PR5 Moinhos do Fojo

À descoberta de mais um trilho em Santo Tirso… fomos percorrer o PR5 – Moinhos do Fojo – ver para crer… em terras de São Tomé… de Negrelos, terra antiquíssima cuja ocupação remonta à proto- história.

Este percurso circular de pequena rota tem aproximadamente 7/8 Km e um grau de dificuldade entre o fácil a moderado, percorrendo sobretudo zonas rurais e florestais. O início do percurso fica nas imediações da Igreja Paroquial de São Tomé de Negrelos, um dos pontos que pretendíamos visitar, sobretudo a loggia quinhentista, exemplar único na região, no entanto, como estava a decorrer o culto deixamos a visita para o final do percurso.

“No actual templo distinguem-se três épocas de construção: uma primeira, que corresponde ao início do século XVI e do qual se destaca a capela do Santíssimo Sacramento, de traça manuelina, a segunda, que corresponde às décadas de 30 e 40 de Quinhentos, durante as quais se terá edificado a loggia quinhentista no exterior da igreja, e uma última, de gosto maneirista, que corresponde à edificação do corpo da igreja, mais tardia. No conjunto estrutural do templo distinguem-se a capela e a galeria exterior.
A capela manuelina, de planimetria quadrangular, tem acesso pelo interior do templo. É coberta por uma abóbada de cruzaria de ogivas e alberga ao centro um conjunto de imagens que formam um Calvário , no lugar do retábulo.
A loggia , situada junto ao adro da igreja, adossada à fachada lateral direita, desenvolve-se em planimetria quadrangular dividida em dois pisos. O piso térreo forma uma arcada, que assenta sobre colunata compósita. Uma escada dá acesso ao piso superior, que possui janela de canto gradeada, sendo o espaço delimitado por vão totalmente fechado.
Este elemento, que apresenta um modelo de grande erudição, é um exemplar único na região. Embora sem fundamentação documental, a traça desta loggia é atribuída a Francisco Cremona, datando-se de cerca de 1545″

Iniciamos o percurso seguindo pela esquerda do templo, em sentido ascendente, ao som dos cânticos que ecoavam do interior da Igreja. Para enfrentar esta primeira rampa, ainda com os músculos frios, bem precisávamos de ajuda divina para vencer este calvário.

O céu azul vivo adornado por pedaços de algodão trazia ao dia uma certa beleza, a mesma que pretendíamos encontrar nas muito faladas Casas Solarengas de Negrelos, mas que, por falta de referências no local não as conseguimos vislumbrar. Encontrei esta um pouco depois do inicio do percurso, por ser exemplar distinto das demais julguei tratar-se de uma dessas, no entanto, depois de pesquisar acho que se trata da Casa de  Sérvolo (estilo brasileiro de torna-viagem). – Quem conhecer que confirme ou desminta.

Com a fonte seca prosseguimos sequiosos por mais coisas bonitas, o percurso, continuava em ascenso… Deixamos para trás a zona habitacional e começamos a entrar numa zona mais rural, por um caminho de terra, cuja o manto verde que delimitada os rodados dos carros ainda guardava a humidade que a noite havia deixado.

Seguíamos o trilho com ideia de encontrar o Castro de Santa Margarida, povoado fortificado que se localiza no cimo desta colina, mas, mais uma vez, por falta de referências no local não o conseguimos detetar! Salvou-se a paisagem com vistas largas sobre as terras limítrofes e o pequeno souto que preenche esta parte do percurso.

Terminada a primeira elevação e aliviando um pouco o ritmo cardíaco seguimos em marcha moderada por uma zona florestal onde domina o eucalipto… não é a paisagem mais desejada para se estar envolto mas o contraste da terra escura e os verdes vivos da folhagem dão registos fotográficos interessantes.

A paisagem ia alternando entre o agradável e o nem por isso numa montanha russa de pequenas subidas e descidas, ora por zonas habitacionais, ora por caminhos florestais, onde o outono ainda agora chegado já se apresenta com todo o seu esplendor.

Ao chegar às Pedreiras de Bustelo fomos surpreendidos por um grupo de ciclistas a grande velocidade, rasgando a serra em enorme fúria!!! Felizmente afastamo-nos a tempo de não ser colhidos por algum deles.

Uma das pedreiras desativada acabou por se transformar num pequeno lago, cor de esmeralda, estes elementos são sempre fascinantes e uma atração para os curiosos, daí a sinalização junto à vedação alertar do perigo estando o espaço circundado por uma rede de proteção, o que, não impede que se consiga um registo fotográfico.

Prosseguimos viagem pela crista do monte sob um tapete verde, macio, daqui temos uma vista soberba sobre a paisagem. O tão gasto cliché” – Quanto mais se sobe, melhor é a vista – aqui encaixa na perfeição.

Tudo o que sobe também desce, depois de volver à direita num poste de sinalética devidamente adornado com os “frutos” da época, iniciamos uma dura descida agravada pelo mau estado do caminho, todo ele cravado de profundos sulcos e muita pedra solta.

Depois expor os joelhos a trabalhos forçados o terreno endireitou assim que chegamos próximo do leito da Ribeira do Fojo, curso de água que já fez mover uma vintena de moinhos de água e um lagar de azeite, mas os moinhos nem vê-los!!! Em boa verdade saímos do trilho seguindo outras indicações existentes que alimentaram a esperança de encontrar um moinho… infelizmente quando lá chegamos deparamo-nos com uma ruína e que por existência de vegetação excessiva não permitiu a aproximação!!!

Regressamos ao percurso e tivemos que nos contentar com este pequeno exemplar de um moinho, mais umas esculturas artísticas envolvendo bicicletas. Pelo que li as obras surgiram em período de confinamento tendo sido uma forma de fintar os dias de aprisionamento.

O percurso prossegue por entre campos até alcançar as primeiras casas do povoado, daí passagem por uma pequena, mas bonita, bolsa de floresta preenchida por carvalhos onde, serenamente, corre a ribeira do fojo. Depois, mais campos…

… e no horizonte… o final do percurso.

Até ao final da etapa foi um instante… mas antes, passagem pelo cemitério… estávamos mortos, felizmente, só de fome! Iluminadas as almas seguimos rápido até ao átrio do templo que agora, infelizmente, estava fechado não permitindo a visita ao seu interior!

A praça que antecede a igreja que horas antes pulsava de humanização, repleta de carros e cânticos, estava agora envolta num silêncio apenas interrompido pela passagem do vento pelas frondosas copas das árvores e pelo motor do nosso carro abandonando o local.

O percurso não prima por uma beleza excessiva, o castro, os moinhos, poderiam ter adornado a visita mas não tivemos essa sorte… Resumindo, é um bom percurso para atividade física mas sem muito para oferecer no capitulo do património cultural.

A quem se queira aventurar neste percurso deixo o ficheiro GPX, aqui.

7 opiniões sobre “PR5 Moinhos do Fojo

  1. Olá Nelson, começo por agradecer este artigo tão detalhado e informativo. Conheço relativamente mal, ainda, esta região de Portugal, mas esta rota que aqui está apresentada parece magnífica, conjugando os pontos de relevo naturais e culturais. Lembrar-me-ei, certamente, deste artigo um dia que vá até estas paragens! Um abraço!

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