Ecomuseu de S. Pedro de Rates

Um domingo com sol de inverno, temperaturas de primavera, bons argumentos para ir à descoberta de mais uma rota neste pedaço de terra à beira mar plantado.

Ecomuseu de São Pedro de Rates é um circuito pedonal que se desenvolve ao longo de 8 km pela freguesia de Rates, Póvoa de Varzim. O circuito percorre as ruas da freguesia e área adjacente, percurso marcado por uma arquitetura e a paisagem rural, por moinhos de água e de vento e pela cultura do linho, do pão e do vinho.

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Estacionamos nas imediações da igreja de Rates, local que já tive o gosto de visitar aquando da minha peregrinação a Santiago (Caminho Central Português).  A Igreja de São Pedro de Rates, também referida como Igreja Românica de Rates, constitui um dos mais importantes monumentos românicos medievais do então emergente reino de Portugal, dada a relevância das formas arquitectónicas e escultóricas. É um dos mais importantes mosteiros beneditinos clunicenses e está ligado à lenda de São Pedro de Rates, mítico primeiro bispo de Braga.

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Daqui seguimos em direcção à Praça, o centro cívico, este espaço sempre teve este nome – Praça – desde sempre, como documentam os Forais. Destacam-se 3 edifícios, a Capela do Senhor da Praça, capela barroca datada de 1745, que se apresenta no centro da praça, à sua esquerda, imponente, a marcar o passo das horas, a Torre do Relógio

Do lado oposto exibe-se o edifício que outrora dera abrigo à antiga Casa do Concelho e situado diante desta encontra-se o Pelourinho de Rates, imóvel de interesse nacional, mandado erigir por D. Manuel I, no século XVI. Rates teve autonomia administrativa por 6 séculos, no entanto, acabou por perder o estatuto de concelho e foi integrado no concelho da Póvoa de Varzim em 1836. 

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Seguimos pelas ruas estreitas e desertas de gentes, onde o cheiro a campo domina. Sem querer lavar roupa suja, passagem junto da Fonte de S. Pedro, a original que se encontra retratada no painel de azulejo contiguo ao espaço foi substituída pelo atual tanque e fontanário que abasteciam a população do núcleo central. Sobre a fonte original recaem algumas lendas  ligadas à fertilidade – diz uma delas que as senhoras que não conseguiam engravidar deveriam sentar-se numa pedra furada que ali existia!

Lendas à parte seguimos caminho…

…guiados pelas setas, amarelas, do caminho português rumamos até às portas do Albergue de Peregrinos de S. Pedro de Rates –  o primeiro espaço em Portugal, na época moderna, exclusivamente dedicado ao acolhimento de peregrinos a Caminho de Santiago de Compostela. Desde a sua inauguração, a 25 de Julho de 2004,  o acolhimento aos peregrinos é garantido por um grupo de hospitaleiros voluntários. 

Entramos, fomos muito bem acolhidos pelo hospitaleiro que rápido nos colocou à vontade para visitar o espaço do albergue e a pequena galeria museológica ligada à cultura do linho. 

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Sentado numa mesa a degustar um chã e a ler um livro o hospitaleiro despede-se de nós. Incrível a calma deste lugar!

Prosseguimos caminho, meia dúzia de passos adiante, onde o caminho dobra numa outra direcção, paragem no Largo de Santo António para visitar a Capela de Santo António. A actual ermida resultou de uma ampliação de um pequeno nicho no final do séc XVII. Santo António para além de casamenteiro é também o protector dos animais, neste local, tão rural, faz todo o sentido que seja venerado.

Registei, com agrado, que os templos por estas bandas se encontravam abertos ao publico! O que é raro!

O nosso caminho continuou, entre muros, por estes caminhos de silêncio, com este sol quente a aquecer o rosto e a brisa, fresca de inverno, a servir de bálsamo para a pele.

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Pequenos recantos vão surgindo pelo caminho, espaço para o descanso, para a reflexão ou para namorar.

Adiante a Fonte Antiga, o primitivo local de abastecimento do povo de Rates. Hoje este pequeno poço ainda tem água que pode ser extraída através de uma picota (uma alavanca).

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Abandonamos este espaço de calmaria, entre campos, para percorrer alguns metros numa via com tráfego que abandonamos nas proximidades da Capela do Senhor dos Passos.

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Daqui, iniciamos o único ascendente digno desse nome neste percurso que nos irá levar até…

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ao Moinho de Vento, este, excelentemente conservado. Outrora existiram oito nestes montes e que eram propriedade dos mesmos senhores que tinham os moinhos hidráulicos existentes junto da povoação.

Iniciamos depois uma pequena descida junto ao Parque de Lazer, espaço paralelo à Escola Agrícola, um local muito agradável onde se percebe que a primavera começa a despontar.

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Próximo daqui fica o ponto de viragem, pode parecer estranho haver “um ponto de viragem” num percurso circular, no entanto, o percurso leva-nos por um percurso ida / volta de uma centena de metros, fora do círculo, até à Fonte do Pedro. O caminho que antecede a dita fonte é muito agradável e convidativo a uma paragem, foi o que fizemos para um pequeno lanche enquanto contemplamos a descida do astro-rei. 

Já sobre o local onde se encontra a Fonte do Pedro não podemos dizer o mesmo (!) a falta de manutenção do espaço é bem visível, a vegetação já se apropriou do local e as estrutura de madeira que dá acesso à fonte está bastante danificada. (não recolhi foto)

Regressados ao percurso continuamos rumo à Fonte da Granja, a fonte mais abundante da freguesia, servia a rega dos campos, o consumo humano e para a lavagem da roupa. 

 

Fazem parte deste conjunto a fonte, um lavadouro e um moinho, do lado oposto, uma bela casa agrícola, sobre a qual recaiam os holofotes naturais evidenciando toda a sua beleza.

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O conforto do sol vai-se desvanecendo à medida que este se esconde, a brisa fresca acentua-se tornando-se agreste. Aceleramos o passo até à Azenha do Pego – local onde se moía o grão e se serrava a madeira, tudo por tração hidráulica.

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Sob o canal da antiga linha férrea que ligava a Póvoa de Varzim a Famalicão, percurso já percorrido, em duas rodas, e sobre o qual fiz este relato, seguimos entre os campos férteis em direção ao ponto de partida.

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Este percurso é também conhecido pelo Itinerário da Água e do Pão, designação que faz todo o sentido face ao contexto observado. É um percurso fácil que poderá ser feito em família, acessível mesmo para os mais pequenos e capaz de ser percorrido de bicicleta. 

Podem descarregar o trilho da aplicação wikilok para uma aplicação móvel – aqui.

Bons passeios.

5 opiniões sobre “Ecomuseu de S. Pedro de Rates

  1. Obrigado pelo comentário. Por aqui também estamos em isolamento… Esta caminhada aconteceu muito antes do virus chegar à Europa, mas, só agora tive tempo (agora não falta tempo depois de 7 dias encerrado em casa) para escrever. Protejam-se, os únicos passeios possiveis são este virtuais.

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