Ecopista do ramal de Famalicão, o relato.

Pedalada da Semana

Depois de longas e proveitosas reuniões, eis que o plano ficou definitivamente traçado.

Sexta-feira, 13 de janeiro. Às 08h20 nas bombas.

E assim foi. Minuto menos minuto, três quartos dos aventureiros estavam no local e hora combinados. O outro quarto foi atestar a outras bombas e a outra hora. E o que seria um passeio calmo até à estação de Ermesinde transformou-se num contra-relógio digno dos bons velhos tempos de Cancellara. Ainda que não tivesse havido tempo para o café combinado, o comboio previsto não partiu sem nós os quatro e respetivas companheiras de estrada.

Tal qual um relógio suíço, o comboio deixou-nos em Famalicão à hora marcada. Uma viagem rápida abrilhantada pela boa disposição do revisor da CP.

Um café rápido para quem acordou menos cedo e estava tudo pronto para a aventura. Uma curta subida levou-nos à entrada da ciclovia que liga Famalicão à Póvoa de Varzim. Aquilo que outrora fora uma linha de comboio foi “transformada”, e muito bem, numa ciclovia que ao longo de mais de 25 quilómetros de terra batida nos leva por cantos e recantos de uma beleza sublime. Atravessamos pequenas povoações e pedalamos ao lado de infindáveis campos agrícolas num percurso praticamente plano.

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As marcas da linha férrea mantêm-se vivas quer na existência de alguns apeadeiros, quer na manutenção de pequenos troços de linha cravados no solo. As longas retas deste traçado fizeram-nos viajar no tempo e imaginar o prazer que seria fazer este percurso a bordo do comboio.

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Apesar da singularidade deste trilho decidimos fazer um desvio para contemplar outra beleza ímpar: as vistas do Monte de S. Félix. Não sendo uma subida imponente, o acesso ao monte cortou um pouco do ritmo e fez uma ou outra mossa, nomeadamente a perda de vestuário (“tenho a certeza que a coloquei na mochila”)… Mas as vistas valeram o sacrifício. Tanto quanto deslumbrante, a paisagem é reveladora do nefasto contributo do homem no desenvolvimento das cidades. O tempo, esse, continuava perfeito.

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A descida do monte foi mais rápida embora mais perigosa. Alguns metros à frente retomamos o trilho da ciclovia e seguimos em direção à Póvoa. Embora mais citadino e com um encanto diferente, o percurso continuava a surpreender.

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Do fim da ciclovia ao Ritz foi um tirinho. O Ritz tinha sido o escolhido depois de uma árdua e complexa pesquisa. Com um ambiente calmo e acolhedor, uma decoração diferente e um serviço cinco estrelas, o Ritz foi, sem sombra de dúvida, a escolha acertada. Contudo, embora tenham sido fatores importantes na avaliação, a principal virtude do Ritz é a sua francesinha em pão alentejano. Sei que as imagens falam por si mas não dizem tudo. O pão é uma excelente escolha, o bife é tenro, as batatas fritas são mesmo batatas e o molho é… enfim, o molho é indescritível. A sua originalidade leva-o muito perto do excelente e do péssimo. O travo a mostarda fica. E, ou se adora ou se detesta. Nós adoramos. E aquilo que seria uma paragem rápida para um almoço ligeiro, prolongou-se por duas horas e o almoço foi tudo menos ligeiro. Regressamos à estrada. E o Metro ali tão perto…

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Antes de retomar o trilho delineado, ainda passamos pela beira-mar para as fotos da praxe.

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Já no trilho decidimos fazer um “pequeno” desvio para recuperar o vestuário perdido que, diga-se, estava precisamente no mesmo sítio onde havia sido deixado… E não era na mochila. O acumular de quilómetros e algumas incursões pela baixa montanha começavam a provocar danos mais visíveis. Mas nada que nos fizesse desviar da meta: chegar à Trofa. E a rolar em pelotão compacto, lá chegamos ao destino. Um encontro imediato de terceiro grau e o comboio logo a seguir. Da Trofa a Ermesinde e de Ermesinde ao Susão. Nove horas depois estávamos de regresso ao ponto de partida. Com mais 70 quilómetros nas pernas, com uma valente francesinha no papo e com a certeza de que são momentos como estes que valem a pena ser vividos entre amigos.

Outras pedaladas/caminhadas virão.

texto  |  paulo figueiredo

fotografia  |  nelson branco

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2 thoughts on “Ecopista do ramal de Famalicão, o relato.

  1. Parabéns aos aventureiros de todo-o-terreno no rasto dos trilhos de extintas ferrovias. Já li relatos dessa bela ecopista, e eu que ainda não tive a ousadia de lá testar a versatilidade da bicicleta! A única ocasião que subi ao Monte Félix foi de carro e num cortejo casamenteiro! Num dia claro as vistas são deslumbrantes. Tenho de rever isso.

  2. Vale mesmo a pena a pedalada pelo local e podes sempre continuar pelas ciclovias da marginal atlântica até matosinhos… um excelente percurso para deixar as preocupações, com as “boitures”, de lado.

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