O sarrabulho de Ponte de Lima, as bolas do Natário e as bicicletas do costume

Pedalada da Semana

Uma nota prévia: esta aventura tinha tudo para correr mal mas a conjugação de variados fatores quis que assim não fosse. O nosso sincero agradecimento a todos que contribuíram para mais umas pedaladas épicas.

O trabalho de casa foi, como sempre, bem feito. Longas e proveitosas reuniões preparativas permitiram-nos enfrentar o “desconhecido” com a certeza de que tudo ia correr como planeado. As bombas de gasolina foram alvo de um estudo exaustivo… os horários vistos e revistos… a política da CP alvo de inúmeros debates… o restaurante motivo de variadíssimos estudos de opinião… e unanimidade relativamente às bolas do Natário… as de berlim, entenda-se… Nada podia correr mal.

Primeiro teste ao plano: apanhar a camioneta das 6h30 – Falhado!!! A camioneta não apareceu.

Ativada a opção de recurso, a aventura lá prosseguiu com 10 minutos de atraso e umas palavras grandes (palavrões) para aliviar o stress.

As primeiras pedaladas serviram para acordar. Do Susão à estação de Ermesinde. À hora certa partimos em direção a Nine. Às nine e pouco lá chegamos. A Nine. Uma espera de 20 minutinhos e a certeza de que o “nosso amigo” tinha sido amigo. Sentimo-nos acolhidos. Primeiro o maquinista e depois o revisor fizeram-nos sentir “em casa”. Bicicletas acomodadas e nós aliviados. A segunda dificuldade estava ultrapassada. E lá seguimos em direção a Darque num comboio que já viu melhores dias… Provavelmente na década de 70… A simpatia do revisor e a boa disposição dos quatro melhoraram significativamente a experiência.

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E lá chegamos a Darque. Um abastecimento rápido, um aligeirar do vestuário e estava na hora de subir para cima delas. Os astros estavam alinhados. O sol brilhava e aquecia. Meia dúzia de quilómetros pela estrada nacional e eis que entramos noutra dimensão.

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O início da ecovia é apenas um pequeno vislumbre do que está para vir. O rio Lima de um lado, grandes campos agrícolas do outro entrepassados por pequenos aglomerados de árvores ou por uma pacata e pitoresca povoação.

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A simpatia das pessoas com quem nos cruzamos e trocamos um simples mas singelo bom dia tornaram o dia ainda mais produtivo. Famílias inteiras labutam nos campos sempre com boa disposição. O barulho de um ou outro trator quebram o silêncio tranquilizador que nos faz sentir num mundo à parte. As águas pacatas do Lima, ora límpidas ora sujeitas aos devaneios do Homem, servem de passatempo a alguns pacientes pescadores.

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E nós lá seguimos tentando ser apenas uma pequena parte – passageira – deste cenário. É verdade que são um pouco aborrecidos na tentativa de registar cada pormenor mas também é verdade que a tão batida expressão “uma imagem vale mais do que mil palavras” é, no mínimo, adequada ao “trabalho” do N. e do A. Desfrutem.

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Embora a viagem tivesse sido feita a um ritmo contemplativo chegamos a Ponte de Lima 45 minutos antes do previsto. Uma foto à medida do N. levou-nos 15 desses minutos. Os restantes foram passados a fazer o reconhecimento de uma outra etapa já agendada para 2018.

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Às 12h30 estávamos sentados na esplanada do Alameda com elas debaixo d’olho. Sempre. Na hora certa. Nada de indefinições. Arroz de sarrabulho para todos e vinho para três. Dito e feito. O arroz vinha a fervilhar. E pelos comentários o vinho fazia fervilhar. Combinação perfeita. Embora com um bom enquadramento, boa luminosidade, etc e tal, a foto aqui apresentada não faz jus à imagem que temos ao vivo. O aroma que exalava daquelas travessas é impossível de mostrar. E o paladar impossível de descrever. Duas doses e uma caneca depois estavam todos satisfeitos. Satisfeitos mas não preenchidos. Bolo de bolacha, baba de camelo e bombons Magnum. Um para cada. E três (bocadinhos) para um. Um atendimento “amoroso”, comida 5 estrelas e uma conta condizente com tudo isto.

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Satisfeitos e preenchidos voltamos para cima delas. Mas não foi a mesma coisa. A Ponte de Lima pareceu-nos a Vasco da Gama de tão comprida. Do outro lado da margem uma miragem: um banco, relvinha da boa, um solzinho que tostava e as águas do Lima que embalavam. Irresistível. A foto, embora ilustrativa de metade da trupe, elucida o que foi a primeira meia hora do regresso. A viagem seguiu por “outros caminhos”.

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Retomados os trilhos, lá seguimos sob as ordens do GPS do A. Os primeiros cinco/seis quilómetros são verdadeiramente fenomenais. Sobranceira ao rio, a ecovia leva-nos por caminhos de cortar o fôlego. O sol batia de frente e fazia brilhar o Lima. Uma leve brisa acompanhava-nos. Embora “assarrabulhados”, o ritmo não baixou e lá seguimos em direção às bolas… a Viana.

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A aproximação a Viana fez-se por pequenas ruelas secundárias já um pouco distantes do Lima. Nada que fizesse esmorecer pois chegamos uma hora antes do previsto. Tempo para… descansar?? Talvez sim, talvez não. Descemos à marginal e reencontramos o Lima que, curiosamente, estava mais agitado e “corria ao contrário”.

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Três hipóteses: descansar, ir à beira-mar ou subir à Santa Luzia. Entendendo a ressaca de um de nós lá escolhemos a opção mais lógica: subir até ao alto de Santa Luzia. E lá foram mais meia dúzia de quilómetros de um percurso ligeiramente mais… inclinado. Mas valeu cada metro. A vista sobre Viana é estonteante (sobretudo se chegarmos lá a cima depois de uma valente sarrabulhada).

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Descemos em direção às tão desejadas bolas. As do Natário, como sempre, tinham fila. E que fila. Uma hora depois nada. E o comboio aqui tão perto. Quinze minutos antes do comboio faltavam duas fornadas para acabarem as bolas. E nós nada. Eis que surge a penúltima. 14 das nossas 22 bolas estão na saca. Faltam 8… bolas. Faltam 10… minutos para o comboio. Esperamos ou vamos? Chega a última fornada. Levamos as 22. Na fila ficam dezenas de pessoas que não vão provar as bolas do Natário. Cinco minutos para o comboio. Saltamos para cima delas com 22 bolas… de berlim.

Chegamos à estação. O homem da bilheteira não nos vende os bilhetes. A CP só transporta três bicicletas. Só o revisor nos pode valer. E vale. E a simpatia dos revisores atingiu o nível máximo. Bicicletas acomodadas e as bolas bem colocadas no banco. Estavam quentinhas. As do Natário são de outro nível.

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Embora cansados estávamos plenamente satisfeitos. Uma pausa técnica em Ermesinde e cada um seguiu o seu caminho na certeza de que tinha sido mais um dia para o álbum de recordações. Quando se faz o que se gosta, quando se come bem, quando sentimos orgulho no país em que vivemos e quando se sente tudo isto junto de verdadeiros amigos podemos dizer que nos sentimos realizados.

Venha a próxima!!!!

texto  |  p. f.

fotos  |  nelson branco

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9 thoughts on “O sarrabulho de Ponte de Lima, as bolas do Natário e as bicicletas do costume

  1. Muito bem!! Até para mim que não ando de bicicleta fique cheia de inveja! Um belo percurso, para uma excelente caminhada de mochila às costas!
    Quantos kilometos?

  2. Eh pá, até eu fiquei de barriga farta com tão fantástico relato do vosso passeio. Belas fotos que me fizeram rever outras voltinhas pelas bordas do Lima. Ah… e as bolas da Natário! Agora fazem-me caretas… Cumprimentos aos gulosos. 🙂

  3. Obrigado Carla. Esta voltinha teve perto de 70 Km…
    Mas para fazer em modo caminhada pode sempre optar por iniciar na área de lazer de Deão, Viana do Castelo, fazer a Ecovia até Ponte de Lima 13 Km, e depois regressar pelo mesmo trajecto.
    Outra possibilidade é ir até Ponte de Lima, e pela margem norte, percorrer o percurso que a levará às Lagoas de Bertiandos, numa extensão de 9 Km, depois regressa novamente a Ponte de Lima e com um total de 18 Km percorridos, qualquer iguaria gastronómica irá cair ” que nem ginga”!

  4. Obrigado Paulo.
    Na estrada, a malta tem andamentos diferenciados, mas à volta da travessa rolamos em pelotão compacto (se é que me entendes!)
    Abraço

  5. Grande aventura! Já não me lembrava da fama que as bolas de berlim do Natário têm, mas isso de ficar na fila e não levar os doces para casa não se faz. Fico à espera de novas aventuras.

  6. Deocriste-Ponte de Lima já fiz. E segui para Ponte da barca, sempre ao lado do rio. Se ainda não conhecem essa parte, garanto que vale a pena.

  7. Obrigado Paulo pelo comentário e pela sugestão, essa parte de Ponte de Lima até Ponte da Barca e regresso pela margem norte, está já programada para mais tarde. Vamos tentar conciliar com a data do festival gastronómico de Arcos de Valdevez.

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