PR1 Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago

Um novo ano, a mesma vontade de sair à descoberta de novos trilhos, de viver novas aventuras, de estar mais conectado com a natureza. Um novo ano, a mesma vontade de contar histórias.

Esta nova história leva-nos, uma vez mais, até terras do Marco de Canaveses, região que até agora sempre nos ofereceu percursos de superior de beleza. Fomos descobrir o PR1 MCN – Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago, um percurso de pequena rota, com cerca de 15/16 km, com um grau de dificuldade moderada, 4 a 5 horas de caminhada, tem o seu início e fim junto da Igreja Matriz de Soalhães.
Track do percurso aqui.

A viagem até Soalhães foi acompanhada por um manto de nevoeiro espesso que só deixamos para trás muito próximo do ponto de início do percurso. Estacionamos facilmente na proximidade da Igreja Matriz, também conhecida por Igreja de S. Martinho de Soalhães, monumento nacional desde 1977, erguida no convento beneditino instituído entre os séculos IX e XI, extinto por D. Sancho II e convertido em abadia secular na centúria de XIII. Este monumento faz parte da Rota do Românico.

Ao abrir a porta do carro a aragem gélida da manhã trespassou todas as camadas de roupa, era urgente começar a caminhar. Seguimos na direção da seta existente nas traseiras da igreja, por um espaço vedado mas com permissão de passagem, saímos deste espaço para uma estrada que seguimos até à Poça da Sapeira.

Nas proximidades dá-se o início “oficial” do percurso circular. Uma acentuada ladeira que fez acelerar os batimentos cardíacos e aumentar um pouco a temperatura corporal. Bem era preciso.
Rápido ganhamos altitude suficiente para vislumbrar aquela espécie de algodão doce que preenchia os vales. Passagem pela Capela de São Clemente.

O percurso segue por uma autêntica montanha-russa natural, ora descíamos pequenos percursos, ora subíamos extensões consideráveis de caminhos, algumas delas bem ingremes! Aqui e ali, pequenos cursos de água atravessavam o caminho compondo o cenário.

A passagem pelas Pedras Brancas foi uma boa oportunidade para restabelecer a, acelerada, respiração, retirar alguma roupa e observar a beleza da paisagem circundante. Adiante, abandonamos estes caminhos de natureza para seguir, umas centenas de metros, por estrada, sem que isso não incluísse continuar a ganhar altitude. Algures neste percurso, um canito, de ar amistoso, aproximou-se e decidiu acompanhar os nossos passos. Curioso que sempre que se afastava do grupo, fazia um compasso, olhava para trás como se a dizer: Vá lá, despachem-se!

Abandonamos a estrada para entrar num belo quadro natural e levados pela corrente vamos até ao primeiro moinho do percurso – Moinho do Balcão – que divide o espaço com algumas habitações e um imponente bloco de granito que, em perspetiva, coloca as habitações em casas miniatura.

Seguimos, de novo, por estrada, na direção da capela de Santiago. A ermida fica afastada 200 m do percurso, é preciso fazer uma ida e volta, mas tal como anunciado no painel direcional “Visita Obrigatória”, e é mesmo.

A Capela de Santiago, fundada no séc. XII, foi edificada junto a uma possível via usada pelos peregrinos vindos de Lamego, que seguiam para Santiago de Compostela. É um verdadeiro miradouro natural, permitindo ter uma vista extraordinário sobre a Serra da Aboboreira e terras envolventes, mas também, oferece a oportunidade de relaxar um pouco no peculiar banco criado para o efeito.

Regressamos ao trilho continuando em modo ascendente, por bonitos bosques de carvalhos, pequenas levadas, tapetes fofos de folhagem até ao lugar onde, em cascata ao longo da encosta, se estendem um núcleo de moinhos.

Esta zona pelo que consegui apurar já foi alvo de uma reabilitação à cerca de uma década, no entanto, o tempo e possivelmente o abandono de alguns deles conduziu a um estado de degradação avançada. Salvam-se um par deles muito bem preservados. Terminada a subida, junto ao Moinho Cimeiro, afastamo-nos embalados pelo lanço do baloiço.

Rumo à aldeia de Almofrela mais uma rampa para ultrapassar, uma constante nestes primeiros quilómetros, cada vez mais alto, cada vez com uma vista mais ampla sobre o horizonte.

A viragem para a aldeia marca o final das subidas. A aldeia está próxima. Por entre campos agrícolas vamos rasgando a “avenida” que nos leva até à Capela de S. Brás e daqui até à conhecida Tasquinha do Fumo.
Trazia em mente uma sopa quente para compor o estômago faminto, infelizmente não se concretizou por não haver sopa (!). Ficamo-nos pelo lanche volante que seguia na mochila, mesmo ali à porta do tasco.

No pouco tempo que durou o almoço a temperatura do ar desceu muito rápido obrigando a sacar todos os agasalhos entretanto subtraídos ao longo do caminho e outros que vinham de reserva. Iniciamos a descida por entre campos de cultivo, por um caminho lajeado e de seguida por outros de terra, por pequenos bosques e de seguida por outros espaços de matos rasteiros.

A descida nem sempre foi fácil como nas imagens anteriores, patamares, sulcos e alguma pedra solta impõe uma marcha mais lenta, menos focada na paisagem e de olhos postos no caminho. Voltamos a avistar a estrada de alcatrão que nos irá conduzir até ao carro. Aqui, o caminho desce de uma forma vertiginosa, o último grande desafio do percurso.

Com a alma cheia de imagens bonitas e as pernas pesadas de um cansaço bom, chegamos ao final de mais um percurso fantástico por terras do Marco.

Votos de um bom ano a todos/as, que seja um ano pleno de saúde para que possam realizar muitas caminhadas e pedaladas.

5 opiniões sobre “PR1 Pedras, Moinhos e Aromas de Santiago

  1. Foi, sem dúvida, uma entrada com o pé direito. Agora é pensar em novas aventuras. Boa semana, Dulce.

  2. Foi mesmo uma entrada em grande. Mas tenho de pensar em retomar às voltinhas de bicicleta…
    Um bom ano para ti também… pelo que vou vendo… está a correr sobre rodas, com fotos do caraças.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s