Pedalar na cidade

É o qu`eu digo...

Gosto daqueles dias em que saio para pedalar sem quilómetros programados, sem horários para cumprir, sem rota delineada…

Deixar em casa as roupas de lycra, o conta quilómetros, manter desligadas as app do telemóvel para monitorizar a voltinha. Sair apenas… num ritmo que será ditado pela paisagem.

Permitir que a Dona Isaura deslize por ruas desconhecidas a uma velocidade baixa e permitir-me abstrair, direccionar a atenção para todos os pormenores que me escapam quando viajo de carro. Pega-la ao “colo” e percorrer escadarias que levam a lugares inacessíveis na cidade.

Parar para ver, ouvir, cheirar a cidade.

Há quem diga que o Porto não é uma cidade ciclável, mas eu, discordo… todas as cidade são ciclaveis, porventura, algumas com um esforço acrescido, ou então, fazendo como faço inúmeras vezes, desmonto e sigo a pé… acaba por ser bom seguir em ritmo ainda mais lento, ver as montras, entrar na loja, trocar dois dedos de conversa e seguir viagem.

Num tempo em que o Porto está “na moda” também é bom fazer uma paragem “técnica”, para um café, numa qualquer esplanada e ficar a observar o corrupio dos turistas, os que chegam cheios de ilusão, os que partem já com a saudade marcada no rosto, os perdidos, sempre com o mapa na mão, os que gostam de registar todos os momentos em múltiplos clicks nas suas câmaras… o colorido auditivo que trazem para a cidade quase abafa o sotaque do Norte!

Pedalar na cidade é apenas viver a cidade…

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2 thoughts on “Pedalar na cidade

  1. Tem tardes, após o picanço do ponto, que passo nessa rua, páro nessa porta e espreito essa montra 🙂

    Infelizmente, as nossas cidades não facilitam o modo como aproveitamos o espaço e o tempo. O espaço está apertado e oprimido pelo automóvel, as pessoas são engolidas pela voracidade de um quotidiano cada vez mais competitivo. Apressado, dizem alguns, mas estão enganados porque, se o ritmo de vida é urgente, tempo é dinheiro, diz-se, a qualidade de vida foi-se perdendo.

    Não é uma visão utópica desejar-se um futuro e estilo de vida melhor. A mudança de rotinas pode-se fazer sim, tranquilamente, através do ciclismo urbano. A mobilidade ciclável é uma proposta de melhoria. As vantagens da bicicleta como meio de transporte alternativo, regular, económico, ecológico e saudável, são imensas. É uma das formas de recuperar o bom ritmo da cidade, do civismo e boas maneiras, que caracterizam uma sociedade civilizada. A bicicleta é um elemento de união. Traz felicidade, exercita não só o corpo, mas também a mente. Resgata o espaço público e permite que milhares de pessoas, de todas as idades, possam apreciar as ruas da cidade, a sua arquitectura, seus parques e, ao mesmo tempo, reúne as famílias, os cidadãos e os turistas numa convivência saudável.

    É possível pois! O Porto é perfeitamente ciclável, e nós somos o exemplo disso mesmo. Nós e muitos outros, cidadãos e turistas, que dão ao pedal em direcção ao futuro.

    Parabéns pelo texto e pela foto Nelson.

  2. Obrigado Paulo. Obrigado também pelo comentário de alguém que fala da bicicleta e de todo um mundo à sua volta com grande propriedade, ou não fosses tu, um utilizador diário!

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