Crónicas do Caminho – de Finisterra a Muxia

Caminho de Santiago

Acordar para o mundo… olhar pela janela e contemplar mais nuvens negras! Considerei que para ter mais um dia difícil não valeria a pena… seguiria até Muxia de camioneta.

Mas antes, subiria ao farol, ao quilómetro Zero. Mochila às costas lá seguimos para um percurso de 6 km, ida e volta, por estrada, numa calma oferecida pela manhã de domingo e pela ausência de tráfego, o silêncio apenas era rasgado pelo som das ondas da costa da morte.

Depois de tantos quilómetros, não vi o pôr do sol, mas imaginei-o e ele era assim… (não tenho muito jeito para o desenho, mas até não ficou mal!)

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O que se vai passar a seguir é da inteira responsabilidade de um peregrino italiano com quem falei no primeiro dia… talvez aquele encontro e aquela conversa não tenha acontecido por acaso, talvez fosse um desígnio do Caminho.

Como havia dito, o meu propósito era rumar a Muxia de transporte, mas, enquanto preparava a máquina fotográfica para um registo, encontrei uma foto que tirei do tablet desse peregrino, uma frase que ele encontrou no seu caminho e decidiu registar em foto… dizia algo do género.

” A dor e o sofrimento são temporários, desistir é para sempre”

Estas palavras bastaram para mudar o meu sentido… só haveria de parar em Muxia, pelos meus pés, na etapa mais longa, 40 Km menos 200 metros.

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O caminho até Muxia, localidade que tem na pesca e no artesanato de renda as suas atividades mais características, faz-se por entre campos de cultivo, pequenas aldeias, bosques e praias. Para lá chegar há que vencer a subida ao alto de As Aferroas, de onde se tem uma vista privilegiada sobre o mundo.

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Antes de atingir o centro de Muxia e após a descida do alto de As Aferroas por entre caminhos rurais, somos presenteados com esta visão, daqui até ao albergue foi um “instante”.

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Depois de um dia solarengo, que prometia um pôr de sol fantástico, o céu volta a cobrir-se de nuvens e chegados ao albergue (o melhor de todo o caminho), mais mortos que vivos, eu parecia ser o único a querer ir ver a despedida do astro rei! Eu sei que tudo indicava que era mais certo apanhar um banho valente, mas tive esperança e insisti para que fossemos.

Percorrendo a orla do Monte Corpiño, pelo “Caminho da Pele”, assim chamado por em tempos existir no local uma fonte onde os peregrinos se banhavam, como símbolo de respeito e purificação, também nós alcançamos  o Santuários da Virgem da Barca, que conta a lenda foi o local onde a Virgem arribou num barco de pedra para dar ânimo ao Apóstolo Santiago enquanto este percorria estas terras.

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Este momento valeu todo o esforço do caminho… de frente a mim, um pôr do sol fantástico, nas minhas costas, à minha esquerda, a chuva a cair ao fundo criando um tímido arco-íris e à minha direita, acordando para a vida, uma imensa lua cheia.

Serei dos poucos que não conseguiu ver o pôr-do-sol em Finisterra e serei dos poucos, também, que em Muxia teve o privilégio de assistir a algo do género.

E assim terminou esta aventura… não o caminho… pois o caminho nunca acaba.

(caso entendam, partilhem este post e se ainda não são seguidores façam um GOSTO na página do blog no Facebook… aqui)

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