PR8 Quintas e Parques

Era um daqueles dias de outono com cheiro a inverno, daqueles dias que se cobrem de uma capa espessa de um cinzento carregado, daqueles dias em que os senhores do tempo anunciavam 50% de possibilidade de chuva. Pelo contexto o melhor seria ficar no sofá… mas preferimos considerar os outros 50% da probabilidade, olhar para a conjuntura pelo prisma do copo meio-cheio.

Fomos à descoberta do PR 8 STS, um percurso de pequena rota, circular, que une vários parques da cidade de Santo Tirso e que atravessa territórios rurais onde se encontram instaladas diversas Quintas. O percurso tem a extensão aproximada de 11.5 km e um grau de dificuldade fácil. Inicia e termina junto aos Paços do Concelho onde, nas imediações, existe parque de estacionamento para deixar a viatura. O percurso encontra-se totalmente marcado, no entanto, fora do perímetro urbano algumas marcações começam a estar “gastas”, pelo que, caso pretendam deixo o link do traçado – aqui.

A cidade recebe de dois em dois anos o Simpósio Internacional de Escultura onde são criadas obras de arte nos mais diversos materiais, obras essas, que ficam expostas no espaço publico adornando a cidade e permitindo à população um contacto direto com os trabalhos. Uma espécie de galeria de arte a céu aberto.

Seguimos, entre muros, entre casas antigas até ao Parque D. Maria II

A primeira proposta de construção do Parque D. Maria II data de 11 de abril de 1872. Pretendiam com a criação do mesmo melhorar as comunicações entre os órgãos centrais do município, acolher a feira de Santo Tirso e aproveitar as suas potencialidades paisagísticas. É um espaço muito bonito e acolhedor, por estes dias, com as árvores em tons de ferrugem e mel ainda ganha uma magia superior! Neste espaço encontra-se instalada a Casa de Chã, compõe ainda o espaço um pequeno lago e um estupendo coreto.

Depois de cruzar o jardim em ambos os sentidos seguimos, em sentido descendente, pelo bonito escadório cujas paredes laterais se encontram forrados de um tapete verde natural e de onde se destaca uma admirável cascata.

Descemos até ao largo do Mosteiro de São Bento, mosteiro que pertenceu à ordem beneditina tendo sido fundado no ano de 978. Sendo um dos mosteiros mais poderosos do país teve o privilégio de receber no ano de 1409 a visita de D. João I. No séc. XIV foi edificada a igreja monástica, da qual, restam alguns vestígios arqueológicos. A atual igreja matriz foi edificada entre os anos de 1659 e 1979.

Seguimos depois em direção a um corredor arbóreo que nos conduz sobre a ponte que faz a travessia do rio Ave. Transposto o rio giramos à esquerda para prosseguir um percurso pedonal e ciclável que nos leva em sentido contrário ao fluxo do curso de água até à porta do Parque Urbano Sara Moreira ou Parque Urbano da Rabada.

Este parque, sobranceiro ao rio Ave, assenta numa pequena mata de carvalhos e sobreiros onde foram criados vários espaços de circulação, um anfiteatro, uma cafetaria e uma zona desportiva.

Circundamos o perímetro sempre paralelos ao rio seguindo as marcações do percurso. O caminho abandona o parque por um portão que no dia estava fechado… vaguemos pelo parque em busca de alternativas até que encontramos uma escapatória,

Corrigida a rota mudamos radicalmente de cenário. Entramos agora num espaço mais rural percorrendo inicialmente um pequeno monte ladeado de campos agrícolas, posteriormente, uma zona mais urbana onde através das suas ruas estreitas e desertas fomos guiados até às portas das quintas e suas vinhas.

O caminho é quase sempre plano ou com subidas pouco pronunciadas até esbarrar com o portão cor de fogo desta bonita casa, daqui até ao Largo do Cruzeiro o caminho sobe um pouco mais forte. Aí chegados, o ponto mais alto do PR, seguimos novamente sem esforço por entre bonitos quadros naturais.

Fizemos bem em arriscar percorrer este percurso, no entanto, as probabilidade de não chover começaram a diminuir drasticamente, o ponteiro da percentagem descia na proporcionalidade à intensidade do vento que cada vez soprava com maior vigor!!! Apressamos o passo.

Na entrada do Parque do Ribeiro do Matadouro, mais um luxuriante parque urbano que a cidade de Santo Tirso oferece, somos brindados com um aguaceiro forte. Da mochila saltou um, pequeno e desengonçado, guarda chuva que o vento fez questão de escaqueirar, inutilizando-o definitivamente! A descoberto atravessamos o parque, felizmente, a chuva tinha parado de cair com intensidade.

O final do percurso rapidamente chegou.

Era um daqueles dias de outono com cheiro a inverno, daqueles dias que se cobrem de uma capa espessa de um cinzento carregado, agora, ainda mais saturado, era daqueles dias frios e húmidos em que apetece algo quente e delicioso para aconchegar o estômago…

… e não foi difícil encontrar esse aconchego. Aportamos no primeiro café com que nos cruzamos. – Dois cafés e dois jesuitas, por favor. – atirei gentilmente para o funcionário que passeava a sua bandeja por entre as mesas do café.

Terminamos da melhor forma o percurso e, por sorte, a água que caiu não fez o copo transbordar!

Boas caminhadas.

2 opiniões sobre “PR8 Quintas e Parques

  1. Santo Tirso (que não conheço…) parece estar bem apetrechado de parques. Aliás, eu penso que neste momento o nosso país está bem recheado de parques urbanos, junto ou não a zonas ribeirinhas. E através deles encontramos muitos lugares maravilhosos e perfeitos para uns belos passeios. Como os deste post!

  2. É verdade Dulce, os municípios têm apostado fortemente na requalificação de espaços urbanos e zonas ribeirinhas criando espaços de lazer e desportivos. São também oportunidades de atrair visitantes para as suas terras e com isso impulsionarem os negócios locais. Acho muito positiva essa aposta, eu, cá estarei para contar e mostrar essas maravilhas. 🙂

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