Caminho Central Português

1ª Etapa – Porto (Sé) – São Pedro de Rates – 37,5 Km

Diapositivo1

Depois de longos meses de espera, de muita coisa lida e ouvida sobre o caminho, a expectativa estava ao rubro no dia do arranque da grande caminhada e nem o dia negro, nem a chuva intensa abalaram o meu entusiasmo. Não era o tempo que imaginei… mas funcionou como uma espécie de bênção para o que havia de vir.

A beleza da cidade Invicta é inspiradora e não podia faltar um registo do momento da partida, mesmo tendo de arriscar o afogamento da máquina fotográfica…

IMG_7787

Das muitas coisas que li sobre esta etapa é que o percurso depois da saída do Porto não é nada interessante do ponto de vista paisagístico, histórico e cultural, dando como sugestão a utilização do metro em parte do percurso, sugestão que concordo em pleno.

Podem apanhar o metro nas estação Carolinha Michaelis e seguir até à estação de Araújo, evitando cerca de 9 km de uma estrada bastante movimentada onde por vezes as bermas da estrada são o “caminho”, ou então, seguir até Vila do Conde e retirar ao extenso percurso cerca de 20 km. (De Vila do Conde até próximo de Rates não existem marcações)

Ja o Porto era um ponto no infinito, aportamos numa tasca para a refeição, uma sande de panado, trazida de casa e não fosse o tacho de arroz, embrulhado em jornal, demasiado pesado também teria vindo. Em boa verdade, em termos de alimentação o abastecimento está sempre garantido ao longo de todo o caminho, em mercearias e cafés, pelo que, não necessitam de carregar peso desnecessário em mantimentos. Apesar de ao longo do percurso haver bastantes fontes, uma garrafa de água não deve faltar na mochila, a grande maioria das fontes desaconselha a ingestão da água.

“Rápido” chegamos a Rates… aqui a paisagem começa a ganhar uma outra beleza… 

29597585_10213563170146467_2169129071190143881_n

IMG_7825 (1024x768)

Alcançado o Albergue (ver Albergues do Caminho), um único peregrino, Eusébio, nome de craque, um simpático italiano com quem travei conhecimento… e que nos dias seguintes veio a tornar-se o 4º elemento do meu/nosso grupo.

29683397_10213563169506451_7641572538520069180_n

O albergue dispõe de uma cozinha que possibilita preparar uma refeição e a poucos metros existe uma mercearia para a aquisição dos produtos. Em alternativa, existe a uma centena de metros um pão-quente, para um lanche reforçado, ou então, esta é a minha sugestão, uma pizzaria perto da igreja. Umas pizzas maravilhosas e a um preço de saldo!!!

IMG_7857 (1024x768)

29791259_10213563164626329_4866064797964365994_n

A igreja de São Pedro de Rates é um belíssimo templo monástico documentado já no séc. XI, tendo sido doado pelos condes D. Henrique e D. Teresa à Ordem de Cluny. Vale a pena a visita deste núcleo central do povoado.

Depois do jantar e de regressar ao albergue parecia que o dia havia terminado da melhor forma, mas o “caminho falou”… e apresentou-nos o António, alberguista em Rates, que muito bem nos acolheu e mostrou-nos o porquê deste caminho ser tão mágico… Terminamos a noite com um suplemento energético, os bolinhos da D. Maria, superiormente acompanhados por uma queimada galega que para além de aquecer o corpo, aqueceu muito mais a alma.

IMG_7878 (1024x768)

2ª Etapa – São Pedro de Rates – Tamel – 25.5 Km

Diapositivo2

Estava programado para o segundo dia caminhar apenas até Barcelos, 16 km, mas atendendo a que no dia seguinte haveria uma etapa de 30 km, decidimos caminhar um pouco mais e ficar com duas etapas equiparadas, na ordem dos 25 km, o que me parece mais equilibrado e veio a revelar-se a melhor opção… explico adiante.

Acordar com o barulho da chuva, como no primeiro dia, não é agradável, mas despertar ao som de fechos zipper a correr, mochila acima, mochila abaixo é igualmente mau… principalmente se essa atividade se iniciar as 6.30h da madrugada. Eis a primeira descoberta de como é dormir em Albergues!

Depois de um pequeno almoço ligeiro, talvez no único café aberto no distrito, fizemo-nos ao caminho. O percurso assemelha-se a uma gigante serpente percorrendo os campos verdejantes. O sol e a paisagem aqueciam a alma e a primeira subida do dia aqueceu os músculos.

29683218_10213563168706431_4729034481982967998_n

Depois de chegados à localidade de Pedra Furada… uma paragem para visitar a Igreja de Santa Leocádia e a dita pedra furada, que sobre a qual recai uma Lenda. Visita concluída percorremos a estrada durante cerca de 3 km, apesar de não ter grande tráfego a atenção recomenda-se. Aproveitem para fazer uma pausa para um café no restaurante com o mesmo nome da localidade, a proprietária é muito simpática, assinem o livro de visitas e recolham o selo que é muito bonito.

29793596_10213563167826409_6750805953273160734_n

IMG_7914 (800x600)

29571217_10213563176946637_8520049643424715889_n

Daqui a Barcelos o caminho faz-se super rápido, conforme já havíamos previsto, 16 km em 3 horas, em ritmo de turista.
Em Barcelos uma pausa para ver a cidade, leia-se, o centro, a Igreja Matrizo Museu da Olaria e para um almoço tipicamente português, um Mac cozido à portuguesa, no fast-food do palhaço e depois seguimos viagem que o tempo parecia estar a mudar… e porque em Barcelos só o de lá canta de galo!!! Conheça a lenda do Galo de Barcelos aqui

22308856_10213563176986638_6554143502551404893_n

IMG_7959

29595407_10213563166146367_5828044861178840021_n
A segunda parte do dia, 9.5 km, foi feito debaixo de uma chuva moderada que se intensificou à medida que o percurso ia terminando. Esta opção de continuar para além de Barcelos para além de permitir avançar no mapa do percurso sem qualquer esforço dado o relevo favorável também nos levou até ao melhor albergue do Caminho (espaço físico), em Portela de Tamel, Casa da Recoleta.

Mas antes de lá chegar há que vencer uma interminável subida de  2.8 Km com um desnível acentuado no último quilometro.
O albergue tem uma cozinha excelente e vendem produtos que permitem elaborar uma refeição. Nós jantamos uma deliciosa massa e para acompanhar, a garrafa de vinho maduro que o Eusébio transportava e lhe esta a causar um enorme transtorno pelo peso que provocava. Estava selada a amizade e daqui por diante o “italiano” já era um dos nossos.

3a etapa – Tamel – Ponte de Lima – 24,5 km

Diapositivo3

Se eventualmente tiverem em mente peregrinar, acautelem para que no albergue onde vão dormir, ou pelo menos, no quarto onde vão pernoitar não se encontram polacos ou polacas, não tenho nada contra o povo, até tenho apreço pelo Karol Wojtylamas ou pelo Mlinarzick, mas acho que não conhecem as horas!!! Despertar as 5 e meia é mesmo para quem nunca estudou o relógio na escola primária. Cuncatano.

Já que fizeram o favor de acordar a malta, a malta pôs-se a andar cedo, ainda com a “remela” no canto do olho! O objectivo para hoje estava à distância de quase 25 km e dava pelo nome de Ponte de Lima. Ao grupo juntou-se um quinto elemento, Filipe, maiato, que chegou a Tamel lesionado e que por força dessa mesma lesão acabou por abandonar a Caminhada em Ponte de Lima, no entanto, foi com grande agrado que o tivemos no grupo e com grande tristeza que o vimos partir.

29684232_10213563175226594_5206123709198348070_n

IMG_8069 (800x600)

O percurso deste dia para variar um pouco iniciou-se debaixo de uma chuva assim para o molhada que molhou por duas horas bem contadas. O caminhar à chuva, desde que não seja com grande intensidade, torna-se prazeiroso e o efeito cansaço é atenuado.

29695275_10213563183386798_6432501139704751541_n

 

Um percurso bastante agradável e nada difícil, acredito que o Filipe não partilhasse totalmente desta opinião. Depois de passado o Alto de Albergaria e já em plena descida temos uma vista privilegiada para a Serra da Labruja (a dificuldade do dia seguinte)

29695125_10213563181946762_746090516776239142_n

IMG_8088 (800x600)

Quase sem dar conta chegamos a Ponte de Lima e atendendo a que chegamos bastante cedo em relação à hora de abertura do albergue, optamos por arranjar alternativa de dormida para que poder descansar um pouco mais, no entanto, o albergue da cidade vila (correcção sugerida e muito bem por quem leu. Obrigado) é muito bom, embora só abra às 17 horas.

11224385_10213563173466550_4893470933875697821_n

29789950_10213563166826384_405758086734735820_n29595082_10213563163546302_4385281050274495342_n29695032_10213563173226544_2043655535799486584_n

É uma cidade vila ( 🙂 ) que vale a pena uma visita ao seu centro histórico líndissimo, não esquecer de recolher um selo na Igreja Matriz e admirar a sua beleza.

IMG_8120 (800x600)

29683852_10213563176066615_450155049028616375_n

29573335_10213563186466875_5081268997000532422_n19756852_10213563169426449_353538439629123557_n

O pé da Eduarda, assemelhava-se ao plástico bolha… e ela, como toda a gente, não descansou enquanto não as rebentou todas! A Conceição no meio deste alvoroço ainda arranjou tempo para ficar mais velha… e para abandonar a sua máquina fotográfica num dos bancos da cidade. A história teve um fim feliz porque ainda há gente do bem.

29598380_10213563164466325_7451407183628538091_n

4a Etapa – Ponte de Lima – Rubiães – 19km
Diapositivo4

Esta foi a etapa que mais receei (!), talvez porque foi a que mais me falaram, mas que na verdade não é tão difícil como diziam!!!

O percurso começou uns metros após o albergue no café da esquina para o pequeno almoço… ovos, bacon, torradas, sumo de laranja, não havia. Mas um pão untado com manteiga e uma meia de leite fez quase o mesmo efeito!!!

O inicio do percurso é bastante interessante percorrendo uma levada que por aqueles dias corria cheia o que nos obrigou a atalhar pelos campos que a ladeiam sob pena de molhar o peugo!!! Um percurso que requer alguma atenção porque a vegetação crescida e algumas silvas dificultam a normal progressão, o uso de bastão ou cajado facilita a terefa.

29791928_10213563167866410_3725844004732746801_n29791061_10213563165306346_3228859598127659368_n

Os primeiros 10 quilômetros foram uma espécie de passeio animado com o sol a levantar o moral para o que havia de vir.

30123821_10213563175186593_9086164065083406385_n29598148_10213563191386998_9194605649689577472_n29694617_10213563185026839_5930291282816274287_n

Chegados ao café que antecede a subida uma pausa para carimbar a credencial, um café, respirar, respirar um pouco mais e iniciar a subida…

29594768_10213563186026864_3353456761524739567_n19060050_10213563184786833_4813687614804053964_n

 

IMG_8215 (800x600)

Quando iniciou a subida, achei que a coisa ia ser séria, mas um quilometro à frente vi que me tinha enganado no prognóstico, a coisa na verdade ia ser muito séria!!!
Uma espécie de escadaria do Bom Jesus de Braga, mas sem Braga, e muito menos Bom Jesus… Havia pedras soltas, raízes de árvores e regos. É tudo o que se deseja para uma subida assim!!! Percurso impossível para se fazer numa bicicleta, a não ser que ela seja carregada as costas! Já a pé, fazer com cuidado para evitar tropeções, entorses… subida exigente para fazer em modo “calma que vou com tempo”.

Uma paragem na Cruz dos Franceses (que assinala o local onde a população emboscou os retardatários do exército de Napoleão na invasão de 1809) é obrigatória quanto mais não seja para a foto… e respirar um pouco mais.

IMG_8232 (800x600)

29683751_10213563192147017_2576020558333819380_n29793087_10213563175986613_4111555287752038166_n
Atingido o alto a vista é muito bonita, mas logo a esqueces quando te apercebes que descer é igualmente mau!!!
Como disse um peregrino brasileiro com quem me cruzei (Ler com sotaque): Se era para descer para que é que subimos?
Dobrado o Cabo das Tormentas, fomos afogar o Adamastor numa cervejinha fresquinha… e que bem soube “navegar” sob o sol escaldante. Estes momentos de contemplação são excelentes…

IMG_8268 (600x800)

Antes que naufragássemos prosseguimos viagem até terra firme.
2 Km bem medidos de paisagens luxuriantes, imensamente apetecíveis para qualquer vaca, ovelha ou cavalo… um verde gourmet dá um colorido especial à erva fresca.

Chegados ao albergue de Rubiães quase me alegrei com o bom aspecto exterior do mesmo, já a higienização nem vos falo. Quero acreditar que o facto de naquela data não estar em condições aceitáveis se deva ao excesso de gente no caminho nesse período!!! Quando o desânimo já estava a tomar cota por ter de dormir naquelas condições, o caminho “falou” e levou-me a um albergue particular… O NINHO que mais se assemelha à casa de uma avó, onde tudo se faz para agradar os netos.

Na duvida, não exites…

5a Etapa – Rubiães – Tui – 23 km

Diapositivo5

Acordar cedo com o cantarolar de um galaró… ninguém merece! Nem mesmo os patos que dividiam o galinheiro! Fosse eu o mestre da cerimónia teria acabado numa panela pela hora do jantar.

Saímos do Ninho em busca da princesa de Rubiães ou destroços do mesmo… (quem não percebeu a hipotética piada tem de ouvir aqui). Uma vez que nem vestígios do naufrágio mais trágico de sempre avistamos, seguimos caminho…

IMG_8314 (600x800)

Depois de passar a ponte romana sobre o Rio Coura e para aqueles que ainda não tomaram o pequeno almoço há um café um pouco mais adiante quando cruzarem a estrada de “piche”, depois… caminhar sem parar pelo menos até chegar ao alto de S. Bento da Porta Aberta, onde podem parar no café local para recolher mais um carimbo ou reforçar o pequeno almoço desgastado certamente no único ascendente do dia.

IMG_8327 (800x600)

Daqui começamos a descer até o Rio Pedreira, durante o percurso é possível avistar a cidade de Valença, aí chegados impõe-se a visita ao interior da muralha quer pela sua beleza quer pela sua história e para aqueles que decidam terminar aqui o seu percurso é uma chegada triunfal ao Albergue. Se forem recolher um carimbo nos Paços do Concelho, podem ter a “sorte” de serem fotografados pelo Gabinete de Comunicação do Município.

29683888_10213563172546527_2636497776780902005_n29695186_10213563180146717_3850723027985550543_n30124129_10213563181226744_2981318151865930260_n

29595572_10213563173986563_8008538529626504838_n

29594638_10213563184106816_262837171834191114_n

Seguimos viagem…

Depois de transpor a ponte passamos à condição de peregrinos estrangeiros. Desde a ponte já se avista a meta deste dia… mas até lá há que vencer uma subida entre o casario.

IMG_8417 (800x600)

Ao acercar-mo-nos da Catedral de Tui, damos conta que a cidade está em festa. Não podíamos ter chegado em melhor dia a Tui ou não fossem as festas do Santo Padroeiro San Telmo.

29791710_10213563184826834_4814828232165961660_n

Depois de marcada a cama no Albergue, de um banho usufruindo de uma vista fantástica, fomos à festa… gostei do que vi e aconselho a todos uma visita à região por altura das festas, os mais devotos certamente irão gostar da majestosa procissão.

Dado que os albergues encerram às 22 horas, tivemos de recolher no melhor da festa…

A “festa” continuou às 5 com a alvorada…

6a Etapa – Tui – Redondela – 32 km

Diapositivo6

(Cenas do dia anterior)

Era meia noite e o ribombar do fogo acordou meio albergue pois o outro meio ainda estava acordado pelos roncos dos que dormiam!
Finda a festa, o albergue adormece…

(Cenas do próprio dia… e que Cena!!!)

Ás 5 da manhã tenho a sensação de estar a viver um tremor de terra!!! Vim a descobrir pelas repetições que foi o “el grosso” que se estava a centrifugar dentro do saco cama, no andar de baixo do beliche!!!
Eram 5.30 h e uma vez mais não preguei olho o resto da noite!!!

Aos poucos o albergue ia regressando à vida…  os peregrinos partem aos poucos procurando os poucos cafés para energizar… Tomado o pequeno almoço à moda de portugal mas a preços da Suécia lá seguimos viagem… (para os coleccionadores de fotos com símbolos do caminho… antes da saída da cidade na parte inferior de uma das casas há um Santiago esculpido  com uma seta a indicar o caminho – muito bonito).

29790077_10213563165346347_7755078267247288558_n

Para o dia de hoje estava previsto andar 23 km e pernoitar em Mos. Mas mais tarde verificamos que continuar um pouco mais seria a melhor opção.

O inicio desta etapa não é muito interessante pelo menos até se atingir o Monumento ao Peregrino. Daqui em diante o percurso desenvolve-se num misto de estrada e caminhos por entre campos e bosques até chegarmos à enfadonha recta do poligno industrial de O Porriño … (actualmente existe um caminho alternativo paralelo a esta recta sem fim) Agora duas fotos para descobrirem as diferenças…

29792433_10213563187506901_7188185154375865832_nIMG_8639 (800x600)

IMG_8659 (800x600)

Depois disto nada melhor que uma paragem para carregar um pouco as mochilas com mantimentos… paragem O Porriño, uma cidade muito ligada à indústria, centrada nas suas áreas industriais e nas pedreiras de granito, que se diz serem as maiores do mundo do seu género com o característico e único “granito rosa Porriño”. Registar em foto a lindíssima Casa Consistorial, sede do concelho do Porrinho e porque não também com o arquiteto autor do projecto… encontra-se na praça à vossa espera.

29683224_10213563176906636_4951453830677848146_n

Ainda antes da uma da tarde, chegamos a Mós, constatamos que não seria a melhor opção. Primeiro, porque era muito cedo, segundo, porque estava no meio de nada e terceiro, porque era certo que no próximo albergue “el grosso” não estaria lá para ressonar… De registar que o albergue apesar de não ter um aspecto extraordinário por fora, quem lá ficou, disse muito bem do espaço. A alberguista está no café em frente.

IMG_8686 (800x600)

Depois de uma cervejinha,mais nove quilómetros que se iniciaram numa subida de quase dois quilómetros, divididas em duas rampas, que nos secou a “água” que tínhamos bebido no café.

Por descidas acentuadas e paisagens não muito belas, pelo menos à passagem,  lá chegamos a Redondela. Cidade que não impressiona pela beleza, mas que tem umas “hamburguesas” magníficas. O albergue também não é dos melhores, as camas são demasiado juntas e quando cheio torna-se demasiado quente. Perto daqui há um albergue particular que me pareceu bem mais interessante.

29595473_10213563166066365_9142607494943070702_n

Depois de devidamente asseados lá saímos, debaixo de uma chuva miúda, para comer um hambúrguer sugerido por um habitante local com quem estive à conversa à chegada ao “hotel”. Procurar por, salvo erro,… Los Leones… top top…

29791238_10213563163466300_2658988229410378544_n

IMG_8720 (600x800)

 Fiquem a salivar…

7a Etapa – Redondela – Pontevedra – 21 km

Diapositivo7

Pela primeira vez saímos do albergue ainda noite!!! Desta vez “el grosso” nada teve a ver com o assunto! Felizmente esta rotina de madrugar não me acompanhou no regresso ao dia-a-dia! 

Este percurso é bastante bonito, muito verde, mas proporcionalmente duro com dois ascendentes de nível médio/alto. Mas antes das subidas uma paisagem fabulosa para ser contemplada. De Arcade até Pontesampaio somos acompanhados pela belissima enseada de San Simón.

IMG_8761 (800x600)

29790243_10213563170106466_5077324666447670859_n

A chuva foi uma constante durante toda a manhã de forma mais intensa à chegada a Pontevedra. Ainda o relógio não marcava as 12, já nós estávamos à porta do albergue… aguardar uma hora por um banho quente parece muito, mas lá teve de ser!!!

Depois de tudo tratado, escolha da cama, banho, roupa a lavar e secar… fomos fazer uma visita ao centro de Pontevedra, uma cidade grande, com muita vida e movida. Gostei bastante e recomendo a visita.

IMG_8839 (800x600)

Como não haverá certamente muito tempo para passeios, recomento a visita ao Santuário da Virgem Peregrina, padroeira da província de Pontevedra e do Caminho Português de Santiago, que foi edificado no século XVIII. A sua planta simula uma concha, símbolo do Caminho. Na fachada há imagens da Virgem, São José e Santiago, todos vestidos como peregrinos.

29790577_10213563172106516_1711848761602614013_n

Igreja de S. Franciscodatada do século XIII, fazia parte do Convento de São Francisco. A fachada românica é tudo o que resta da construção original, pois tanto a igreja como o convento sofreram muitas modificações ao longo do tempo, especialmente na Idade Média e Idade Moderna. Em 1836, com a desamortização de Mendizábal, tanto o convento como a igreja foram deixados ao abandono, o que esteve na origem de grandes estragos e inclusivamente a destruição de uma capela. No seu interior destacam-se vários sarcófago do século XV)

29684021_10213563167786408_7372915503741865861_n

IMG_8867 (800x600)

Ponte do Burgoas primeiras referências a ela datam de 1165, quando os reis Fernando II de Leão e Afonso I assinaram o tratado de paz intitulado Super flumen Lerice in vetula ponte.

29793153_10213563166866385_3626107731418846262_n

Depois de calcorreada a cidade, descansar numa esplanada a degustar uma 1906 será certamente um excelente programa para o final do dia.

29573344_10213563163346297_5242510600961486033_n

IMG_8818 (800x600)

Continuamos…

8a Etapa – Pontevedra – Caldas de Reis – 23 km

Diapositivo8

Mais um dia, mais uma volta…
A noite em Pontevedra foi passada numa espécie de estufa de secagem de pinturas de peças auto mas que na verdade era um quarto colectivo para 50 pessoas… nem foi necessário fazer o aquecimento matinal. É por esta situação que aconselho uma alternativa de dormida, ou então, seguir mais 9 Km e ficar em Arcade num albergue particular. 

Já na estrada, numa cidade que ainda dorme, somos olhados com desconfiança por aqueles que vão dando brilho à cidade e com alegria por aqueles que resistiram até ao raiar do dia depois de uma noite de copos.

IMG_8823 (600x800)

O percurso de hoje é bastante fácil, com apenas um pequeno ascendente. O restante caminho é um mix de estrada, caminhos rurais e bosques luxuriosos como o da foto abaixo.

29594649_10213563181986763_6366167942400961615_nIMG_8885 (600x800)

29791419_10213563187426899_7231159286036086250_n

Cedo chegamos a Caldas de Reis, Caldas denomina-se “de Reis” porque ali nasceu Afonso VII de Leão e Castela, filho de Urraca I e de Raimundo de Borgonha, conde da Galiza. O castelo que a rainha ali tinha foi derrubado e as suas pedras foram usadas na construção do igreja de São Tomás. Diz-se que esta igreja foi dedicada a São Tomás de Cantuária, que passou pela vila fazendo o Caminho de Santiago.

Caldas é uma cidade termal, com tanques públicos de água quente onde se podem colocar as pernas de molho. Há quem a beba… mas nós, como não somos de misturas lá continuamos na cerveja fresquinha.

IMG_8914 (800x600)

29683438_10213563184426824_5167097949157529179_n

Com toda a gente a desaconselhar o albergue público, aceitamos a sugestão de uma taberneira do caminho e chegados ao destino fomos procurar o Albergue “O Cruceiro”. Um Hotel e um Albergue, no mesmo edifício, que apenas se diferenciam pelo tipo de quartos e pelo preço. Uma excelente alternativa.

29683520_10213563184146817_6079533613120823988_n

Depois do reforço alimentar… uma pequena visita ao centro para recolher umas fotos e descontrair ao sol. Passagem obrigatória pela Ponte de Bermaña, ponte de origem romana que nos conduz até ao início da etapa do dia seguinte.

IMG_8927 (800x600)

9a Etapa – 1 – Caldas de Reis – Padrón – 19 km
                     2 – Padrón – Herbon – Padrón – 7 km

Diapositivo9

Bem dormidos o caminho até parece voar debaixo dos nossos pés.

O caminho de hoje é bastante interessante… percorremos vários bosques muito bonitos. Árvores que o tempo vestiu de um verde musgo e de heras. Um percurso interessante para estarmos em introspecção…

IMG_9016 (800x600)

29695313_10213563188786933_1203525968666318597_n

Como a distancia a percorrer era pequena chegamos a Padrón ainda antes do horário de abertura do albergue!

IMG_9060 (600x800)

29683387_10213563165586353_801694093346599917_n

O topónimo da vila supostamente procede da palavra pedrón. O pedrón é um ara ou altar dedicado ao deus Neptuno que até ao século XV se encontrava na margem esquerda (oriental) do rio Sar; atualmente encontra-se no interior da igreja paroquial de Santiago de Padrón, por baixo do altar.

IMG_9143 (800x600)

Segundo a tradição os restos do Apóstolo chegam a mãos de seus discípulos Atanasio e Teodoro, que são guiados por uma estrela até o porto de Padrón, onde amarraram sua barca ao “pedrón” que dá nome à vila e que está no interior do templo de Santiago.

Ainda com tempo a hidratação é algo que não pode faltar…

IMG_9068

Depois de nos instalarmos e deixadas as mochilas seguimos a Herbón. Podem sempre optar por em Pontecesures seguirem as setas vermelhas até Herbón, visitarem ou mesmo ficarem no Mosteiro (funciona como albergue de Maio a Outubro). Infelizmente aquando da minha passagem encontrava-se fechado para obras. Depois seguem a Padrón evitando assim fazerem a ida e volta pelo mesmo caminho.

IMG_9090 (800x600)

De volta a Padrón, terra do nobel da literatura Camilo José Cela, assentar arraiais numa esplanada debaixo de um sol quente de Maio a degustar uns pimentos… estes em particular não eram muito bons (!) salvou-se a cerveja.

IMG_9129

10a Etapa – Padrón – Santiago – 24 km

Diapositivo10

Última etapa… num caminho que nunca acaba!
Hoje não irei descrever o percurso pois se chegas a Padrón… não vais falhar Santiago mesmo que tudo te doa… nesta fase até mumificado lá vais. Certamente irás estar na Praça do Obradoiro, olhar a majestosa Catedral e dizer: Eu consegui.

29683823_10213563189546952_2631442548553233565_n

29594557_10213563190306971_5284688947106829241_n

IMG_9202 (800x600)

Depois levantar a Compostela na Oficina do Peregrino. A Compostela é o Certificado emitido pela Igreja Compostelana com o carimbo e a assinatura do Secretário Capitular da Igreja Compostelana, atestando que realizaste o Caminho. Também podes obter na Igreja de S. Francisco, uma vez que se comemora o 800º aniversário da peregrinação a Santiago de São Francisco de Asis, a Cotolaya, um certificado parecido com a Compostela, igualmente escrito em latim.

O Caminho é muito mais que caminhar do ponto A para o ponto B… é uma experiência para os sentidos, um estar disponível sem interesse, por vezes, uma dor mas ausente de sofrimento, é alegria, é companheirismo.

Com todas as pessoas que me cruzei sempre há algo para reter… não esqueço a turma brasileira sempre bem disposta, Maria Solange, Fábia Melo, Patricia Leme e Cª, a squadra italiana e o divertidíssimo Luigi Brignoli, os companheiros bacanos algarvios “líderados” pelo José Martins, o Filipe Silva que apesar da lesão, entretanto, voltou à estrada e  já terminou o que faltava do caminho, ao António, alberguista em Rates e à D. Maria em Rubiães, no entanto, quero agradecer especialmente a 3 pessoas, que tornaram o meu caminho especial… São LemosEduarda Mesquita e Eusebio Nalon.

IMG_9210 (800x600)

A todos que por aqui seguiram esta “aventura” … o caminho espera por vós…

Anúncios

23 thoughts on “Caminho Central Português

  1. bem haja pela partilha do seu caminho. eu fiz o meu 1º caminho de santiago em setembro passado, pelo caminho português da costa e pela variante espiritual. Adorei e recomendo!

  2. Só agora vi o teu/nosso/vosso caminho, grande abraço do hospitaleiro de Rates. Vou estar no albergue dia 08/05/2016 era bom ver os amigos, até já… e ULTREIA

  3. Carlos, já não é o primeiro a fazer essa referência… Vou ter de voltar para ver e registar. Obrigado, abraço.

  4. Que fixe! Este ano tive no Minho a fazer um intra-rail e prometi a mim mesma que no próximo ano vou fazer o caminho de Santiago, adorei o espírito dos peregrinos e deu mesmo vontade de arrancar até Santiago!

  5. Seguramente não se vai arrepender. Não é possível passar para as palavras aquilo que se sente ao fazer os caminhos de Santiago, dos que já fiz, todos tiveram uma grande dose de emoção e em todos aprendi algo mais sobre mim.

  6. Que roteiro lindo e cheio de histórias! Fico impressionado com cantos que têm como referência alguns milhares de anos, já que aqui, no Brasil, não passam de 500 e poucos anos! Incrível!
    Pensei que já seguia seu Blog, já que sempre passo por aqui, mas qual não foi a minha surpresa ao perceber que ainda não lhe seguia?
    Seu Blog é um destes que não se pode deixar de acompanhar… é quase um pecado não sabê-lo!
    Muito bom e obrigado! 🙂

  7. Obrigado Marcelo pelo seu comentário. É verdade, aqui a cada canto e recanto encontramos pedaços de história com estórias maravilhosas. Afinal somos, enquanto nação, a mais velha da Europa.
    Se sentir curiosidade procure o post lá no fundo no “pesquisar”

  8. O post chama-se “aqui nasceu Portugal”, alguns factos e imagens da cidade berço, que levou BV anos mais tarde a que fosse possível descobrir o seu país, o nosso país irmão. Abraço e bom fim de semana.

  9. Excelentes e simples descrições, bem documentados os locais com belas fotos e aconselhamentos. De correção apenas, na 5ª etapa, onde se lê ” S. Bento da Porta Aberta “, deve ler-se “S. Bento “. A localidade referida, como todos nós sabemos, fica próximo do Gerês e bem longe do local onde passam os peregrinos. Obrigado.

  10. Obrigado Manuel pelo seu comentário e pela anotação a esse lapso. Irei corrigir de imediato.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

w

Connecting to %s