Caminho Inglês – Betanzos / Hospital de Bruma – 29Km

Caminho de Santiago

Dormir num albergue é uma experiência que qualquer peregrino tem de vivenciar, se bem que, dormir não seja a palavra mais adequada para utilizar.

Deitar cedo não pressupõe dormir mais, o albergue leva o seu tempo a acalmar completamente, são as saídas para a casa de banho, é o peregrino que se lembrou de algo e mexe na mochila e na catrafada de sacos plásticos fazendo um barulho infernal, é outro que liga a lanterna e coloca-a em modo holofote, é o vira que vira nos sacos camas… mas há um momento em que tudo acalma e é nesse intervalo de 4/5 horas que temos de dormir, isto porque, ainda vamos estar no “primeiro sono” já há alguém a levantar-se para se pôr a caminho… desta vez aconteceu com os meus “vizinhos” do lado! 4.50h?!!! Não queria acreditar.

Depois de várias tentativas, infrutíferas, para voltar ao sonho, depois de mais de meio albergue se começar a movimentar, não houve outra alternativa senão levantar e meter os pés ao caminho naquela que é a etapa mais longa e onde se sobe ao ponto mais alto no caminho inglês!

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Pouco passava das 7 e estávamos pronto para mais um dia… e não fomos nós os únicos a acordar cedo… o sol fez o mesmo!!!

Ter em conta de tomar o pequeno almoço no albergue, ou, caso saiam um pouco mais tarde que nós, em algum café da cidade, isto porque, o café mais próximo está ao quilômetro 9, afastado do caminho cerca de 500 metros.

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Sob o ar fresco da manhã cruzamos toda a cidade, de novo, até à praça central e daí iniciamos uma ligeira subida.

Junto aos bares ainda resistiam algumas dezenas de jovens que à nossa passagem foram soltando um audível mas meio enrolado de língua: – Buen Camiño!

Deixamos Betanzos saindo por uma antiga ponte medieval sobre o rio Mendo.

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Tal como no dia de ontem a jornada começa com um forte ascendente e em apenas 1.5 Km ganhamos em elevação, mais ou menos, 150 metros. Com o silêncio que nos rodeava o nossa respiração era bem audível… 

As mudanças de direcção são uma constante nesta etapa, o que obriga a uma atenção especial à sinalização. Apesar disso, sempre que o cenário permitia lá entramos em devaneios fotográficos para memória futura.

“As coisas mais bonitas do mundo são sombras.” – Charles Dickens 

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Recordo cada metro desta parte do percurso, os meus pensamentos, os cheiros e os sons dos cânticos dos pássaros, recordo como me senti grato por poder desfrutar deste momento. A felicidade muitas vezes está onde o nosso coração e a nossa alma encontra repouso.

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Depois de passar a ponte de Limiñón, sobre o río Mero, seguimos à esquerda por esta estrada ladeada de muito verde.

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Estas duas imagens, a anterior e a posterior, são as imagens que me assaltam a mente sempre que ouço, penso, falo – “Caminho Inglês”. A composição do cenário, o jogo de luz e sombras, aquela névoa mística, o silêncio. Tudo perfeito!!! 

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Seguimos em direcção da igreja de San Esteban de Cos…

“La iglesia de San Esteban de Cos se encuentra integrada en el mismo recinto que el cementerio, como muchos otros templos gallegos. Está formada por una única nave de planta rectangular y una pequeña capilla adosada a esta. La sencilla fachada tiene una coqueta espadaña con una única campana y a ambos lados del edificio hay dos pináculos rematando los pilares. En el centro hay una pequeña ventana rectangular y debajo se encuentra la puerta de acceso, con arco escarzano.”

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O caminho de hoje leva-nos por caminhos rurais e agrícolas, alguns deles, bastante deteriorados pela passagem dos tratores, há por isso que caminhar com cuidado nestes troços. 

Os terrenos de pastagem enchem-se das mais diversas espécies de animais: galináceos, cavalos, burros, vacas, cabras e ovelhas foram os mais vezes vistos…

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Em Presedo, por volta do quilômetro 12, mesmo junto ao Caminho encontramos um café-restaurante que merece uma paragem. El Mesón Museo Xente do Camiño é um quadro sobre a história da região, parem e admirem as pinturas cuja autora é a proprietária do espaço. Aproveitem para selar a credencial, com dois bonitos carimbos, deixem o vosso testemunho no livro dos visitantes e não saiam sem provar o bolo de laranja.

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Retomando viagem seguimos em direcção da igreja de Santa Eulalia de Leiro.

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Alternando entre caminhos de terra e estradas alcatroadas seguimos em marcha ligeira até San Paio de Vilacoba, onde vamos encontrar o último café-restaurante deste percurso – Casa Júlia.

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A paragem impõe-se para recuperar alguma da energia perdida ao longo destas horas de caminhada.

Adiante temos à espera a maior subida deste caminho que nos eleva, em apenas 2 Km, dos 122 aos 354 metros e que continuará a subir, de forma mais suave, até à cota máxima nos 458 metros.

Depois de um aditivo à base de cevada e malte seguimos caminho… em sentido descendente até encontrar, à nossa esquerda, a capela de San Paio de Vilacova com a paisagem a tomar conta do edifício abandonado.

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Virando à direita, início da subida, primeiro por estrada, com passagem pela igreja de Santo Tomé (santuário de San Paio de Vilacoba), em seguida, por um percurso de monte e eucaliptal. Apesar da inclinação e dificuldade, a subida, se for feita de forma pausada será ultrapassada com facilidade.

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Ultrapassada a parte mais dura da etapa e do caminho inglês entramos de novo em paisagem rural e agrícola, com a aldeia de Vizoño a “saudar-nos” à passagem.

Á frente vamos encontrar um local envolto em mistério, o cruzeiro de San Pedro de Vizoño! Seguimos paralelos à auto-estrada que havemos de cruzar por uma ponte. Após a passagem pelo viaduto sobre a auto-estrada,  nova subida até alcançar o ponto mais alto do caminho.

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Percorrendo uma zona de bosque aproveitamos a frescura da sombra e da água do regato para baixar a temperatura corporal. Já não falta muito para a meta.

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Na passagem por umas quintas agrícolas vamos interceptar o caminho inglês que vem da Corunha, disso vos dará conta o marco identificativo com vieiras de ambos os lados.

Situados junto ao marco temos a seguinte visão, à esquerda o caminho que estamos a percorrer, à direita o caminho vindo da Corunha e ao centro o caminho para o albergue.

A pacatez destas localidades é fascinante… vamos serpenteando por entre campos enquanto o agricultor prepara a terra para nova sementeira, indiferente à nossa passagem.

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Já na aldeia junto ao albergue o gato indica a direcção…

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Por fim, chegamos! 

O albergue de Bruma foi o primeiro albergue construído neste caminho, foi edificado em terreno onde outrora existira um Hospital de peregrinos, fundado em 1140. (ver albergues do caminho aqui)

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Fomos muito bem acolhidos pelo alberguista que logo nos informou sobre os albergues do dia seguinte, uma vez que, em Sigueiro, não existe albergue público e quais os pontos de abastecimento da etapa.

Depois de devidamente instalados e banhados fomos comer algo no único café das redondezas. Aberto em 2016 este café é o verdadeiro oásis neste deserto de bares e cafés!!! 

Por 10 euros podem pedir o menu de peregrino e ficarão satisfeitos, seguramente, se incluírem no menú o Caldo Galego.

Depois de um dia intenso regressamos ao albergue onde ficamos à conversa com os nossos comparsas do caminho.

 Hora de descansar… o caminho segue dentro de momentos.

Etapas seguintes (basta clicar para abrir uma nova etapa):

Hospital de Bruma – Sigueiro – 25 Km

Sigueiro – Santiago de Compostela – 16 Km

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2 thoughts on “Caminho Inglês – Betanzos / Hospital de Bruma – 29Km

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