Volta ao meu “quintal”…

Depois das depressões climatéricas e do mau tempo generalizado das últimas semanas eis que o céu se apresentou em todo o seu esplendor azul, convidativo a tirar as bicicletas do seu estado de hibernação que já durava há longos meses!!!

O timming não poderia ser o melhor, foi a oportunidade de acabar o ano de forma bem positiva… 

Saímos ao sabor da brisa, sem trajecto planeado, mas com o foco de manter “terra” sempre à vista… seguimos por terras de Alfena.

“O documento datado mais antigo que se conhece sobre Alfena data de 1214, e nele D. Stefanina fala dos «Leprosis de Alfena».

Na Idade Média, a freguesia era conhecida por S. Vicente de Queimadela, enquanto Alfena era um mero lugar daquela freguesia (o actual lugar da Rua, tomando esse nome por ser atravessado pela estrada real Porto-Guimarães).

Nas Inquirições de 1258, ordenadas por D. Afonso III, a freguesia é mencionada como São Vicente de Queimadela, sendo composta por 4 lugares: Ferrarias (a norte), pertença do Rei e da Gafaria; Baguim (a ocidente), pertença da Comenda de Águas Santas e do Rei; Caveda (a sul), pertença do Rei e do Mosteiro de Santo Tirso; e a villa d’Alfena e Traslecia (ao centro e oriente) pertença, na sua totalidade, da Gafaria.

Alfena seria uma Honra (terra de fidalgos e isenta de poder real) de D. João Pires da Maia (ou João Pedro da Maia), o qual a terá legado à Gafaria (hospital para leprosos). Em 1307, D. Dinis confirma a Honra na «Freeguesia de sam vicente da queimadella ho Paaço dalffena» como terra dos «gaffos» (Leprosos).

No século XVIII, os Pe. Carvalho da Costa e Luís Cardoso avançam com a teoria que teria havido uma batalha contra os mouros, onde teriam entrado sete condes, baseando-se na hipótese do vocábulo Alfena provir do árabe «Al-hella» que significa acampamento ou arraial.

Pinho Leal avança, no entanto, outra teoria, de que a origem do topónimo residiria num arbusto comum na região mediterrânica, o alfeneiro ou ligustro, utilizado para tingir ou embelezar. Alfena provem então da palavra árabe que designa essa planta «Al-Henna». O Pe. Domingos A. Moreira, estudioso que se debruçou sobre a onomástica das paróquias da Diocese do Porto e que levou a cabo a primeira monografia de Alfena, partilha também desta última hipótese.

Esta ligação da Cidade ao arbusto é hoje uma realidade, quer pela sua inclusão no brasão autárquico escolhido em 1990, quer pela colocação do arbusto em vários locais públicos.”

Fizemos o atravessamento da Ponte de S. Lázaro, estrutura que fazia parte da antiga via medieval Porto – Guimarães. De cariz românico é composta por dois arcos de volta perfeita de diferentes dimensões e tabuleiro em cavalete com guardas laterais. Estrutura medieval, provavelmente assente numa primitiva construção romana, a qual teve intervenções modernas.

81524545_1717057355095476_4689620218647937024_n

Prosseguimos depois em direcção a Água Longa. A freguesia de Água Longa é uma das maiores do Concelho de Santo Tirso, situada no seu extremo sul e tem como principais actividades económicas a Agricultura e a Indústria (sector têxtil, mobiliário e construção civil).

Aproveitamos a calma que envolve estas terras para desfrutar de um calmo passeio por entre os campos agrícolas com o sol a dar um aconchego especial ao corpo…

Continuamos para terras de Sobrado, terra conhecida desde os primórdios da nacionalidade. É ainda conhecida pela Festa de São João de Sobrado (Bugiada e Mouriscada) e pelo ciclismo, fabricando alguns campeões da Volta a Portugal.

80748141_1717057641762114_913786143701467136_n

Depois de uma pequena paragem, para hidratar, seguimos por entre os campos de vinha na direcção da freguesia de Campo.

81341077_1717057695095442_2382134143925354496_n

“A Freguesia de S. Martinho do Campo é já conhecida, com este nome, no ano 797, como se vê num documento encontrado na Universidade de Coimbra que diz que ”Em 797 doou D. Gundezinho ao mosteiro de Laura muitas igrejas, e entre elas a de S. Martinho de Valongo…”. Sabe-se, também, por vários documentos que existiu aqui o “Couto de Luriz” concedido por El-Rei D. Afonso Henriques (1140) a D. Ribaldiz, Bispo do Porto.

S. Martinho do Campo, ao longo dos tempos, conheceu três fases importantes de desenvolvimento: a fase da exploração do ouro (a mais antiga); a fase da moagem e panificação; e uma terceira fase com a exploração da ardósia.”

Passagem por um local icónico destas terras… Ponte Ferreira.

 

“Integrou a antiga via Porto-Amarante e é-lhe atribuída uma cronologia medieval. Possui tabuleiro plano, assentando sobre três arcos separados por dois talha-mares. Possui a particularidade de na extremidade esquerda, e no local onde já existiu um terceiro talha-mar, ter a Casa da Portagem datada de 1796. Na outra extremidade, encontram-se umas alminhas de invocação da Sr.ª do Carmo e provavelmente setecentistas. A importância da ponte deve-se ao facto de haver uma memória coletiva local associada a um relevante evento, a Batalha de Ponte Ferreira, ocorrida a 23 de julho de 1832, durante as lutas liberais. Da envolvente faz parte o Parque Municipal enquanto espaço de lazer e de enquadramento paisagístico ao património existente. Encontra-se ainda nas imediações, instalado num antigo moinho, o Núcleo Museológico da Panificação, dedicado a uma identitária atividade do concelho de Valongo.”

E daqui prosseguimos até à Ponte dos Arcos

“Faz parte do regadio que captava a água em Ponte Ferreira, sendo referenciado como existente em 1631, em virtude de uma provisão de 30 de Maio desse ano a autorizar o mesmo regadio. Destinado a transpor a água de uma margem do rio para a outra, para irrigação dos férteis terrenos envolventes, o aqueduto atual é de construção posterior à provisão, designadamente oitocentista. Associava à função de passagem da água a passagem de peões. Apesar de já não servir a função para a qual foi construído, ultimamente foi objeto de restauro por ser um ícone de valor patrimonial e identitário das gentes de Campo.”

80859589_1717058028428742_441496086540976128_n

Rumamos por fim a casa, com o final do ano já ao alcance da vista. Foi um passeio pela história destas terras, um passeio a fazer a ponte para um novo ano, um novo ano que se espera seja de muitos e bons passeios de bicicleta ou a pé.

A todos, um excelente 2020.

8 opiniões sobre “Volta ao meu “quintal”…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s