Fotos & Factos

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Igreja dos Terceiros – Braga

No decorrer do século XVIII, as igrejas da cidade de Braga foram objecto de profundas remodelações, ocorrendo, simultaneamente, a edificação de raiz de outros templos, num impulso construtivo de grande impacto, que veio revelar o trabalho de mestres tão significativos como Manuel Fernandes da Silva. A Igreja dos Terceiros, implantada no centro histórico da cidade, foi um dos primeiros exemplos desta dinâmica, devendo-se a sua edificação à Ordem Terceira de São Francisco, que pretendia dispor de uma sede própria (originalmente sediada na Sé de Braga, com estatutos aprovados em 1615 (reformados em 1680) e, depois, na capela do Espírito Santo, no Hospital de São Marcos) (MENDES, 1994).
Os terrenos foram adquiridos na última década do século XVII, e os documentos conhecidos fazem remontar o primeiro contrato para a obra da igreja, assinado pelo mestre Domingos Moreira, a 1 de Fevereiro de 1694. Seguiram-se vários outros documentos contratuais (OLIVEIRA, 1993, p.48), mas permanece por identificar o autor do projecto, cujos valores se encontravam, ainda, muito apegados ao maneirismo.
Esta referência aos valores arquitectónicos de Seiscentos poderá estar na origem da demolição da fachada, em 1707, substituída por uma outra, concebida por Manuel Fernandes da Silva e, muito possivelmente, mais próxima do vigor da arquitectura barroca, então emergente (principalmente ao nível do remate). Na verdade, a frontaria da igreja dos Terceiros apresenta uma estrutura muito semelhante à que observamos quer na igreja de São Víctor, quer na igreja de São Vicente, edificadas na mesma época, embora os elementos decorativos dos Terceiros sejam mais contidos. Os três templos partilham, ainda, a mesma organização de volumes, com a torre sineira no eixo da capela-mor.
A obra da frontaria foi arrematada pelo mestre pedreiro Manuel Nogueira em 1710 e em 1713, sendo esta última data apenas referente ao remate. As obras prosseguiram e, em 1715, continuava a obra do coro, concluindo-se a capela-mor e a torre, apenas, em 1723/1725, por Domingos Gonçalves Saganho e António Correia, contratados para seguir a planta, também desenhada por Manuel Fernandes da Silva (IDEM, p.48; ROCHA, 1994, p.181).
A fachada, cuja organização pode inscrever-se, ainda, numa tradição maneirista, é delimitada por pilastras, nos cunhais, que terminam em pináculos elevados. O portal, ladeado por pilastras e encimado por frontão triangular, é flanqueado por duas cartelas rectangulares. Já no segundo registo observa-se um maior dinamismo e um certo horror ao vazio, pois ao óculo central correspondem duas amplas janelas rectangulares, com frontão de volutas. O azulejo industrial, de padrão, foi aplicado no decorrer do século XX. Ao centro do entablamento, encontra-se o brasão da Ordem. O remate da frontaria é mais dinâmico, articulando pilastras (que respeitam a organização do alçado), com volutas de maiores dimensões, e outros enrolamentos. Ao centro, o nicho, também envolto por volutas, exibe a imagem de Nossa Senhora da Conceição.
No interior, a nave única, coberta por abóbada de caixotões em cantaria, articula-se com a capela-mor (com idêntica cobertura), ligeiramente mais estreita, através do arco triunfal de arco pleno, assente sobre pilastras. Os panos murários da nave são pintados em “trompe l’oeil”, e dividem-se em dois registos, o primeiro aberto por arcos de volta perfeita, onde se inscrevem os retábulos de talha dourada, e o segundo por janelas decoradas por elementos de talha. A capela-mor apresenta uma organização semelhante, sendo revestida por azulejos azuis e brancos, com representações da vida de São Francisco, Santa Margaria e Santa Rosa, assinados por Nicolau de Freitas, em 1734 (SIMÕES, 1979, p.99; QUEIRÓS, 1948, p.85). Esta data baliza a campanha decorativa do interior, a que se seguiu uma outra, de linguagem já neoclássica, onde se inclui o retábulo-mor, de talha dourada e marmoreada, em 1781. (RC)

fonte  |  www.patrimoniocultural.pt

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