Ser ou não ser

Poesia à Segunda

Qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.

Se os novos partem e ficam só os velhos

e se do sangue as mãos trazem a marca

se os fantasmas regressam e há homens de joelhos

qualquer coisa está podre no Reino da Dinamarca.

Apodreceu o sol dentro de nós

apodreceu o vento em nossos braços.

Porque há sombras na sombra dos teus passos

há silêncios de morte em cada voz.

Ofélia-Pátria jaz branca de amor.

Entre salgueiros passa flutuando.

E anda Hamlet em nós por ela perguntando

entre ser e não ser firmeza indecisão.

Até quando? Até quando?

Já de esperar se desespera. E o tempo foge

e mais do que a esperança leva o puro ardor.

Porque um só tempo é o nosso. E o tempo é hoje.

Ah se não ser é submissão ser é revolta.

Se a Dinamarca é para nós uma prisão

e Elsenor se tornou a capital da dor

ser é roubar à dor as próprias armas

e com elas vencer estes fantasmas

que andam à solta em Elsenor.

                        Manuel Alegre

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