Caminho Inglês – Neda / Pontedeume – 15Km

Caminho de Santiago

Depois de uma noite bem dormida e um bom pequeno almoço, estava recuperada a energia gasta na luta contra o vento no dia anterior… de novo com a “casa” às costas seguimos viagem em direção a Neda e dali até Pontedeume.

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Com poucos quilometros para percorrer o dia era para desfrutar do caminho, tentar absorver toda a energia que o mesmo em si encerra… o sol dava ânimo e a paisagem também.

Uma dezena de metros adiante do hotel encontramos a Igreja de Santa Rita, um edifício de linhas simples muito bonito e resplandecente.

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Ao passar a ponte para a margem onde se encontra instalado o albergue, à nossa esquerda, um belo quadro natural… e adiante, à direita, a ponte por onde havíamos chegado ao albergue no dia anterior.

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Diante do albergue seguimos por um passeio que há-de dar lugar a um passadiço de madeira que percorre a margem da ria (marismas del Belelle). 

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Terminado o passadiço somos conduzidos através de uma estrada rural até à Igreja de Santa Maria de Neda.

Se levantó en el s. XVIII sobre el templo de Santa María del Puerto, en estado ruinoso en aquellos años. Los orígenes de la iglesia antigua los sitúan algunos historiadores allá por el siglo IV, en tiempos del rey Teodomiro. Las primeras noticias son del año 1114, en un documento de donación hecho por Bisclavara Bistraliz, biznieta del rey Ramiro I de León, al monasterio de San Martiño de Xubia (O Couto).

El Cristo de la Cadena; Es el elemento más valioso de todo el templo, situado en el retablo del altar mayor. Éste es de estilo barroco rural, con cierta influencia benedictina, con superposición de columnas y capillas. Presenta forma cuadrangular, con doce columnas corridas, seis en la parte de la Epístola y seis en la del Evangelio (derecha e izquierda del espectador, respectivamente). Las capillas estarían ocupadas por santos benedictinos, aunque tan sólo las dos figuras del cuerpo superior son de la época: San Andrés y San Julián, muy diferentes entre sí. Presidiendo el retablo está el Cristo de la Cadena. Según la tradición popular la estatua vino flotando sobre el río, lo que no deja de ser cierto: la imagen llegó en el año 1550 en un barco procedente de Inglaterra, capitaneado por John Dutton, un católico inglés que huía de las persecuciones religiosas que tenían lugar en su país. Junto al Cristo se trajo una imagen de la Virgen, conocida hoy como Nuestra Señora la Inglesa y que se puede ver en Lugo. Y un conjunto con Santa Ana y Santa María, en la Catedral de Mondoñedo. Estas fueron enviadas a San Martiño de Xubia y posteriormente a Mondoñedo, quedando en Neda sólo el Crucificado. La imagen pertenece al estilo Tudor, gótico del siglo XVI.

fonte  |  wikipédia

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Cruzando a pequena ponte sobre o rio Belelle entramos no núcleo antigo de Neda. Um pouco mais à frente vamos encontrar a “Torre del Reloj y Casa Consistorial de Neda”. A Torre do Relógio foi construída no ano de 1876 sobre as antigas ruínas de um hospital de peregrinos do séc. XVI.

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Para que ficasse um registo neste marco histórico do caminho pedimos para que no posto da policia local, instalado no edifício, colocassem o carimbo na credencial. Seguimos pelas ruas pitorescas da povoação, sem pressas, fotografando cada pormenor… por aqui tivemos o primeiro contacto com aquele que viria a ser o nosso maior companheiro do caminho.

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Deixada a povoação para trás e  ultrapassada uma via com algum tráfego, iniciamos uma subida não muito acentuada que nos colocou numa cota altimetrica que possibilita ver quase a totalidade do percurso feito até aqui, ou pelo menos, identificar determinados locais por onde havíamos passado.

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Por estes caminhos rurais, asfaltados, mas onde quase não nos cruzamos com carros em circulação, nem gente… seguimos até Fene, localidade conhecida pelos seus estaleiros.

Nesta cidade encontramos bares e nem precisamos mudar a rota, estão mesmo ali ao lado do caminho.

Com um grupo de espanhóis adiante de nós, envergando camisolas do Atlético e Real Madrid, resolvi meter-me com eles, futebolisticamente falando… super simpáticos animaram esta parte do percurso um pouco enfadonha e ainda nos colocaram na “linha” quando falhamos uma vieira por pura distração. É o que se pode dizer: Não caminhe enquanto fala ao telemóvel.

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Ultrapassado o Poligono Industrial de Vilar de Colo, o percurso volta a encher-se de verde e a nossa cara de sorrisos, adiante, voltam as estradas asfaltadas sem movimento, continua calmo o caminho.

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Ao esbarrar com a estrada AC-122 esbarramos também com este magnífico cenário, a praia da Magdalena, descendo por umas escadas e de seguida por uma via com alguma inclinação somos conduzidos até a um pequeno túnel sob a via férrea, transpondo este portal chegamos à praia.

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Aproveitando a beleza e a calma do lugar, aproveitando o sol quente do meio dia, ficamos ali sentados largos momentos a usufruir do melhor que o caminho e a natureza tem para nos oferecer.

Para quem prefere seguir caminho sem passagem pela praia pode faze-lo pelo pinhal que antecede o areal. Por este corredor arbóreo ou pelas areias finas da praia somos encaminhados para a ponte sobre o rio Eume.

Depois de a transpor chegamos ao final da etapa de hoje, Pontedeume.

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Com alojamento marcado na Pensão Luis (ver albergues do caminho aqui) a única preocupação foi a alimentação já que o estômago estava a reclamar.

Juntou-se a nós, Héctor, peregrino que avistamos logo pela manhã e que mais tempo irá dividir o caminho connosco e Peter, o simpático e divertido dinamarquês, presença habitual no final de cada etapa nos albergues onde fomos parando.

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Dizem que por estas terras o polvo é rei… na véspera alguém nos disse para não perder o prato de polvo em Pontedeume, assim fizemos, para regalo das papilas gustativas.

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Com o estômago mais composto e de banho tomado, saímos à descoberta do património de Pontedeume. Iniciamos o percurso  pela ponte e pelo rio que dão nome à localidade.

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A primeira referencia escrita é de 1162 e refírese a unha ponte de madeira. Porén xa debía existir desde tempo inmemorial para comunicar ambas marxes do río, habitadas desde tempos remotos. A finais do século XIV, Fernán Peres de Andrade, O Boo, mandou construír unha ponte de cantería. Dita ponte tiña 78 arcos e dúas torres: entre os arcos 8º e 9º a Torre da Ponte, e entre os arcos 40º e 41º a Torre do Risco. Entre os arcos 2º e 3º estaban, sobre unhas peañas, os símbolos de Fernán Peres: o oso e o xabarín. Ao final da ponte había un cruceiro. Tamén había un hospital de peregrinos entre os arcos 19º e 20º. A ponte foi reparada en varias ocasións dos estragos que ocasionaban as crecidas do río, mais non puideron evitar a deterioración progresiva da ponte. Así, desaparece o hospital entre 1791 e 1820 e en 1843 desaparecen as torres e os símbolos dos Andrade. Finalmente, derrúbase a ponte e constrúese unha nova entre 1863 e 1873, inicialmente con 11 arcos que se amplían progresivamente ata os 15 actuais. O oso e o xabarín da ponte de Fernán Peres están hoxe en día no claustro do convento de Santo Agostiño (actual casa da cultura de Pontedeume).

fonte  |  wikipédia

Nas imediações do porto, situa-se o Albergue de Peregrinos onde fomos recolher mais um selo e onde tive oportunidade de ver que as instalações não são aquilo que “pintam” em determinados comentários em sites sobre o caminho. Se voltasse hoje teria aqui ficado.

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Não muito distante daqui outro símbolo da cidade: O Torreón dos Andrade.

“O actual torreón ameado é o que queda do conxunto que formaban o pazo dos Andrade, o torreón ó sur e a capela de San Miguel ó norte. Esta última foi derrubada en 1909, mentres que a desaparición do pazo produciuse gradualmente. No ano 1904 o concello mercou o pazo á Casa de Alba e foi derrubada a parte máis próxima ó torreón para abrir a estrada que comunicaba a vila coa nova estación do ferrocarril. O que quedaba do pazo foi entrando nun estado de progresiva deterioración a pesar de ser declarado Monumento Histórico-Artístico nos anos vinte. Os últimos restos do pazo desapareceron no 1935.

Nese momento a torre mantiña a súa estrutura en boas condición mais o seu estado de conservación era lamentable. Foi obxecto de dúas restauracións no 1951 e no 1974 que lle deron o aspecto que actualmente ten.”

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O grupo de italianos que connosco foram partilhando o caminho e os albergues também teve direito a registo fotográfico junto do monumento.

Daqui, saímos à descoberta de outros locais, como o mercado, a Casa do Concello de Pontedeume, o jardim municipal, as ruas e becos da zona antiga e terminamos este passeio na Igreja de Santiago, por sorte, aberta para visitas!

Infelizmente foram poucas, ao longo do caminho, as que tivemos possibilidades de entrar por se encontrarem fechadas.

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O dia terminou aqui mas há mais caminho a descobrir já no próximo relato…

Etapas seguintes (basta clicar para abrir uma nova etapa):

 Pontedeume – Betanzos – 20 Km

Betanzos – Hospital de Bruma – 29 Km

Hospital de Bruma – Sigueiro – 25 Km

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

 

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7 thoughts on “Caminho Inglês – Neda / Pontedeume – 15Km

  1. Simplesmente fenomenal, é o adjectivo que consigo encontrar.

    Ajuda bastante para quem quer descobrir e fazer turismo e a nível cultural e gastronómico.
    Parabéns meu amigo

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