PR8 MCN – Trilhos de Portocarreiro

Aproveitando o intervalo nos dias de chuva trazidos pela depressão Lola saímos à descoberta de mais um percurso de pequena rota – PR8 MCN – Trilhos de Portocarreiro.
Este PR, nesta data, ainda não foi inaugurado oficialmente, no entanto, encontra-se totalmente sinalizado. Percorre o território da União de freguesias de Vila Boa de Quires e Maureles – Marco de Canaveses, percurso circular, grau de dificuldade fácil / moderado, com uma extensão de, aproximadamente, 16 km por áreas rurais de grande beleza.

Iniciamos o percurso, seguindo a direção dos ponteiros do relógio, nas imediações da Igreja de Santo André (Vila Boa de Quires), uma igreja construída no séc. XII que fazia parte de um complexo monástico. Esta igreja com características românicas, de linhas arquitetónicas simples, marcadas pela simplicidade e sobriedade é a maior bandeira da freguesia. No ano de 1881 toda a fachada foi deslocada aquando das obras de construção da torre sineira e da ampliação da nave.

Prosseguimos caminho paralelos à estrada e uma centena de metros adiante seguimos por outras secundárias, desertas de carros, desertas de gente, onde a natureza nos começou a envolver no seu manto verde.

Por um caminho de pé posto fazemos a aproximação a mais um local emblemático deste percurso, as Obras do Fidalgo. As obras do fidalgo, também conhecidas como casa inacabada de Vila Boa de Quires, é constituída apenas pela fachada principal de um edifício, em ruínas, do século XVIII. É considerada uma das mais extensas e imponentes fachadas barrocas da arquitetura portuguesa.


Entramos pelas traseiras da fachada, por um pequeno bosque místico que torna o local num cenário de fábula, atravessando o portal principal a paisagem abre-se num terreno amplo que permite contemplar todo o esplendor da fachada.

Fazendo o atravessamento da estrada continuamos por zonas rurais igualmente belas… serpenteamos por entre o verde da vegetação por caminhos rurais ainda adormecidos.

Num pequeno mar de erva verde um conjunto de cavalos vão vagueando indiferente à nossa passagem. Assobiando nas copas das árvores, os pássaros, trazem a melodia que complementa os sentidos. É sob o ritmo desta orquestra que continuamos a marcha…

Saímos dos caminhos de terra para o paralelo, em ligeira subida, entramos num núcleo habitacional mais compacto. Deste ponto mais elevado é possível alcançar, com o olhar, a cidade do Marco.
A sinalética informa que já percorremos 2.6 Km desde as Obras do Fidalgo e que o próximo ponto de interesse, a cascata, está a 3.9 Km… Há, no entanto, outra placa que indica que a 300 m, pela variante do PR podemos ver a Sepultura dos Quatro Irmãos. Como diz o ditado popular, a curiosidade matou o gato… passamos diretos pelo local, que se esconde nas traseiras de uma casa junto de um cruzeiro, os 300 m transformaram-se em 1 km… ao chegarmos à capela de S. Sebastião demos meia volta para regressar ao “ponto de partida”… no regresso, lá encontramos a sepultura! Estes quilómetros, no somatório final, não foram música para as pernas!!!

Abandonando a parte mais urbana, voltamos a submergir numa ruralidade serena, por caminhos tranquilos, em que, o canto dos grilos e dos galos rompem com o silêncio… seguimos pela Rua da Babilónia, mas aqui, os “jardins suspensos” são outros…

.… o caminho faz-se em sentido descendente, com vistas largas sobre o campo visual, onde, o rio Tâmega se refugia entre o carrossel dos montes que o ladeiam.

A zona envolvente à ribeira de Castro é um espaço encantador, à chegada, o caminho estreita junto a um maciço rochoso, depois vai-se contorcendo por entre os blocos graníticos até alcançar a primeira ponte de madeira.

Continuamos paralelos ao curso de água, voltamos a transpor a margem, por uma ponte aventura, para a captura de mais uma foto, depois, regressamos ao percurso subindo um escadório natural que nos conduz a mais um recanto de inegável beleza onde se destaca a cascata.

Há correntes que não se devem quebrar… sobretudo as que ajudam a evitar acidentes…

Percorridos mais umas centenas de metros, já com uma dúzia de quilómetros nos pés, decidimos parar para “almoço”. Aproveitamos um recanto que gozava da sobra de uma árvore para o repasto… enquanto isso assistimos a um bailado proporcionado por uma companhia de borboletas.

Atravessamos a freguesia de Maureles com passagem pela Igreja Paroquial de Santa Maria de Maureles, adiante, umas bonitas alminhas, depois, antes de abandonar a estrada para entrar em novos caminhos entre campos, um cruzeiro comemorativo.

Embora o tempo tenha gasto a beleza de outros tempos… detenho-me alguns segundo para contemplar este quadro…

... um pouco mais adiante, nova paragem para decifrar a mensagem!!! Na verdade, este vernáculo misturado com um português que não assistiu a todas as aulas conseguiu arrancar alguns sorrisos.

No lugar da Torre passagem pelo Pelourinho de Portocarreiro, imóvel de interesse público, símbolo da autonomia do extinto concelho, em 1853. A poucos metros daqui passagem pela Capela Senhora do Pilar, situada num plano mais elevado em relação ao percurso.

Num ápice chegamos ao final do percurso, a quem possa interessar deixo o link do track – aqui. (ignorar o desvio do PR 8.1 em direção à Campa dos 4 Irmãos)

Estes percurso, seguramente, não vai desiludir os amantes de caminhos de natureza.

Boas Caminhadas.

6 opiniões sobre “PR8 MCN – Trilhos de Portocarreiro

  1. Obrigado, Dulce. Foi uma agradável surpresa percorrer estes caminhos que transbordam natureza e paz.
    Boa semana…

  2. Muito bom artigo
    Vocês ainda se cruzaram comigo já na parte final do percurso.
    Continuação de boas caminhadas e sejam sempre bem-vindos

  3. Obrigado, António pelo simpático comentário. Que coincidência!!! Havemos de regressar… queremos ver como o outono vai vestir essas paisagens. Esperamos também descobrir algumas iguarias gastronómicas. 🙂

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