O Pão e o Biscoito de Valongo

É o qu`eu digo...

Para compreendermos a importância do pão e do biscoito  na história do concelho de Valongo basta um olhar mais atento ao brasão/bandeira do município para o compreendermos.

Ali figuram os elementos e cores  mais identitários da nossa terra. O Verde das serras, o preto da ardósia (outro produto âncora de Valongo). O rio não poderia faltar, as mós dos afamados moinhos de Valongo e ao centro as espigas de trigo, atadas com um cordão de ouro, símbolo dos cereais para fazer o pão, o biscoito, as bolachas e a regueifa, tão tradicionais em Valongo.

 

 Num artigo do Jornal de Notícias, o prof. Germano Silva relata-nos a importância de Valongo na economia do pão, dando conta que esse facto se devia à excelência do produto…

A tradição, no Porto, da venda de pão em feiras é muito antiga e não se sabe bem quando começou. Mas sabe-se, por exemplo, que já a 14 de Março de 1584 era publicado um acórdão municipal, se assim se lhe pode chamar, em que se determinava que “as medideiras da feira do Pão, messão em gamellas fora das casas no meio da praça, quando não chover, sob pena de multa…” Esta lei, se assim pode dizer-se, que obrigava as “medideiras” a trabalhar na praça e que tinha por finalidade impedir roubos ou outras falcatruas, ainda estava em uso quando, nos meados do século XIX, ainda se fazia a feira do pão no antigo Largo de Santa Teresa e a da farinha, na Praça dos Voluntários da Rainha, actual Praça de Gomes Teixeira. No ano seguinte (1585), foi publicada nova legislação, desta vez contra “as pessoas que misturarem o pão trigo de fora com o da terra e que quem vender hum não possa vender o outro…”

Nos meados do século XIX, a feira do pão funcionava no espaço da actual Praça de Guilherme Gomes Fernandes que, segundo relatos da época, mantinha a configuração geométrica de um triângulo mas que se assemelhava mais a um adro de igreja do que a um logradouro público.

As barracas onde se vendia o pão estavam dispostas ao centro do amplo terreiro e, embora o mercado fosse mais concorrido às terças-feiras e sábados, por causa de outras feiras que se realizavam na cidade, havia quem ali viesse todos os dias vender o célebre pão da terra confeccionado com farinha que era moída nos moinhos a água da região de Valongo. Esta era, efectivamente, a terra do pão. Era de lá que vinham as padeiras, encarrapitadas em burros com duas enormes canastras sobre o dorso do animal cheias do saboroso pão da terra. O produto mais procurado eram os célebres “pães de Valongo” que pesavam cerca de meio quilo e eram vendidos, nos finais do século XIX, a 75 reis cada um. Mas a variedade era imensa e para todos os gostos. Vendiam-se também, e em abundância, o nosso muito conhecido “pão molete”, regueifas, tosta (doce e azeda) boroa, pão podre, pão coado, biscoitos de várias qualidades e feitios como os de argola, que eram muito procurados por moços e moças dos arrabaldes.

O rápido desenvolvimento urbanístico da cidade e, em especial, do chamado Bairro das Carmelitas ditou o fim da pitoresca feira do pão. Nos começos do século XX, os abarracamentos começaram a ser demolidos e as ladinas padeiras de Valongo instalaram-se na ala sul do Mercado de Anjo, entretanto também já desaparecido. Coisas da vida de uma cidade…

A qualidade do produto não era só apreciada pelos locais, aquando das invasões francesas há relatos que o general que comandava as tropas inimigas, Molet, era grande apreciador do pão pequenino que se fabricava nas terras de Vallis Longus. Em Valongo, os padeiros já sabiam que todos os dias o pão tinha que estar pronto à mesma hora para serem levados em carroças para o Porto. Na partida era recorrente ouvir-se: – Lá vai o pão para o Molete! (um portuguesismo para o nome Molet). Molete, termo pelo qual ainda hoje conhecemos o pão pequeno de Valongo.

foto: paivaazevedo – reflexos online

Valongo recebe-nos, na conhecida rotunda da “fonte da senhora”, com um elemento escultórico que assinala a importância do pão e dos padeiros no concelho… Deixo o convite a todos que nos visitem para percorrerem o corredor ecológico, que nos guia do centro da cidade até à aldeia de couce, percorrendo as margens do rio Ferreira onde se podem observar moinhos e algumas ruínas destes, vestígios dos tempos áureos desta actividade.

O núcleo de panificação também é digno de uma visita, no entanto, o mesmo só abre mediante solicitação. ver aqui

Durante a próxima semana aqui pela terra irá realizar-se a primeira Feira do Pão e do Biscoito que faço votos seja um sucesso… será uma oportunidade de aprender um pouco mais sobre os principais produtos da nossa terra.

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3 thoughts on “O Pão e o Biscoito de Valongo

  1. Reblogged this on pedalo pela cidade and commented:

    Porque hoje inicia-se mais uma feira do pão e do biscoito aqui na terrinha porque não recuperar esta publicação que fala, orgulhosamente, dos produtos do burgo.

    Apareçam por cá e comam até rebolarem…

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