“Português foi da Alemanha ao Iraque de bicicleta”

É o qu`eu digo...

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foto  | facebook

“Ex-comando, Manuel Montes agarrou na bicicleta e saiu mundo fora. Já passou sozinho por vários países em conflito.

Deixou o conforto do lar em Beja e do país. Sozinho na sua bicicleta, Manuel Montes, um ex-comando português de 26 anos, está a terminar uma viagem pelo Iraque, depois de atravessar outros países. Já dormiu na rua, já esteve com soldados curdos que combatem o autoproclamado Estado Islâmico (EI), foi abordado várias vezes pela polícia e passou dias em casa de desconhecidos. Mas diz que nunca teve medo. Nem quando, na Ucrânia, ouviu bombas a rebentar a dez quilómetros de si. A guerra não o impede de se aventurar – a curiosidade pelo lado bom do ser humano fala mais forte.

Dohuk, Iraque, a 60 quilómetros de Mossul, cidade ainda dominada pelo EI. Foi lá que Manuel esteve nos últimos dias. A primeira noite passou-a na rua, pois os hotéis alegavam não ter vaga.

“Talvez pela proximidade com a zona dominada pelo EI, muitos olhavam-me com ar desconfiado. Dormi na rua, numa cidade que não conhecia, com uma língua que não falava e um frio que me fez vestir quase toda a roupa que tinha. Mas não tive medo”, garante ao JN. Nunca teve, durante toda a jornada, que começou em setembro, na Alemanha. “Tive receio. O medo bloqueia-nos, faz com que entremos em pânico. O receio faz-nos respeitar a situação, mas deixa-nos raciocinar”.

Vítimas do EI impressionam

Após a noite ao relento, Manuel continuou. Mas não tardou a ser mandado parar por um homem, dono de um restaurante. “Convidou-me para ficar, comer, dormir e ir embora quando quisesse. Fiquei uns dias. Passearam comigo, mostraram-me a cidade e levaram-me a um campo de refugiados de Mossul”, conta.

Ali, emocionou-se perante as vítimas dos jiadistas. Principalmente as mais indefesas crianças. “Algumas foram encontradas agarradas aos corpos dos familiares decapitados. Um horror. Mas o sorriso delas faz esquecer a desgraça que as envolve”, conta o português na sua página de Facebook, “Vou num pé e volto noutro”, onde tem documentado toda a viagem.

Acreditar que “o mundo tem mais de bom do que de mau” foi a premissa que fez Manuel partir numa viagem que não evitou zonas flageladas pela guerra. No Iraque, encontrou “pessoas muito boas e cidades em evolução”. A destruição, essa, olhou-a nos olhos no leste da Turquia. Na próxima quinta-feira, na cidade de Erbil, Manuel deixa, de avião, o Curdistão Iraquiano. “Só tenho a agradecer tudo o que este povo me tem ensinado”.

Cinco meses sobre rodas

Manuel começou a pedalar na Alemanha, em setembro. Seguiu-se a Polónia, a Ucrânia, a Moldávia, a Roménia, a Bulgária, a Turquia e, agora, o Curdistão iraquiano. Pelo meio, por questões pessoais, fez um pequeno interregno.

Natural de Serpa mas a viver em Beja desde os 13 anos, o alentejano esteve cinco anos nos Comandos, de onde saiu para percorrer o Mundo. Quando não está a viajar, trabalha em qualquer coisa (o último emprego foi num lagar) para ganhar dinheiro.”

fonte  |  jornal de notícias

Leia mais: Português foi da Alemanha ao Iraque de bicicleta http://www.jn.pt/mundo/interior/portugues-de-bicicleta-pelo-iraque-5662921.html#ixzz4YYceUjr5
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2 thoughts on ““Português foi da Alemanha ao Iraque de bicicleta”

  1. Também me fascinam estas aventuras… estes saltos completamente no escuro!!! Um dia tenho de fazer uma viagem de mais que um dia nem que seja neste belo Portugal. Já tenho o plano, só me falta mesmo colocar em prática.
    Boa semana Paulo.

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