PR1 PRD Trilho dos Moinhos e PR2 PRD Trilho de Alvre

Saímos à descoberta de mais percursos de natureza, desta vez, no concelho vizinho de Paredes. As rotas selecionadas foram o PR1 PRD Trilho dos Moinhos e PR2 PRD Trilho de Alvre, dois percursos circulares de aproximadamente 5 Km, de grau de dificuldade fácil, que ao coincidirem num ponto de passagem permitem construir um percurso mais longo com cerca de 10 km.

Iniciamos os percursos no Parque da Senhora do Salto, um dos locais mais emblemáticos do concelho de Paredes, envolto numa lenda que adiante desvendarei. Um espaço encaixado entre a imponente envergadura das escarpas que compõe a serra e o rio Sousa que aqui se revolta ao rasgar esta estreita “garganta” esculpida na rocha.

Saímos na direção do percurso 2, rumo a Alvre, por um caminho paralelo ao rio Sousa. As condições naturais do local são convidativas à reunião dos amantes da natureza, das caminhadas, mas também, dos desportos de aventura, como o caso da escalada.

Em solo mais firme prosseguimos caminho… a ponte da CREP, que sobrevoa este território, infelizmente, faz-se notar esbatendo, momentaneamente, o encanto do local!!! Deixando para traz este monstro de betão a paisagem volta a preencher-se de verde… Abandonamos a margem do Sousa e prosseguimos paralelos à Ribeira de Santa Comba, a qual, transpomos por uma pequena passagem.

Na margem oposta, iniciamos uma ligeira subida que nos levará até Alvre, uma das aldeias deste território. Destaco a tipicidade de algumas construções, as denominadas Casas de Pátio, construídas em xisto e quartzitos da região, bem como, a sua ruralidade ligada à agricultura.

Depois de cruzarmos parte do núcleo habitacional voltamos a baixar na direção da ribeira de Santa Comba, nova passagem de margem… agora por caminhos mais tortuosos, de pedra muito solta, em sentido ascendente até que o caminho alcance, uma vez mais, a estrutura que sustenta a CREP.

Alcançada a ponte, há dupla possibilidade, baixar até ao local de inicio, a cerca de 300 metros, ou prosseguir pelo PR1. Prosseguimos, novamente em sentido ascendente, inicialmente por um percurso florestal e depois por um mais rural, entre muros, que nos leva até próximo da Igreja de São Romão, na aldeia de Senande – este é o caminho por onde, todos os anos, passa a procissão em honra de Nossa Senhora do Salto, no primeiro domingo de maio.

O caminho, agora mais fácil, vai baixando lentamente até alcançar a estrada alcatroada (N-319-2). O percurso por estrada é curto, no entanto, algumas curvas cegas exigem atenção redobrada. Estamos agora próximo de mais um ponto de interesse que se insere na Rota do Românico, a Torre do Castelo de Aguiar de Sousa, para lá chegar há que vencer uma curta mas pronunciada elevação.

“De acesso difícil, rodeado por montes mais altos que lhe retiram visibilidade, o antigo Castelo de Aguiar de Sousa situava-se na rede defensiva do território, a que os reis Asturianos deram particular atenção, nos séculos IX e X.No contexto das guerras da Reconquista, as crónicas cristãs referem a tomada do Castelo, no ano de 995, pelo general muçulmano Almançor, aquando das suas incursões para Santiago de Compostela.Este Castelo encabeçou uma “Terra” no processo da reorganização administrativa do território decorrido ao longo do século XI e um importante “Julgado”, já no século XIII.A Torre do Castelo de Aguiar de Sousa apresenta uma estrutura de planta quadrangular, descentralizada dos vestígios do contorno da muralha.No século XII, o Castelo não deveria possuir ainda a Torre, embora seja já próprio da Época Medieval a existência da torre de menagem no interior da cerca amuralhada superior.Nos finais do século XIII, o Castelo de Aguiar de Sousa terá sido abandonado.”

fonte | https://www.rotadoromanico.com/

Depois de contemplada a paisagem envolvente por onde o rio Sousa vai serpenteando até alcançar o Douro, regressamos ao percurso. Seguimos agora em direção à zona dos moinhos… o caminho rural vai estreitando à medida que nos aproximamos do local onde mora este património. Abandonamos por momentos o caminho e baixamos até à margem do rio… eis o primeiro moinho.

Uma centena de metros adiante, voltamos a baixar na direção do rio para visitar o segundo moinho…

Saídos deste ponto retomamos o caminho, cada vez mais estreito, onde a encosta se precipita de forma mais acentuada, o que exige algum foco onde colocamos os pés, pois, parte deste tramo tem alguma pedra solta, vegetação a querer invadir a passagem e um pequeno deslizamento de terra que abriu um sulco no já estreito caminho…. depois…. depois retomamos a normalidade até ao monumento em honra do Pde Joaquim Alves Correia de onde se tem uma alargada panorâmica sobre a zona de lazer da Senhora do Salto.

Este terá sido, por ventura, o ponto geográfico que deu origem à lenda da Senhora do Salto.

Aqui, paredes meias com a “boca do Inferno“, reza a lenda que um cavaleiro que vinha a ser perseguido pelo Diabo, sob a forma de um veado, para alguns, de uma lebre, saltou para o abismo neste preciso lugar. Na queda invocou com fervor a proteção de Nossa Senhora:

– Valei-me Virgem Senhora,
– Valei-me que sou pecador

Deu-se então o milagre! Cavalo e cavaleiro pousaram na margem oposta do rio, sãos e salvos num local onde ainda se “vêm as marcas das ferraduras do cavalo”. Como sinal de agradecimento e devoção, o cavaleiro, mandou construir neste local uma pequena ermida dedicada a Nossa Senhora do Salto.

Vitória, Vitória, terminou a história, mas não a caminhada. Seguimos, novamente, por estrada, uma centena de metros, adiante, voltamos a entrar num caminho de terra que nos irá levar até ao ponto de partida.

A “tasca do salto” poderá ser um bom local para terminar a aventura, para matar a sede ou a fome com a afamada fêvera no pão, com ovo e queijo… ficar no espaço exterior a contemplar a fantástica vista. Não levem pressa, pois o serviço pode demorar!

Até breve…. boas caminhadas.

2 opiniões sobre “PR1 PRD Trilho dos Moinhos e PR2 PRD Trilho de Alvre

  1. Estes moinhos são a confirmação da força moageira destes rios e a importância que teve na economia local, a afirmar o cenário, pequenas bolsas verdes de floresta nativa num oceano de eucalipto!!! Bom resto de semana Dulce.

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