Frases e pensamentos do Caminho

Caminho de Santiago

“Para ver o que você nunca viu, é preciso andar por onde você nunca andou.”

Sair para fora da zona de conforto, testar a nossa resistência mental, descobrir novos limites físicos, aprofundar o nosso conhecimento da vida, trocar experiências com nova gente, descobrir novos sabores e tradições, apreciar o silêncio, soltar a rédea dos sonhos… isto é o caminho.

14359260_10208812001930231_6444872105017707375_n

O objecto

Poesia à Segunda

Há que dizer-se das coisas
o somenos que elas são.
Se for um copo é um copo
se for um cão é um cão.
Mas quando o copo se parte
e quando o cão faz ão ão?
Então o copo é um caco
e um cão não passa de um cão.

Quatro cacos são um copo
quatro latidos um cão.
Mas se forem de vidraça
e logo forem janela?
Mas se forem de pirraça
e logo forem cadela?

E se o copo for rachado?
E se o cão não tiver dono?
Não é um copo é um gato
não é um cão é um chato
que nos interrompe o sono.

E se o chato não for chato
e apenas cão sem coleira?
E se o copo for de sopa?
Não é um copo é um prato
não é um cão é literato
que anda sem eira nem beira
e não ganha para a roupa.

E se o prato for de merda
e o literato for de esquerda?
Parte-se o prato que é caco
mata-se o vate que é cão
e escreveremos então
parte prato sape gato
vai-te vate foge cão

Assim se chamam as coisas
pelo nome que elas são

Ary dos Santos

Como o tempo passa!!!

Aquilo qu`eu ovo

Hoje, 25 anos sobre o lançamento, Nevermind, é seguramente um dos álbuns que marcou a minha geração! O tempo passou tão, ou mais, rápido que as sacudidelas de cabeça que a adrenalina da música nos provocava… sim, era adrenalina, que nunca fui moço de cheirar ou fumar coisas estranhas.

nirvana_nevermind

Num tempo em que não havia internet para piratear álbuns, nem dinheiro para os comprar, restavam as cassetes, virgens, ou de algum cantor latino, surripiadas do armário dos pais, para gravar, via rádio, sempre na esperança que o locutor se mantivesse calado até ao fim da música ou não caísse na tentação de passar a publicidade do talho da esquina!

Uma das músicas icónicas deste álbum é a faixa “Smell like teen spirit” que só muito mais tarde, já a barba se poderia chamar como tal, descobri que, Teen Spirit, era uma marca de desodorizante comercializada por terras do tio Sam e que, pelos vistos, ainda se aguenta no mercado!!! Hoje, seguramente o título seria Smell like Rexona ou Smell like Dove.

Recordando que, naquele tempo, internet era uma espécie de aparição divina, todos falavam, mas ninguém tinha visto, perceber a letra era quase uma missão impossível. Nesta música as primeiras palavras “Load up your guns…” soava a qualquer coisa do género “O pão está quente…” numa versão entre a pronúncia açoriana e madeirense.

Como recordar é viver, aqui fica a música… mas livrem-se de começar a fazer figuras tristes abanando a cabeça como quando recebem uma conta do fornecedor de energia eléctrica. Já não sois novos e a coisa pode dar para o torto!

Núcleo Museológico de Macinhata do Vouga

Pedalada da Semana

Deixei-vos, no post anterior, no da descrição da Ecopista do Vale do Vouga, sobre a ponte de ferro, em Carvoeiro… dali, pedalamos até Macinhata do Vouga para ver as relíquias que aí se guardam, no Núcleo Museológico.

Meia dúzia de quilómetros, por estrada de alcatrão, onde carros não são uma constante, permitem distrair o olhar pela paisagem circundante.

Ao chegar, somos logo recebidos por este magnífico exemplar do início do séc. XX, 1908, que embora, necessite de uma intervenção profunda, não deixa ninguém indiferente à sua beleza.

14370044_10208852593544996_3140873390759106420_n

14292335_10208852589144886_8675281316610804794_n

O Museu Nacional Ferroviário – Núcleo de Macinhata do Vouga, foi fundado em 1981, encontra-se instalado junto à estação de Macinhata do Vouga, a segunda estação do Ramal de Sernada a Aveiro, ocupando antigas instalações que foram adaptadas para o efeito.

Aberto ao público de terça a domingo, das 10:00 às 13:30 e das 14:00 às 17:30 (de Maio a Outubro até às 19:00). [Com marcação prévia]

14370258_10208852589224888_5424033904850786152_n

14364903_10208852589264889_1422583881582102179_n

O comboio preencheu o meu imaginário infantil, talvez por ter vivido próximo de uma linha, talvez por passar tardes com os meus amigos de infância a observar as composições que passavam, a contabilizarmos o número de vagões dos infindáveis comboios de carga, talvez por termos inventado aventuras a bordo dos “cavalos de ferro”. Ainda hoje, este mundo dos comboios exerce um fascínio especial em mim…

A visita de um museu é muito mais que observar um conjunto de objectos “velhos empoeirados”, para mim, é uma viagem, uma viagem que neste caso em concreto se poderia iniciar em 1856, uma viagem por objectos que guardam em si memórias de gente, gente que trabalhou de forma árdua para que o longe se tornasse perto.

14355746_10208852589864904_2162616200774454034_n

Depois da viagem pelos pequenos-grandes objectos, entramos a todo o vapor, para o mundo das máquinas “voadoras”…

Logo à entrada, esta bonita composição!

14358874_10208852589904905_3255297558896756687_n

A Série 9050, originalmente denominada de Série ME 50, foi um tipo de automotora, que esteve ao serviço da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Em 1941, a Companhia de Caminhos de Ferro do Vale do Vouga, entidade responsável pela exploração da Linha do Vouga, decide construir mais material circulante para transporte de passageiros, de forma a aumentar os serviços disponíveis. Assim, foram construídas, entre 1941 e 1947, 5 automotoras nas Oficinas do Vale do Vouga, em Sernada do Vouga, utilizando motores de camiões Chevrolet.

Estas automotoras depressa ganharam aceitação por parte dos passageiros, devido à sua velocidade e comodidade. Desconhece-se em que altura foram abatidas, mas sabe-se que ainda se encontravam ao serviço na Década de 1980

fonte  |  wikipédia

14344173_10208852590184912_3621924240282590583_n

Percorrendo a galeria, mais uma máquina fascinante! E o que seria do amarelo se não houvesse… bom gosto?!

14370065_10208852590904930_1261449916813024909_n

Uns passos adiante, a ambulância postal, que fazia a recolha e distribuição  da correspondência nas vias de linha estreita, trabalho esse que era assegurado por funcionários dos CTT. 

14264034_10208852591584947_2291267304806188063_n

14333111_10208852591464944_4165192482357677031_n

Sobre o símbolo dos CTT: As suas origens são antigas, remontam a 1520, tempos em que a monarquia reinava em Portugal e em que as deslocações eram feitas a pé, a cavalo ou de carruagem. Resulta daí a imagem do cavaleiro montado num cavalo tocando a trombeta anunciando a chegada do correio.

14364793_10208852591384942_329852868350438950_n

Outra bela locomotiva, quase, centenária…

14316944_10208852590664924_2601260479958419509_n

Do espólio do Museu fazem parte: Locomotiva E 97 (1913), Locomotiva CN 7 (1904), Locomotiva VV 22 (1925), Locomotiva N 2 (1889), Locomotiva CN 16 (1886), Locomotiva VV 13 (1908), Automotoras ME 51 e ME 53 (1940-1941), Carruagem Cyfv 252 (1942), Salão pagador SE 401 (1914), Vagão 5398100, Ambulância postal APeyf 23 (1954), Furgão DFfv 255 (1899 ou 1908), Locomotiva vapor PPF 16, Vagão de bordas baixas 539802, Dresine de inspecção fechada DIE 3, Quadriciclo motorizado e Vagoneta (Zorra)

14292290_10208852592784977_1322223262472697914_n

Finda a visita… seguimos a nossa viagem, até à estação de Sernada do Vouga. Ao chegar, parece que entramos no imaginário de um filme do Oeste, aquelas terras, no meio do nada, em que o tempo cristalizou tudo à sua volta!

No entanto, os 102 anos desta estação devem ter muitas histórias únicas e fascinantes do mundo dos caminhos de ferro e das gentes que por ela passaram!

Quando em 1941 a Companhia de Caminhos de Ferro do Vale do Vouga decidiu apostar no transporte de passageiros e mercadorias nas ligações ferroviárias em via estreita, as oficinas da estação de Sernada do Vouga voltaram a desempenhar a relevância que lhe estava destinada desde que foi construída em 1914 . Os caminhos de ferro pensavam em substituir as locomotivas movidas a carvão por composições elétricas e a diesel, mantendo a importância que as oficinas de Sernada do Vouga tinham desempenhado desde a chegada do comboio a vapor

fonte  |  www.regiaodeagueda.com

14355113_10208852594905030_2770450761723740231_n

Aqui, a Dona Isaura a posar junto das velhas composições Allan, que serviram na Linha do Vouga a partir de 1975. 

Naquelas oficinas foram desenvolvidas cinco automotoras a gasolina nos anos 40 – que mais tarde, em 1975, dariam apoio ao recomeço à circulação ferroviária na Linha do Vouga, após três anos de inatividade.
De facto, após um grande incêndio em 1972, consumindo durante três dias vasta área florestal nos concelhos de Águeda e Sever do Vouga, a circulação na Linha do Vouga seria suprimida com o argumento de que seriam as locomotivas a vapor a atear os fogos. A pressão da comunidade para que o comboio voltasse a circular promoveu reuniões entre várias entidades.
Os comboios voltaram no ano seguinte à Revolução de Abril para transporte de passageiros. Duas automotoras faziam o serviço: as holandesas “Allan” (vermelhas e brancas) adaptadas à via estreita (por isso com comportamentos mais modestos que o modelo original) com o perfil de composição motora mais carruagens (18,5 metros); e as ME 51 a 53 (de cor azul ou vermelha), desenvolvidas em Sernada do Vouga.
A vida útil das “Allan”, construídas em 1954, foi passada essencialmente nas linhas do Tua, Dão, Vouga e alguns serviços na Linha da Póvoa, tendo sido retiradas ao serviço em 1990.

fonte  |  www.regiaodeagueda.com

Alimentada a mente de memórias e histórias, afogada a sede numa coca-cola geladinha, regressamos ao ponto de partida, com uma vontade imensa de sair novamente à conquista de outros tesouros da história deste país.

14344828_10208852593745001_696529445484989683_n

Até lá, boas pedaladas.

Deixo aqui ficar mais alguns dados sobre a Linha do Vouga para os adeptos de factos e números, dados recolhidos do site regiaodeagueda.com, artigo da autoria de Augusto Semedo.

CRONOLOGIA

1875
O eng. Mendes Guerreiro falava pela primeira vez numa linha entre Estarreja e Viseu, entroncando com a Linha de Sta Comba Dão, estudada desde este ano

1877
Chamou-se pela primeira vez Linha do Vouga a um projeto que defendia uma linha entre Estarreja, Albergaria-a-Velha, Vouzela e São Pedro do Sul

1879
Começou a ganhar força a possibilidade da linha partir de Aveiro em direção a Estarreja, e daqui para São Pedro do Sul por Sever do Vouga e Vouzela, devido à exploração mineira

1889
Concedido em julho o alvará da linha, desde Espinho a Vouzela e daqui a Torre Deita, na linha de Sta Comba Dão

1895
Projeto apresentado em outubro, orçado em 2500 contos, para a Linha do Vouga (Espinho – Sernada – Viseu) e ramal de Aveiro

1898
Foi pensada a exploração do comboio de tração elétrica, aproveitando a queda de água do Rio Vouga para produzir energia. Foram realizados estudos no ano seguinte mas a conclusão é que não seria rentável, principalmente durante os meses de Verão

1903
Finalmente aprovado o projeto da Linha do Vouga

1907
A Companhia Francesa de Construção e Exploração de Caminhos de Ferro iniciou, em dezembro, os trabalhos na linha. O terreno acidentado dificultou a execução dos trabalhos: as muitas curvas da linha valeram-lhe a designação da “Linha do Vale das Voltas”

1908
Inauguração oficial do troço Espinho – Oliveira de Azeméis (33km) em outubro, com a presença de D. Manuel II

1909
Aprovação, em fevereiro, do projeto do ramal de Aveiro (Aveiro – Águeda – Sernada, onde ligava com a Linha do Vouga) na extensão de 34,5 kms

1911
Iniciada a exploração da linha de Espinho a Sernada do Vouga, com a inauguração do troço entre a estação de Albergaria e Sernada a 8 de setembro; e também do ramal de Aveiro, entre Sernada e Aveiro. Ficou apenas por concluir a ligação de Sernada a Viseu

1913
Linha de Espinho até Vouzela, com a conclusão do troço Sernada a Vouzela, e de Bodiosa a Viseu

1914
Linha totalmente ligada de Espinho a Viseu com a conclusão do troço que faltava, de Vouzela a Bodiosa (5 de fevereiro). Foi também aprovada a estação da Sernada como ponto de confluência da Linha do Vouga com o ramal de Aveiro, localização que gerou controvérsia

1917
Greve dos ferroviários da linha do Vouga a 9 de maio, com concentração dos comboios na estação de Sernada do Vouga

1919
Primeiro ano de exploração total da Linha do Vouga e ramal de Aveiro, depois de concluída a 1ª Guerra Mundial: foram transportados 375 mil passageiros e 66.375 toneladas de mercadorias

1926
Pensada, pela segunda vez, o prolongamento da linha da estação de Aveiro às salinas da cidade (Canal de São Roque) e, pela primeira vez, deste ponto a Ílhavo, Vagos, Mira e Cantanhede, que ficaria em suspenso… para sempre

1947
A Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses passou a explorar a Linha do Vouga no dia 1 de janeiro

1972
O último comboio a vapor, entre Aveiro e Viseu, nos dois sentidos, em viagem comercial, efetuou-se a 25 de agosto. O comboio foi rebocado por uma locomotiva a diesel

1972 a 75
Linha encerrada pelo facto, alegadamente, das locomotivas serem as principais responsáveis pelos incêndios florestais. Houve descontentamento popular e a linha reabriu com locomotivas a diesel

1990
No dia 1 de janeiro, o troço Sernada – Viseu encerrou, acabando a linha por ser desmantelada. O comboio foi inicialmente substituído por autocarros, propriedade da CP, mas a solução não agradou devido à sinuosidade da EN16 – incómoda e não permitindo velocidades superiores a 40km/hora. Subsiste o ramal de Aveiro e a exploração de Espinho a Oliveira de Azeméis, com táxis a complementarem serviço desde Sernada.

NÚMEROS

175
extensão total, em quilómetros, da via férrea de Espinho a Viseu, incluindo o ramal de Aveiro.

55
metros é o comprimento do vão da ponte do Poço de Santiago, a obra de arte mais notável da linha do Vouga

21
túneis construídos: 20 de Espinho a Viseu (totalizando 774,77 metros) e um no ramal de Aveiro a Sernada (em Eirol, com extensão de 73,20 metros)

17
pontes construídas: 13 de Espinho a Viseu (totalizando pouco mais de mil metros) e 4 de Aveiro a Sernada (290 metros)

33
estações construídas, 6 das quais no ramal de Aveiro a Sernada

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O III COLÓQUIO INTERNACIONAL DOS CAMINHOS DE SANTIAGO

Informativo

Resultado de imagem para ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA O III COLÓQUIO INTERNACIONAL DOS CAMINHOS DE SANTIAGO

Já se encontram abertas as inscrições para o III Colóquio Internacional dos Caminhos de Santiago, que se vai realizar na Igreja Românica de Rates, nos dias 18 e 19 de novembro.

“Os Caminhos do Caminho de Santiago” é o tema da terceira edição deste evento, organizado pela Junta de Freguesia de S. Pedro de Rates e pelo Centro de Estudos Jacobeos, em colaboração com a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, com a S.A. de Xestion do Plan Xacobeo de Santiago de Compostela e com o Turismo Porto e Norte de Portugal.

A inscrição pode ser feita até 10 de novembro, na sede da Junta de Freguesia de Rates ou através do seu email: gap.jfrates@gmail.com. Aceda à Ficha de Inscrição.

O valor a pagar é de 15 euros, que dará direito à documentação necessária para participar no evento e também garante presença no almoço de encerramento, a realizar no sábado, 19 de novembro.

O Colóquio Internacional dos Caminhos de Santiago é uma iniciativa que remonta a 2014. O sucesso da primeira edição foi tal que levou a organização a propor nas conclusões do evento que este teria continuidade nos anos seguintes. A 2ª edição, realizada no ano passado, teve como tema “O Românico no Caminho de Santiago” e recebeu várias dezenas de participantes, conferencistas e estudiosos das temáticas do Caminho de Santiago.

A organização convida-o a participar na 3ª edição deste evento e a conhecer melhor a freguesia de S. Pedro de Rates e o seu vasto património cultural.”

fonte  |  www.cm-pvarzim.pt