mais a descobrir o espaço, desde a antiga escola primária, à arquitectura tradicional nos diversos edifícios habitacionais, aos característicos espigueiros e nem faltou a visita à Igreja local.

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A paróquia de Alhões nasceu com a nacionalidade, passando em 1140 a gozar de privilégios de vila, por foral outorgado por D. Mendo Moniz. Em 1726, a Igreja ainda não possuía sacrário, mas detinha já três altares, sendo os laterais dedicados à Senhora do Rosário e ao Nome de Jesus. Em 1955 foram concluídas as obras de aumento e restauro da igreja, dando origem ao edifício atual. A decoração interior é escassa, contudo são visíveis as imagens de S. Pelágio e Nossa Senhora dos Remédios no altar-mor. Nos altares laterais estão Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus.

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Depois da visita concluída seguimos viagem, cruzando a estrada de alcatrão e já com o final do percurso em linha de visão, descemos novamente por entre campos para depois de cruzar uma pequena ponte em pedra, iniciar a pequena subida até ao parque de onde havíamos partido.

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Terminado o percurso, aproveitamos o parque de merendas para retemperar forças e comer algo debaixo de um sol quente.

Este percurso embora curto é muito bonito paisagisticamente falando e poderá ser complementado com o PR4 (+ 8 Km) que inicia na aldeia vizinha. 

Guardamos esse percurso para uma outra ocasião… até lá, boas caminhadas.

Panfleto dos percursos de Cinfães aqui.

PR1 – Caminho do Prado – Cinfães

Caminhadas

Depois de um cozido à portuguesa caminhar… não é fácil!!!

Mas lá seguimos pelas estradas de curva e contracurva até ao Largo da Nogueira, em Vila de Muros, Cinfães, onde se inicia este PR1 – Caminho do Prado, para cumprir com o planeado.

Um percurso circular com aproximadamente 7 Km que se desenvolve ao longo das margens do Rio Bestança, com passagem pelas localidades de Vila de Muros, Covelas e Vale Verde, com um grau de dificuldade moderado, face aos acentuados descendentes e ascendentes, mas sobretudo, face às características do piso que em dias de chuva obrigam a cautela redobrada.

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Depois do tiro de partida, a primeira centena de metros é feita pela estrada até encontrar a indicação que nos encaminha para a Ponte de Covelas, mas até lá chegar há que descer o acentuado caminho.

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Um cenário deslumbrante ao longo da calçada, o musgo que cobre as pedras que ladeiam o caminho, a folhagem que reveste o chão, o teto formado pela copa das árvores dão ao percurso um ar de fábula… torna-o, por isso, fabulástico!

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Junto às linhas de água observam-se uma grande multiplicidade de árvores, nomeadamente, carvalhos e castanheiros.

A ponte de Covelas, de estilo barroco, permite o atravessando o rio Bestança para a margem direita que nos irá levar, através de uma subida acentuada, até à aldeia de Covelas.

Na sua arquitetura destaca-se o tabuleiro em cavalete assente num único arco e o medalhão no centro da estrutura. Construída no ano de 1762 a mando do padre Diogo de Sequeira e Vasconcelos, durante muitos anos a Ponte de Covelas foi um importante ponto de passagem das populações do vale do Bestança, principalmente entre Tendais e Porto Antigo.

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Terminada a subida, o percurso mantêm-se quase sempre à mesma cota ao longo de uma caminho agrícola, à medida que nos vamos afastando do nucleo habitacional o caminho vai perdendo o rigor e voltamos a entrar em zona em que a paisagem volta a “mandar”… em alguns pontos toma conta das habitações abandonadas no tempo.

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Neste ponto do percurso convergem dois trilhos, nós, seguimos no sentido descendente através de uma calçada estreita e irregular até uma ponte de tijolos e cimento que nos fará cruzar, novamente, o rio para uma zona conhecida por Prado.

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Depois da terra batida entramos novamente numa calçada antiga e novamente no sentido ascendente, desta feita, com uma inclinação bastante ligeira… Vale Verde fica logo ali ao cimo.

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Depois de ultrapassado este lugar, o trilho continua por asfalto até Vila de Muros…

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O percurso pedestre PR1 – Caminho do Prado, atravessa frondosos carvalhais, prados, ribeiros, fragas e outras belezas deste vale encantado, encontra-se muito bem marcado e é seguramente mais um bom motivo para visitar e descobrir Cinfães.

Foi um dia bem preenchido para os sentidos… era hora de rumar à nossa “cabana” para um merecido descanso, pois, um novo trilho aguardava por nós no dia seguinte… mas isso é uma outra história, um novo post… 

Panfleto dos percursos disponíveis em Cinfães aqui.

 

PR6 – Caminhos da Vila – Cinfães

Caminhadas

De regresso aos PR`s… de regresso às caminhadas…

O PR6 Caminhos da Vila, em Cinfães, é um percurso linear de apenas 2.7 Km (ida e volta 5.4 Km) com um desnível acumulado de +428 m  e tem início na Loja de Turismo de Cinfães ou no Centro de Interpretação de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança.

Optamos por iniciar o percurso em Pias junto à ponte que serve de travessia sobre Rio Bestança, desta forma, o ascendente seria vencido ainda com as forças intactas.

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Os cursos de água, nesta região, mercê do clima húmido que a barreira de condensação da Serra de Montemuro lhes proporciona, têm água ao longo de todo o ano. O facto dos leitos dos rios serem na sua maior parte bastante inclinados confere-lhes um regime torrencial, particularmente na época mais chuvosa.

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Através de uma calçada medieval inicia-se a subida até à Vila de Cinfães, este tipo de piso, recorrente ao longo do percurso, torna-se bastante perigoso, principalmente em dias chuvosos, pelo que, todo o cuidado é pouco para evitar escorregadelas e algum trambolhão… sei do que falo!!!

Ziguezagueando por entre o casario o percurso começa logo a ganhar altitude, meia dúzia de passos após a partida já é possível ter uma vista desafogada sobre a paisagem circundante.

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Após a passagem deste núcleo habitacional onde se encontra edificada a capela em honra de São Gonçalo e de cruzar a estrada de alcatrão entramos num espaço distinto, rodeados de muito verde… Caminhamos sob um manto castanho vivo proporcionado pela folhagem e não faltaram espectadores atentos à nossa passagem.

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Depois da passagem por este pequeno bosque, nova passagem pela estrada de alcatrão, entramos agora numa pista de terra batida que nos irá conduzir a nova zona habitacional já no coração de Cinfães.

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Alcançada a Loja de Turismo era hora de regressar ao início do percurso para uma nova aventura, desta feita, gastronómica. 

Se durante a subida, S. Pedro, já nos havia presenteado com um belíssimo banho, no regresso, o banho só não foi maior graças a um beiral de uma das poucas casas que por ali havia… foi pena não ter levado o gel de duche!!!

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Como diz o ditado… Depois da tempestade, vem… os pés molhados! Facto que não foi impedimento para uma visita, mais demorada, ao casario que nos havia recebido no início da jornada. 

Numas alminhas, um invulgar, pelo menos aos meus olhos, Cristo Crucificado. Seguimos depois até à Capela de Pias que, infelizmente, encontrava-se fechada.

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Mesmo sem sol, o relógio, indicava que eram horas de sentar à mesa ali nas proximidades, mais precisamente, em Porto Manso, Ribadouro, no Restaurante da Azenha, para degustar um belíssimo prato da gastronomia portuguesa… o Cozido à Portuguesa.

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A refeição passou no teste, com distinção… o pior foi fazer o outro percurso que havíamos planeado, mas isso, é uma história para outra publicação.

Panfleto dos percursos disponíveis em Cinfães – aqui

Ecopista do Ramal de Famalicão

Ciclovias e Ecopistas

Esta ecopista encontra-se instalada onde outrora funcionou o Ramal de Famalicão, que fazia parte da Linha da Póvoa, linha que fazia a ligação à cidade do Porto. 

O percurso de Famalicão desenrola-se ao longo de  zonas rurais e florestais, entre pequenos aglomerados habitacionais e vastas quintas, afastado de vias de circulação automóvel, num ambiente agradável e tranquilo, o percurso convida à prática da atividade física.

Tem início na Rua Daniel Rodrigues e o seu piso é em terra batida até Balasar.

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De Balasar até encontrarmos a rotunda na nacional 206, este pequeno troço, de mais ou menos um quilómetro, é em saibro. Resultou de uma intervenção da autarquia de forma a facilitar o acesso à igreja de Balasar, tornando-o mais célere e seguro, aproveitando as qualidades do ramal ferroviário existente.

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Após a rotunda, o piso volta a ser em terra e gravilha, este troço que nos conduz à Póvoa é mais urbano. O facto de ser atravessada por várias vias obriga a atenção redobrada por parte dos utilizadores da ecopista.

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A Ecopista do ramal de Famalicão, com os seus 28 km, é um excelente local para a prática desportiva. Contínua, tal como no tempo do comboio, a ligar o interior, a área rural, ao litoral , às praias da Póvoa de Varzim.

Ecopista do ramal de Famalicão, o relato.

Pedalada da Semana

Depois de longas e proveitosas reuniões, eis que o plano ficou definitivamente traçado.

Sexta-feira, 13 de janeiro. Às 08h20 nas bombas.

E assim foi. Minuto menos minuto, três quartos dos aventureiros estavam no local e hora combinados. O outro quarto foi atestar a outras bombas e a outra hora. E o que seria um passeio calmo até à estação de Ermesinde transformou-se num contra-relógio digno dos bons velhos tempos de Cancellara. Ainda que não tivesse havido tempo para o café combinado, o comboio previsto não partiu sem nós os quatro e respetivas companheiras de estrada.

Tal qual um relógio suíço, o comboio deixou-nos em Famalicão à hora marcada. Uma viagem rápida abrilhantada pela boa disposição do revisor da CP.

Um café rápido para quem acordou menos cedo e estava tudo pronto para a aventura. Uma curta subida levou-nos à entrada da ciclovia que liga Famalicão à Póvoa de Varzim. Aquilo que outrora fora uma linha de comboio foi “transformada”, e muito bem, numa ciclovia que ao longo de mais de 25 quilómetros de terra batida nos leva por cantos e recantos de uma beleza sublime. Atravessamos pequenas povoações e pedalamos ao lado de infindáveis campos agrícolas num percurso praticamente plano.

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As marcas da linha férrea mantêm-se vivas quer na existência de alguns apeadeiros, quer na manutenção de pequenos troços de linha cravados no solo. As longas retas deste traçado fizeram-nos viajar no tempo e imaginar o prazer que seria fazer este percurso a bordo do comboio.

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Apesar da singularidade deste trilho decidimos fazer um desvio para contemplar outra beleza ímpar: as vistas do Monte de S. Félix. Não sendo uma subida imponente, o acesso ao monte cortou um pouco do ritmo e fez uma ou outra mossa, nomeadamente a perda de vestuário (“tenho a certeza que a coloquei na mochila”)… Mas as vistas valeram o sacrifício. Tanto quanto deslumbrante, a paisagem é reveladora do nefasto contributo do homem no desenvolvimento das cidades. O tempo, esse, continuava perfeito.

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A descida do monte foi mais rápida embora mais perigosa. Alguns metros à frente retomamos o trilho da ciclovia e seguimos em direção à Póvoa. Embora mais citadino e com um encanto diferente, o percurso continuava a surpreender.

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Do fim da ciclovia ao Ritz foi um tirinho. O Ritz tinha sido o escolhido depois de uma árdua e complexa pesquisa. Com um ambiente calmo e acolhedor, uma decoração diferente e um serviço cinco estrelas, o Ritz foi, sem sombra de dúvida, a escolha acertada. Contudo, embora tenham sido fatores importantes na avaliação, a principal virtude do Ritz é a sua francesinha em pão alentejano. Sei que as imagens falam por si mas não dizem tudo. O pão é uma excelente escolha, o bife é tenro, as batatas fritas são mesmo batatas e o molho é… enfim, o molho é indescritível. A sua originalidade leva-o muito perto do excelente e do péssimo. O travo a mostarda fica. E, ou se adora ou se detesta. Nós adoramos. E aquilo que seria uma paragem rápida para um almoço ligeiro, prolongou-se por duas horas e o almoço foi tudo menos ligeiro. Regressamos à estrada. E o Metro ali tão perto…

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Antes de retomar o trilho delineado, ainda passamos pela beira-mar para as fotos da praxe.

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Já no trilho decidimos fazer um “pequeno” desvio para recuperar o vestuário perdido que, diga-se, estava precisamente no mesmo sítio onde havia sido deixado… E não era na mochila. O acumular de quilómetros e algumas incursões pela baixa montanha começavam a provocar danos mais visíveis. Mas nada que nos fizesse desviar da meta: chegar à Trofa. E a rolar em pelotão compacto, lá chegamos ao destino. Um encontro imediato de terceiro grau e o comboio logo a seguir. Da Trofa a Ermesinde e de Ermesinde ao Susão. Nove horas depois estávamos de regresso ao ponto de partida. Com mais 70 quilómetros nas pernas, com uma valente francesinha no papo e com a certeza de que são momentos como estes que valem a pena ser vividos entre amigos.

Outras pedaladas/caminhadas virão.

texto  |  paulo figueiredo

fotografia  |  nelson branco

TP1 – Trilho das Lendas de Figueira

Caminhadas

No passado fim de semana rumamos até à aldeia de Figueira, no concelho de Penafiel. Este povoado que se estende ao longo de uma ligeira encosta, cujo verde é a cor predominante,  tem origem quase milenar! O primeiro documento onde é encontrada referência à sua existência data do ano 1085.

À hora marcada estávamos no ponto de partida deste trilho, que se inicia e finda junto à igreja de Figueira. Um percurso de pequena rota, com cerca de 12 km, que se desenvolve por caminhos rurais, com passagem por diversos pontos de interesse: levadas, moinhos, oito, distribuídos ao longo da encosta, alimentados pelo ribeiro de Pisão, penedos do Monte Mózinho e outros de cariz religioso. A somar a isto ainda podemos descobrir algumas das lendas locais que se encontram afixadas ao longo do percurso, como a Lenda da Figueira, a dos olhos de água, ou ainda, a de Gigantes e da sua calçada. Este percurso encontra-se marcado de forma idêntica à sinalética utilizada no território português para balizar percursos pedestres, mas, num único sentido. Este percurso encontra-se a ser melhorado em termos de sinalética.

Como esta actividade estava integrada na “Há Festa na Aldeia” só foi possível fazer parte do percurso, pelo que, brevemente iremos calcorrear novamente este trilho e nessa altura atualizarei a informação.

Algumas fotos do trilho.

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Começar o ano com o pé(dal) direito!

Pedalada da Semana

Depois de vários dias a projectar algo para a primeira segunda feira do ano, dia de folga, tive de abortar todo o plano atendendo a que S. Pedro não quis colaborar e trouxe a chuva para estes primeiros dias de 2017.

Depois de feitas as primeiras tarefas da manhã detive-me uns minutos diante da janela a observar as várias tonalidades de cinza que cobriam o céu, na esperança de adivinhar como estaria o dia. Fiquei ali a ponderar se arriscava a saída, sobretudo, se na saída arriscava uma possível molha! Como a arte de adivinhação não é o meu forte, consultei vários sites de meteorologia e decidi com base na informação mais favorável. Havia uma janela de tempo, uma manhã, para sair, pedalar, fotografar e relaxar… evitando a chuva.

Enquanto ultimava as coisas projetei mentalmente o trajecto a seguir… não estava distante de casa, tinha estradas fofas e pouco movimentadas, belos quadros rurais para fotografar e a paz suficiente para relaxar. 

Segui viagem, o meu foco estava nos últimos seis quilómetros desde a Ponte do Cabouco até ao Parque da Senhora do Salto.

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Aqui o Rio Sousa corre lentamente, por aqui não só o rio corre devagar, por aqui, o tempo corre devagar… fora ou dentro da estrada impera a serenidade.

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Numa cadência ligeira para não alterar a pacatez do lugar… chego a este belíssimo santuário natural. Hoje não tão belo como no passado! Infelizmente, o progresso trouxe como vizinho um viaduto rodoviário que com a sua monstruosidade roubou parte da beleza deste sítio. Abstraindo-me desse facto… tudo é paz… aqui parece que o tempo cristaliza!

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De algum tempo a esta parte, adotei o uso de um cyclecap por baixo do capacete, a mim traz-me uma sensação de conforto extra, a pala ajuda a proteger do sol nos dias ensolarados, nos dias mais frescos, como este, o chapéu protege da aragem gélida. Este veio do outro lado do mundo… um presente da NO16CYCLECAPS.

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Aqui estou eu no inferno!

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“O Inferno é uma garganta apertada, onde corre o rio Sousa. Uma lenda diz que um cavaleiro perseguido pelo Diabo sob a forma de um veado (ou perseguindo o mesmo sob a forma de uma lebre), saltou sobre o abismo nesse Lugar. Caíndo invocou com fervor a protecção de Nossa Senhora

Valei-me Virgem Senhora,

Valei-me sou pecador ;

e o milagre aconteceu: o cavalo e o cavaleiro pousaram sãos e salvos na outra margem do rio, num sítio onde ainda se vêm as marcas das ferraduras do cavalo… Em sinal de agradecimento, o cavaleiro mandou construir uma pequena capela à Nossa Senhora do Salto. Outra forma da lenda acrescenta: a imagem da Nossa Senhora foi aí encontrada numa gruta, por umas crianças que lá pastoravam o gado. Levada para a igreja umas três vezes, por outras tantas ela voltava a ser encontrada na gruta, pelo que o abade lhe edificou a capela decente onde apenas estava uma tôsca ermida. Essa imagem é objecto de veneração popular…”

As festividade em honra da Senhora do Salto realizam-se no primeiro domingo de maio.

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Depois de revisitar estes locais, depois das fotos… inicio a ingre-me subida da via com a Dona Isaura às costas.

Paragem na tasca para o pequeno almoço, com direito a assento na tribuna onde o olhar pode descansar sobre esta paisagem bucólica! Se por aqui andarem em hora de almoço ou lanche não deixem de provar a sandes de “febra” com ovo e queijo, ou, um pica-pau… reguem tudo com “receita” (mistura de vinho, cerveja e açúcar). 

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Depois de longos minutos de paz onde o silêncio apenas era rompido pelo barulho da água a correr no rio, fiz-me novamente à estrada para explorar alguns recantos desta zona tipicamente rural.

Dessa busca saíram mais uma mão cheia de retratos…  

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Ainda fui em busca da informação que aqueles reis magos, na paragem da camioneta, levavam… mas disso falo-vos numa próxima história. 

Até lá, um bom ano para todos… Boas pedaladas e boas caminhadas.

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Pela marginal atlântica até à Póvoa de Varzim

Ciclovias e Ecopistas, Pedalada da Semana

Um dia de folga, um dia de sol com temperatura primaveril, uma vontade férrea de ir à descoberta de coisas bonitas, eis a conjugação ideal para partir em mais uma aventura em duas rodas.

Tendo como ponto de partida a cidade de Matosinhos, percorrendo as ciclovias da marginal, das quais já falei aqui avancei no mapa rumo ao norte.

Em Angeiras, a tradicional ciclovia passa a passadiço, partilhado por ciclistas e peões… nada de preocupante, uma vez que, dado estar afastado dos grandes centros urbanos o número de utilizadores é em menor número o que permite a circulação de ambos em perfeita harmonia. Neste dia, talvez por se tratar de um dia de semana quase não me cruzei com utilizadores, o que ainda foi melhor pois permitiu-me abstrair completamente e gozar de toda a calma e beleza envolvente nesta que é igualmente a via de Santiago do Caminho Português da Costa.

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O perfil do percurso é praticamente plano à excepção de uma pequena elevação junto à capela de São Paio, uma elevação rochosa que tem de ser vencida por uma escadaria no passadiço… neste caso tive de levar a menina ao colo!
Nas rochas a Sul existem vestígios da aldeia de  Castro de São Paio que data da Idade do Ferro.
As redondezas são marcadas pelos campos de cultivo e ausência de habitações junto ao areal o que acentua a força da natureza. Detive-me um pouco mais que o tempo das fotos… o embalo da sonoridade marítima e o sol quente funcionaram como uma âncora.

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Passagem pelo Bairro dos pescadores de Vila Chã, barcos e homens em terra mas o trabalho não pára! Arranjam-se as redes, verificam-se motores e neste silêncio laborar irrompem duas mulheres quebrando o silêncio com um bem audível: – O que é que “bais” querer comer Tone? 

Gente genuína… com um sorriso no rosto avanço no percurso.

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Mais uma paragem “forçada” para admirar os homens do surf e para uma foto… 

Este tipo de percurso afastado da via, permite facilitar um bocadinho no uso do capacete… deixei-me andar com a cabeça arejada, para que os pensamentos “andassem livres”, mas não esqueci o boné da NO16CYCLECAPS, marca que já dei a conhecer aqui, para que os mesmos não voassem para longe!!!

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Mais um registo naquela que é classificada como a primeira reserva no território português – Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo. “Esta área de costa revela-se particularmente importante na medida em que se apresenta como a única área costeira minimamente preservada entre a Barrinha de Esmoriz e o litoral de Esposende. O litoral sul do concelho de Vila do Conde possui um variado conjunto de valores de ordem biológica e paisagística, sendo de destacar a existência de um interessante e original mosaico de habitats, desde cordões dunares, rochedos, zonas húmidas, bouças e áreas agrícolas, desenvolvendo-se ao longo de uma linha de costa com 8,5 km de extensão.”

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Depois de mais uns quantos quilómetros e já com a ponte de Vila do Conde no horizonte consigo avistar este belíssimo exemplar da arquitectura religiosa, rodando as velas, avanço em direcção à estrada nacional 13, dando de fronte com a Igreja Matriz de Azurara.

“Aproveitando a passagem de D. Manuel por estas terras, em 1502, quando este se dirigia a Compostela, o povo de Azurara pediu ao rei permissão para edificar uma nova igreja. A construção da nova matriz, dedicada a Santa Maria a Nova, ter-se-á iniciado nesse mesmo ano e terá terminado em 1522, data de conclusão do espaço da capela-mor. O edifício assemelha-se à Igreja Matriz de Vila do Conde, edificada na mesma época. No primeiro domingo de agosto acolhe a Festa de Nossa Senhora das Neves. Antigamente era conhecida por Romaria dos Anéis porque era nessa altura que os noivos compravam as alianças de casamento.”

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Pela movimentada EN13 entro em Vila do Conde, onde à chegada sou logo presenteado com um belo postal da cidade.

O Convento de Santa Clara foi fundado por iniciativa de D. Afonso Sanches, filho bastardo de Dinis I de Portugal, e de sua esposa, D. Teresa Martins. Foi um convento feminino instituído em 1318 e extinto no século XIX. Do antigo conjunto, restam-nos a magnífica igreja em estilo gótico,  parte do edifício conventual, reedificada parcialmente no século XVIII e o Aqueduto de Santa Clara. Na igreja encontram-se alguns importantes túmulos: o de Beatriz de Portugal, filha do beato Nuno Álvares Pereira, o dos Condes de Cantanhede e os dos fundadores.

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Nas traseiras deste edifício nasce o Aqueduto de Santa Clara que se estende desde Terroso, na Póvoa de Varzim, até ao Mosteiro. Trata-se de um aqueduto em estilo românico, em pedra. Primitivamente possuía 999 arcos, alguns dos quais, nos dias de hoje, se encontram destruídos. Encontra-se classificado como Monumento Nacional desde 1910. 

A versão espanhola da revista National Geographic considerou-o o 4.º mais belo aqueduto do mundo.

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Vistas junto ao convento.

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Guiado pelo burburinho, bem audível lá do alto, desço até ao Mercado Municipal que fervilhava de vida. Os pregões dos vendedores, o regateio dos clientes, os cheiros dos produtos frescos e dos fumados, o vai-vem de gente conferem ao local um ambiente fantástico. Ancorei numa banca para abastecer com alguma fruta. 

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Depois de uma pausa para comer algo junto da Igreja Matriz, levantei ferros e segui para a marginal ao encontro da Nau Quinhentista.

“A nau portuguesa do século XVI era um navio redondo, de alto bordo, com uma relação de 3:1 entre o comprimento e a largura máxima, três ou quatro cobertas, castelos de popa e de proa, com três e dois pavimentos, respectivamente, cuja arquitectura se integra perfeitamente no casco; arvorava três mastros, o grande e o traquete com pano redondo, e o da mezena com pano latino.

A fim de mostrar a complexidade da organização das viagens, a Nau Quinhentista apresenta os aposentos de alguns dos tripulantes, assim como os próprios elementos da tripulação, através de esculturas humanas: o capitão, o piloto, o escrivão, o capelão, o boticário, o timoneiro, o bombardeiro e o grumete.

Simultaneamente, estão expostos vários instrumentos de navegação, material cartográfico, diferentes tipos de mercadorias, uma botica, procurando elucidar sobre a complexidade e as vicissitudes da vida a bordo.”

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Ao dobrar a esquina, aquela parede vegetal chamou-me a atenção e despertou interesse pelo que lá em cima se encontrava!!!

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A Capela do Socorro, foi erguida em 1559 por iniciativa de Gaspar Manuel, “piloto-mor da carreira da Índia, China e Japão que custeou as obras“, possivelmente em cumprimento de um voto a Nossa Senhora do Socorro. De pequenas dimensões, é singular pelo seu formato e cobertura, semelhante à de templos orientais.

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Morro abaixo sigo na direcção da Póvoa, pelo caminho mais uma paragem para este belíssimo mural que partilho uma das partes.

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Na área circundante ao Forte de S. João Baptista inicia-se a a Ciclovia da Marginal Atlântica, que percorre a marginal entre a foz do Rio Ave e a Marina da Póvoa, numa extensão de, mais ou menos, 4 quilómetros.

Forte de S. João Baptista, mandado construir com o intuito de proteger a vila de possíveis ataques feitos por mar, está ligado a um episódio da nossa história nacional. Em 8 de Julho de 1832, D. Pedro IV tentou desembarcar no porto do Ave e para preparar o empreendimento, mandou a terra o Capitão de Engenharia Sá Cardoso (futuro Marquês de Sá da Bandeira) com a missão de conseguir a adesão do Brigadeiro Cardoso. A recusa persistente deste obrigou D. Pedro IV a desembarcar mais a sul, na praia de Arnosa de Pampelido, no Município de Matosinhos, história que já fiz referência aqui.

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Memorial aos Náufragos – monumento, da autoria do Arquiteto Manuel Maia Gomes, pretende homenagear os pescadores que, na costa portuguesa e noutros países, perderam a vida no mar.

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Adiante, junto à marina, inicia-se a ciclovia da Póvoa, com passagem pelo porto de pesca, as avenidas marginais até próximo da praça de touros.

A ciclovia está sinalizada com piso colorido vermelho e, amarelo nas zonas em que é partilhada.

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Findo o percurso, já com o sol na sua caminhada descendente, inicio o regresso ao ponto de partida, desta feita quase sem paragens.

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No entanto, novamente em Vila do Conde, avisto uma interessante torre sineira e sigo no seu encalce, no local, o encantamento, dá lugar à desilusão, uma vez que no átrio da igreja se encontrava estacionada uma carrinha de obras, o que tirava todo o encanto! De regresso à bicicleta, em forma de compensação divina, sou presenteado com esta bela imagem. Estas “donzelas” a posarem para a foto. 

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Um dia preenchido de coisas boas merece, no final, a uma paragem mais demorada para processar toda a informação recolhida… este que é o meu cenário de eleição foi o palco perfeito.

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Até à próxima aventura, boas pedaladas.

PR3 – Trilho dos Currais – Parque Nacional da Peneda-Gerês

Caminhadas

Rumo ao norte, os quatro magníficos avançam para mais uma aventura por locais mágicos… a bordo da nave espacial, debaixo de chuva fresca procurando no vento a melhor orientação seguimos em direcção ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. 

O percurso a explorar localiza-se no concelho de Terras de Bouro, mais precisamente na freguesia de Vilar da Veiga, com inicio e términos junto ao parque de campismo do Vidoeiro. 

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Este trilho de aproximadamente 10 km, com um grau de dificuldade média a elevada, motivado pelo acentuado ascendente e descendente, sinalizado segundo as normas internacionais, leva-nos a percorrer uma área de rara e impressionante beleza paisagística e de grande valor ecológico e etnográfico,  onde abunda uma grande variedade de fauna, corços, garranos, lobos, aves de rapina e de flora, pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos...

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Logo no início do percurso um belo postal, uma pequena amostra da beleza do local… uma beleza ímpar capaz de incendiar a visão. 

Iniciado o percurso não há que enganar, quatro “longos” quilómetros de subida, para fazer num ritmo de passeio, enquanto se equilibram os sentidos. Respiração e visão em rotação máxima, a subida e a magia do local não deixam que seja de outra forma. 

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O bosque encantado, árvores que se retorcem em busca de luz neste corredor arbóreo… onde o ar imaculado e fresco se consegue sentir na alma. 

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A chuva, embora menos intensa, continuava a cair como lâminas, rasgando a atmosfera, trespassando a folhagem onde perdendo a agressividade, atinge-nos de forma delicada, como que um beijo, terno, da mãe natureza nas suas crias.

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A este nível, tudo é silêncio, apenas quebrado pelo constante correr do fechos que vão abrindo e fechando os agasalhos. A este nível, a visão fica ampla, levando a linha do horizonte para mais adiante. A este nível, o vento sopra forte, empurrando-nos caminho fora.

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O PR3 – Trilho dos Currais proporciona um contacto directo com o espírito e tradições comunitárias locais, nomeadamente, a organização silvo-pastoril, denominada de vezeira. Revela-nos uma parte importante da serra do Gerês, diversas estruturas que são necessárias para este tipo de organização comunitária como são os Currais (o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha da Égua e o Curral da Lomba do Vidoeiro) e as respetivas cabanas, onde pernoitam os/as pastores/as, aguardando a sua vez de tomar a responsabilidade do pastoreio do gado – daí o nome de vezeira.

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Serpenteando por este mar de contrastes seguimos viagem…

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Aqui e ali a vegetação abre-se dando a descobrir a beleza e imponência do sítio… todo ele silêncio e calma… 

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Embora muito bem sinalizado, existe um ponto (este) que merece atenção redobrada pois o sinal ou “pórtico” sinalizador encontra-se “perdido” confundindo-se com a paisagem, no entanto, houve quem já tivesse tido o cuidado de construir, com pedras, uma seta sinalizadora, ao nível do chão.

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Sem mais enganos prosseguimos viagem para o Miradoiro da Pedra Bela, visita obrigatória para quem percorre este trilho, ou mesmo, para qualquer visitante do Gerês.

Alcandorado sobre a montanha, no alto dos seus 834 metros, este balcão rochoso  permite uma visão privilegiada, sobre as montanhas, a albufeira da Caniçada, a confluência do Rio Cávado com o rio Caldo, a vegetação ou a Portela do Homem…
A Pedra Bela desde sempre encantou, diziam os antepassados que foi a mão divina que ali a colocou! 

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Pedra Bela é também local de inspiração para poetas… já dizia Miguel Torga:

“Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma…
qualquer coisa profunda e dolorida,
traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falção na sua altura
A medir as fronteiras:
-Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras…”

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Sob o manto fofo da folhagem fazemos a descida da Serra, com cuidados redobrados, pois as árvores estendem as suas raízes para se fixarem nesta vertente íngreme.  Na base, na fonte, preparamos o bucho para receber o manjar do deuses.

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O alcatrão indicia que o final do percurso está próximo, ladeados por muros vegetais e graníticos somos guiados para o último segmento encantado do percurso que corre paralelo à vila e desemboca em frente ao restaurante que nos haveria de acolher.

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Com a alma cheia, chegamos ao final do percurso… era hora de alimentar o corpo e repor as energias perdidas.

Contamos com a sabedoria gastronómica da D. Júlia que preparou de forma superior o repasto, uns rojões à moda da terra, com tudo que faz bem!!!  

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Boas caminhadas… até à próxima aventura.

 

 

Folheto do percurso

 

O Peregrino – Opinião

É o qu`eu digo...

Regresso ao Caminho, numa nova viagem conduzida pelo “Peregrino”, a nova obra de Luis Ferreira.

Foi em 2014 que tomei conhecimento dos escritos deste autor, num momento muito especial, uma vez que, tinha acabado de percorrer estes milenares caminhos, estando ainda envolto em toda a magia da caminhada. Estava ainda a processar tudo que tinha visto e sentido e que de alguma forma me fizera olhar o mundo e a vida numa outra prespectiva.

O livro “Entre o Silêncio das Pedras” foi por isso bebido de uma forma sôfrega, tentando saciar a minha “sede” de caminho. Um excelente livro, uma bela história de amor que nasce em trilhos de amor e fé. Um livro para os amantes do Caminho e para todos que gostam de boas histórias.

Dois anos volvidos chega o Peregrino, um novo livro, uma nova história, novamente, por essas rotas imemoriais…. 

Continuo com “sede” de caminho, mas esta leitura foi feita de uma forma mais “degustativa”… tentando apreciar cada linha, cada palavra.

Esta obra retrata o processo de “humanização” do personagem central, Diogo Filipe, um prestigiado CEO de uma empresa de consultadoria financeira, um homem que apesar de ter tudo, percebe que a páginas tantas na sua vida… nada tem! Parte na busca de respostas e quiçá de um sentido maior para a sua vida empreendendo uma viagem desde León até Santiago de Compostela… que será muito mais que uma aventura ou umas férias.

Este percurso, parte do Caminho Francês, é relatado de forma sensacional pelo autor, os pormenores históricos, a descrição dos locais, dos objectos, dos monumentos, as cores que iluminam cada traço da paisagem, os cheiros que percorrem a atmosfera, as gentes, os sentimentos, tudo relatado de uma forma tão precisa que coloca o leitor naquele local, que coloca o leitor na pele do Diogo. 

Leva-nos ainda para caminhos paralelos, o da massificação do caminho, da chegada ao caminho de um maior número de turisgrinos que condicionam a caminhada daqueles que a fazem verdadeiramente, daqueles que buscam percorrer o caminho deixando que seja este a passar por eles…

Diogo Filipe na tentativa de redescoberta da sua verdadeira natureza acaba por descobrir o seu maior medo!!! Será capaz de o ultrapassar?!! Onde será que o caminho o levou?! 

Deixo aqui o convite à descoberta destas questões… nas páginas deste livro que na minha opinião está:  Fantástico.

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PR1 – Percurso de Salreu

Caminhadas

Aproveitando o sol quente de outubro decidimos meter os pés ao caminho para calcorrear um par de kilómetros por terras de Estarreja – PR1 Percurso de Salreu.

Este percurso, circular, tem início e término junto ao Centro de Interpretação da Bioria.

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8 km, sobre terra batida, entre a ria e uma extensa área de enorme beleza… dos campos de arroz, aos sapais, juncais e caniçais.

Aqui a via é partilhada por pedestrianistas domingueiros, amigos do pedal e amantes da canoagem…

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O afastamento à estrada mais próxima é significativo e permite isolar completamente o espaço do ruído do dia a dia… aqui só a brisa, o coaxar ou o trinar dos pássaros rasga este silêncio maravilhoso.

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Terras que gozam de uma biodiversidade única composta por inúmeras espécies da flora e fauna autóctone, algumas ameaçadas, raras e de elevado valor conservacionista como a Lontra, o Toirão, a Garça-vermelha, a Águia-sapeira, o Guarda-rios, o Garçote, o Colhereiro, a Coruja-do-Nabal, o Pisco-de-peito-azul, a Felosa-poliglota, o Tritão-marmorado, a Rã-ibérica, a Rela e o Lagarto-de – água.

E outras mais comuns como aqui o nosso amigo.

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Um percurso que não oferece qualquer tipo de dificuldade que pode ser uma boa pista para treino ou para passeios em família, a pé ou de bicicleta.

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Dêem asas ao sonho… 

Boas caminhadas.

Percurso Pedestre pelo património religioso e natural de Vallis Longus

Caminhadas

O Percurso Pedestre pelo património religioso e natural de Vallis Longus pretende guiar os visitantes através da história da cidade de Valongo, dando a conhecer o seu património religioso, nomeadamente, a Igreja Matriz, as diversas Capelas e Cruzeiros, e outro de interesse nacional ou municipal, como é o caso do edifício do Arquivo Histórico Municipal ou a “Casa do Anjo”.

O percurso interage com a Rota do Grão ao Pão, onde é possível observar, moinhos, novas e antigas padarias e biscoitarias, materializando dessa forma a importância das actividades ligadas à moagem e panificação no desenvolvimento do concelho que, noutros tempos, foi o grande centro produtor de pão e de biscoitos destinados ao abastecimento da cidade do Porto e de toda a região. 

Este percurso leva-o ainda a percorrer a beleza do património natural da freguesia – a Serra de Santa Justa – área de paisagem protegida, onde habitam e florescem, animais e plantas, únicos no nosso país.

Através do QRcode disponibilizado no início do percurso (e aqui em baixo) poderá aceder diretamente à descrição detalhada do itinerário e ir acompanhando passo a passo, todos os pontos de interesse, dos quais são disponibilizados fotos e detalhes históricos. Caso não possua um equipamento com o aplicativo de leitura QRcode poderá aceder através da página do blogue, basta para o efeito que tenha acesso a dados móveis. https://pedalopelacidade.wordpress.com/ e no separador Caminhadas encontrará a descrição do percurso.

Como complemento ao texto, encontram-se espalhadas pelo percurso, setas de cor laranja, que o vão auxiliar na progressão do mesmo. Tem ainda a possibilidade de descarregar o ficheiro GPX com o trilho aqui: Trilho GPX.

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Nota: Os dados relativos à descrição histórica dos locais e edifícios foram obtidos no site da Câmara Municipal e na página da Paróquia de Valongo.

Boa caminhada…

Partida e Chegada
Largo do Centenário, extremo norte, junto à instituição bancária. (Coordenadas – Latitude 41.18993989 – Longitude  -8.4995757

Âmbito
Desportivo, cultural, ambiental e paisagístico

Tipo de Percurso
De pequena rota, por caminhos urbanos e de montanha

Sinalética

Encontra-se marcado num só sentido por setas de cor laranja. De forma a poder completar com sucesso o trilho, utilize a descrição do percurso como guia.

Distância a percorrer
9.5 km – percurso base
12.5 km – percurso base + setor 1 (capela nova e velha do Susão)
16.5 km – percurso base + setor 1 + setor 2 (capela de S. Bartolomeu)

Duração do percurso
Percurso base – 3 horas
Percurso base + setor 1 – 4 horas
Percurso base + setor 1 e 2 – 5 horas

Nível de dificuldade
Baixo / Médio

Desníveis
Dois desníveis médios ascendentes e um desnível médio descendente

Época aconselhada
Todo o ano

Contactos úteis: PSP – 224219800  Bombeiros – 224 220 002 | 224 220 484

 

Descrição detalhada do percurso

O percurso inicia-se no extremo norte da Praça do Centenário (Coordenadas – Latitude 41.18993989 – Longitude  -8.4995757). Siga no sentido descendente da praça, por entre o corredor arbóreo, em direcção à EN15, onde terá contacto visual com o primeiro ponto de interesse…

Museu e Arquivo Histórico

Edifício mandado construir por Bernardo Martins da Nova, no início do séc. XIX, com uma capela dedicada a S. Bruno, foi nele instalada a sede da Câmara no ano seguinte à elevação de Valongo a concelho (1836). Anos mais tarde foi remodelado para a instalação do Museu Municipal e Arquivo Histórico.

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Faça o atravessamento da via e siga pela direita, Rua Dr. Nunes da Ponte, em direcção ao jardim, uns passos adiante, é possível visualizar a conhecida Fábrica de Biscoitos Paupério, local onde poderá reforçar a mochila com mantimentos. Prosseguindo no sentido ascendente rumamos em direcção à…

Igreja Matriz de Valongo e Capela do Senhor dos Passos 

A edificação iniciou-se, com autorização régia, em 1794, com a ajuda de um imposto sobre bens alimentares, alargado, em 1796, à imposição de cinco reis sobre cada alqueire de trigo. Ainda em construção, em 1809, foi quartel das tropas invasores francesas. Já em 1823 teve a celebração da missa nova e, em 1837, na sacristia ocorreu a primeira reunião da vereação do concelho de Valongo, entretanto criado em 1836. De arquitetura neoclássica segue a traça da igreja da Lapa, Porto. A imponência da volumetria destaca-se na paisagem e no seu interior encontramos um excelente espólio de meados do séc. XIX. A decoração dos tetos engloba um interessante conjunto de pinturas com os evangelistas, na capela-mor, e emblemas marianos, na nave. Os altares neoclássicos foram concebidos para receber imagens dos mais conceituados imaginários, encarnadores e pintores da época, como João Baptista Ribeiro, João António Correia e Francisco José Resende.

A beleza interior da Matriz “obriga” a uma visita mais demorada e contemplativa.

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Nas imediações encontra-se a capela do Senhor dos Passos, mandada construir por José de Mesquita, homem abastado de Fânzeres, para expurgar os males cometidos à esposa motivados pelo ciúme que se veio a provar infundado! Serviu de igreja paroquial, enquanto durou a construção da Matriz. A confraria do Senhor dos Passos, fundada em 1710, teve como seu instituidor João Vieira de Mesquita. Do espólio da capela, fazem parte um relicário conhecido por Santo Lenho, com um pedaço de madeira proveniente da Cruz de Cristo, uma imagem das Santas Mães e um Pálio magestoso.

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Siga no sentido ascendente, pela direita da capela. Irá encontrar o…

Cruzeiro Senhor do Cantinho

Cruzeiro setecentista que fazia parte da via-sacra da igreja matriz para as capelas de Nossa Senhora dos Chãos e de Santa Justa.

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Um pouco mais adiante, continuando a subida, o…

Cruzeiro do Escoural

O padrão ou cruzeiro do Escoural, localizado ao cimo da rua Dias Oliveira, data de 1754. Fazia parte da antiga via-sacra que partia da igreja matriz para as capelas da Santa Justa e Senhora dos Chãos.

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Aqui, apresentam-se outras possibilidades de adquirir produtos da terra, quer na Padaria dos Irmãos Moreira, quer na biscoitaria Valonguense. Siga pela rua à direita, junto do cruzeiro, inicia-se uma pequena descida que nos conduzirá a um tanque público, a máquina de lavar comunitária de outros tempos. Aqui, siga pela esquerda. Apartir deste ponto a via é ladeada por edifícios centenários de antigas padarias, conforme é possível identificar pelas placas de ardósia nas fachadas dos mesmos. Esta rua irá leva-lo até ao lugar da mais antiga capela de Valongo.

Capela Senhora da Hora

No tempo dos Mouros, Valongo estava sujeito ao Vigariato de São Martinho de Campo, e os seus Habitantes para assim, assistirem à Missa e outras funções Religiosas teriam de se deslocar a esse Templo por caminhos perigosos e acidentados, sujeitos a males e perseguições dos Mouros. Para evitarem tal situação, passaram a cumprir o Culto Sagrado na Capela de Nossa Senhora da Hora.

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Esta Milenária Capela, que remonta ao tempo dos Godos, Consagrada a Nossa Senhora da Hora desde meados do Século XVIII, é um marco importante na História da Cidade, não só por ser construída entre os Séculos IX e XI, mas também por ter sido presumivelmente, Matriz desde 1030, Ano a que foi conferido a Valongo o estatuto de Freguesia, até 1062, Ano da construção da Primitiva Igreja da Paróquia, que passou naturalmente a ser Matriz, e que foi edificada no mesmo Lugar, sensivelmente, onde se encontra a actual. 

Este Templo, antes da sua Consagração à Virgem Imaculada, foi Consagrado a Santo Antão, cuja Imagem foi para aqui trazida, às esconsas dos Mouros, após a morte do Eremita que a possuía, o qual tinha o seu Eremitério e Oratório na Santa Justa, no mesmo sítio onde mais tarde se ergueu a Capela Velha (Dedicado às Santas Justa e Rufina).

Tomando o caminho à direita da Capela, Rua Senhora da Hora, seguimos em direcção à EN15. A rua desemboca junto a uma pequena rotunda. Siga à esquerda e inicie nova subida, que o irá levar até à “Boavista”, pelo caminho mais edifícios de antigas e “novas” padarias. No final da Rua Marques da Rocha, assim que avistar a Biscoitaria Diogo, esteja atento à sinalização, está na hora de inverter o sentido de marcha.

Uma dezena de metros adiante seguir, à direita, pela Rua da Boavista, que o irá levar até um cruzamento. Do lado direito está edificada a antiga escola primária da Boavista. Inicie nova subida até à…

Capela Nossa Senhora do Chãos e Moinho

Ermida mandada erigir por Tomé António, navegante de Campanhã, como pagamento de promessa à Virgem Maria, por escapar a uma tempestade de alto mar. Edificada em 1625, tem planta retangular, nave única, telhado de duas águas com cruz e pináculos. As festividades à Senhora dos Chãos realizam-se no primeiro fim de semana de setembro.

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Nas proximidades encontram-se as ruínas de um antigo moinho de vento. Deste local avista-se uma extraordinária paisagem que abrange as cidades de Valongo e do Porto e respectivos arredores, assim como o Atlântico, em dias de céu limpo.

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O caminho a seguir é intuitivo, mas, mantenha atenção ao percurso, uma vez que, é bastante irregular e a sinalização mais escassa.

O trilho abre-se no meio da vegetação, siga até às ruínas do velho moinho. Após o poste metálico, linhas de alta tensão (!), siga o carreiro à esquerda, adiante, quando o carreiro começar a subir de forma mais acentuada,  volte a descer para o estradão.

Um pouco antes do segundo poste metálico, corte à esquerda, irá, imediatamente, avistar um reservatório de água, vá à esquerda, percorra uma centena de metros por um percurso montanhoso, após o qual, irá iniciar uma descida por entre o casario terminando junto à escola onde iniciou a subida para a capela de Nª Sr.ª dos Chãos.

Siga pela direita, depois de atravessada a zona habitacional, o percurso segue por uma via sem passeios, pelo que, redobre a atenção. Atingida a EN209, siga à direita, até encontrar o inicio da subida para a Serra de Santa Justa. Estrada em paralelo, sem passeio, deverá ter atenção.

Assim que alcançar o topo irá encontrar a…

Capela de S. Sabino

Na encosta oeste da serra, encontra-se a capela de S. Sabino, protetor dos deficientes. Foi bispo de Sevilha até 304. Deceparam-lhe as mãos por ter retirado os corpos, de St.ª Justa e de sua irmã St.ª Rufina, do poço para onde tinham sido lançados os seus restos mortais, e sepultou-as no cemitério cristão. De planta retangular, nave única, telhado de duas águas com cruz no vértice. Esta capela, a primitiva dedicada a Santa Justa, foi edificada no séc. XI e sofreu restauro e ampliação em 1870. Em 1998 foi requalificada e dedicada a S. Sabino.

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Prosseguindo a subida encontrará a...

Capela de Santa Justa

Localizada no topo da serra encontra-se a capela de Santa Justa, datada de 1936, no entanto, em 1640 é já referenciada, no catálogo dos Bispos do Porto, a devoção a Santa Justo no cume da serra de Cucamacuca ou de Santa Justa é de tempos imemoriais. A sua implantação dever-se-á a um ato de afirmação dos cristãos sobre os romanos, já que estes durante anos aqui fizeram a exploração do ouro. Não será por acaso que Santa Justa e Santa Rufina foram escolhidas para titulares da Capela, dado que ambas eram cidadãs romana que, após se converterem ao cristianismo, partiram imagens dos deuses romanos que até então vendiam. Possui planta retangular, nave única, telhado de duas águas, rematados por pináculos boleados. A fachada principal tem nártex de onde nasce a torre sineira quadrangular, coberta por telhado piramidal, encimado por esfera e cruz. A torre assenta em colunas dóricas, em betão, e nela abre-se uma fresta e as aberturas para os sinos.

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Retome a via até ao coreto, aqui, inicie a descida até sopé da serra. 

O subsolo da serra de Santa Justa é um autêntico labirinto resultante da exploração do ouro, tenha atenção, não se desvie do caminho, a vegetação poderá ocultar muitos perigos, nomeadamente, respiros dessas galerias subterrâneas.

Perto de alcançar, novamente, a EN209, irá encontrar, à direita, o Centro de Interpretação Ambiental… 

CIA – Centro de Interpretação Ambiental

Este centro promove a divulgação e sensibilização para o património das serras, através de painéis informativos, galeria fotográfica de fauna e flora, exposição de fósseis e maqueta interpretativa da evolução geológica do território. Possui também um acervo documental com livros, revistas e artigos científicos e podem ainda ser adquiridos artigos alusivos à área. O Município de Valongo disponibiliza visitas guiadas às Serras de Valongo, que contemplam habitualmente uma introdução no Centro de Interpretação Ambiental, seguida de deslocação ao Fojo das Pombas ou a um dos percursos pedestres sinalizados no terreno.

Horários:  sob marcação    Tlm.: +351 911 101 630    Email: dota@cm-valongo.pt

se fizer um pequeno desvio pelo monte, percorrendo cerca de 200 metros, poderá encontrar o…

Fojo das Pombas

Os trabalhos mais antigos para exploração do ouro datam, pelo menos, da época da ocupação romana da Península Ibérica. Testemunho desta atividade é a existência, principalmente nas Serras de Santa Justa e Pias, de um complexo mineiro constituído por vários fojos e cortas datados dos séculos I a III. O Fojo das Pombas é o mais emblemático, por ser possível observar a integração de várias técnicas utilizadas pelos romanos e também por terem sido encontrados neste local varias peças que permitem confirmar a idade da exploração. Realce para a sua singular beleza e exuberância devido à flora que se desenvolve devido às suas condições edafoclimáticas particulares.

Voltando ao percurso.

Ultrapasse a estrada de alcatrão e inicie uma pequena mas acentuada descida, em zona habitacional, siga pela direita, adiante irá ser conduzido por uma via estreita, entre o Hospital e o Centro de Saúde de Valongo. Quando avistar o hipermecado, vá à direita. No final da descida irá passar por uma “ponte”, à esquerda, numa cota inferior, encontra-se o…

Moinho da Passagem

Infraestrutura moageira centenária localizada dentro da atual mancha urbana da cidade de Valongo no lugar da Passagem. Referências de 1904 indicam como existente um moinho no lugar do Rio Simão, junto da então rua do Sol, com aproveitamento das águas do ribeiro da Ponte Carvalha. O seu funcionamento era restringido nos meses de verão, pois o precioso líquido era desviado para a rega das culturas agrícolas. O Corredor Ecológico que atravessa a zona central da cidade passa junto deste antigo moinho. É propriedade privada.

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Siga pela segunda rua à esquerda até ao…

Cruzeiro do Senhor do Padrão

Cruzeiro com cerca de sete metros de altura assente sobre um embasamento recente, em tronco piramidal, sobre o qual assenta o estrado original, retangular e em granito. Sobre este ergue-se então o fuste, uma coluna clássica lisa. Sobre o ábaco, uma esfera lisa, assente num pedestal envolto em volutas, serve de gólgota a uma cruz latina com braços de secção quadrada, rematados em trevo. A elegante figura de Cristo está rodeada por um resplendor de efeito tipicamente barroco. A base do monumento integra uma imagem de Santo António e uma referência ao sacramento da Eucaristia. Uma grade de ferro protegia a sua base, constituída por degraus que foram cortados no início de 1910, ano que em que passou a ser monumento nacional por Decreto de 16 de Junho. Integra-se no eixo antigo da cidade de Valongo, à margem da antiga ligação rodoviária do Porto a Penafiel, sendo enquadrado urbanisticamente por edifícios dos séculos XVIII, XIX e XX.

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Novamente à esquerda seguimos em direcção ao centro da cidade, umas dezenas de metros adiante, à direita, encontrará a…

Casa do Anjo

Casa de habitação, de típica construção burguesa, datada de 1766 e de estilo barroco ao gosto rococó. Destaca-se pela fachada principal totalmente revestida a cantaria. Apresenta, ao nível do pavimento, porta larga e janela. Ao nível do andar nobre, encontra-se uma varanda com gradeamento de ferro suportado por mísulas figurando cabeças, sendo o acesso efetuado por duas portas que ladeiam uma imagem do Anjo S. Miguel. Remata a fachada uma cornija ricamente trabalhada. O edifício tem a particularidade de se encontrar dotado de relógio de sol e no seu interior destaca-se uma sala no 1.º andar com teto de masseira e uma fonte lavabo em granito. Neste edifício funcionou o primeiro hospital de Valongo inaugurado a 15 de Agosto de 1905. Integra-se no eixo antigo da cidade de Valongo. Por Decreto n.º 29/84 foi classificado como Imóvel de Interesse Público.

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Prosseguindo, no mesmo alinhamento e igualmente à direita, esconde-se o…

Cruzeiro Senhor da Oliveira

O cruzeiro terá feito parte de uma antiga via-sacra desde a zona central para o Calvário. A rua do Norte, próxima, já se chamou de rua das Cruzinhas por ter muitas cruzes pertencentes à tal via-sacra. Insere-se no Eixo Antigo da cidade de Valongo. Aquando da realização das procissões dos Santos Passos, nas imediações deste cruzeiro instala-se o quarto passo.

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Continue para a Praça Machado dos Santos, ou Lago dos Patos, como ainda é chamada por estas bandas, por em tempos, década de 80, ter existido um lago neste local com patos. Num passado mais distante, nesta praça, esteve instalado o ringue de hóquei de Valongo. E é aqui que vai encontrar a…

Capela da Senhora das Neves

Templo de planta retangular e nave única. Fachada simples rematada por um frontão triangular. Revestida a azulejo industrial verde, retangular. No eixo do corpo central dois degraus dão acesso à porta que é encimada por uma janela. O frontão triangular é rematado no vértice por uma cruz e por pináculos cónicos de ambos os lados. Do lado esquerdo um pequeno pano de parede é encimado por um arco de volta inteira granítico que alberga um sino. Os ângulos da construção são graníticos. Tem altar estucado. Teto e paredes pintados com figuras da Santa Padroeira. Tem a particularidade de ter sido transferida do centro da praça para a atual localização em 1878. A praça, em 1594 já existia como campo N.ª S.ª da Luz, e, com a Implantação da República, adquire a atual denominação de Machado dos Santos. Teve ao longo dos tempos diferentes utilizações, tendo sofrido uma intervenção de requalificação em 2000, passando a denominar-se também de Praça da Água.

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Adiante, na rotunda, suba a Avenida 5 de Outubro, em direcção à Câmara Municipal e daí prossiga no sentido ascendente até à...

Capela Senhor do Calvário ou Nosso Senhor da Restauração

A capela edificada no lugar do Calvário, onde existiam três cruzes. Foi construída por voto que fez João Monteiro da Maia pela então povoação de Valongo não ter sido muito afetada pelas Invasões Francesas. A construção iniciou-se em 1813, possui, planta retangular, nave única, telhado de duas águas com cruz no vértice e pináculos nos extremos. É de estrutura granítica com panos de reboco a branco. Foi sujeita a obras de reabilitação em 2013, tendo sido dotada de uma torre sineira de estrutura metálica revestida a aço corten. No seu interior encontra-se uma imagem de Jesus Cruxificado de rara perfeição, as imagens de S. Roque e S. Francisco. Uma imagem de N.ª Sr.ª de Fátima encontra-se colocada no exterior num pequeno santuário vidrado. 

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Neste ponto do percurso existe dupla possibilidade, seguir pela esquerda, que o irá conduzir até ao ponto de inicio do percurso, através da Avenida 1º de Maio, ou, seguir pela direita para o setor 1 deste percurso (Capela Velha e Nova do Susão)

Se pretende dar por finalizada a visita, siga pela esquerda, desça a escadaria até junto ao elemento escultórico do hoquista, atravesse a artéria na passadeira próxima e siga sempre nesse passeio até alcançar o ponto de partida.

Se pretende prosseguir: Siga pela direita da Capela na direção do viaduto da auto-estrada, passe pela passagem inferior da linha de comboio e no cruzamento seguinte siga à direita. Após a passagem pela Farmácia, no cruzamento, siga em frente pela rua do Túmulo até encontrar o Largo com o mesmo nome.

Largo do Túmulo

Conjunto devocional de nove cruzes, pertencente a uma antiga via-sacra do sec. XVIII. O túmulo é a 14.ª estação, simbolizando o sepulcro de Cristo. Nas imediações, entre este local e a antiga capela da Sr.ª da Saúde, encontram-se outras cruzes, pelo que a via-sacra deveria ter o seu início nesse templo.

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Prosseguindo caminho em direcção a norte encontrará as…

Capelas do Suzão

A capela mais antiga inserida no núcleo rural do Susão data de séc. XVIII e é dedicada a Santa Eufêmia. Tem planta retangular, nave única granítica, telhado de duas águas com cruz no vértice. Tem galilé que cobre a porta principal, muro e portão com gradeamento. No seu interior, encontra-se um altar estilo barroco nacional, mais antigo que a própria capela, o que permite afirmar-se ser um dos altares da primitiva igreja matriz de Valongo. Encontra-se inserida numa malha constituída essencialmente por antigas casas agrícolas.

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A algumas dezenas de metros de distância encontra-se o novo templo, de planta retangular, nave única, telhado de duas águas irregular com cruz no vértice. Torre sineira quadrangular coberta por cobertura piramidal, do lado esquerdo do edifício. Fachada principal com porta encimada por óculo com vitral em forma de cruz de Cristo. Tem revestimento a azulejo na fachada principal, com dois painéis que lateralizam a porta, à esquerda N.ª Sr.ª da Saúde e à direita Santa Eufémia.

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Continuando, junto da rotunda, novo ponto de dupla escolha. Em frente, rumo ao início do percurso, à direita,  rumo ao setor 2 deste percurso (Capela de São Bartolomeu).

Se optar por seguir em frente, siga as indicações até ao Largo do Souto, aqui, siga à direita pela Rua da Fonte, no cruzamento da bomba de gasolina, siga em frente, irá passar sobre a linha do comboio, siga no passeio paralelo à mesma. Depois de cruzar o viaduto da auto-estrada, opte pela via mais à direita, paralela ao parque.

Na rotunda de acesso à auto-estrada encontrará o Monumento ao Mineiro (ver abaixo). Siga até aos semáforos no seguimento da artéria que vinha a percorrer, siga pela esquerda até à Rotunda 1º de Maio e aqui à direita pela Avenida 1º de Maio até ao final do percurso.

Se optar por prosseguir pelo setor 2 deste percurso, siga pelo arruamento à direita, junto à antiga Escola Primária, adiante a rua faz uma bifurcação, siga pela esquerda. Face à ausência de referência neste local, mantenha-se atento às marcações. Assim que encontrar a estrada asfaltada que conduz ao estádio municipal, siga até à rotunda. Aqui, siga sempre em frente rumo à zona habitacional, depois de ultrapassar este aglomerado, siga à esquerda, irá encontrar a…

Capela de S. Bartolomeu

Esta pequena Ermida situada na extremidade norte da cidade de Valongo, é dedicada a um dos santos de grande devoção na proteção das pestes: S. Bartolomeu. Aí talvez esteja a explicação para a construção desta ermida num lugar tão distante do centro habitacional. Planta retangular, nave única, telhado de duas águas com cruz no vértice. Estrutura granítica caiada. Púlpito de pedra exterior do lado esquerdo. Na parede nascente, junto à base encontra-se uma ara romana, dedicada ao Deus Alboco. Em agosto faz-se romaria a São Bartolomeu.

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Depois da visita ao espaço retome o caminho. Mantenha-se neste caminho de terra batida até encontrar as habitações e depois use como referência o edifício multifamiliar que se ergue entre as moradias. Ultrapassado o mesmo, siga à direita, até a estrada asfaltada e depois à esquerda.

Prossiga até alcançar a bomba de gasolina. Aí, vá à direita,  irá passar sobre a linha do comboio, siga no passeio paralelo à mesma. Depois de cruzar o viaduto da auto-estrada, opte pela via mais à direita, paralela ao parque. Na rotunda adiante, de acesso à auto-estrada, encontrará o…

Monumento ao Mineiro

Elemento escultórico que teve inauguração a 29 de Outubro de 1999. Exalta e homenageia o mineiro valonguense, assim como a sua difícil e arriscada vida no fundo da pedreira. Evoca também uma importante e identitária atividade económica para o concelho a extração e transformação da lousa. 

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Siga até aos semáforos, no seguimento da artéria que vinha a percorrer, vire à esquerda até à Rotunda e aqui à direita pela Avenida 1º de Maio até ao final do percurso.

Fim do percurso.

De forma a que possa ser melhorado, deixe o seu comentário ou sugestão. Obrigado.

Núcleo Museológico de Macinhata do Vouga

Pedalada da Semana

Deixei-vos, no post anterior, no da descrição da Ecopista do Vale do Vouga, sobre a ponte de ferro, em Carvoeiro… dali, pedalamos até Macinhata do Vouga para ver as relíquias que aí se guardam, no Núcleo Museológico.

Meia dúzia de quilómetros, por estrada de alcatrão, onde carros não são uma constante, permitem distrair o olhar pela paisagem circundante.

Ao chegar, somos logo recebidos por este magnífico exemplar do início do séc. XX, 1908, que embora, necessite de uma intervenção profunda, não deixa ninguém indiferente à sua beleza.

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O Museu Nacional Ferroviário – Núcleo de Macinhata do Vouga, foi fundado em 1981, encontra-se instalado junto à estação de Macinhata do Vouga, a segunda estação do Ramal de Sernada a Aveiro, ocupando antigas instalações que foram adaptadas para o efeito.

Aberto ao público de terça a domingo, das 10:00 às 13:30 e das 14:00 às 17:30 (de Maio a Outubro até às 19:00). [Com marcação prévia]

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O comboio preencheu o meu imaginário infantil, talvez por ter vivido próximo de uma linha, talvez por passar tardes com os meus amigos de infância a observar as composições que passavam, a contabilizarmos o número de vagões dos infindáveis comboios de carga, talvez por termos inventado aventuras a bordo dos “cavalos de ferro”. Ainda hoje, este mundo dos comboios exerce um fascínio especial em mim…

A visita de um museu é muito mais que observar um conjunto de objectos “velhos empoeirados”, para mim, é uma viagem, uma viagem que neste caso em concreto se poderia iniciar em 1856, uma viagem por objectos que guardam em si memórias de gente, gente que trabalhou de forma árdua para que o longe se tornasse perto.

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Depois da viagem pelos pequenos-grandes objectos, entramos a todo o vapor, para o mundo das máquinas “voadoras”…

Logo à entrada, esta bonita composição!

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A Série 9050, originalmente denominada de Série ME 50, foi um tipo de automotora, que esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Em 1941, a Companhia de Caminhos de Ferro do Vale do Vouga, entidade responsável pela exploração da Linha do Vouga, decide construir mais material circulante para transporte de passageiros, de forma a aumentar os serviços disponíveis. Assim, foram construídas, entre 1941 e 1947, 5 automotoras nas Oficinas do Vale do Vouga, em Sernada do Vouga, utilizando motores de camiões Chevrolet.

Estas automotoras depressa ganharam aceitação por parte dos passageiros, devido à sua velocidade e comodidade. Desconhece-se em que altura foram abatidas, mas sabe-se que ainda se encontravam ao serviço na Década de 1980

fonte  |  wikipédia

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Percorrendo a galeria, mais uma máquina fascinante! E o que seria do amarelo se não houvesse… bom gosto?!

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Uns passos adiante, a ambulância postal, que fazia a recolha e distribuição  da correspondência nas vias de linha estreita, trabalho esse que era assegurado por funcionários dos CTT. 

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Sobre o símbolo dos CTT: As suas origens são antigas, remontam a 1520, tempos em que a monarquia reinava em Portugal e em que as deslocações eram feitas a pé, a cavalo ou de carruagem. Resulta daí a imagem do cavaleiro montado num cavalo tocando a trombeta anunciando a chegada do correio.

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Outra bela locomotiva, quase, centenária…

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Do espólio do Museu fazem parte: Locomotiva E 97 (1913), Locomotiva CN 7 (1904), Locomotiva VV 22 (1925), Locomotiva N 2 (1889), Locomotiva CN 16 (1886), Locomotiva VV 13 (1908), Automotoras ME 51 e ME 53 (1940-1941), Carruagem Cyfv 252 (1942), Salão pagador SE 401 (1914), Vagão 5398100, Ambulância postal APeyf 23 (1954), Furgão DFfv 255 (1899 ou 1908), Locomotiva vapor PPF 16, Vagão de bordas baixas 539802, Dresine de inspecção fechada DIE 3, Quadriciclo motorizado e Vagoneta (Zorra)

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Finda a visita… seguimos a nossa viagem, até à estação de Sernada do Vouga. Ao chegar, parece que entramos no imaginário de um filme do Oeste, aquelas terras, no meio do nada, em que o tempo cristalizou tudo à sua volta!

No entanto, os 102 anos desta estação devem ter muitas histórias únicas e fascinantes do mundo dos caminhos de ferro e das gentes que por ela passaram!

Quando em 1941 a Companhia de Caminhos de Ferro do Vale do Vouga decidiu apostar no transporte de passageiros e mercadorias nas ligações ferroviárias em via estreita, as oficinas da estação de Sernada do Vouga voltaram a desempenhar a relevância que lhe estava destinada desde que foi construída em 1914 . Os caminhos de ferro pensavam em substituir as locomotivas movidas a carvão por composições elétricas e a diesel, mantendo a importância que as oficinas de Sernada do Vouga tinham desempenhado desde a chegada do comboio a vapor

fonte  |  www.regiaodeagueda.com

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Aqui, a Dona Isaura a posar junto das velhas composições Allan, que serviram na Linha do Vouga a partir de 1975. 

Naquelas oficinas foram desenvolvidas cinco automotoras a gasolina nos anos 40 – que mais tarde, em 1975, dariam apoio ao recomeço à circulação ferroviária na Linha do Vouga, após três anos de inatividade.
De facto, após um grande incêndio em 1972, consumindo durante três dias vasta área florestal nos concelhos de Águeda e Sever do Vouga, a circulação na Linha do Vouga seria suprimida com o argumento de que seriam as locomotivas a vapor a atear os fogos. A pressão da comunidade para que o comboio voltasse a circular promoveu reuniões entre várias entidades.
Os comboios voltaram no ano seguinte à Revolução de Abril para transporte de passageiros. Duas automotoras faziam o serviço: as holandesas “Allan” (vermelhas e brancas) adaptadas à via estreita (por isso com comportamentos mais modestos que o modelo original) com o perfil de composição motora mais carruagens (18,5 metros); e as ME 51 a 53 (de cor azul ou vermelha), desenvolvidas em Sernada do Vouga.
A vida útil das “Allan”, construídas em 1954, foi passada essencialmente nas linhas do Tua, Dão, Vouga e alguns serviços na Linha da Póvoa, tendo sido retiradas ao serviço em 1990.

fonte  |  www.regiaodeagueda.com

Alimentada a mente de memórias e histórias, afogada a sede numa coca-cola geladinha, regressamos ao ponto de partida, com uma vontade imensa de sair novamente à conquista de outros tesouros da história deste país.

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Até lá, boas pedaladas.

Deixo aqui ficar mais alguns dados sobre a Linha do Vouga para os adeptos de factos e números, dados recolhidos do site regiaodeagueda.com, artigo da autoria de Augusto Semedo.

CRONOLOGIA

1875
O eng. Mendes Guerreiro falava pela primeira vez numa linha entre Estarreja e Viseu, entroncando com a Linha de Sta Comba Dão, estudada desde este ano

1877
Chamou-se pela primeira vez Linha do Vouga a um projeto que defendia uma linha entre Estarreja, Albergaria-a-Velha, Vouzela e São Pedro do Sul

1879
Começou a ganhar força a possibilidade da linha partir de Aveiro em direção a Estarreja, e daqui para São Pedro do Sul por Sever do Vouga e Vouzela, devido à exploração mineira

1889
Concedido em julho o alvará da linha, desde Espinho a Vouzela e daqui a Torre Deita, na linha de Sta Comba Dão

1895
Projeto apresentado em outubro, orçado em 2500 contos, para a Linha do Vouga (Espinho – Sernada – Viseu) e ramal de Aveiro

1898
Foi pensada a exploração do comboio de tração elétrica, aproveitando a queda de água do Rio Vouga para produzir energia. Foram realizados estudos no ano seguinte mas a conclusão é que não seria rentável, principalmente durante os meses de Verão

1903
Finalmente aprovado o projeto da Linha do Vouga

1907
A Companhia Francesa de Construção e Exploração de Caminhos de Ferro iniciou, em dezembro, os trabalhos na linha. O terreno acidentado dificultou a execução dos trabalhos: as muitas curvas da linha valeram-lhe a designação da “Linha do Vale das Voltas”

1908
Inauguração oficial do troço Espinho – Oliveira de Azeméis (33km) em outubro, com a presença de D. Manuel II

1909
Aprovação, em fevereiro, do projeto do ramal de Aveiro (Aveiro – Águeda – Sernada, onde ligava com a Linha do Vouga) na extensão de 34,5 kms

1911
Iniciada a exploração da linha de Espinho a Sernada do Vouga, com a inauguração do troço entre a estação de Albergaria e Sernada a 8 de setembro; e também do ramal de Aveiro, entre Sernada e Aveiro. Ficou apenas por concluir a ligação de Sernada a Viseu

1913
Linha de Espinho até Vouzela, com a conclusão do troço Sernada a Vouzela, e de Bodiosa a Viseu

1914
Linha totalmente ligada de Espinho a Viseu com a conclusão do troço que faltava, de Vouzela a Bodiosa (5 de fevereiro). Foi também aprovada a estação da Sernada como ponto de confluência da Linha do Vouga com o ramal de Aveiro, localização que gerou controvérsia

1917
Greve dos ferroviários da linha do Vouga a 9 de maio, com concentração dos comboios na estação de Sernada do Vouga

1919
Primeiro ano de exploração total da Linha do Vouga e ramal de Aveiro, depois de concluída a 1ª Guerra Mundial: foram transportados 375 mil passageiros e 66.375 toneladas de mercadorias

1926
Pensada, pela segunda vez, o prolongamento da linha da estação de Aveiro às salinas da cidade (Canal de São Roque) e, pela primeira vez, deste ponto a Ílhavo, Vagos, Mira e Cantanhede, que ficaria em suspenso… para sempre

1947
A Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses passou a explorar a Linha do Vouga no dia 1 de janeiro

1972
O último comboio a vapor, entre Aveiro e Viseu, nos dois sentidos, em viagem comercial, efetuou-se a 25 de agosto. O comboio foi rebocado por uma locomotiva a diesel

1972 a 75
Linha encerrada pelo facto, alegadamente, das locomotivas serem as principais responsáveis pelos incêndios florestais. Houve descontentamento popular e a linha reabriu com locomotivas a diesel

1990
No dia 1 de janeiro, o troço Sernada – Viseu encerrou, acabando a linha por ser desmantelada. O comboio foi inicialmente substituído por autocarros, propriedade da CP, mas a solução não agradou devido à sinuosidade da EN16 – incómoda e não permitindo velocidades superiores a 40km/hora. Subsiste o ramal de Aveiro e a exploração de Espinho a Oliveira de Azeméis, com táxis a complementarem serviço desde Sernada.

NÚMEROS

175
extensão total, em quilómetros, da via férrea de Espinho a Viseu, incluindo o ramal de Aveiro.

55
metros é o comprimento do vão da ponte do Poço de Santiago, a obra de arte mais notável da linha do Vouga

21
túneis construídos: 20 de Espinho a Viseu (totalizando 774,77 metros) e um no ramal de Aveiro a Sernada (em Eirol, com extensão de 73,20 metros)

17
pontes construídas: 13 de Espinho a Viseu (totalizando pouco mais de mil metros) e 4 de Aveiro a Sernada (290 metros)

33
estações construídas, 6 das quais no ramal de Aveiro a Sernada

Ecopista do Vale do Vouga

Ciclovias e Ecopistas, Pedalada da Semana

Á descoberta de mais uma Ecopista fomos até Sever do Vouga. Eu, a Dona Isaura, mais a companhia de um amigo e a sua companheira de duas rodas.

O objectivo era percorrer parte do traçado da Linha do Vouga, ou como também é conhecida, da Linha do Vale das Voltas, alcunha ganha devido ao seu sinuoso traçado.

Esta linha liga a linha do Norte, em Espinho, à linha do Dão, em Viseu, percorrendo um total de 140 km. Nos tempos que correm a linha só é utilizada em parte do traçado, limitando-se a ligar Espinho a Sernada do Vouga, uma vez que, o restante troço até Viseu foi encerrado em 1990.

Esses 80km de via estão quase na totalidade transitáveis em bicicleta de todo o terreno, o que não é o meu caso, pelo que, limitamos a nossa voltinha aos troços de Âgueda, entre Sernada do Vouga e a Foz do Rio Mau e daí até Cedrim, já no município de Sever do Vouga.

O percurso de Águeda

Inicia-se junto ao apeadeiro de Carvoeiro, que foi também o local em que aportamos para dar inicio a esta aventura, como a antiga linha ferroviária está transformada em artéria rodoviária, o percurso de Águeda, só começa neste ponto e segue em direcção à Foz do Rio Mau, paralelamente à EN16 e ao Rio Vouga.

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Como o canal se encontra em terra batida só o arrisquei percorrer no regresso, não fosse aparecer o Sr. Furo. Na ida, optei por circular no fofinho alcatrão com uma visão ainda mais próxima do rio.

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Seguimos em direcção ao Apeadeiro da Foz do Rio Mau, no concelho de Sever do Vouga. Este troço tem aproximadamente 2.500 metros por entre zonas florestais e agrícolas, não apresentando qualquer dificuldade.

Percurso de Sever do Vouga

Inicia-se no Lugar da Foz, ao quilometro 66,527, e termina (o ciclável em pneu fino) em Fontanelas, já nos limites do concelho com Oliveira de Frades, totalizando, aproximadamente, 10.400 metros.

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O percurso,  em piso betuminoso, de cor vermelha, encontra-se um pouco mal tratado nos quilómetros iniciais, com muitas rachadelas e alguns buracos provocados pelas raízes das árvores, encontrava-se também com alguma sujidade, mas talvez provocada pelo incêndio que varreu as imediações e levou consigo parte das guardas de protecção da Ecopista.

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O percurso serpenteia por entre zonas florestais e agrícolas, sempre com um olho no Rio Vouga e tem como um dos atrativos a passagem por 5 túneis.

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Depois deste portal o cenário, até então, um pouco melancólico, deu lugar a um viçoso verde que me encheu a alma e os pulmões de ar fresco numa manhã que começava a aquecer o mercúrio do termómetro.

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Um dos pontos altos, literalmente, deste percurso é a passagem pelo ex-libris da região, a Ponte do Poço de Santiago, construída em 1913, toda ela em alvenaria, com cerca de 28,5 metros de altura e 165 metros de comprimento, constituindo-na no seu todo 12 arcos de tamanhos vários. Do cimo a vista é deslumbrante e o silêncio apenas interrompido por um ou outro carro que vai cruzando a estrada.

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Embora não oferecendo grandes dificuldades, este percurso, é um falso plano… pois a pequena inclinação mantêm-se constante até Cedrim.

Antes de Cedrim, ainda tínhamos a remodelada Estação da Paradela, com uma pequena  e bem cuidada cafetaria, ponto de paragem no regresso para um café.

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Como é possível ver ali na foto acima, este percurso ciclável, também é partilhado por adeptos da caminhada,  sendo o canal do Caminho de Santiago até Albergaria.

Mas hoje quem mandava era a Dona Isaura… e montado no meu “corcel” branco, lá segui para conquistar mais um, adamastor, túnel e banhar-me em mais um oceano de verde até Cedrim.

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O final do percurso estava já mesmo ali à frente…

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O regresso foi feito com a mesma alegria da ida e sempre com belas paisagens a fazerem de pano de fundo às nossas conversas…

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Já com o relógio a roçar a hora de almoço, houve unanimidade na decisão de fazer uma paragem para alimentar o corpo. Seguindo uma sugestão de um amigo, conhecedor destes recantos ciclisticos, fizemos um desvio em Paradela, descendo até ao rio, para aportarmos depois da ponte no Café-Restaurante “Mira Vouga”, com uma comida “tipo caseira”.

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Claro que depois de um almoço inadequado para quem pedala… aquele quilometro a subir, com os andamentos disponíveis na Dona Isaura, foram uma tortura para os rojões que havia ingerido!

E de túnel em túnel, de quilometro em quilometro lá regressamos ao ponto de partida.

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Com as pernas a pedirem mais e com a curiosidade aguçada pelo que havia lido n preparação desta aventura, rumamos até Sever do Vouga e de lá até Macinhata do Vouga, para ver o espólio que o Núcleo Museológico de Macinhata do Vouga encerra em si.

Mas isso serão histórias para outra publicação… até lá… boas pedaladas… que eu vou indo para o Núcleo Museologico.

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NO 16 CYCLE CAPS

É o qu`eu digo...

Recentemente falei-vos da NO 16 CYCLE CAPS que produz belos bonés para ciclistas. Pois é, dias depois dessa publicação, vindo directamente da terra dos cangurus, chegou um modelo para testar e dar a minha opinião.

Com um toque suave, salta à vista a qualidade de execução e de acabamentos. Junta-se a esses factores o bom gosto na construção do mesmo, em que as cores dos materiais empregues, desde as fitas às linhas, combinam na perfeição “pintando” um belo quadro.

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Recently I’ve told you about NO 16 CYCLE CAPS that produces beautiful cycling caps.That’s right, days after that post, coming directly from the land of the Kangaroos, a model has arrived for me to test and give my opinion.

With a soft touch, it pops to the eye the the product’s fine detail and manufacturing quality.Adding to these factors there’s also the tasteful design, where all the colors and materials used, from the stripes to the lines, in such a perfect combination as if “painting” the perfect picture.

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O produto é de grande qualidade e a relação qualidade / preço é fantástica!

Visitem o site da NO 16 CYCLE CAPS existem dezenas de modelos super interessantes… mas se não houver, falem com o Ian Menzies, que seguramente irá tentar encontrar aquilo que procuram.

Aproveitei o presente para ir, todo “pimpão”, dar uma volta de bicla pelas margens do Douro, fazendo o percurso das 6 pontes.

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It’s a product of high quality standards and the quality/price ratio is excellent as well.

Visit NO 16 CYCLE CAPS (no16cyclecaps.com), you’ll find dozens of super interesting models from where to choose from … and if there’s not, talk with Ian Menzies, surely he will help you find exactly what you are looking for.

I was so delighted with this gift that I took it on my last bike ride through the beautiful landscapes of Oporto’s Douro river 6 bridges course, amazing.

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Boas pedaladas e boas compras.

Na rota do grão ao pão

Pedalada da Semana

Aproveitando os dias de férias resolvi registar, em fotos, pedaços de história desta terra que me viu nascer e crescer, uma história que passa, diariamente, pelas nossas mesas.

Valongo, “A terra dos biscoitos e da regueifa” tem a tradição entranhada nas ruas, memórias que flutuam nas águas dos rios Ferreira e Leça, fragmentos da vida de uma região cravados nas mós e nos ancestrais moinhos.

Desde tempos imemoriais, foi o principal fornecedor do pão da cidade do Porto. O seu desenvolvimento até o séc. XIX, está claramente ligado à moagem do trigo e à sua transformação e comercialização. 

Terá sido no séc. XVI, devido ao acentuado aumento demográfico da cidade do Porto e à necessidade de abastecer os seus habitantes da principal base da alimentação da época, que Valongo se transformou no principal centro panificador da região. Valongo é beneficiado pela sua situação geográfica de proximidade com o Porto e, principalmente, pelos inúmeros moinhos nas margens do rio Ferreira, que permitiam moer o trigo que aí chegava, via almocreves, e, principalmente, por via fluvial e marítima, já que o trigo, que chegava ao porto de Gramido, em Valbom-Gondomar, nas barcas do Douro e ainda nos barcos vindos do estrangeiro, era levado em carros de bois até os moinhos do rio Ferreira para ai ser transformado em farinha de qualidade. O trigo estrangeiro e transmontano era de qualidade superior ao trigo produzido do Douro litoral.

Outro fator importante para o fornecimento do pão ao Porto, está relacionado com os benefícios fiscais que as padeiras e o moageiros de Valongo iam recebendo do Porto. Existiu, na cidade do Porto, uma política de proteção aos padeiros e moageiros de Valongo, para que não houvesse carência deste importante produto dentro da cidade, chegando mesmo a isentar de impostos, não só a entrada do pão mas também isentar de impostos o trigo que chegava via porto de Gramido a Valongo. Certo é que, em alturas de abundância, estas isenções eram revogadas.

fonte  |  Confraria do pão, da regueifa e do biscoito de Valongo

Iniciei o meu percurso, acompanhado da Dona Isaura, junto à rotunda onde se ergue o Monumento à Padeira e à Panificação de Valongo, “é composto por um conjunto do qual fazem parte um padeiro, a trabalhar junto do forno, e uma padeira carregada com a canastra à cabeça cheia de pão e biscoitos para venda. Com a mão direita segura a referida canastra e no braço esquerdo exibe a famosa regueifa de Valongo. Trata-se de uma homenagem à canseira dos homens e mulheres valonguenses, padeiros e padeiras, que desde tempos imemoriais produzem cá os biscoitos e o pão de trigo, do qual se destaca a alva regueifa, muito apreciada e que chegava à cidade do Porto e a toda a região envolvente. Evoca, assim, uma importante, identitária e antiga atividade económica do concelho, a panificação, que há muito dá nome a Valongo.

Subindo uma centena de metros, a Rua da Fonte da Senhora, encontramos logo uma centenária e afamada biscoitaria aqui do burgo, a Fábrica de Biscoitos Diogo, foi fundada em 1900 por José de Sousa Moreira Diogo estando actualmente a ser gerida pela terceira geração. Uma empresa familiar que marca a sua diferença pela confecção de produtos que são isentos de qualquer tipo de corantes ou essências.

Seguindo caminho e ali paredes meias, na Rua Marques da Rocha, encontro outra conhecida padaria cá da terra, a Costa.

Nesta mesma artéria da cidade ainda é possivel comtemplar uma mão cheia de edifícios onde outrora se produziu ou vendeu pão, alguns bastante bem preservados, outros, em total estado de ruína e abandono.

Voltando quase ao ponto de partida, mais precisamente à rua da Boavista, inicio a descida da Rua Sousa Viterbo, onde colecionei mais umas quantas fotografias com pedaços de memórias e história.

No cartaz abaixo, senhas de racionamento do pão que eram dadas às famílias de acordo com o seu agregado familiar. Faz-me pensar a sorte que temos de poder entrar num qualquer pão quente e comprar todo o pão que desejarmos!

Interrompi a descida junto ao Cruzeiro do Escoiral, junto ao inicio do denominado “Eixo Antigo de Valongo” sobre o qual, em tempos, fiz este vídeo. Foi sobre este eixo que a cidade cresceu e se desenvolveu, muito à custa, como já leram, desta industria do pão.

Aqui destaco uma padaria e uma biscoiteria, ambas centenárias, a Padaria dos Irmãos Moreira, instalada num edifício setecentista (1732) em frente ao Cruzeiro do Escoiral e a Biscoitaria Valonguense, na Rua Dr. Candido, ou seja,do outro lado da rua! Na Biscoitaria Valonguense, os biscoitos ainda são produzidos de forma artesanal e cozidos em forno a lenha!

Sem comer pão nem biscoito segui viagem com o estômago a “roncar”… o que vale, poucas foram as energias gastas a percorrer a Rua Dias Oliveira, o seu plano inclinado no sentido descendente, contribuiu para que a Dona Isaura fizesse todo o trabalho.

Antes de descer até à Igreja Matriz e de forma a enquadrar o próximo facto, rumei até ao Largo da Senhora da Hora, percorrendo a Rua Sousa Pinto, outra das artérias onde se encontravam instaladas bastantes padarias aqui na vila de Vallis Longus, hoje, quase todas inativas.

Junto a algumas portas de padarias ainda existem “argolas” onde eram presos os animais que faziam o transporte dos cereais ou do pão.

Em redor do Capela da Senhora da Hora, desenvolviam-se mais industrias ligadas ao fabrico do pão, mas é sobre a Capela que pretendo falar, uma vez que, é possivel que tenha sido aqui a primeira Igreja Matriz de Valongo.

“Esta Milenária Capela, que remonta ao tempo dos Godos, Consagrada a Nossa Senhora da Hora desde meados do Século XVIII, é um marco importante na História da Cidade, não só por ser construída entre os Séculos IX e XI, mas também por ter sido presumivelmente, Matriz desde 1030, Ano a que foi conferido a Valongo o estatuto de Freguesia, até 1062, Ano da construção da Primitiva Igreja da Paróquia, que passou naturalmente a ser Matriz, e que foi edificada no mesmo Lugar, sensivelmente, onde se encontra a actual. “

fonte  | paroquiadevalongo

E daqui parto para vos mostrar que com o desenvolvimento económico da região, fruto do desenvolvimento das atividades ligadas à moagem e à panificação, e com os contributos vindos dos impostos foi possivel construír a belíssima Igreja Matriz de Valongo, uma das mais importantes Igrejas fora da cidade do Porto.

“Com autorização régia a edificação iniciou-se, em 1794, com a ajuda de um imposto sobre bens alimentares, alargado, em 1796, à imposição de cinco reis sobre cada alqueire de trigo. Ainda em construção, em 1809, foi quartel das tropas invasores francesas. Já em 1823, teve a celebração da missa nova e, em 1837, na sacristia ocorreu a primeira reunião da vereação do concelho de Valongo, entretanto criado em 1836. De arquitetura neoclássica segue a traça da igreja da Lapa, Porto. A imponência da volumetria destaca-se na paisagem e no seu interior encontramos um excelente espólio de meados do séc. XIX. A decoração dos tetos engloba um interessante conjunto de pinturas com os evangelistas, na capela-mor, e emblemas marianos, na nave. Os altares neoclássicos foram concebidos para receber imagens dos mais conceituados imaginários, encarnadores e pintores da época, como João Baptista Ribeiro, João António Correia e Francisco José Resende.”

  

Já quase podia sentir o cheiro vindo da mais conhecida fábrica de biscoitos aqui da terra, talvez até a mais famosa da região, quiça do país!

Apressei-me a descer a Rua de Sousa Paupério até à Fábrica de Biscoitos Paupério, que abriu portas em 1874 por sociedade entre António Sousa Malta Paupério e Joaquim Figueira e dedicava-se inicialmente à indústria e comércio de pão e biscoitos, hoje em dia, com a 5ª geração aos comandos, apenas se dedica à produção de biscoitos, que são deliciosos. Palavra de quem os come frequentemente.

Aliado ao bem fazer souberam, igualmente, inovar, trazendo para a ribalta as latas de bolachas, ao bom estilo vintage, que para os coleccionadores serão tão deliciosas como o conteúdo.

Continuando caminho e um pouco mais abaixo, no terminus da rua, encontra-se um painel que permite fazer uma leitura eficiente de onde se situavam as padarias e biscoitarias e onde se encontram instalados, actualmente, estes painéis que melhor enquadram a história do pão.

Prosseguindo viagem e no centro da cidade mais um punhado de padarias… algumas das quais apenas resta a memória.

A viagem haveria de terminar na Rua Alves Saldanha, bem perto da conhecida, pelo menos por cá, Casa do Saldanha.

Era hora de pedalar até casa, mas antes disso, fui deleitar-me com um naco de regueifa cá da terra. Restabelecidas as forças o regresso até foi feito em velocidade quase furiosa.

Espero que tenha valido a pena a viagem… mais fotos desta terra e deste património aqui.

Boas pedaladas e até breve.

NO 16 CYCLE CAPS

É o qu`eu digo...

Hoje dou-vos a conhecer uma marca de bonés para ciclista a NO 16 CYCLE CAPS Ian Menzies, o homem por detrás da marca.

Bom, no mercado existem centenas de marcas de bonés, algumas bastante consagradas no mundo das bicicletas, porquê ter escolhido a NO 16 CYCLE CAPS para abordar este tema, perguntam vocês?!

É simples responder a essa hipotética questão… apesar de estar tão longe, espacialmente, a internet aproxima-nos de tudo e todos e foi assim, através do instagram e de um gosto numa das minhas fotos que conheci o trabalho do Ian. A partir daí houveram umas trocas de emails e cá estou eu a dar a conhecer uma nova marca, com um produto totalmente “handmade”, que surge da necessidade do seu criador encontrar um boné com o qual se identificasse totalmente!

Alguém que aposta na criação de um acessório para ciclistas, certamente também pedala… perguntei ao Ian se era um utilizador habitual de bicicleta e em caso afirmativo de que forma.

I cycle most days just to get around. I own 4 bikes, Bullitt cargo bike, Brompton for travelling, Mercier for coffee chasing, Peugeot Mixte for shopping.

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Com tantos produtos do género no mercado porquê mais um?! Interroguei-me qual teria sido o motivo para avançar com o projecto e coloquei a questão: Como nasceu a ideia de produzir bonés?

It was about 3 years ago in the middle of a heat wave when I decided I need a new cycle cap.                     I couldn’t find anything I liked in the local bike shop so I decided to make my own.                                    I just kept going. I have over 400 caps.

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Parece-me ter sido uma grande ideia, se não temos o que idealizamos, porque não meter mãos à obra e criar um produto à nossa imagem?!

Mas o que será que destingue estes bonés dos restantes?

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They are made in Australia, not China!

They come in 5 different sizes.

The seams are taped and not overlocked. for a super flat finish)

Amazing fabrics from Japan, Finland and Australia.
They are incredible robust

Parecem-me excelentes razões para optar por um modelo da  NO 16 CYCLE CAPS

Em jeito de fim de conversa sugeri que o Ian Menzies deixasse uma mensagem a possiveis interessados e foi esta a que vos deixou:

Please visit our web site!

site: http://www.no16cyclecaps.com/

facebook: no16.cyclecaps

Projectos assim merecem a nossa atenção, pelo que, convido a todos a visitar a página oficial, a página do facebook colocando um GOSTO e, porque não, adquirir um boné… o Ian espera por vós no seu “estaminé”.

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Brevemente regresso ao tema… até lá… boas pedaladas.

Ciclovias da Murtosa

Ciclovias e Ecopistas, Pedalada da Semana

Um dia de sol é sempre um convite a pegar na bicicleta. Um dia de sol e uma deslocação à Torreira era uma obrigação pegar na bicicleta… e assim fiz… um passeio à beira Ria com a Dona Isaura.

Iniciei o percurso junto ao porto de abrigo na Torreira, um belíssimo bilhete postal da região, e segui em direção ao norte pela EN327, estrada que fica paralela à Ria de Aveiro e à costa atlântica.

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Este percurso para além de toda a beleza, não oferece qualquer tipo de dificuldade, pois a ciclovia é totalmente plana sem qualquer declive, à excepção da Ponte da Varela.

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Ao longo da ciclovia encontram-se diversas zonas de descanso, quer no perímetro urbano, quer fora dele, algumas dessas zonas com painéis informativos sobre a Ria de Aveiro.

Na Torreira, coladinha à ciclovia existe uma pequena instalação comercial onde podem comprar umas iguarias locais, quiça para dar força para a jornada, a famosa “tripa” ou em alternativa a “bolacha americana” e cada uma delas com os mais variados recheios que podem ir do chocolate aos ovos moles!!!

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Esta ciclovia termina na rotunda da Ponte da Varela, onde se inicia uma outra que faz a ligação a Estarreja com passagem pela recta da Varela e a Zona Industrial, perfazendo um total de 11 quilometros, sendo uma das mais extensas ciclovias da região.

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Depois da ultrapassada a ponte fiz mais uns quantos quilometros, mas, dado que me perdi com fotos e mais fotos e dado que a hora de almoço se estava a aproximar… regressei à base pelo mesmo percurso… variando apenas a parte final. Uma incursão pelo coração da Torreira, passagem pelo antigo “Theatro”, pelo monumento à varina, pela costa atlântica…

… e depois de limpar a mente… o repasto… um peixinho grelhado, convenientemente regado com sumo de uva.

Espero brevemente ter mais histórias para contar a bordo da Dona Isaura, até lá… ela fica na seca!

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Boas pedaladas.

Passadiços do Paiva

Caminhadas

Depois de uma semana de incerteza quanto ao tempo para o dia de sábado eis que S. Pedro faz um brilharete e fecha as torneiras divinas para que a travessia dos Passadiços do Paiva fosse um sucesso!!!

Sobre a margem esquerda do Rio Paiva, no concelho de Arouca, desenvolve-se este tapete de madeira que ao longo de quase 9 Km`s proporciona um passeio por paisagens de beleza impar, junto a descidas de águas bravas e afloramentos rochosos que guardam em si verdadeiros tesouros. Um percurso de dificuldade média, devido ao grande desnível que há que vencer.

De forma a tornar o percurso menos duro e acessivel a todos foi efetuado no sentido praia fluvial do Areinho – praia fluvial de Espiunca, encontrando-se, entre as duas, a praia do Vau com a sua magnífica ponte suspensa.

E assim, no quilómetro zero lá iniciamos uma viagem pela biologia, geologia e arqueologia do local que é reconhecido pela UNESCO como Património Geológico da Humanidade.

Mal  colocamos os pés ao caminho a paisagem abriu um quadro que possibilitou ver que o que estaria pela frente seria coisa para suar, literalmente, a camisola…  não me enganei… uns mais que outros, lá no alto, pareciam saídos de uma sala de sauna!

Este percurso serpenteia as cristas quartzíticas onde o rio talha um vale em garganta profundo…  este local de inicio do percurso é, também, conhecido por Garganta do Paiva, um dos geossítios classificados do Geoparque.

Foto:

Vencida a subida rápido alcançamos mais um geossitio a Cascata das Aguieiras, a vista daqui é de cortar a respiração, esta cascata tem a sua origem a partir da queda de água da ribeira das Aguieiras que, após percorrer Alvarenga, cai vertiginosamente sobre as escarpas que ladeiam o Paiva.

O miradouro convida a uma pausa para beber toda esta beleza, fotografar, estabilizar a respiração para dar inicio à descida por entre um escadório que vai abraçando a montanha e que ao atingir a sua base totaliza, aproximadamente, 500 degraus!

Findo este tramo do percurso estão terminadas as dificuldades, daqui até ao final o percurso é praticamente plano… mas não vamos falar já do final, pois, ainda há muito para ver até lá…

Ao aproximarmo-nos da Praia Fluvial do Vau, mais um dos geossitios, é possivel avistar uma ponte de arame que permite ligar as duas margens do rio nessa zona, o percurso não exije a travessia da ponte, mas, fazê-lo é quase obrigatório. A perspectiva desde a ponte é completamente diferente daquela que as margens nos proporcionam… e do cimo também temos uma noção mais nítida do termo “águas bravas”.

Depois da experiência “Indiana Jones” lá seguimos caminho onde não faltam motivos para fotos e mais fotos… não há bateria que aguente tamanha beleza!

Aqui um pedaço de percurso que se faz fora do passadiço, não oferecendo qualquer dificuldade e antecede o final do percurso junto à praia fluvial de Espiunca.

Este percurso é de uma beleza incrível e pretendo voltar, numa outra época do ano, onde certamente a paisagem se apresentará de outra forma. Por estes dias o rio corre cheio, com uma corrente demolidora, fazendo jus ao nome de “rio de águas bravas”, no entanto, se oferece uma coisa, tira outra, ou seja, não há areais junto às praias, não há possibilidade de molhar o dedo do pé… nem sequer há sol!

É isso que irei procurar quando voltar… se encontrar… eu conto.

Até lá, Boas Caminhadas…

Aqui nasceu Portugal

É o qu`eu digo...

Embalados pelo percurso na Penha seguimos, sem tempo para intervalo, para um passeio pelas ruas e ruelas, desta cidade, que guarda no seu coração muitas histórias na História deste país, ou não fosse, AQUI NASCEU PORTUGAL, como se lê na inscrição na muralha.

Guimarães é também conhecida como “Cidade Berço”, devido ao facto de aqui ter sido estabelecido o centro administrativo do Condado Portucalense, por D. Henrique, e por seu filho, D. Afonso Henriques, poder ter nascido nesta cidade (!).

É uma das mais importantes cidades históricas do país, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade.

E este rectângulo aqui encostado ao atlântico só o é porque este homem assim o quis…

D. Afonso Henriques ou Afonso I de Portugal foi o fundador do Reino de Portugal e o seu primeiro rei, com o cognome O Conquistador, O Fundador ou O Grande pela fundação do reino e pelas muitas conquistas. Era filho de D. Henrique de Borgonha e de D.Teresa de Leão, condes de Portugal, um condado vassalo do reino de Leão. Após a morte de seu pai em 1112, Afonso tomou uma posição política oposta à da mãe, que se aliara a Fernão Peres de Trava. Pretendendo assegurar o domínio do condado armou-se cavaleiro e após vencer a sua mãe na batalha de São Mamede em 1128, assumiu o governo. Concentrou então os esforços em obter o reconhecimento como reino. Em 1140, depois da vitória na batalha de Ourique contra um contingente mouro, D. Afonso Henriques proclamou-se rei de Portugal com o apoio das suas tropas.

Quem fizer o percurso “PR1 – S. Torcato e os seus moinhos”, irá passar pelo campo onde se supõe ter tido lugar a batalha de S. Mamede e onde foram instaladas várias esculturas que evocam esse episódio da história.

Depois deste pequeno enquadramento histórico, bora lá para a visita…

Entramos no núcleo histórico da cidade junto ao museu Alberto Sampaio, aqui se situava uma das portas de entrada na cidade na Idade Média, a Porta de Nossa Senhora da Guia, por onde  o rei D. João I e os seus apoiantes entraram quando veio tomar a vila de Guimarães, durante a Crise de 1383-1385.

Por esta rua estreita chegamos ao Largo da Oliveira, este largo encontra-se rodeado por um conjunto de construções de grande valor valor patrimonial, designadamente, o Padrão do Salado, que foi erguido no século XIV por iniciativa de Afonso IV de Portugal para comemorar a vitória na Batalha de Salado, em 1340…

… e a Igreja Nossa Senhora da Oliveira, um dos mais marcantes monumentos góticos do norte do país. Aqui esteve sediada a Colegiada de Santa Maria de Guimarães, uma das mais importantes e ricas instituições religiosas do país na Baixa Idade Média.

Paredes meias encontra-se o edifício da antiga Casa da Câmara, cujo rés-do-chão é constituído por um alpendre apoiado em arcadas góticas, elemento singular de articulação entre o Largo da Oliveira e a Praça de Santiago…

... continuamos por entre as construções graníticas em direcção ao…

Paço dos Duques de Bragança, erguido no século XV por iniciativa de Afonso I de Bragança. O estilo borgonhês deste palácio reflete os seus gostos, adquiridos nas viagens pela Europa, ainda que o seu aspecto actual tenha sido recriado, de forma polémica, durante o Estado Novo.

Mesmo ao lado encontra-se instalada a Igreja de São Miguel do Castelo que de acordo com a lenda, foi ali baptizado o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, não existindo provas de tal, ainda assim, guarda-se aqui a pretensa pia baptismal que foi utilizada na cerimónia.

Continuando nos mesmos terrenos chegamos ao Castelo…  de onde se tem uma vista sobranceira sobre toda a cidade.

Terminamos a visita no Largo do Toural, uma das praça mais centrais e importantes de Guimarães. No século XVII era um largo extramuros junto à principal porta da vila, onde se realizavam a feira de gado bovino e outras de diversos produtos… a estátua do Conquistador já aqui morou antes de ser transferida para os jardins do castelo e dar lugar a esta fonte.

Guimarães por toda a história e beleza merece uma visita…

 

PR3 – Rota da Penha – Guimarães

Caminhadas

Depois de já ter percorrido os PR`s 1 e 2, Rota de S. Torcato e da Citânia, respectivamente, regresso, a Guimarães, para fechar o ciclo dos percursos pedestres da cidade.

Este percurso de pequena rota de âmbito histórico-cultural, ambiental e paisagístico, com uma extensão de aproximadamente 8.5 Km, tem início junto Igreja de Nossa Sra. da Consolação e Santos Passos (S. Gualter). Com um grau de dificuldade fácil / moderado (já que há que vencer um desnível de aproximadamente 400 metros) este percurso transporta-nos para um espaço fascinante, onde grutas, penedos, desfiladeiros, fontes e árvores de grande porte são os principais atractivos.

A Penha, espaço onde predominam as rochas graníticas, é ocupada desde o período pré-histórico, no entanto, foi nos últimos séculos que se intensificou essa relação dos homens com o espaço.

Mas vamos lá ao percurso…

Conforme referi o percurso inicia-se junto da Igreja de Nossa Sra. da Consolação e Santos Passos. As origens da igreja remontam a uma pequena ermida, dedicada a Nossa Senhora da Consolação, mandada construir em 1576. No entanto, só em 1785 é concluída a nova igreja, exemplar da arte barroca e património de interesse público.

Ainda mal tinha arrancado verifiquei que tinha tomado a direcção errado, ou seja, segui pelo caminho que deveria fazer em sentido descendente!

Para os que pretenderem fazer este caminho, estejam atentos, logo que encontrem o jardim em frente a um parque de estacionamento, +/- 200 metros do início, devem seguir à esquerda na direcção da entrada do teleférico, nós, seguimos em frente e começamos logo a sentir o desnível do percurso, nada de grave, pois adiante corrigimos o percurso e lá fomos na direcção do Mosteiro de Santa Marinha da Costasegundo a tradição, o convento foi fundado em 1154, pela rainha D. Mafalda, mulher de D.Afonso Henriques, que o doou aos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho. Em 1528 esta ordem religiosa foi substituída pelos monges de S. Jerónimo. A anteceder o templo existe um escadório da segunda metade do séc. XVIII, e, subindo-o, chegámos à igreja, de fachada rococó. Actualmente funciona como Pousada Histórica. (ver aqui)

Daqui, percorrendo caminhos estreitos e sinuosos, dando inicio à subida da serra… esta primeira fase, apesar de bonita, não tem nada de extraordinário… o melhor está reservado lá para a segunda metade da etapa de montanha.

Antes de lá chegar quem apareceu, sem convite, foi a chuva! Não estava prevista e apanhou-nos desprevenidos… uma pequena paragem debaixo de um telheiro foi o suficiente para evitar uma molha. Seguimos e logo se instalou a dúvida…

Optamos pela direcção mais longa e mais difícil… mas valeu a pena… pois fomos brindados com belos cenários, paisagens idílicas e cheias de charme natural.

Levados pela corrente verde do trilho lá fomos desaguar junto da Capela de São Cristóvão, capela erguida ao lado de uma torre acastelada e sobre enormes penedos, é mais um local de culto na Penha. O Local é muito frequentado por crentes, principalmente por motoristas e taxistas, de quem é considerado patrono da classe profissional.

Junto à capela existe uma escadaria que nos conduz à Gruta de Nossa Senhora do Carmo, local onde em 1702, um ermitão de nome Guilherme Marino, oriundo de França, que depois de deambular por terras da Galiza e do norte de Portugal, se fixou numa das várias grutas naturais aí existentes.

Mais tarde, o ermitão, terá mandado esculpir uma pequena imagem da Virgem e a terá colocado para devoção. Terá sido esse o momento “zero” da criação da Ermida da Senhora do Carmo.

A tarde já se havia instalado tal como a fome… uma pausa para comer algo e recuperar do esforço da subida imponha-se e foi o que fizemos nas proximidades do Santuário da Penha, uma obra construída quase toda em granito da região, com o objectivo desta se integrar no ambiente circundante. As suas linhas, modernas para altura, não seguem as formas tradicionais, sendo sempre linhas rectas, estando integrada no estilo “Art Deco” da década de 30.

Por detrás do Santuário temos uma vista soberba sobre a cidade… não deixando ninguém indiferente à beleza natural do Minho.

Dali também podemos observar o vai-vem das cabines do Teleférico, não é que já não as tivéssemos visto ao longo do percurso, vimos e desejamos lá estar, mas não teria sido a mesma coisa! Mas agora, não resistimos à vertigem da viagem… até porque, parte do percurso, seria pelos trilhos percorridos.

Regressados à base damos por terminada a Rota da Penha e partimos para uma visita por alguns pontos turísticos da cidade que falarei numa outra publicação.

Até lá, boas caminhadas.

PR1 – Trilho do Rio Febros

Caminhadas

Aproveitando algumas abertas que o S. Pedro foi dando no fim de semana, meteorologicamente falando, calcorreamos o redesenhado e, agora, bem sinalizado PR1 – Trilho do Rio Febros.

Este percurso de pequena rota por caminhos ribeirinhos, percorre as freguesias de Avintes, Oliveira do Douro e Vilar de Andorinho, no concelho de Vila Nova de Gaia, tendo o seu inicio junto ao Cais do Esteiro, foz do rio Febros, finalizando nas traseiras do Parque Biológico de Gaia (Rua de S. Tusso), numa extensão de 4.5 Km, com grau de dificuldade fácil.

Outrora o rio Febros, efluente do Douro, foi de grande importância económica para a população, prova disso são os inúmeros moinhos que ainda se podem ver ao longo de todo o percurso, bem como, os espigueiros, local de armazenamento dos cereais cultivados nos campos contíguos ao Febros.

O Cais do Esteiro, onde no passado atracavam os valboeiros e de onde partiam carregando, entre outros produtos, a afamada Broa de Avintes… tem à nossa espera um restaurante de onde sai um aroma que inebria os sentidos e poderá ser uma opção para abastecimento no final do percurso!

Mas vamos lá desenrolar o novelo do percurso…

…já a manhã ia alta, partimos contra-corrente… largando as amarras no já falado Cais…

Percorrendo o empedrado, gasto pelo tempo, desembocamos na estrada que segue para o Areinho, uma via quase sem movimento, por estes dias, contrastando com o frenesim da época balnear!!! Esta centena de metros até encontrar a “avenida” estivemos sempre escoltados por um casario cansado e gasto pelos anos, a “avenida” aparece logo ali à mão direita, pintada em tons de verde, onde o castanho, da terra húmida, rasga o caminho a tomar.

Até ao final do percurso será assim, uma paisagem tipicamente rural, divorciada do tempo… mas a quem o rio nunca abandonou, fazendo-se ouvir a todo o instante.

Ao longo do percurso os tanques públicos marcam a sua presença, embora hoje funcionem, quase, como lembranças do passado… no entanto, mais à frente veremos que ainda há quem esfole os dedos nas suas pedras!

Um dos pontos menos interessantes do percurso é a degradação habitacional, com imensas casas devolutas e a construção a não respeitar qualquer critério urbanístico… de muitas construções apenas resta o esqueleto e as memórias.

Este caos urbanístico, por outro lado, confere ao percurso uma “beleza” diferente… uma paisagem de contrastes, por vezes, até um pouco sinistra o que para as fotografias dá uma certa teatralidade!

Nesta fase do percurso valeu-nos o pórtico adornado pela vegetação para protecção da chuva que decidiu aparecer… não foi muita nem durante muito, mas deu para molhar a roupa, a do corpo e a que se encontrava no estendal ali ao lado de mais um tanque… este com clientes, a julgar pela roupa ali colocada.

Ainda S. Pedro não tinha fechado as torneiras divinas, prosseguimos caminho por entre becos e ruelas e um casario triste…

Terminamos o percurso com esta vista inundada de cheiros a terra fresca…

Uma vez que o terminus do percurso faz fronteira com o, bonito, Parque Biológico de Gaia, impõe-se uma visita, podendo aproveitar o parque de merendas para um lanche ou, somente, para retemperar forças para o regresso…

Boas caminhadas.

Todas as fotos aqui

Bracara Augusta

Caminhadas

Um fim de semana com sol pedia um passeio / caminhada com um cariz mais histórico-cultural, um programa para exercitar o corpo e a mente e em simultâneo namorar…

Não faltam opções neste país lindo, mas a escolha recaiu sobre Braga, uma das maiores cidade do país e um dos principais centros religiosos de Portugal, com mais de 30 igrejas, arrebatando por isso, o título de “Roma portuguesa”.

A história da cidade remonta aos tempos romanos, chamada Bracara Augusta era capital da Galécia. A cidade oferece uma enorme quantidade de edifícios de diferentes épocas que podemos admirar. A Sé é um desses edificios, sendo a catedral mais antiga do país.

Mas… antes da Sé tenho de puxar a fita atrás para o ponto que nos transporta para o interior das “mulharas” da cidade velha, para o inicio do nosso percurso, o…

Arco da Porta Nova

“Foi uma das portas nas muralhas da cidade, rasgada em 1512. A sua atual feição data de 1772, por iniciativa do arcebispo D. Gaspar de Bragança, com projeto do arquiteto bracarense André Soares, num momento histórico em que a cidade rompia as antigas muralhas, expandindo-se.”

Sobre a calçada granitica prosseguimos a marcha para o reforço do pequeno-almoço, nada melhor que algo tradicional, uma frigideira, uma iguaria obrigatória para quem visita a cidade elegendo para o efeito uma confeitaria centenária defronte da…

Igreja do Populo

Com o estômago mais aconchegado, seguimos caminho… pois este sol de novembro é um pouco enganador e as sombras nada convidativas a paragens forçavam-nos a andar para a frente. Num instante atingimos os jardins dos Paços do Concelho.

Câmara Municipal de Braga

“O edifício foi mandado construir no século XVIII por proposta do então Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, irmão de João V de Portugal.

O edifício, considerado por alguns especialistas como um dos mais notáveis exemplares da arquitetura Barroca na península Ibérica, foi construído no local da antiga praça de touros.”

Rasgada a praça e dobrada a esquina seguinte damos de caras com a… Igreja da Misericórdia, edificada entre 1560 e 1562, é um dos únicos monumentos renascentistas da cidade e está incluída no conjunto de edificações da Sé Catedral de Braga.

 

Depois de uma visita ao seu interior, que recomendo, seguimos em direcção a mais um postal da cidade…

Jardins de Santa Bárbara, um jardim público situado junto à ala medieval do Paço Episcopal Bracarense. No seu centro encontra-se uma fonte do século XVII, que pertencia originalmente ao antigo Convento dos Remédios. Encimada por uma estátua de Santa Bárbara, é ela quem dá o nome ao jardim.

Depois de umas quantas fotos aproveitando a beleza do lugar continuamos… com tanto para ver os ponteiros do relógio pareciam voar!!!

O que vale é que cada monumento ou praça dista quase nada uns dos outros e assim estavamos na…

Igreja dos Terceiros

De estilo barroco, a igreja da Terceira Ordem Regular de São Francisco remonta a 1690, tendo sido erguida com o recurso às esmolas dos fieis.

Paredes meias entramos na Praça da Republica uma larga e majestosa praça que alberga num dos topos a Igreja da Lapa.

Igreja da Lapa & Praça da Republica

” Em 1757 o padre Ângelo de Sequeira, cónego da Sé de São Paulo (Brasil), encontrava-se em Braga a fazer pregações. Escolheu como local a Arcada, local onde eram comercializados os géneros na cidade, tendo aí colocado uma estampa de Nossa Senhora da Lapa. Aí pregava, rezava o terço e cantava, com tal entusiasmo que contagiava o povo. Diante da força que a devoção adquiriu, o então arcebispo de Braga, D. Gaspar de Bragança, autorizou a construção de uma capela de estilo neoclássico.”

Quase sem mexer as pernas podemos admirar o belissimo edificio do Café Brasileira, um dos mais emblemáticos da cidade.

“O estabelecimento foi fundado por Adriano Soares Teles do Vale, nascido em Alvarenga (Arouca), e ainda jovem, emigrou para o Brasil. No Brasil, dedicou-se ao negócio do café, com o que enriqueceu nos finais do século XIX. Casou no Brasil com uma filha de fazendeiros do Estado de Minas Gerais, onde se dedicou à fundação de um estabelecimento comercial inicialmente chamado “Ao preço fixo”, que incluía também casa de câmbios, e à produção agrícola, em particular de café, que importou para Portugal e, regressando a Portugal por motivos de saúde da primeira mulher, que acabaria por cá falecer, criou uma rede de pontos de venda do café que produzia e importava do Brasil: as famosas “Brasileiras”, espalhadas por Lisboa (Chiado e Rossio), Porto, Braga, Aveiro, Coimbra e Sevilha.”

Caminhando no sentido oposto mas ainda dentro da praça podemos encontrar mais um edifício religioso, o Convento dos Congregados,  é um exemplar de estilo barroco. Foi erguido nos finais do século XVII pela Congregação do Oratório (Oratorianos), vindos para a cidade a convite do cónego João de Meira Carrilho.

Com o aproximar da hora de almoço decidimos rumar ao restaurante que já estava escolhido à muito e que só aguardava a visita à cidade, refiro-me aoBIRA DOS NAMORADOS“. (que falarei mais adiante)

Pelo caminho uma passagem pela Sé de Braga, sem direito a visita, pois não quisemos perturbar o casamento que por ali iria acontecer…

Sé de Braga

“Assenta sobre as fundações de um antigo mercado ou templo romano dedicado a Ísis, conforme testemunha uma pedra votiva na parede leste, e os muros de uma posterior basílica paleocristã.

A sua história melhor documentada remonta à obra do primeiro bispo, D. Pedro de Braga, e corresponde à restauração da Sé episcopal em 1070, de que se conservam poucos vestígios.

Um dos mais importantes templos do românico no país, aqui encontram-se os túmulos de Henrique de Borgonha, conde de Portugal e sua esposa, Teresa de Leão, pais de D. Afonso Henriques.”

Depois de bem almoçados seguimos viagem com o objetivo de visitar o emblemático Bom Jesus do Monte, mas antes disso,  na passagem em direcção à paragem do autocarro que nos haveria de levar até lá… curtas paragens para ver e conhecer mais alguns icons da cidade.

Igreja de Santa Cruz

“Construída no século XVII em estilo barroco maneirista, possui no seu interior talha dourada invulgar. A nave, muito alta, é formada por uma abóbada de pedra esquartelada.”

Theatro Circo

Considerado o mais prestigiado teatro bracarense. Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1983.

foto  |  “Theatro Circo2” por Joseolgon – Obra do próprio. Licenciado sob CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons –

Palácio do Raio

“Erguido entre 1754-1755 por encomenda de João Duarte de Faria, poderoso comerciante de Braga

É um dos mais notáveis edifícios de arquitectura civil da cidade, em estilo barroco joanino.

Na fachada sobressai a exuberância da decoração, desde logo da porta central ricamente trabalhada e também das 11 janelas dividas pelos dois pisos. Os ornatos são assimétricos, dando ao edifício uma dinâmica e um dramatismo que são comuns na obra do arquitecto André Soares.”

Bom Jesus do Monte

Depois de uns 10 minutos de autocarro lá chegamos à base do Santuário, daqui até ao topo onde se encontra a Basílica, há de vencer o desnível geográfico do local, 116 metros, ao longo do infindável escadório com quase 600 degraus, ao longo dos quais podemos apreciar a beleza da mata, das fontes e das diversas construções que albergam a representação da via sacra.

No cimo a vista é deslumbrante…

A descer todos os santos ajudam, pelo menos é o que dizem, mas quisemos experiênciar uma viagem a bordo do funicular.O funicular foi inaugurado a 25 de março de 1882, sendo o primeiro a ser instalado na península Ibérica, um dos sete do género no mundo. É atualmente o mais antigo no mundo a utilizar o sistema de contrapeso de água.

Viagem imperdivel…

E depois de regressar à base do Bom Jesus, regressamos a pé até ao centro da cidade e daí até à estação de comboio que nos haveria de trazer a casa, um percurso urbano, de aproximadamente 6 km, sem grau de dificuldade, mais uma oportunidade de ver um pouco mais da cidade.

Neste relato não se esgotam os pontos de interesse da cidade… o que deixa em aberto uma nova visita em breve. Nem que seja para regressar à mesa do Bira dos Namorados, uma hamburgaria e pregaria com hamburguers deliciosos, com uma cerveja artesanal gostosa, reunindo no mesmo espaço um café concerto e uma loja regional.

A oferta gastronómica prima pela originalidade e pela fusão de sabores em combinações improváveis.

Boas caminhadas…

Dona Isaura de volta às Ciclovias

Pedalada da Semana, Uncategorized

Se o tempo permite porque não aproveitar?!

Este outono e este novembro estão particularmente colaborativos para a prática de atividades ao ar-livre e desta vez, Dona Isaura, levou-me a passear por mais umas quantas ciclovias fantásticas e de piso fofo…

A partida deu-se junto à Loja de Turismo de Gondomar para percorrer os cerca de 3 km da Ciclovia da Marginal de Gondomar.

O Rio Douro acompanha-nos ao longo de todo o percurso o que acrescenta à pista uma beleza extra, mas não é o único elemento que se destaca ao longo do percurso… podemos também apreciar os seus miradouros e jardins, como o Miradouro da Lavandeira e o Jardim das Aromáticas.

O percurso segue sem declives até ao belo Palácio do Freixo.

Aqui, entramos na marginal ribeirinha do Porto que me havia de levar até ao Castelo do Queijo, este percurso divido em três partes distintas:

1º Palácio do Freixo – Ribeira, com um passeio bastante largo e seguro, partilhado por ciclistas, pedestres e pelos amantes da pesca podemos pedalar em segurança e admirar as pontes que abraçam as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia.

2º Ribeira – Foz da Ribeira da Granja e ao Observatório de Aves, no Jardim do Calém, percurso citadino, partilha da via com os automóveis o que obriga a atenção redobrada. Pode usar-se o canal do eléctrico que sempre nos afasta da via e permite contemplar com maior segurança as ruelas, becos, escadas e o casario da Invicta cidade.

3º  Foz da Ribeira da Granja – Castelo do Queijo, a denominada, Ciclovia da Foz, mais 5 km, aproximadamente, de via segura que nos acompanha até à Foz do Douro e dali pela marginal atlântica até ao forte do Castelo do Queijo.

Chegados aos Castelo do Queijo podemos optar pela Ciclovia da Boavista, uma ciclovia encaixada no centro da Avenida com o mesmo nome, com quase 1.5 Km ou, em alternativa, prosseguir pela Ciclovia do Parque da Cidade e beneficiar de uma paisagem de excelência longe do barulho dos carros… Foi esta a minha opção… percorrer mais uma mão cheia de quilómetros num imenso mar verde.

Junto à Porta Nascente inicia-se a Ciclovia da Ribeira da Granja, um percurso de, aproximadamente, 4.5 Km que “desagua” junto do Observatório das Aves, na Foz da Ribeira da Granja, com passagem nas proximidades de  Serralves e pelo interior do bonito Parque da Pasteleira.

As cores outonais, este manto azul com o sol a iluminar convenientemente a paisagem e a aquecer o corpo e a alma, permitiram o registo de belas fotos (digo eu) e tornaram a pedalada bem agradável…

Findo este percurso e apesar de pedalar “contra corrente” pedalei a bom ritmo, sem paragens, até ao ponto de partida onde aportei para mais uns quantos registos.

Quase 40 km depois regressei a casa com a mui elegante Dona Isaura… “dever” cumprido.

Boas pedaladas.

 

O que me encanta…

Caminhadas

E lá fomos nós… quatro… sem atrasos.

De Sobrado a Sobrado demoramos mais ou menos 20 minutos. E não! Não foi por culpa do mtorista. Depois de Sobrado, o segundo, começamos a ver o que nos esperava: paisagens fantásticas, ainda que a acordar por detrás do intenso nevoeiro, iluminadas pela mais brilhante e radiosa das luzes: o sol.

Apesar das estradas curvilíneas que nos levaram entre belas planícies e respeitosas montanhas eis que o primeiro destino foi atingido dentro do timing previsto. A conversa essa, foi sempre agradável e bem disposta.

Bustelo. Arouca. Aveiro.

E aqui começa a verdadeira aventura.

Água – Check

Fruta – Check

Outros suplementos alimentares – Check

Mochilas às costa e lá fomos nós.

Nem 100 metros andamos e o primeiro grande impacto da qualidade da organização: castanhas, vinho doce e a pedra que se ouvia na outra freguesia. O bem receber no seu melhor. Ficamo-nos pelas castanhas nas mãos e com a pedra na memória. Um ou outro percalço inicial não impedira um começo a todo o gás.

O primeiro objetivo era aquele monte lá no alto. E depois deste foi o outro… E ainda mais um. Cada um mais alto que o outro. Até que chegamos onde umas dezenas de cabras pastavam sob o olhar atento de quatro cães.

“O que me encanta é que já não sobe mais”… foi um encanto passageiro… subiu e subiu bem. Aos 1224 metros…

Mas valeu a pena. O sol no seu esplendor máximo fez brilhar cada pedaço de terra visível daquele ponto. Uma vista de 360º de tirar o fôlego (o pouco que restava)…

Com a alma cheia, iniciamos a descida. Dura, técnica e bem mais desgastante que as inúmeras subidas. A aldeia bem lá no fundo parecia fugir a cada curva. O rio, esse, fazia-se ouvir a cada passo.

E assim, passo a passo, fomos chegando perto da aldeia.

O que ficava para trás era imponente. E nós tínhamos lá estado bem no alto…

Atravessado o rio, a aldeia que parecia tão longe estava mesmo ali. 15 km depois. E o final ali tão perto… tão perto e tão longe. O rio que corria tão perto atravessou-se-nos no caminho… literalmente de pedra em pedra até à poça final. E o que tinha sido uma manhã bem seca terminou com a água pelos pés…

Calçado suplente: Ups! Ups! Ups! Check (sorte de principiante)

E com os pés molhados lá chegamos aonde tudo tinha começado. 5 horas depois.

Retomados os lugares na viatura de apoio, estavamos a 5 km do grande objectivo: Alvarenga.

O Zé Mota foi de férias e deixou-nos apeados. Momentaneamente. O Décio recebeu-nos… muito bem… Eram 15h30… sentamo-nos e demos cabo deles (dos bifes, entenda-se)…

Eram 17h00… Levantamo-nos…

Pelo caminho um curto passeio no espantoso passadiço do Paiva… Uma impressionante obra de engenharia que dá vida a uma genial ideia…

O pôr do sol marcou o regresso que, apesar do cansaço voltou a ter boa e animada conversa.

E de Sobrado a Sobrado voltamos a demorar mais ou menos 20 minutos. Sem atrasos… os mesmos quatro…

Chegamos.

Texto  |  Paulo Figueiredo

Fotos  |  Nelson Branco

          |  André Carvalho

Dados Técnicos | Victor Rodrigues

PR 1 Caminhos do Montemuro

É um percurso pedestre de pequena rota por caminhos rurais e de montanha com início e terminus na Sra do Monte, Alvarenga ou em alternativa na aldeia de Bustelo, junto à paragem da camioneta… (com aparcamento garantido). Percurso de âmbito desportivo, cultural, ambiental e paisagístico. Caminho circular com cerca de 19 Km, de nível de dificuldade médio / alto, com longos ascendentes e descendentes acentuados para realizar em cerca de 6 horas. Aconselho a Primavera e o Outono para a sua realização.

Folheto do Percurso aqui.

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Albergues Caminho de Santiago a Finisterra e Muxia

Caminho de Santiago

Esta classificação, dos albergues, é meramente pessoal, e visou avaliar o albergue no qual pernoitei, o conforto da cama, os duches e a possibilidade de confeccionar uma refeição.

* Mau ** Satisfatório *** Bom **** Muito Bom ***** Excelente

 NEGREIRA 

Albergue Lua

Av. de Santiago, 22

N.º de lugares – 40 – 10 €

Duches ** (só possibilita um banho de cada vez)

Cozinha **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Satisfatório

Albergue modesto, um pouco desorganizado… mas tranquilo. Possibilita a confecção de uma refeição e a poucos metros tem um supermercado. A alberguista bastante simpática e disponível para ajudar. Tem máquina de lavar e secar.

foto | booking

foto | cleartrip

OLVEIROA

Albergue Hórreo

N.º de lugares – 48 – 12 €

Duches ****

Cozinha **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Muito Bom

Bonito e bem organizado, alberguistas muito atenciosos, os quartos são excelentes. Possui cozinha onde com algum engenho e arte permite efetuar uma refeição, tem também num edifício contiguo um restaurante, onde é possivel também adquirir produtos alimentares. Tem máquinas de lavar e secar.

foto | gusoguito.com

FINISTERRA

Albergue Mar de Rostro

N.º de lugares – 23 – 10 €

Duches ****

Cozinha ****

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Muito Bom

Com dormitórios divididos em dois pisos distintos e com boas condições, ambiente bastante tranquilo e relaxado com alberguista muito simpática. Possui cozinha bem apetrechada que permite efetuar uma refeição, nas próximidades tem supermercado. Tem máquinas de lavar e secar.

foto | Gronze

foto | gronze

foto | Gronze

MUXIA

Albergue Bela Muxia

N.º de lugares – ? – 15 €

Duches *****

Cozinha *****

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Excelente

Para terminar optamos por um pouco mais de conforto depois de dias seguidos debaixo de chuva intensa.

A Escolha não poderia ser melhor, este albergue pode dizer-se que é simplesmente TOP. Desde ao atendimento, com dois recepcionistas fantásticos, sempre atenciosos e disponiveis, às instalações, com belos pormenores arquitectónicos e qualidade em todas as divisões, com possibilidade de optar por um quarto individual, um quarto partilhado – 4 pessoas ou camarata. Cozinha com boas condições e paredes meias a um restaurante com menu de peregrino aliando requinte e qualidade.

Ciclovias e Cicloria

Pedalada da Semana

Hoje conto-vos a minha mais recente aventura em duas rodas… um percurso de aproximadamente 40 Km, feito a solo, de Vila Nova de Gaia a Ovar, percorrendo várias ciclovias, algumas estradas manhosas e desertas e a fantástica cicloria.

Com a incerteza da meteorologia, levantei-me dividido entre o sair de casa e o voltar para a cama,  na luta entre “o bem e o mal” venceu a primeira opção! Apesar da manhã já ter entrado na segunda metade lá coloquei a Dona Isaura de forma confortável na viatura e segui até ao ponto de partida.

Ciclovia de Canidelo, foi o inicio deste percurso, junto ao nó do Fojo, uma ciclovia urbana, partilhada por ciclistas e pedestrianistas, que funciona de via de acesso ao mar e às praias de Vila Nova de Gaia.

A frescura da manhã e o facto de o sentido da pista ser descendente quase me obrigou a tirar da mochila o cobertor da serra!

Depois de percorridos os primeiros quilómetros (2 a 3), a ciclovia oferece a opção de um percurso, apesar de curto e não tão fofo, mais afastado da via, mais tranquilo e mais verde.

 

Atingida a costa entrei numa sequência de ciclovias quase sempre paralelas ao mar, Ciclovia da Madalena, de Valadares, do Senhor da Pedra, da Granja, da Aguda e de Espinho.

A proximidade do mar oferece a este conjunto de ciclovias paisagens de excelência e o facto de já termos entrado no Outuno, contribui para a calmaria registada ao longo do percurso, não tendo havido necessidade de travagens bruscas ou sucessivos desvios de veraneantes menos atentos ou distraídos com um qualquer biquíni a deambular pela pista!

A Dona Isaura vislumbrada com a paisagem no Senhor da Pedra, local de culto que já vos falei aqui.

Depois de uma pequena paragem apenas para o registo fotográfico lá embalei novamente rumo a Ovar, os desníveis pouco acentuados ou a ausência dos mesmos facilitavam o desenvolvimento da marcha…. do Senhor da Pedra a Espinho foi um “tirinho”…

Com quase 20 Km percorridos quase exclusivamente em ciclovia alcancei a cidade de Espinho, daqui para diante o caminho seria outro até Esmoriz, mas antes mostrar um pouco desta cidade.

Os Paços do Concelho, entregue pelo Ministério das Obras Públicas à Câmara Municipal de Espinho, a 12 de Janeiro de 1944, é uma construção típica do Estado Novo com o seu aspeto austero, papel que representavam na sociedade. Caracteriza-se ainda por uma arquitetura de volumetria dura a impor monumentalidade. Pode observar-se verticalidade e repetição ao longo da fachada. Estilo “Português Suave”.

Outra obra que se destaca na cidade é o Centro Multimeios, uma infraestrutura que engloba um planetário, um auditório que funciona também como sala de cinema, uma galeria, um observatório astronómico, uma cafetaria e várias salas de apoio aos acontecimentos que ai se realizam.

A saída de Espinho faz-se pela movimentada estrada 109 o que me obrigou a improvisar uns atalhos, previamente estudados, e que me levariam por estradas manhosas, desertas, campestres mas fofinhas até Esmoriz onde aportei na Estação de Caminho de Ferro para comer algo e tomar um café.

Mais composto segui caminho para mais adiante entrar novamente nos “carris” das ciclovias. Esmoriz tem excelentes infraestruturas ciclaveis!!! Cidade desde 1993, as origens de Esmoriz remontam ao período da ocupação romana. A fertilidade das terras e os seus recursos foram as principais razões para a fixação da população nesta zona.
As principais actividades foram, em tempos passados, a arte xávega, tanoaria e cordoaria. No entanto perderam actualmente a sua importância, dando lugar a novas indústrias. O mar e as praias são também símbolos desta cidade.

Seguindo novamente na direcção do mar sou obrigado a volver à esquerda, segundo indicações do GPS, para entrar na Estrada Florestal onde se inicia a o magnifico percurso da Cicloria.

fonte | http://www.geocaching.com/

A CicloRia foi criada com o objectivo de promover e desenvolver a mobilidade ciclável com motivação de lazer e turismo na Ria de Aveiro.
Esta ligação entre Esmoriz e a praia do Furadouro acompanha a Rua da Floresta e a Avenida da Nato é uma pista para peões e bicicletas que atravessa um extenso pinhal de terrenos arenosos num paisagem típica de mata atlântica.

12 Km de pura calmaria, uma lavagem de alma. O Sol fez a sua aparição nesta fase do percurso, de forma mais viva, trazendo mais magia ao percurso. Apesar da proximidade da rua foram poucos os carros que quebraram este estado “ZEN”.

Interrompi este percurso no Furadouro.

Esquerda ou direita?! Eis a questão… Segui pela direita de forma a poder percorrer a marginal no Furadouro, com vistas como a que a seguir apresento, teria sido um crime ter seguido à esquerda em direcção a OVAR.

Depois de uns minutos a contemplar a vista e a saborear um gole insípido de água… levei Dona Isaura por mais um par de Ciclovias, primeiro a Ciclovia da Avenida do Emigrante, com dois corredores paralelos à faixa de rodagem sempre desimpedidos de viaturas o que transmite uma segurança acrescida ao percurso…

… depois pela Ciclovia da Avenida da Régua, esta separada da Rua e onde peões e ciclistas partilham a via com as cores outunais a darem um colorido especial à paisagem.

Findo este percurso vi-me obrigado a seguir pela estrada até à Estação de Ovar, local escolhido para terminar este percurso, no entanto, até lá algumas paragens para outras tantas fotos…

Como é uma cidade que não conheço resolvi, depois deste percurso, descobrir um pouco mais aqui.

E assim atingi a meta, a Estação de Ovar que alberga alguns painéis de azulejos fantásticos, painéis de grande valor artístico e histórico, pintados entre 1917 e 1919 por figuras muito conhecidas do azulejo, como Licínio Pinto e Francisco Pereira.

Enquanto aguardava pelo comboio que me haveria de levar até ao ponto de partida, uma última olhadela ao GPS antes de fazer o fatal “delete”…

Já devidamente acomodados, eu e a Dona Isaura, eu entretive-me com a paisagem e ela com o que lhe deu na “corrente”…

Sobre este percurso muito ficou por dizer, muito mais para mostrar, mas deixo ficar aqui o convite para que façam este agradável percurso e descubram a beleza deste país à beira mar plantado.

Boas pedaladas.

Caminhada Trilho do Guerreiro

É o qu`eu digo...

Hoje falo da mais recente caminhada, recente pese embora já tenha sido realizada à cerca de 15 dias, no fim de semana aquando da minha bicicletada pela Ecopista do Tâmega.

Aproveitando a viagem até terras de Basto preenchi o fim de semana de atividade desportiva… se o passeio pela linha desativada foi excelente a caminhada em Cabeceiras de Basto, por alturas das Festas da Cidade, não lhe ficou atras, com belas paisagens como pano de fundo e bons momentos de convívio entre amigos.

A partida foi dada na Praça Central onde impera o majestoso Mosteiro de S. Miguel de Refojos, cujo o primeiro documento onde se faz referência ao mesmo data de 1122 e dali embrenhamo-nos no “dito cujo” percorrendo a sua nave principal e algumas salas adjacentes.

A coisa estava a parecer fácil até iniciar a subida que nos iria levar ao Parque da Cidade, um bonito bosque cheio de sombra que veio atenuar o calor que se fazia sentir…

Percorrendo o trilho, uma espécie de carrossel, lá se foi descobrindo a história deste Concelho e colocando a conversa em dia… e rápido chegamos a mais um local digno de registo, o Pelourinho de Cabeceiras de Basto, Imóvel de Interesse Público, datado do século XVI, implanta-se em frente ao edifício da antiga cadeia. Pelourinho de pinha com remate piramidal encimado por esfera lisa (freguesia de Refojos).

Daqui até ao final mais uma mão cheia de quilometros sem grande dificuldade… e assim estava completado o circuito de 10 km previstos inicialmente. Sem fadiga lá prosseguimos para um pézinho de dança… enquanto o amigo José Pinho, o fotografo de serviço e Guru das Caminhadas ia registando os melhores momentos.

Quase vos enganava com a história da dança… eu, o verdadeiro pé de chumbo, dancei de facto, mas a musica era outra!!! Emparelhei com faca e garfo e lá dancei o que pude…

Boas Caminhadas…

Ecopista do Tâmega (1ª parte)

Pedalada da Semana

Por falta de tempo e outros condicionalismos da vida a D. Isaura ficou por casa, quase todo o verão, a acumular teias de aranha e demais bichesa que por lá se foi fixando, era hora de a resgatar das trevas e a levar a passear por uma luminosa pista “fofinha”…

A Ecopista do Tâmega foi a escolhida para o passeio que haveria de fechar o verão.

Denominada inicialmente Caminho de Ferro do Valle do Tâmega, ligava a estação de Livração (Marco de Canavezes), Linha do Douro, à estação de Arco de Baúlhe (Cabeceiras de Basto). Com a desactivação desta linha, no dia 1 de janeiro de 1990, foi transformada numa via para passeios pedestres e de bicicleta, a ecopista inícia-se  ao km 12,467, na cidade de Amarante, e termina ao km 51,733 em Arco de Baúlhe.

12,467 Amarante
16,700 Túnel de Gatão
17,500 Gatão
20,300 Ponte de Santa Natália
20,897 Chapa
24,389 Ponte das Carvalhas
25,724 Codeçoso
27,472 Ponte do Barreirinho
29,200 Lourido
34,267 Celorico de Basto
36,200 Britelo
38,737 Ponte de Caniço
39,417 Ponte de Matamá
40,200 Mondim de Basto
43,440 Padredo
45,285 Canedo
47,853 Vila Nune
51,733 Arco de Baúlhe

Antes de iniciar a pedalada na ciclovia aproveitei para uma visita rápida ao centro de Amarante onde destaco, pela sua beleza, a ponte e Igreja de São Gonçalo património digno de servir de pano fundo para um registo fotográfico.

Debaixo de um calor forte lá fui serpenteando por entre o casario antigo, por ruelas mais ou menos apertadas fui galgando caminho em direcção à ciclovia, parando aqui e acolá para registar o momento…

Rápido alcancei o inicio do percurso… estação de Amarante. Um edifício sem grande beleza arquitectónica mas que merecia uma reabilitação, bem como, o espaço circundante que pouco dignifica a cidade e o percurso.

Já na pista lancei-me à descoberta da beleza paisagistica e do património edificado… poucos quilometros andados alcancei o único túnel deste percurso, a sua frescura ajudou a equilibrar a temperatura corporal e funcionou como uma espécie de portal para outra dimensão.

Num ápice atinjo a estação de Gatão. O edifício sofreu recentemente obras de requalificação transformando-o num atraente equipamente que certamente servirá de apoio a todos os utilizadores da Ecopista.

Aqui e ali pequenos aglomerados habitacionais salpicam de cor o verde vivo da paisagem e as conversas das gentes que por estes dias andam na vindima rompem a melodia do rio que nos acompanha de perto ao longo de quase todo o percurso.

Ao quilometro 20,300 apresenta-se a primeira ponte, a de Santa Eulália e depois desta teremos a das Carvalhas, mas antes encontramos a estação de Chapa, edifício ocupado como habitação… depois de ultrapassar a já falada ponte das Carvalhas encaminhamo-nos para Codeçoso. Este tramo do percurso, Chapa – Côdeçoso, com uma extensão aproximada de 5 km encontra-se em terra batida o que para a roda fina da D. Isaura provocou alguns sobressaltos, mas com cuidado lá fomos até encontrar o piso fofo. Prevê-se que com a conclusão das obras da nova barragem de Fridão, a Ecopista fique totalmente ciclável em piso macio.

Neste ponto encontrava-me a sensivelmente 9 km de Celorico de Basto, o verdadeiro epicentro desta ciclovia, uma estação remodelada a fervilhar de atividade, com um anfitrião para nos acolher e registar o momento numa fotografia para a posteridade, gente que passa a caminhar, as crianças que brincam com os seus skates…

O local convida a uma paragem mais demorada, impõe-se a visita à Estação e a uma carruagem, de outros tempos, que se encontra em exposição em frente ao edifício da referida Estação.

Ouvi esta semana que o mesmo será adaptado para Pousada da Juventude o que me parece ser uma excelente ideia.

Passado o centro da cidade volto a entrar num cenário rural onde desponta no horizonte o Monte Farinha conhecido também por Senhora da Graça que me haveria de acompanhar até ao terminus desta aventura.

A ponte do Caniço ilustrada na foto acima é um belo miradouro, para além da vista do imponente Monte Farinha também nos oferece a vista sobre o rio que aqui dobra o monte que acolhe o Água Hotel.

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Não mais de um quilometro avistamos a ponte de Matamá e logo adiante a estação de Mondim, que apesar de estar em mau estado de conservação e ter sinais de de visita dos amigos do alheio, alberga belos quadros de ajulezos onde se retrata a vida das gentes de terras de Bastos. A sua adaptação a um equipamento de apoio seria um fim muito digno a este espaço.

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A estação de Mondim foi o meu ponto de chegada por hoje ficando a promesa de regressar brevemente para completar os 11 km que faltaram…

Destaco positivamente a tranquilidade e beleza do percurso e os edifícios recuperados. Negativamente o excesso de barreiras que impedem a entrada de outros veículos. Registo com agrado que muitas delas foram suprimidas e outras retiradas e colocado em sua substituição pinos que facilitam a normal progressam dos utilizadores de bicicletas ou caminhante, dificultando igualmente o acesso à pista a veículos motorizados.

Ciclovias da Orla Costeira e de Pampelido

Ciclovias e Ecopistas, Pedalada da Semana

A Dona Isaura só quer passeio!

Lá partimos nós em busca dos percursos “cicláveis” e macios para poupar o “fofo”, uma vez que,  ainda não adquiri a milagrosa bisnaga de Halibut.

Viagem até Matosinhos, Leça da Palmeira, para os primeiros 25 km a sério da menina e do menino. Um percurso praticamente plano, sempre paralelo ao mar o que torna o passeio ainda mais agradável

Estas ciclovias fazem parte de um conjunto de percursos interligados, que percorrem a marginal atlântica matosinhense, a Norte da Petrogal, desde o Cabo do Mundo até Angeiras. No meu caso, comecei um pouco antes junto ao forte e tentei aliar a atividade desportiva à cultural.

Primeira paragem para uma foto logo ali no farol… a luz que nos guia.

Daqui parti à descoberta da Necrópole Medieval de Montedouro, um conjunto de 5 sepulturas escavadas na rocha granítica, datáveis da Alta Idade Média (séc. VII – XI), mas que infelizmente não consegui alcançar, primeiro porque a ciclovia de Pampelido que supostamente me deveria levar até lá está apenas ciclável nos primeiros 300 metros, ainda tentei contornar a situação e executar o plano B, fazendo mais uns quantos quilometros, num empedrado chato pra caraças, mas também sem efeito, ora os populares desconheciam a sua existência, ora desconheciam a localização exata. Acho que andei perto!!! Um dia destes volto a investir por aqui…

De regresso à ciclovia da Orla Costeira rumei  ao Obelisco da Memória, monumento nacional, que evoca um acontecimento que iria alterar decisivamente o curso da história e marcar o início do fim do absolutismo em Portugal.

A 8 de julho de 1832, na praia junto a Arnosa do Pampelido, desembarcou uma esquadra comandada por D. Pedro IV com um exército de 7500 homens com o objetivo de instaurar no país um regime moderno e liberal.
Com as pernas a colaborarem  segui para Angeiras, destino: Tanques Romanos para Salga de Peixe, um conjunto de “tanques”, datado da época do Baixo Império Romano (século IV – V), único na região norte. Estes tanques destinavam-se à salga de peixe ou à produção de outros tipos de conserva de peixe muito apreciado na época romana.
 
Com vento favorável o regresso foi feito num ápice, havendo ainda tempo para uma sessão de fotografia à Dona Isaura! Uma vaidosa esta miúda!
Depois foi só esperar um pouco para ver o dia dar lugar à noite e oferecer este cenário a todos que quiseram assistir.
E foi assim a primeira aventura, espero voltar em breve…
 

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É o qu`eu digo..., The White Bicycle Story

Capítulo IV

Dona Isaura está de volta a casa.

Depois de um tratamento de beleza 5 estrelinha, Dona Isaura, voltou para casa com um ar sofisticado não perdendo o seu ar de senhora já vivida, estatuto adquirido depois de muito quilómetro percorrido por essas estradas fora…

Mas como qualquer boa história portuga não pode faltar o “chico-esperto”, personagem bem típica portuguesa!!! E nesta calhou em sorte tão triste personagem ao cavalheiro da loja onde levei Isaurinha para o dito tratamento.

Na primeira abordagem achei ter encontrado uma mina abandonada, com todo o material que precisava e mais algum, com um zelador simpático e honesto a cobrar o “soldo” justo, na última abordagem, pude constatar que afinal se tratava da gruta do Ali Baba, mas lá dentro estavam os “ladrões”… que triste ilusão!!! Uma coisa é certa… não volto!

Deixando as coisas menos boas para trás é hora de começar a tratar de decorar a bichinha…

…vou trabalhar nisso.

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foto  |  nelson branco

the white bicycle story

The White Bicycle Story

capítulo 3

Com Dona Isaura ausente para tratamentos o trabalho por casa foi árduo… os aros estavam completamente imundos, corroídos pelo tempo e pelo ar marítimo o que obrigou a dar cabo das unhas a esfregar e a polir e a polir e a esfregar, neste momento estão bem brilhantes, dariam um bom espelho para o patrão desfazer a barba!!!

Como o intuito do projecto é gastar pouco, meti, uma vez mais, mãos à obra para dar um tratamento ao selim que estava uma completa nódoa… hora de passar da teoria à prática.

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Com algum engenho e pouca arte, juntando alguns ingredientes, lá consegui obter um resultado aceitável face aos meios e conhecimentos da arte de estofador, não é um Brooks, mas anda lá perto (riso)… será uma das peças a trocar futuramente… por agora vai ter de aguentar comigo!

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The White Bicycle Story

capítulo 2

Depois de ter retiradas todas as peças com recurso a maquinaria pesada e com a preciosa ajuda de um especialista na arte da bicicleta, estava na hora de cuidar da menina com carinho e dar continuidade à história…

Levei a “Dona Isaura” ao salão de beleza para um tratamento de beleza, digno de capa de revista, uma decapagem a jato de areia para depois receber uma pintura nova. O quadro multicolor com nuances de ferrugem deu lugar a um imaculado branco…

Graças ao tempo, excessivo, que passou no pintor consegui um preço de saldo o que visto bem atenuou a sensação de espeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeera!!!

O resultado foi de encontro ao esperado… já a qualidade da foto defraudou as expectativas… mas dá para ver como reluz, a Dona Isaura, de cara lavada!!!

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Crónicas do Caminho – Os Albergues

Caminho de Santiago

Fazer o caminho de Santiago e não pernoitar, uma noite que seja, num albergue é perder uma experiência fantástica…

Não se trata só de uma estadia curta, um banho e uma dormida, é a possibilidade de cruzar experiências, dividir as alegrias do dia, conhecer novas gentes e culturas, no entanto, os albergues do caminho embora com qualidade, alguns são mais confortáveis que outros, por isso, coloco a minha vivência ao serviço de futuros peregrinos e se de alguma forma poder ser útil fico grato por isso.

Esta classificação é meramente pessoal, e visou avaliar o albergue, o conforto da cama, os duches e a possibilidade de confeccionar uma refeição. Acrescento informações sobre outros albergues pois nem todos irão optar por ficar nos mesmos locais, quer por questões das distâncias, quer por opção pessoal.

* Mau ** Satisfatório *** Bom **** Muito Bom ***** Excelente

PORTUGAL 

(saída do Porto)

S. Pedro de Rates 

Albergue de Peregrinos de Rates

Rua Santo António n.º 189

N.º de lugares – 50 – Donativo

Duches **

Cozinha ***

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: BOM

Albergue modesto mas com bastante higiene. Possibilidade de confeccionar uma refeição. Alberguistas TOP

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Pedra Furada

Restaurante Pedra Furada

Rua Santa Leocádia

Tel. 252 951 144

N.º de lugares – 9 – 10 €

Barcelinhos

Residência Senhor do Galo

Rua da Carniçaria (antes da ponte, na sede do Rancho)

N.º de lugares – 20 – 5€

Barcelos

Albergue Cidade de Barcelos

Rua Miguel Bombarda, 36

N.º de lugares – 10 – Donativo

Tamel

Albergue – Casa da Recoleta

N.º de lugares – 35 – 5 €

Duches ***

Cozinha *****

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Excelente

Albergue muito bom a nível geral, cozinha toda equipada, venda de produtos alimentares.

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Lugar do Corgo

(Vitorino de Piães)

Casa da Fernanda

N.º de lugares – 12 – Donativo

Ponte de Lima

Albergue de Peregrinos

Casa do Arnado – Além da Ponte

Tel 925 403 164 – 258 240 200

N.º de lugares – 60 – 5 €

Rubiães

Albergue dos Peregrinos de Rubiães

EN 201 – Costa

Tel 917 164 476

N.º de lugares – 34 – Donativo

Duches **

Cozinha *

Wi -Fi – Não

No dia que lá passei o albergue estava uma lástima!!! Das camaratas à cozinha ausência total de higiene. Poderá ter sido um dia mau!

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Ninho – Alojamento Local

Estrada de S. Pedro 695

Tel. 251 941 002

N.º de lugares – 17 – 12 €  (3€ pequeno almoço)

Duches ****

Cozinha *****

Wi -Fi – Sim

O Ninho – Facebook

Avaliação Global: Excelente

Albergue particular com muita qualidade em todas as divisões, a alberguista Maria é incansável.

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Valença do Minho

Albergue de Peregrinos de S. Teotónio

Av. José Maria Gonçalves

N.º de lugares – 85 – Donativo

ESPANHA

Tui

Albergue de Peregrinhos

N.º de lugares – 36 – 6€

Duches ***

Cozinha *

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: Bom

O calcanhar de Aquiles é a cozinha, o restante é bom e com higiene.

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O Porriño

Albergue de Peregrinos

N.º de lugares – 52 – 6€

Mós

Albergue de Peregrinos

Rua de Santa Eulália, 19

Tel. 986 334 269

N.º de lugares – 16 – 6€

Redondela

Albergue de Peregrinos

Casa da Torre – Plaza Ribadavia

N.º de lugares – 44 – 6€

Duches **

Cozinha **

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: Satisfatório

Camas demasiado próximas, banhos satisfatórios, cozinha pequena demais – sugiro um alternativo apesar de tudo.

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Arcade

O Lar de Pepa

Calle Ribeiro n.º 1

http://www.olardepepa.com

N.º de lugares – 10- 10€

A vista deste albergue é magnífica

Pontevedra

Albergue dos Amigos do Camino de Pontevedra

N.º de lugares – 56 – 6 €

Duches **

Cozinha **

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: Satisfatório

Camarata demasiado grande, demasiada gente, barulho e calor como pontos mais negativos. Ponto positivo – possibilidade de lavar e secar roupa.

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Briallos 

Albergue de Peregrinos

N.º de lugares – 27 – 6 €

(a 5 Km de Caldas de Rei)

Caldas de Rei

Albergue Posada Dona Urraca

N.º de lugares – 44 – 5 €

(Todos os que me falaram deste espaço, desaconselharam)

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Albergue “O Cruceiro” (Hostel)

N.º de lugares – 38 – 10/15€

Duches ****

Cozinha *

Wi -Fi – Sim

Avaliação Global: BOM

Hérbon

Albergue de Peregrinos de Herbon

Monasterio Franciscano de Herbón

(em Pontecesures seguir as setas vermelhas)

Aberto de Maio a Outubro

N.º de lugares – 20 – Donativo

Padrón

Albergue de Peregrinos

Costiña da Carmen

N.º de lugares – 46 – 6 €

Duches **

Cozinha *

Wi -Fi – Não

Avaliação Global: Satisfatório

Apesar da cozinha não apresentar um bom ar, possibilita com algum malabarismo confeccionar uma refeição. O espaço dos banhos são exíguos. O dormitório é o ponto mais positivo.

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Teo

Albergue de Peregrinos de Teo

Rua de Francos

N.º de lugares – 28 – 6 €

(a 13 Km antes de Santiago)

Santiago

Monte do Gozo

N.º de lugares – 500

A mochila

Caminho de Santiago

A poucos dias do grande dia, a muitos quilometros da meta, há que pesar, não os pros e os contras, mas a mochila…
Depois de tirados os excessos, a gordura, a massa adiposa e até dois novelos de coton, chegamos à bonita marca de 7 kg, aonde temos de somar o peso de alguma alimentação e deduzir o vestuario “descartavel”…
Se deixar que seja o caminho a passar por mim, tudo será mais facil…

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A Credencial do Peregrino – Dia – 30

Caminho de Santiago

O tempo caminha a passos ligeiros e falta precisamente um mês para a grande caminhada… e hoje falo da credencial.

Credencial do Peregrino veio substituir os documentos que durante a Idade Média eram entregues aos peregrinos como salvo-conduto. Permitem o acesso aos albergues ao longo do caminho e como prova do caminho efectuado de forma a poder obter a “Compostela” (o certificado do caminho). Os carimbos (sellos) podem ser obtidos nos locais de dormida, albergues, pensões ou hotéis, mas também podem ser obtidos em igrejas e organismos oficiais. Deverá ser carimbada pelo menos 2 vezes por dia, principalmente nos últimos 100 km para os peregrinos que vão a pé ou a cavalo e nos últimos 200 para quem se desloca de bicicleta.

No Porto, a Credencial, pode ser obtida na Sé Catedral, todos os dias.

A minha (a nossa, Eduarda, Conceição e Dora) já cá canta… uns dias mais e começam a receber os desejados sellos.

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Caminhada… pela Veiga – Cabeceiras de Basto

Caminhadas

Poderia ter ido a Las Vegas, mas o dinheiro só me deixou ir até a las Veiga em Cabeceiras de Basto!!!  Não sei se gostaria mais dos calhaus de lá, mas os de cá eram bem interessantes… por isso valeu a pena. E porque vale sempre a pena quando a alma não é pequena e porque vale sempre a pena quando se tem bons amigos, rumamos até terras de Basto para melhor conhecer mais um cantinho aqui do rectângulo obtuso.

Este percurso, circular, de aproximadamente 10 km e com um grau de dificuldade entre o baixo e médio, com um ascendente prolongado, é sobretudo um percurso de natureza e teve início junto aos Moinhos do Rei, um conjunto de moinhos construídos no reinado de D. Dinis, um dos grandes impulsionadores da industria da moagem. Na zona circundante aos moinhos existe uma agradável zona de lazer onde se pode “piquenipicar” no inicio ou no fim da contenda… e uma levada, a “Levada de Vibora”, um canal com aproximadamente 5 km, tem açude na Ribeira de Bustiliberne .


Após a saída deste ponto, circundamos o posto de fomento cinegético (com perdizes e codornizes), um cercado de veados, que visa a reintrodução do veado na Serra da Cabreira ou não fosse esta região, em tempos idos, de Reis e Princesas, um local onde abundava a caça grossa.

Pelo meio de campos verdejantes e caminhos salpicados de folhas ainda com as cores do outono, podemos respirar o ar puro e fresco da tarde, aqui e ali cortado pelo odor a bosta fresca… pois claro, bosta fresca, aquela onde meti o pé… sim, meti o pé que é completamente diferente de calcar… e prosseguimos caminho agradecendo o facto das vacas não voarem.

Quase sem darmos conta estávamos na Veiga… campos verdejantes até onde a vista alcança… daqueles que dá vontade de rebolar. Não se aventurem a tal… tanta trampa junta só tenho visto para os lados de S. Bento.

Depois de mais um desafio ultrapassado, já se avistava ao fundo a aldeia de Bustiliberne, esta pitoresca aldeia com uma traça característica nos edifícios foi alvo de um plano de recuperação devido à sua tipicidade… Tive pena que não nos tenhamos demorado um pouco mais neste local.

A aldeia marca uma viragem no tipo de paisagem… um pouco mais adiante iniciamos a subida da serra e os campos dão lugar aos blocos graníticos que preenchem a paisagem de pequenos pontos. Calhaus a caminharem entre calhaus, basicamente foi o que se passou.

Saltando a dificuldade, a descida proporciona uma vista maravilhosa… uma alameda de árvores frondosas, de espécies diferentes, misturam-se serra abaixo dando a ideia de um rio gigante… pelo menos essa foi a sensação que obtive no local e garanto que ainda não havia bebido nada para além de água.

Pequena paragem para recompor o estômago e dali até ao final do percurso a única nota digna de registo é um pequeno curso de água num local que nos transporta para os livros de fábulas… Para a senhora que deu o esbardalhanço a passar a ribeira e molhou a meia, o pé e restante membro inferior, a história deve ser outra!!!

Finda a actividade, as fotos de grupo, do nosso… e toca a marchar para a mesa antes que a paparoca arrefeça.

Encontramo-nos  por esses montes e vales ou então à volta de uma mesa com amigos.

Até lá, boas caminhadas e vejam as fotos se tiverem tempo… se não tiverem, voltem mais tarde. É só clicar sobre a foto abaixo.

clicar na imagem

Caminhada… Aldeia de Travassos (Mondim Basto)

Caminhadas

Decorria o vigésimo quinto dia do ano do Senhor de 2014, quando um grupo de caminheiros, amigos, conhecidos e até desconhecidos se lançou por montes e vales abaixo e acima em busca das pontes romanas de Bilhó / Travassos.

Dizem-me agora que afinal as pontes não eram romanas!!! Acho que nem se podiam chamar pontes… eram umas estacas de madeira ou algo do género!!! Cuncatano, fomos enganados…

Bem, não interessa nada, isso das pontes foi apenas um pormenor numa caminhada muito bem organizada pela Associação Basto Move-te, que nos levou a percorrer os caminhos rurais da aldeia de Travassos, uma pitoresca aldeia, tipicamente portuguesa, situada perto do Parque Natural do Alvão.

Numa região marcadamente ligada à agricultura a presença destes quadrúpedes de adornos na cabeça foram uma constante e o grupo tal qual os do Aposento da Moita não temeu saltar para a arena para fazer frente às bestas negras!!! Mas aqui e ali sentia-se um odor estranho e garanto que não era do gado!!!

Depois de percorrida a quilometragem proposta e com a barriga a perturbar a calma do local rumar à Tasca da Alice foi o melhor que podia acontecer. Um fogo que ardia para se ver dava as boas vindas aos atletas, mas o cheiro que vinha do interior não deixou indiferentes os participantes que preferiram aquecer com os repetidos movimentos braçais.

E lá veio para a mesa uma espécie de comida… estranha!!! Mas como diz Pessoa, se estranha, logo entranha… e com o binho a ajudar não há comida que ao estômago não vá chegar! E depois, comer e repetir e repetir e comer que a guerra está à porta e depois o Licor da praxe e depois as conversas da praxe e depois o ir embora da praxe e antes disso uma bagacinho da casa… foi do camandro! E então?! Pois… apanhar ar foi o que precisamos…

Bota prás Fisgas… e lá fomos… fotos e mais fotos e depois de encher meia dúzia de rolos digitais… veio a sede e como não chovia tivemos de ir molhar a palavra a uma aldeia próximo – Ermelo – se lá forem abstenham-se de falar dos seguintes temas, eleições, presidiários e alimentação para porcos… em caso de abordarem as duas primeiras temáticas, podem virar a mixórdia da terceira.

E pronto… a noite estava a cair como as persianas fazem no final do dia, voltamos para o conforto do lar… felizes e mais gordos qualquer coisa.

Voltem sempre que entendam que esta janela nunca se fecha, mas o ideal era aparecerem para as tainadas… como é óbvio há sempre um caminho para fazer.

Cá ou lá vos espero… boas caminhadas… e a seguir todas as fotos…

clicar (com força) na imagem

 

PR10 Margens do Neiva – Esposende

Caminhadas

Depois de longo tempo sem caminhadas, destas de verdade, por campos e vales, montanhas e planaltos… eis que um convite de um amigo me fez decidir em voltar às mais belas paisagens deste rectângulo.

Este PR ao contrário do que o nome nos leva a pensar desenvolve-se muito pouco nas margens do Neiva, tem uma extensão de 13,5 km, com início e terminus no Centro Cultural de Forjães (circular), sendo Fácil o grau de dificuldade.

A proposta seria fazer o PR10 Margens do Neiva – Esposende e no final ir “pequenicar” para um qualquer jardim lá da localidade, no entanto, quase nada se passou assim!!!

Por motivos de força maior tivemos de adiar a hora de partida que estava marcada para as 9h30m. Enquanto aguardava  que todo o grupo ficasse completo para darmos início à caminhada, aproveitei para fazer uma visita ao Centro Cultural de Forjães, uma antiga escola recuperada onde hoje funciona o Centro Cultural da vila e onde se destacam uns belíssimos paineis de ajulejos,

Aquando da nossa partida, já o relógio havia dado mais de uma volta sobre a hora prevista de inicio! O sol estava fogo e o trajecto pouco convidativo a caminhadas… muita terra seca e solta e basicamente… muito monte onde o ar teimava em não entrar e a tornar a caminhada numa espécie de suplicio.

Já com as reservas de energias um pouco em baixo devido ao excesso de calor, apesar da continua hidratação e alimentação qb, fomos obrigados a recompor forçar no Bar da Pedra. Antes da entrada já o olfacto estava refém do maravilhoso cheira da vitela, mas neste momento, apenas queria ser salvo… e fui… e fomos.

Depois de um pouco mais recompostos chegou a hora de decidir… ou 1,2 Km, rumo ao local de partida em forma de atalho, ou continuar debaixo de um sol escaldante por mais 4 Km. Ganhou a primeira sugestão.

Chegados ao ponto de partida, com 10 km nas pernas, era hora de encher o bandulho… uns para o parque de merendas, outros, atrás do aroma inebriante da vitela.

Em nota de roda pé e para todos os interessados deixo a minha apreciação: É um percurso sem grande interesse relativamente àquilo que oferece, o património não se afigura como uma âncora do percurso, paisagisticamente nada que impressione, percurso longe daquele que para mim seria a parte mais bela e interessante… o rio Neiva.

Boas caminhadas e até breve…

clicar na imagem – TODAS AS FOTOS

PR2 – Rota da Citânia – Briteiros – Guimarães

Caminhadas

Depois de umas quantas promessas, às crianças, para uma caminhada daquelas “a sério”… foi desta que rumamos a norte da cidade berço para mais um trilho.

O PR2 Rota da Citânia é um percurso de pequena rota, histórico-cultural, ambiental e paisagístico  circular, de nível de dificuldade “fácil”, inicia-se e termina em Briteiros, Guimarães, percorrendo 9,5 Km .

Esta Rota estende-se ao longo das freguesias de Donim e S. Salvador de Briteiros e dá a conhecer (!) uma das mais importantes civilizações castrejas do noroeste peninsular. Os achados arqueológicos podem ser observados no Museu da Cultura Castreja e na Citânia de Briteiros (visita virtual aqui)

Deixando a literatura… vamos à “literatura” do percurso.

A placa que marca o início da expedição… o Museu da Cultura Castreja logo ali ao lado e óspois de degustar um belo de um salgadinho, ala que se faz tarde…

Mas ir por onde??? Não haviam indicações!!!

Nada melhor que pedir umas informações a quem sabe… blá blá blá e tal que o percurso começa junto à Igreja! Pega no carro e bota prá Igreja. Aí chegados, vamos lá… vamos (?) mas ir por onde??? Não haviam indicações!!! Ahhhh… afinal haviam, estavam lá, mas quase apagadas… siga que se faz tarde.

Depois de um quilometro percorrido a sinalética volta a desaparecer do percurso!!! Quem apagou as luzes? Ás voltas no mato lá encontramos o caminho, uma vez mais, a custo!!! Bora lá pela via rápida… (500 metros a partir pedra)

A chegada ao cimo desta pequena elevação demos de caras com dois seres da nossa espécie, já meios “oirados” de andarem às voltas à procura da sinalética… Depois de uma troca de palavras percebemos que cairam nas mesmas “armadilhas”!!! Seguimos em grupo até à estrada, onde nos separamos, eles para Donim (espero que tenham chegado lá), nós para a Citânia…

Um espaço magnífico quer pela sua dimensão, quer pela monumentalidade das suas muralhas, urbanismo e arquitectura… e que aconselho a uma visita. (momento alto do percurso)

Daqui regressamos à partida… por entre campos verdejantes e alcatrão, rindo e sorrindo, não fosse hoje o dia.

Bons trilhos, boas caminhadas e muitos sorrisos mesmo que os trilhos não sejam os melhores.

Percurso da Ponte Medieval de Cabril – Mondim de Basto

Caminhadas

Aproveitando a visita a terras de “Bastos” e tendo em conta o maravilhoso dia de hoje, para passeios,  decidimos fazer uma pequena caminhada pelo percurso da ponte medieval de Cabril.

Este percurso desenvolve-se por caminhos urbanos e rurais, com desníveis pouco acentuados, numa extensão aproximada de 6 Km.

O percurso inicia-se junto ao posto de turismo de Mondim de Basto…

Atravessando o jardim municipal segue-se pela Rua da Via Cova, uma das ruas antigas de Mondim e desemboca junto de dois marcos históricos da arquitectura Mondinense, A Casa do Conselheiro (a da esquerda) e a casa de André Teixeira Borges e à direita Casa do Casal. Exemplos arquitectónicos de casas do séc. XVII e XVIII.

 Seguimos em direcção ao Estádio Municipal e aí… seguir pela esquerda do Estádio e não ouse ir pelo passeio do lado esquerdo, à direita, do estádio… se o fizer, faz mal!!! Só o vai obrigar a voltar… e olhe que eu sei do que falo. Já no trilho correcto, rápido se chega a Capela de S. Sebastião, datada do séc. XVII, mas antes, repare no pormenor do Cristo crucificado no Cruzeiro.

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A partir deste ponto entramos num ambiente mais rural… seguindo por um caminho medieval, estreito e sinuoso e que nos conduz até à Capela do Senhor da Ponte, construção do séc XVIII e que parece estar numa espécie de abandono controlado.

A Ponte de Cabril, espera por nós logo ali à frente…

Aproveitando a beleza do local e a calma que aqui se respira sugiro que relaxe um pouco nas margens do Cabril… depois regressar ao ponto de partida pela estrada nacional e rapidamente estamos no ponto de partida.

Encontramo-nos por este ou outros percursos deste nosso Portugal e com sorte ainda encontramos o Relvas!!!

PR9 Trilhos dos Canos de Água – Viana do Castelo

Caminhadas

Estamos de regresso às caminhadas “fora de portas” e desta vez rumamos a norte.

À partida para mais um dia de caminhada e convivio entre amigos dois requisitos já estavam preenchidos. O tempo, com um dia de sol qb, óptimo para a prática de actividades ao ar livre, a cidade, Viana, uma das mais bonitas aqui do rectângulo… faltava validar os T`s, ou seja, o trilho e o tasco, mas disso darei conta mais adiante.

Como o percurso se inicia junto ao templo de Santa Luzia, não quisemos deixar de usufruir da beleza citadina de Viana, nesse sentido, deixamos as “banheiras” junto à marina e calcorreamos umas centenas de metros até ao coração da cidade onde aproveitamos para reforçar o pequeno almoço com os produtos diatéticos da Casa Natário. Todas as energias são poucas quando se tem pela frente a subida a Santa Luzia!!!

Como não quisemos queimar estas, outras e porventura todas as reservas de energia acumuladas no corpo, fizemos a subida a bordo de um elegantíssimo e ultra rápido funicular… durante 6 a 7 minutos a única questão era: os meus ouvidos resistirão aos gritos do mulherio e do Pedro Coelho caso o cabo de aço se desfaça em pó? A viagem no Funicular de Santa Luzia é a mais longa de todos os funiculares do país, com os seus 650 metros, e correu muito bem!!!

Estamos agora em condições de dar inicio ao percurso…

Com inicio e fim junto ao templo de Santa Luzia, é um percurso de pequena rota, circular, por caminhos tradicionais, com uma distância aproximada de 11 km, com um nível de dificuldade baixo e cuja duração será, em ritmo de passeio, cerca de 3 horas. Se forem adeptos de Geocaching, poderão ao logo do trilho encontrar alguns “tesouros”. Os principais pontos de interesse do percurso são: Templo de Santa Luzia, Canos de água, S. Mamede, Aldeia velha, Alto do Frade e Casinha do Radar.

Como tem sido habitual nas caminhadas realizadas por esse mundo, de portugal, fora… a presença de um canito forasteiro é quase obrigatória (!) ainda não tinhamos aquecido já o, apelidado, Max, o canídeo de raça tropa, andava aos pulos por entre os caminhantes tentando chamar a atenção… (não, não era do Pedro Coelho!!!) da mui linda Chica, também essa, presença habitual nas marchas do grupo.

E caminhando, caminhando, montes fora, eis que chega a hora de restabelecer as energias não nos vá dar o “fanico”… estavamos em S. Mamede. Como a organização não deixa nada ao acaso, no ano da serpente, eis um belo exemplar, uma pitón anã do Burkina Faso… para que o ano que enfrentamos corra pelo melhor. Mas se o ano pode correr bem… quem correu melhor foram as damas do grupo. (Não, o Pedro Coelho não correu… que chatos!!!)

Com belas paisagens pelo percurso, nem se sentem os quilometros a passar e rapidamente chegamos à “Casa dos Aviões”, que apesar do perigo que oferece subir à torre de control, a excelência das vista, faz valer a pena arriscar levar com um pedaço de cimento vindo do tecto…

Dali até ao final do percurso é sempre a descer… mantendo o nível alto. Passagem pela citânia e final do percurso, ou quase, pois ainda faltam descer umas dezenas valentes de escadas até ao centro da cidade. Aí chegados, podemos validar mais um item, Trilho, OK. Partimos agora para a próxima etapa, não menos importante e com um alto grau de ponderação na análise final… TASCO.

Na realidade deveria ter começado por falar desta parte, ou seja, aquela que ocupou a maior parte do dia!!!

Bem no centro da cidade, encontramos o “Caffe . Bar . Tapas – Liz“, um pequeno espaço, bastante acolhedor e com excelentes condições para a realização de pequenos lanches / convívios… tudo tratado pelo Chef Miguel. A nossa ementa passou por: Tábua de Queijos – selecção de queijo de cabra curado e queijo de ovelha amanteigado; Salada de feijão fradinho; Espetada de enchidos com: chouriça magra, chouriça moura, farinheira e morcela de arroz (produtos caseiros); Tábua de presunto; Tostinhas à Liz (muito bom, ver foto); Caldo verde, Shots de leite-creme… vinhos, sumos e água e café, tudo por, pouco dinheiro!!! Tão pouco que ainda sobrou algum para investir na Casa Natário em Bolas… Excelente nota para o serviço.

Já com o céu coberto com o seu manto negro, regressamos a casa, depois de um dia muito bem passado na companhia de boa gente… para os que se quiserem a aventurar, ficamos à vossa espera numa próxima caminhada… até lá… bons trilhos.

Clicar na foto… (acesso as restantes fotos)

Caminhada… Rota dos Medronheiros e Caldo de Coibes (Rebordelo – Amarante)

Caminhadas

Tal como, quase, todas as histórias começam com o habitual: “Era uma vez…” as narrativas das caminhadas começam com: “O dia começou bem cedo…” e desta vez, começou bem cedo, depois de… ter acabado bem tarde!!! Estivemos a colocar a carne em “vinha d` alhos”, mas sem os alhos…  se bem me faço entender.

Começamos com uma partida lançada e sem tempo para aquecer somos logo presenteados com uma subida, digna desse nome, que fez logo a separação dos candidatos às malgas de ouro, prata e bronze…

Mas deixemos as coisas menos boas do percurso para trás… e toca a olhar para a frente que se inicia uma descida com muita pedra solta, mas onde foi possível fazer alguns registos fotográficos de belo efeito, sem que, para isso, tivéssemos recorrido à ajuda de estimulantes ou dopantes à base de medronho.

Na base da encosta, o local, que para mim teve mais encanto durante o percurso…

Depois das fotografias para a revista Caretas, chegou-nos ao cérebro, via ouvidos, a informação que, algures no meio de um sitio em parte incerta, haveria algo para alimentar o espírito aqui do santo… logo esse estimulo produziu um efeito acelerador a nível motor… e tão rápido estávamos aqui, como logo… estávamos lá.

Para não contrariar as previsões do oráculo… a chuva fez a sua aparição, mas tal como o ordenado, logo desapareceu… sem dar tempo para molhar o que quer que seja.

Aquela pequena iguaria servida no meio do nada, teve um efeito perverso, acordando em mim todos os desejos por uma refeição de “faca e garfo”… chegando ao ponto de ter alucinações! (Por alma de quem é que mandam o bife sem as batatas)

Passada a aldeia, mais uma encosta para subir… em ritmo de passeio, recolhendo elementos para bricolage futura, à conversa, com o guro dos caminheiros, José Pinho, chegamos à conclusão que todos os cogumelos da região são comestíveis!!! Só que alguns deles, apenas uma vez!!! Depois do marco geodésico, iniciamos a descida rumo ao ponto de partida…

qualquer semelhança com o marco geodésico é mera coincidência

O vento trazia consigo o cheiro do caldo acabado de fazer… mas não vinha só, (!) um cheiro a pão com chouriço misturava-se com este dando alento para os últimos metros da contenda. Já os pés, iam pedindo clemencia!

O empedrado dava lugar, na curva seguinte, a mais empedrado… e daí a mais uns quantos metros de paralelo, com uma inclinação que decidi denominar de “pisa unhas”… até que… era verdade… avistávamos o “acampamento”. O som das colheres a raparem as malgas de barro eram audíveis, tal qual o ribombar de trovões… a fome é negra!

Caminhar em busca de uma malga de sopa? – perguntais vós. E não é para aí que, quase todos, caminhamos face à conjuntura? – pergunto eu.

Foi uma belíssima caminhada na companhia de boa gente… até à próxima. Aqui ficam as restantes fotos. (clica no AQUI e vê as fotos agora)

Provérbio Português: Bem mal farás que andes e não comas.

PR1 – Rota dos Moinhos da Serra da Lousã e PR2 – Rota das Aldeias Serranas

Caminhadas

Fomos desta vez caminhar por terras da Lousã… A Rota dos Moinhos da Serra da Lousã (PR1) e a Rota das Aldeias Serranas (PR 2). A Serra da Lousã, juntamente com a Serra do Açor e a Serra da Estrela, formam o mais imponente dos alinhamentos montanhosos de Portugal: a Cordilheira Central. Sendo fundamentalmente xistosa e pré-câmbrica, é portanto geologicamente muito antiga. Estas Serras fazem também a separação das bacias hidrográficas do Mondego e do Tejo.

O dia começou bem cedo, coberto de um manto cinza chumbo!!! Havia 150 Km de alcatrão à nossa espera e mais uns quantos quilometros para calcorrear por entre um imenso mar verde.

9. 30 horas da manhã, já na Lousã… (zona industrial), digo, Centro da Cidade (Acho que entedes o que quero dizer, amiga Isabel!!!). Minutos mais tarde e uns quantos passos adiante aguardavam-nos o grupo de caminheiros de S. João da Madeira, “liderados” pelo António Almeida. Depois dos cumprimentos e da habitual foto de família lá arrepiamos caminho para uma bela jornada… mas voltando ao início.

O PR1 é um percurso de pequena rota, circular, com uma extensão de 6,5 Km por caminhos de montanha… O percurso inicia-se e finda no Centro da cidade, junto à Câmara Municipal da Lousã, edifício do século XX (1930/1934) e foi edificado junto ao pelourinho (século XVI).

Pelourinho

Adiante, a Igreja Matriz, erigida no século XIX, domina a praça Cândido dos Reis,  um pouco mais à frente o Palácio da Viscondessa do Espinhal, edifício do século XVIII classificado como património histórico, foi convertido recentemente numa unidade hoteleira…

Mais à frente e junto ao rio encontramos a levada que leva a água até à fábrica do Papel do Prado, criada em 1716.
É aqui que começa o caminho de terra do percurso “A Rota dos moinhos da Ribeira de São João”. Neste sector, o caminho decorre num trilho de grande beleza.

Ribeira de São João

No sector entre a Senhora da Piedade e o Castelo, o traçado coincide como PR 2… e foi efectuado parcialmente!

As Ermidas de Nossa Senhora da Piedade estão situadas no morro em frente ao Castelo. Um conjunto de quatro capelas, cuja mais antiga é a de S. João, erguida no séc. XV. O Castelo da Lousã, também conhecido como Castelo de Arouce, pertence a uma das primeiras linhas defensivas criadas para controlar os acessos meridionais a Coimbra, na segunda metade do século XI. Nos primeiros tempos da monarquia, a localidade desempenhou um papel importante, a que não foi alheia a sua condição de vila de fronteira. Em 1124, uma incursão islâmica tomou o castelo e, de novo na posse do Condado Portucalense, foi agraciada com foral em 1151, por D. Afonso Henriques.
De acordo com uma lenda antiga, na época da ocupação muçulmana o castelo terá sido erguido pelo emir (chefe árabe) Arunce, para a proteção de sua filha Peralta e dos seus tesouros após derrotado e expulso de Conimbriga.

Castelo da Lousã

Mas antes de chegarmos a este ponto da caminhada e voltando à ribeira de S. João… o caminho faz-se serpenteando a serra, poe entre o cheiro da terra húmida, a fragãncia deixada no ar pelas “flores” dos carvalhos, ao som do trinar dos pássaros, na frescura da água que desce a montanha em belas cascatas que mais parecem longos cabelos de princesas… e assim, em movimento continuo… numa subida pouco íngreme mas que nos ocupa todo o aparelho respiratório… lá chegamos à mui linda aldeia de Talasnal.

Talasnal (vista parcial)

Aí chegados aproveitamos para recompôr o estômago. No entanto, aproveito para informar que podem fazer um verdadeiro almoço nos restaurantes da aldeia. A chanfana que pululava pelas mesas do restaurante inebriava os sentidos!!! Caso seja esta a opção… depois de almoçarem, percorram as ruelas da aldeia e dirijam-se à próxima “tasca”, na “downtown”, para na esplanada, com a serra e o céu como limite, degustarem um bolinho regional, acompanhado pelo tão apetecivel café e um “cheirinho” de licor de gengibre.

Depois disto, regressamos ao caminho para o regresso ao ponto de partida…

Foi seguramente uma bela caminhada na companhia de bons amigos. Toda a descrição narrativa encontra-se ilustrada em imagens à distância de um clique na imagem seguinte.

Boas caminhadas…

clicar na imagem (sem medo!)

PR1 São Torcato e seus moinhos (Guimarães)

Caminhadas

Antes de escrever o que quer que seja gostaria de saber de quem de direito (seja lá quem seja a personagem) quem é o autor dos nomes dos percursos pedestres!!! São Torcato e seus moinhos… “seus moinhos” pressupõe a existência de pelo menos dois (!) e no percurso apenas vimos um… se é que se pode chamar moinho àquela coisa!!!

Mas não se desiludam… com ou sem moinhos, o percurso é excelente, podendo sentir-se a harmonia entre o Homem e a Natureza.

São Torcato é uma pequena vila que dista apenas 6 Km da cidade de Guimarães. Segundo diz a história os moinhos tiveram um papel preponderante no desenvolvimento económico do lugar… depois da introdução do milho em meados do séc. XVI. Uma característica interessante da região, são as vinhas que ladeiam os campos, denominadas “vinhas de enforcado” e que lhes conferem uma beleza extra. O culto a São Torcato tem o seu ponto alto na romaria que se realiza no 1º domingo de Julho.

O percurso, tem inicio e chegada junto ao Mosteiro de São Torcato. É um percurso de pequena rota, por caminhos rurais, numa distância aproximada de 9 Km… a duração (?), a necessária para se deixarem embriagar pela paisagem.

Mosteiro São Torcato

O Mosteiro de São Torcato foi construído, ou ainda está a ser (pelo menos vi um peditório para a causa), tendo por base um projecto desenhado em 1868 pelo arquitecto Bohnfledt, mas ao qual foram feitas algumas alterações pelo arquitecto José Marques da Silva. Na capela-mor, venera-se o corpo do primeiro mártir do cristianismo ibérico.

Sempre por caminhos verdejantes e sob ameaça de chuva (novamente e que já nos tinha, quase, feito desistir da realização do percurso) lá chegamos a um local “sagrada” – Campo da Ataca.

Campo da Ataca

Foi aqui, segundo a tradição, em 24 de Junho de 1128, teve inicio a Batalha de S. Mamede, na qual, D. Afonso Henriques iniciou o processo de conquista e da independência de Portugal. As esculturas são da autoria de Augusto Vasconcelos.

Depois de voltarmos ao trilho… prosseguimos viagem até ao local que serviu de acampamento para almoço.

Capela da Fonte do Santo

São Torcato, santo que dá nome à terra, nasceu em Espanha mais exactamente em Toledo no séc. VII. Diz a lenda que foi morto por Muça, chefe de um comando muçulmano, neste local. Mais tarde, por sinais divinos, foi anunciado o local onde se encontrava o seu corpo de S. Torcato. Depois de retirado o corpo do local brotou uma fonte… que ainda se encontra em “actividade”!!!

Barriguinha cheia e um novo dilema… seguir pelo proibido (mas correcto) ou cortar caminho? Seguir pelo trilho correcto…

… basicamente o trilho correcto era saltar um portão fechado a cadeado… percorrer um campo acabado de lavrar (que terra tão fofa a entrar na galocha) e depois de bem “enfarinhados”… um percurso de lama e água e água e lama que ajudou a refrescar o “peúgo”… já dele bem fresco e perfumado!

Bem, já que aqui estávamos… siga… rápido chegamos à Igreja Paroquial de S. Torcato.

Igreja Velha

Esta Igreja guarda um um magnifico espólio do período pré-românico. Este monumento é um dos mais emblemático “registos” da arte visigótica a norte do Douro.

Poucos metros adiante demos por terminada a nossa caminhada…

A titulo informativo aqui ficam algumas datas para possíveis visitas: Feira dos 27 27 de Fevereiro; Romaria Grande de São Torcato 1º fim de semana de Julho; Feira da Terra 2º fim de semana de Julho; Feira Semanal Sábado.

Até à próxima… as fotos, ficam à distância de um clique.

clicar na imagem

PR1 São Torcato e seus Moinhos

Caminhadas

Saudações Caminheiras…

Estamos de volta à estrada, desta vez, no berço da nacionalidade… mais concretamente São Torcato.

Dado que se trata de um percurso com poucos quilómetros e de baixo grau de dificuldade, a organização (seja lá quem for) entende que estão reunidas as condições para mais uma caminhada “pais e filhos”. Assim, caso entendam, façam acompanhar-se dos herdeiros para um dia que se espera, no mínimo, divertido.

Finda a caminhada, rumamos a Guimarães, para almoço / lanche, em local a designar na altura. Aproveitaremos para apreciar a beleza da cidade em ano de Cidade Europeia da Cultura.

Percurso:  PR1 São Torcato e seus Moinhos

Local: São Torcato – Guimarães

Rua Arquitecto Cesário A. Pinto

4800 São Torcato, Guimarães

Ponto de Encontro: 8.30 h – Igreja de Santa Rita – Ermesinde

9.30 h – São Torcato – Guimarães

Partida/Chegada: São Torcato

Tipo: Circular

Distância: +/- 8.5 km

Grau: Fácil

Pontos de Interesse: Mosteiro de S. Torcato, Campo da Ataca, Moinho de Sub-Devesa, Capela da Fonte do Santo, Igreja de S. Torcato

MapaAqui

Data: 2012.05.27

Dicas: Água, Roupa adequada às condições atmosféricas, Protector Solar (recomendado), Chapéu, Almoço

Organização: pedalopelacidade

Deslocação: +/- 120 Km  (ida/ volta de Ermesinde)

Portagens: +/- 6.50 € (ida/volta de Ermesinde)

Tempo de Deslocação: +/- 2 H (ida/volta)

AtençãoA caminhada não inclui seguro

Caminhada… de Livração a Gatão sem sair da linha

Caminhadas

Partida: Estação de caminho de ferro de Livração
Chegada: Estação (Tasca) de Gatão
Âmbito: Desportivo, panorâmico e ambiental
Tipo de Percurso: Linear, pela linha desactivada do Tâmega
Distância a percorrer:18km
Duração do percurso:Cerca de 5h
Nível de dificuldade: Baixo

Antes de começar o relato,

Sócio… Sócio… (estalando os dedos) um pouco de silêncio por favor… estou concentradissimo….

Este fim de semana foi feita história ao nível do pedestrianismo nacional!!! Os Pedalopelacidade, acabaram de contratar o maior e mais famoso casal de caminheiros da India!!! Ahhhh pois é!!! Vão vir TGV`s de Indianos a fazer caminhadas e já estamos a tratar das parcerias com tudo que é tascas, casas de pasto, adegas cooperativas, pensões…

Rakhee Mohan & Chetan Ratangy

Depois de apresentados aqueles que irão fazer com que este grupo seja um género de galinha dos ovos d`oiro das caminhadas, vamos à caminhada….

Esta “etapa” realizou-se na linha desactivada do Tâmega, com inicio em Livração até Gatão. O percurso de Livração a Amarante não é de grande beleza paisagística, mas aqui e ali, somos presenteados com belos cenários com o rio como elemento fundamental.

Não pensem os amigos que isto  de caminhar em plano não trouxe momentos de emoções fortes… que o diga os meus nervos (de aço) quando confrontados com esta magnífica escultura lego!!!

Depois de ultrapassado o obstáculo tudo parecia bem tranquilo… até que… uns quilómetros adiante lá estava outra para transpor, desta vez, já com os nervos pelos arames!!!

Prosseguimos pela ciclovia, que aconselho a todos que queiram pedalar / caminhar por terras de Amarante… muito bem cuidada, com belos quadros paisagísticos. Daqui à estação (tasca) foi um tirinho para tirar a barriga de misérias.

A Tasca da Estação, foi o local escolhido para o lanche, mas… tal como acontece por todo o país e a todo o momento… fomos literalmente assaltados. Aqui a culpa não morreu sozinha… responsabilizaram o Senhor Vinho pelo sucedido.

Em resumo, foi um belo dia passado na companhia de gente boa…

Até breve… num trilho perto de ti!

clicar na imagem

 

PR6 Caminho do Carteiro – Arouca

Caminhadas

De volta a Arouca, mais precisamente Rio de Frades, para mais uma caminhada de uma elevada beleza e dificuldade.

Para os que se queiram aventurar a levar a efeito este percurso sugiro que deixem o carro um pouco antes do Largo da Aldeia de Rio de Frades (inicio oficial do percurso), 1 Km – junto ao cemitério local,  isto porque estacionar no local é um pouco difícil dado que  o “Largo” é um pouco exíguo. O percurso desde o cemitério até ao largo da aldeia faz-se por uma estrada asfaltada, quase sem desnível, bastante panorâmica… e permite fazer o “warm up” para os 6 Km seguidos de subida!!! Não se assustem, há uma boa notícia, o regresso serão 6 Km sempre a descer.

Briefing

o início

Aldeia de Rio de Frades (vista parcial)

 Da povoação de Rio de Frades, diz-se que foi fundada por frades jesuítas que ali procuraram refúgio na época pombalina, aquando da extinção das Ordens Religiosas. Em Rio de Frades, assentaram os alemães o seu centro da exploração mineira de volfrâmio, durante a 2.ª Guerra Mundial, que captavam em múltiplas minas abertas nos montes das cercanias. Essas minas foram abandonadas depois da guerra, encontrando-se hoje as construções desse centro mineiro em ruínas.

A partir deste ponto, inicia-se a subida até Cabreiros…

vista panorâmica da subida

casa típica - Aldeia de Cabreiros

À entrada do lugar, deparamos com a escola primária, edifício simples da década de sessenta do século passado, depois da qual tomamos o caminho da direita que nos leva até Tebilhão. O trajecto entre as duas aldeias é de rara beleza.

Escola primária

Entre aldeias - leiras em socalcos

“O lugar de Tebilhão situa-se no que alguns especialistas consideram um magnífico exemplo de vale em berço. Este lugar merece uma visita sem pressas. Espreitar as suas ruelas e recantos, sem esquecer a magnifica paisagem que, do lugar, se divisa, quer sobre Cabreiros, quer, mais longe, sobre os vales apertados do Rio de Frades e seus afluentes, é algo de imperdível.”

Tebilhão

Depois de atravessar a aldeia e percorrendo mais um km, aproximadamente, chegamos ao final (da 1ª parte) da jornada… Pausa para almoço e convívio…

Chegada... (50% do percurso)

pausa para almoço

Depois de retemperadas as forças, iniciamos o regresso… chegados novamente a Tebilhão fomos calorosamente recebidos por um habitante local que nos regou com o bom vinho da região e a bombástica receita anti.frio de bagaço com mel (não é red bull… mas parece)… ao fim de umas copadas dá nisto!!!

O frio aperta e tivemos de meter pés ao caminho… ainda fomos surpreendidos pela chuva mas nada que nos tirasse a boa disposição. Como a descer todos os santos ajudam rápido chegamos ao local de partida.

o regresso

Aqui ficam a totalidade das fotos de um dia bem passado em boa companhia…

clicar na imagem

Registo GPS do percurso…  aqui (de Tebilhão a Rio de Frades)

Mais Informação…

Partida: Largo da Aldeia de Rio de Frades
Chegada: Junto à carreira de moinhos de Tebilhão
Âmbito:Desportivo, panorâmico e ambiental
Tipo de Percurso: de pequena rota, linear, por caminhos tradicionais e de montanha
Distância a percorrer:14km: 7km de ida e 7km de volta
Duração do percurso:Cerca de 5h: 3h de ida e 2h de volta
Nível de dificuldade:Alto
Distâncias entre os pontos mais significativos: 
– De Rio de Frades a Cabreiros – 3300m
– De Cabreiros a Tebilhão – 2000m
– De Tebilhão à Carreira de Moinhos – 700m
Altitudes: 
– Cemitério de Rio de Frades – 350m
– Rio de Frades – 350m
– Cabreiros – 730m
– Rio Pequenino (ponte entre Cabreiros e Tebilhão) – 660m
– Tebilhão (Carreira dos Moinhos) – 815m
– Mínima: Rio Paiva – 200m
Época aconselhada: Todo o ano

PR2 – As aldeias do rio Vizela (Fafe)

Caminhadas

No passado dia 24, rumamos até ao noroeste peninsular, mais concretamente até Fafe para percorrermos “As aldeias do rio Vizela”, um percurso pedestre de pequena rota PR2, que visita as localidades de Lagoa, Pedraído, Felgueiras e Gotim, sempre por caminhos antigos, numa extensão aproximada de 15 km, circular, ao longo dos quais podemos refrescar a mente nas águas cristalinas dos ribeiros e fontes e deixar a mente viajar por entre os verdes campos e bosques do Minho.

Com um pequeno atraso face à hora prevista, lá arrancamos um pouco aos solavancos já que a sinalização do percurso e o mapa disponível não davam certezas de qual o rumo a tomar. Depois de devidamente informados por populares lá seguimos caminho. Este prelúdio era uma espécie de sinal para o que haveria de vir!!! Ao contrário dos percursos já palmilhados o PR2 Fafe, necessita de alguma intervenção quer ao nível da sinalética, nomeadamente, a renovação de pintura e melhor posicionamento de alguns marcos, quer ao nível da “limpeza” do percurso, havendo em determinados troços excesso de mato, o que dificulta a progressão.

Nozes

Tirando esse pequeno “qui cró cró” que pode ser resolvido com vestuário adequado, o percurso é bastante interessante, pela diversidade florestal, que nos permite percorrer vários “quadros” ao longo do giro.

 Uma vez mais, para além da habitual Chicca, fomos acompanhados pelo rafeiro Piqué que apesar da insistência ficou de patas a abanar!!!

7 horas depois da partida, 5 de caminhada, 1 à deriva, 1 para fotos, retemperar forças e encher o bandulho, lá chegamos novamente a Lagoa. Apesar do cansaço, ainda houve força para visitar uma construção, no mínimo, original.

Depois da “tempestade”, vem sempre a bonança…

Como estava previsto, encaminhamo-nos para a Casa de Canedo, um magnifico espaço de turismo rural, local escolhido para recuperar as forças da jornada.

Depois de devidamente asseados nada melhor que começar a noite num popular arraial a saborear os produtos da terra.

Festas em honra de S. Miguel

A noite termina já alta embalada por caipirinhas… e Canta Brasil. LOL

O “day-after” foi aproveitado para convívio com muita diversão à mistura… (Bende nas fotos que bão bir)

Estão todos convidados a aparecer na próxima etapa.

AS FOTOS

clicar na foto

e mais fotos…

https://picasaweb.google.com/109843187267516869672/CaminhadaAsAldeiasDasMargensDoRioVizela?authuser=0&authkey=Gv1sRgCO7M0rSAo-zTjAE&feat=directlink

PR1 Trilho da Fenda da Calcedónia

Caminhadas

Esta caminhada decorreu nos montes circundantes a Covide e Campo do Gerês. É um trilho pedestre denominado de pequena rota (PR), com uma distância aproximada de 10 Km. (Caso pretendam seguir à risca as marcações, todavia há a variante “à deriva” que vos pode proporcionar quilómetros, sem conta, a custo zero! – No nosso caso não foram muitos, mas foram duros… mas bons.)

5 horas aproximadamente para concluir o itinerário que é constituído por um traçado declivoso, que o torna de dificuldade elevada e de dificuldade extrema no interior da fenda. Este percurso desenvolve-se num enredo histórico-cultural marcante, pelas suas tradições comunitárias e antiguidades arqueológicas.

Este traçado, tem como alvo principal o mítico sítio arqueológico denominado “Fraga da Cidade”, que os letrados seiscentistas imortalizaram com o clássico topónimo de Calcedónia.

diz que é uma espécie de subida!

Depois desta pequena introdução vamos ao relato da verdadeira caminhada que entra directamente para o primeiro lugar das caminhadas feitas por este grupo, refiro-me à dureza. Depois da malta ter “mudado a água às azeitonas” no tasco da aldeia demos início à estirada através de um pequeno bosque que aos poucos deu lugar à uma paisagem montanhosa, onde predomina o granito (e como predomina!!!)

a bela (o bosque)

a besta (os "bloquios" de granito)

No cume, a paisagem é magnífica e os “paparazzi” fartaram-se de disparar. Parecia ter aterrado em Covide um “charter” vindo da China!

Por fim chegamos à Cidade da Calcedónia, à sua famosa fenda (e que fenda!!!). Deixo a minha opinião pessoal: Extremamente difícil para se fazer sozinho, Extremamente difícil para se fazer acompanhado, Extremamente difícil para se fazer com chuva, em resumo… Extremamente difícil.)

A fenda… (hoje estava bastante húmida)

Depois de extremamente arranhado, extremamente sujo, extremamente esfomeado… lá paramos, à saída da “racha” para o repasto… mas S. Pedro brindou-nos com granizo e chuva da boa… não faltaram os trovões e relâmpagos! Um convite a iniciar a descida sem delongas… E assim foi, adiado o almoço por instantes, começamos a descida. No entanto, o Sol deu um ar da sua graça e aproveitamos para encher o bandulho.

De barriga cheia e já na loucura demos aso à imaginação e iniciamos a descida “non-sense”, fora do trilho, que nos custou um par de quilómetros muito duros, derretendo tudo o que havíamos comido. De volta ao ponto de partida (intermédio) e na falta de indicações resolvemos regressar pelo percurso da ida.Pedro “McGyver” que havia, através dos seus poderes inter-estelares, conseguido aguentar a queda de chuva… após ter inalado o bálsamo que brotava de um pedaço de excremento… precipitou o dilúvio… resultado, alguns quilómetros debaixo de uma chuva medonha e um concurso de Miss t-shirt molhada.

Obrigado a todos pela vossa presença… valeu muito a pena… aqui fica a foto do grupo. Secos e menos secos… LOL

Os secos

Os menos secos

Aqui… todas as fotos. Para já.

TODAS AS FOTOS - CLICAR NA IMAGEM

Percurso Pedestre… PR 9 Rota do Xisto

Caminhadas

Ontem, dia 16, decidimos alargar horizontes e partir em busca da “grande expedição”

Rumamos até Canelas – Arouca, para percorrer a Rota do Xisto, um percurso de Pequena Rota, com aproximadamente 16 Km, circular, com um nível de dificuldade médio/alto, com uma duração média de 6 horas, incluindo as paragens no CIGC – Centro de Interpretação Geológica de Canelas, paragem para almoço, para o mergulho e para as habituais fotos…

O início do percurso foi junto à Igreja Matriz de Canelas (40º 58`23.08″ N – 8º 12`02.37″O) e daí logo a subir através da Rua da Cordoaria… isto foi uma espécie de sinal para o que haveria de vir e que no final me fez pensar que afinal temos treinado nas “planícies” de Valongo (!). Daqui ao CIGC foi um tirinho… aí podemos observar fósseis de trilobites de grande interesse científico…

Centro de Interpretação Geológica de Canelas

CIGC

Saídos do CIGC e após atravessarmos a EN 326-1 que liga Arouca a Alvarenga tomamos a direcção sudoeste até atingirmos o ponto mais elevado de todo o percurso a 581 metros… começando a partir daqui a beneficiar do efeito “montanha russa”, com descidas e subidas consecutivas mas com a altimetria a reduzir gradualmente.

Prosseguimos em direcção a Vilarinho, por uma “via rápida” praticamente gravada na rocha, com uma banda sonora natural… o som de um ribeiro que corria ao fundo e o cantar dos pássaros…

Caminho antigo gravado na rocha

Já em Vilarinho, tomamos conhecimento, através de uma laje, que há registos que dão conta da sua existência no Séc IX.

laje de vilarinho

Voltamos a reencontrar a EN 326-1 que depois de percorrida uma centena de metros nos convida a entrar novamente na montanha, junto às traseiras de um restaurante (ai aquele cheiro… àquela hora… com a barriga apenas forrada por uma sandes!!! Quase houve um motim para que se parasse… mas… não havia tempo.). Este antigo caminho das minas, havia de nos levar ao miradouro da cascata das Aguieiras…

Miradouro da Cascata das Aguieiras

O acesso ao miradouro é feito por um trilho “manhoso” atravessando um afloramento de quartzito… mas vale muito a pena o esforço tipo “cabra montês”, a vista sobre a cascata e o casario de Alvarenga é extraordinária… foi este o local eleito para almoçar.

Retomamos o percurso continuando a subir (uma constante, nada de espantar) até encontrar o ponto mas elevado deste cume onde iniciamos a descida até à Mina do Pereiro, mina escavada no granito…

Mina do Pereiro

Regressamos ao percurso e por um trilho estreito, ladeado de frondosa vegetação, serpenteamos a serra até ao Vau… um recanto de grande beleza. Era aqui que em outros tempos se fazia a travessia de pessoas e bens entre as duas margens do rio…

Vau

Do Vau até à Cascata do ribeiro da Estreitinha é um instante…

Cascata do ribeiro da Estreitinha

Aqui as forças, ou a falta delas, já eram notórias… por um caminho não muito fácil de se percorrer, junto à margem do rio seguimos até aos moinhos…

Moinho junto ao ribeiro de Canelas

Continuando a subir até encontrar uma estrada empedrada e depois continuando a subir um pouco mais chagamos ao Lugar de Além do Ribeiro e ao Largo da Gata… Daqui descemos (e fala-se tão pouco em descer!) até ao lavadouro publico, para mais à frente encontrar as escadas, não rolantes, da Barroca.

Escadas da Barroca

Depois de passar por uma estreita viela chega-se ao Largo da Carvalheira e daqui à Igreja são umas dezenas de passos. Assim termina a 1ª parte da caminhada…

Depois de uma série de alongamentos, interrompidos, pela vontade de comer que todos trazíamos… rumamos ao Restaurante TRILOBITE, para a segunda parte do programa das festas, onde nos aguardava uma mesa bem composta e a simpatia das gentes da casa. Um restaurante que aconselho vivamente a quem decidir passear-se por aquelas terras… com um interior acolhedor e requintado a mesa aguardava-nos pintalgada com as cores da boa gastronomia nacional… tudo bem regado com vinho da região… a animação foi por nossa conta, mas isso é a condição para integrar este grupo.

Restaurante Trilobite

nham nham

Com este selo de qualidade, terminou mais uma jornada de convívio deste grupo de amigos. Mas porque há imagens que valem mais do que mil fotografias aqui fica o vídeo…

… mas nada como o registo fotográfico… para mais tarde recordar.

clicar na imagem

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 7

Caminhadas

Caranguejeira – Fátima

Hora de Saída: 7.30 h

Local de Partida: Caranguejeira

Hora de Chegada: 13 h

Local de Chegada: Fátima – Santuário

Distância Percorrida: 15 Km

E assim terminaram 7 dias fantásticos…

A todos que me acompanharam nesta “Grande Caminhada”, o meu muito Obrigado, pelo companheirismo e amizade demonstrados.

Não irei falar sobre a caminhada deste último dia, tudo o que posso dizer é que somos absorvidos por uma emoção sem igual, algo que não se traduz em palavras, algo inexplicável, que para ser percebido terá de ser vivido.

Quem se sentir com forças para fazer esta Peregrinação, não deve hesitar… eu, salvo algo imprevisto, lá estarei no próximo ano.

Até lá… podem continuar a acompanhar o blogue, haverão surpresas e muitos brindes, desde talões de desconto na gasolina, até sacos plásticos para fazerem as compras no Pingo Doce, Mini Preço ou Lidl.

Uma vez mais, MUITO OBRIGADO por estes dias.

Agora as FOTOS

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 6

Caminhadas

Pombal – Caranguejeira

Hora de Saída: 6.30 h

Local de Partida: Pombal – Pav. Multiusos

Hora de Chegada: 17 h

Local de Chegada: Caranguejeira

Distância Percorrida: 28 Km

Mais um dia concluído… este, sem dúvida, o mais bonito de toda a jornada… quase me esqueci que já tinha caminhado 200 Km!

Hoje aproveitei para “relaxar”, colocar algumas ideias em ordem, em suma, “arrumar a casa”… A falta de andamento de uns e outros começa agora a notar-se, perfeitamente, mas estamos mais unidos que nunca. A minha ligação à “anestecia” é platónica.

Ser Peregrino é  uma expressão de fé, um acto de louvor, uma manifestação de alegria, mas não é, certamente, ser um irresponsável ambiental… infelizmente, quase desde que saímos de casa, que verifiquei que as pessoas não têm pudor de se livrarem do seu lixo da forma mais fácil. Há que ter um pouco mais de respeito pelo Planeta, por um lado, porque só temos este, por outro, porque temos filhos que vão precisar de uma “casa” em bom estado. Apesar de ter visto um ou outro, do nosso grupo, proceder de forma incorrecta acho que se pode alterar esta mentalidade pouco ecológica.

Pegando na frase “Não somos melhores, não somos piores… somos diferentes”, lanço um desafio aos Organizadores, para que no próximo ano, seja feita recolha selectiva dos desperdícios para posterior reciclagem.

Beijos e Abraços… e agora as FOTOS de hoje

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 5

Caminhadas

Condeixa – Pombal

Hora de Saída: 6.30 h

Local de Partida: Condeixa – Escola E.B. 2.3

Hora de Chegada: 14 h

Local de Chegada: Pombal – Multiusos

Distância Percorrida: 32 Km

Ora cá estamos, fora de horas, é certo, mas esta vida de caminheiro nem sempre é compativel com a de pseudo-escritor cibernético…

O dia de ontem foi fantástico, iniciou-se de uma forma terrive, chuvas mil, e terminou com um belo dia de sol sobre a cidade de Pombal.

Neste percurso o que não nos falta é tempo, principalmente, para pensarmos nas dores que nos atormentam… mas sempre que sou assaltado por esses pensamentos lembro-me dos “nossos” heróis, Ti Guida e o Sr. Abílio… que do alto da sua longa vida, calcorreiam, a passo certo, este caminhos nem sempre planos. São um exemplo para todos.

Ficamos por aqui, pois há uma sopa para comer, mas podem visualizar as fotos, que valem mais do que mil palavras.

Abreijos

FOTOS

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 4

Caminhadas

Mealhada – Condeixa

Hora de Saída: 6.30

Local de Partida: Mealhada – Bombeiros Voluntários

Hora de Chegada: 17.15

Local de Chegada: Escola E.B 2.3 Condeixa

Distância Percorrida: 38 Km

Olá caros amigos,

Antes de mais queria pedir desculpa ao vasto auditório, por não conseguir dar resposta a todas as questões levantadas… mais tarde, quando estiver confortavelmente sentado no meu sofá, liberto destes roncos, que me perfuram o cérebro e me deixam os sentidos paralisados, tentarei corresponder às vossas expectativas.

Quanto ao dia de hoje, posso apenas dizer que foi fantástico… Nada melhor que acordar às cinco horas da manhã, tendo como música ambiente, a chuva, que batia leve, levemente… mas não era por mim certamente que chamava!

Agora de forma resumida, que acabaram de deligar as luzes… (parece regime militar), pequeno-almoço, andar, pausa para café, andar, pausa para lanche, andar, andar, andar, andar, andar, andar a subir, subir cada vez mais e mais e… começar a descer, descer, descer, pausa para almoço, andar, andar, andar, tentar andar, muito próximo de rastejar.

Já parece que estou a ver alguns de vós a pensar “Fonix, os gajos só comem!”. Pois bem, a todos os interessados, estou disponivel em abonar a vossa caminhada do próximo ano… e assim terão oportunidade de verificar que afinal, paramos muito menos do que precisamos e comemos o estritamente necessário para sobreviver.

Espero que continuem ligados ao blogue mais popular, do meu prédio.

Até amanhã… aqui ficam as FOTOS

 

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 3

Caminhadas

Albergaria-a-Velha – Mealhada

Hora de Saída: 6.45

Local de Partida: Albergaria-a-Velha

Hora de Chegada: 17.30

Local de Chegada: Mealhada – Bombeiros Voluntários

Distância Percorrida: 40

Todas as histórias começam… “Era uma vez…”, mas aqui, reza que comecem da seguinte forma: Hoje levantamo-nos bem cedo… A rotina diária inicia-se com, o acordar, pois claro, logo seguido de um pequeno almoço género telenovela brasileira, ou seja, mesa farta… só que aqui não há mesa… Nada melhor que começar um dia com as deliciosas bolachas baunilha, ofertadas pela centenária Fábrica de Biscoitos Paupério, se já não se recordam do sabor, porque não fazer uma visita e juntar ao cabaz um quilinho de releiro. De seguida, a oração matinal para dar início à “marcha da centopeia”.

Hoje o meu pé esquerdo quis dificultar a marcha, mas, com algum custo lá terminei a etapa, posso agradecer o grande profissionalismo e espírito de missão dos alunos do curso de podologia da CESPU.  Podem confirmar pelas fotos, toda a dedicação, claro que não se incluem as dos momentos de lazer.

Ao fim de três dias ainda não me consegui habituar, aos meus colegas de caminhada, homens, soltarem a frase: – Vou mudar o penso. Eu sei que parece estranho, mas para bem dos pés tem de ser.

Aqui ficam as fotos do final do dia de ontem… e as do dia de hoje. Carrega aqui

É com isto que levamos todo o Santo dia…

Carros é claro!

Um forte abraço.

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 2

Caminhadas

Lourosa – Albergaria-a-Velha

Hora de Saída: 7-00

Local de Partida: Lourosa – Bombeiros Voluntários

Hora de Chegada: 18.30

Local de Chegada: Albergaria-a-Velha – Escola E.B. 2.3

Distância Percorrida: 38 km

Olá a todos,

Antes do relato do dia de hoje, queria falar-vos um pouco do primeiro dia… mais concretamente do Sr. Manuel “do Talho” – com estabelecimento na Rua Lino Paupério, número a confirmar no local e o qual devem visitar. Este “amigo” presenteou-nos com um belíssimo almoço, que decorreu no magnífico parque de estacionamento do Pingo Doce, lá práquelas bandas.

O dia de hoje, começou bem cedo, 4 da manhã, ainda tinha o sabor a pasta de dentes, já haviam caminheiros a destabilizar o sono das crianças… quase parecia uma festa cigana. Como me deitei um pouco tarde, estive a tratar dos pés, através de uma infusão de alcool, receita dos podologias aqui do pedaço… mal me deito na minha bela “chaise-longue”, assisto “live” a um belo concerto de roncos em dó menor… quase parecia uma orquestra…

Mais ou menos atribulada, lá passou a noite, e ala que se faz tarde pois há muito “piche” prá romper. Daí até ao almoço foi um tirinho… 5 horitas, que pra moços como nós é coisa pouca. Por aqui utiliza-se muito o conceito de tempo tipo Sherek… à pergunta “Quanto tempo falta”, vem a resposta: é já ali… equivale mais ou menos, a meia duzia de quilómetros e a uma hora a romper solas.

O almoço foi na Bemposta, mas nem vale a pena falar por falta de tempo… mas foi muito bom comer de faca e garfo.  Depois deste momento tive um pequeno bloqueio, pois não me recordo de quase nada… certamente dos passeios em que esta gente circula, verdadeiros carroceis.

Entretanto chegamos ao destino, quase todos executando a denominada “Danças dos Cús”, uma espécie de Kizomba… mas ao contrário. Depois do banho tomado, fomos para o atelier de Corte e Costura… na próxima semana temos os diplomas e podemos ir para as filas do Centro de Emprego… deixo-vos a imagem do meu tapete de arraiolos (nada de críticas pois ainda está no ínicio)

o chamado nó cego

Posto isto, mais um alto patrocínio… janta oferecida pelo restaurante O Rosmaninho, que se encontra em funcionamento no Intermarché de Valongo. Uma comidinha tão boa como a da tua mãe, passem por lá e confirmem…

Mas para aqueles que julgam que vir a Fátima é isto, fazer quilometros e comer, desenganem-se… também é muito emocionante espiritualmente… uma simples buzinadela de um camionista, que na cidade equivale a um piropo, aqui é algo bem mais profundo… uma “palavra” de conforto. O espírito deste grupo é do melhor e como por aqui se apregoa… “não somos melhores, não somos piores… somos diferentes”.

Por hoje já chega, já estou a dever horas à cama… como diz o meu amigo Fontemourisca, Abreijos para todos… e façam o favor de deixarem os vossos comentários, as vossas palavras de força, eu deixarei o meu NIB, para onde poderão transferir qualquer donativo que será utilizado da melhor forma na recuperação aqui do rapaz…

Ahhh… quase me esquecia, mas se virem a Ritinha digam-lhe que há um marmelo que a ama… bué

Até amanhã… e agora, as fotos (clicar sobre as palavras as fotos)

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 1

Caminhadas

Campo – Lourosa

Hora de Saída: 7 horas

Local de Partida: Valongo

Hora de Chegada: 17.30

Local de Chegada: Lourosa

Distância Percorrida: 38

Olá caros amigos, só vos escrevo porque não tive de andar com as mãos!!!

Hoje o dia foi durinho, para muitos, apesar de o tempo ter ajudado o alcatrão puxa para trás. Aqui no quarto de hotel, leia-se pavilhão, tudo ao monte, dos bombeiros de Lourosa já muitos roncam, criando nos porcos um ar de vergonha.

Enquanto fazia a instalação de um programinha aqui no PC do Vicente, fui encher o bucho, no bar do quartel…. um caldo verde bem sopimpa, à pala, e sem caracóis ou lagartas e ainda um bela bifana XL regada com água da CUF. Agora os meus companheiros de luta estão a desafiar-me para ir à queima… de Soundaes no MacDonalds.

Acho que vou aceitar…

Até amanhã e um forte abraço

As Fotos

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia 0

Caminhadas

Uiiii… que já cheira a sola a romper-se no asfalto!!!

Estou mesmo em cima da data de partida e deve ser por isso que começo a sentir os primeiros sintomas de “nervosismo”, parece que os músculos estão a encarquilhar, que o ritmo cardíaco está mais intenso… aguardo a todo o momento a chegada da diarreia ou da prisão de ventre que são coisas que dão bastante jeito para quem vai andar a pé.

Hoje tirei o dia para acabar de atestar a mala com as roupas, os produtos de higiene pessoal e, obviamente, os analgésicos… Inicialmente tinha em mente levar apenas um pequeno saco desportivo, mas como não tenho os poderes do Sport Billy, tive de fazer o transbordo da mercadoria para uma maleta maior e que mesmo assim vai a rebentar pelas costuras. O que é incrível é que levo apenas o estritamente necessário, mesmo os cotonetes, foram cientificamente contados como quem conta os 10 milhões de lactobacillus que compõe os iogurtes da moda. Ainda pensei em usar um dia por outro os boxers do avesso, mas o espaço ganho não justificava a porcalhice…

Estou tão… como hei-de dizer… hummm… tão… exacto, estou tão, que não me sai mais nada! Amanhã cá estarei, espero eu de boa saúde, para vos contar coisas do mundo real.

Até lá, um forte abraço.

Peregrinação a Fátima, a pé!!! Dia – 1

Caminhadas

Olha pr`a eles com essas carinhas tristonhas!!! Não tivesse o Benfica levado na boca do FÊ QUÊ PÊ eu era capaz de jurar que estavam assim devido à luta titânica que aqui o amigo terá que travar com o asfalto durante as próximas semanas.

Não sei se o título é sugestivo q.b., mas, este texto, versa sobre a contagem decrescente para a ansiada Peregrinação a Fátima, a pé! Ninguém diria, heim?!

Longe vai o tempo em que num acto tresloucado ou não prevendo o mester que me aguardava, fiz uma promessa de ir a Fátima, a pé, sabendo que não estava a prometer ir a casa da minha mãe (Fátima) almoçar!

Como as promessas foram feitas para serem cumpridas e como sou um homem de palavra, adquiri a mais alta tecnologia em termos de vestuário desportivo para conseguir alcançar tal desiderato (ver post passado) e meti, literalmente, os pés ao caminho.

Treinando sobre condições adversas, desde um gélido frio polar até às altas temperaturas dos desertos, passando por todo o tipo de terrenos (ver no separador Caminhadas) desde as montanhas do João Garcia, até aos passadiços prós “meninos da Foz”, enfrentando ainda, tal como D. Quixote, adversários temíveis, ou não (!), mas depois de uns canecos tudo parece um (às vezes dois ou mais) obstáculo… concluí este fim-de-semana a minha preparação, que espero seja suficiente para atingir o tão almejado objectivo, com o mínimo de danos colaterais.

Como ainda tenho que encher a mala de analgésicos, despeço-me até amanhã… até lá um grande e forte abraço… não muito forte, pois tenho que poupar forças.

Convém não esquecer que a partir de Quarta-feira haverá novidades, por estas bandas.