PR1 – Rota dos Cerejais

Caminhadas

Aproveitando a passagem por terras de Resende fomos calcorrear este percurso de pequena rota, circular, com uma extensão aproximada de 6 Km que se desenvolve por caminhos essencialmente rurais com passagem por pequenos núcleos habitacionais e tem o seu início junto à sede da Junta de Freguesia de São João de Fontoura.

Embora nem sempre com marcações adequadas ao rumo a seguir (característica a melhorar), o caminho é relativamente intuitivo e acessível a todos… Percorrendo um amplo “anfiteatro” natural possibilita captar toda a beleza do lugar e dos lugares circundantes, beleza que é transversal a todo o território Duriense.

O povo, no desejo de encontrar explicação para um nome um pouco estranho, diz que Fontoura vem de \”fonte da toura\”. Parece mais provável porém que derive de \”fons aurea\” = fonte de ouro, classificação popular que o povo daria, já na época da colonização romana, a alguma fonte existente no local que apresentasse cor amarelada nas suas águas, fruto de minerais desagregados e em suspensão como é por exemplo, a limonite.

Pode também o povo ter querido, já então, aplicar a uma fonte de águas frescas, abundantes e cristalinas que ali houvesse, a expressão conotativa, \”de ouro\”. No lugar chamado Fontoura existe de facto, ainda hoje, uma nascente de caudal nada vulgar.
O nome de S. João vem-lhe de uma ermida antiquíssima dedicada a Baptista, que existiu no lugar do mesmo nome, nomeada já nas Inquirições de D. Afonso III (1258).

in “Resende e a sua História” – Volume 2: As Freguesias, da autoria de Joaquim Correia Duarte

O inicio do percurso tem como referência a Junta de Freguesia de São João de Fontoura, no entanto, no largo onde o mesmo se inicia destaca-se como principal elemento arquitectónico a capela de Nossa Senhora da Guia e o cruzeiro. Neste local existe um café, o “Dez Filhos”, no entanto, não sei se o mesmo se encontra em funcionamento (!), uma vez que, na hora de partida e chegada, o mesmo, encontrava-se fechado. Também com dez filhos não deve restar muito tempo para o café!

Depois de visionado a placa com as características do percurso e de umas fotos à paisagem era hora de meter os pés ao caminho. Mas por onde? Felizmente à chegada dei conta de uma seta junto à estrada, decidi então optar por seguir essa mesma seta… para lá chegar é seguir até à capela e descer a escadaria junto à Junta de Freguesia, já na estrada seguir à direita e depois seguir as indicações.

Iniciamos um descendente bastante pronunciado por entre campos recheados de árvores de fruto, onde predominam as cerejeiras… produto que é imagem de marca do concelho e que o torna o principal produtor nacional deste fruto.

Em abril e maio, o caminhante tem a oportunidade de colher algumas para degustar ao longo do percurso. 

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O percurso rasga pequenos núcleos habitacionais, quase sempre com as marcas do tempo bem marcadas nas fachadas, muitas delas, em avançado estado de ruína. Estes percursos também possibilitam o contacto próximo com alguns residentes, sempre afáveis e com tempo para dois dedos de conversa. 

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Contornando a Igreja de São João de Fontoura, que se encontrava fechada, como acontece com quase todo o património da igreja, seguimos viagem por caminho de terra batida, passagem por um fontanário com água fresca, a única coisa fresca por agora, já que a temperatura seguia em sentido ascendente. 

Ter em conta que este percurso em dias de calor pode tornar-se um pouco difícil pois está constantemente exposto ao sol e entre socalcos o ar quase não corre.

Depois do lavadouro inicia-se uma ligeira subida que nos leva até uma bifurcação, opção A, continuar a subir, opção B, descida. Na falta de indicação seguimos a opção B pois na placa iniciar observei que teriamos de transpor um ribeiro e seguir em direcção ao Rio Douro, logo, pareceu-me a opção mais válida. E estava certo.

Cruzado o ribeiro, passagem por mais um núcleo residencial, também este, bastante degradado, com o Douro já em linha de vista… houve quem se quisesse fazer ouvir e marcar território, como a dizer: – Aqui, só eu canto de galo!

Prosseguindo no passeio damos de caras com um edifício imponente, alcandorado sobre as margens do rio, nota-se que não está em abandono, mas necessita de alguma intervenção.

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CASA DE PORTO DE REI
Na freguesia de S. João de Fontoura, junto ao rio Douro, zona de encostas e socalcos podemos encontrar um dos mais belos palácios do concelho de Resende, talvez mandado construir no século XVI, por Luís de Oliveira. Estamos a falar da “Casa Grande de Porto de Rei”, também chamada “Casa Grande”.
D. Maria Clara de Carvalho e Abreu, proprietária da Casa de Porto de Rei, no século XVIII e seu irmão, José Carvalho e Abreu que foi Chanceler da Índia, mandaram-na reconstruir e ampliar, fazendo dois torreões de grande beleza.
D. José de Carvalho e Abreu foi sepultado quando morreu, em 1743, na capela do palácio, num túmulo de mármore.
Palácio de grandes dimensões. É constituído por rés-do-chão e andar nobre. Do lado poente a capela de S. António, benzida em 29 de Março de 1746 pelo Bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora. Esta capela é uma reconstrução da anterior que já devia existir no século XVI, mais pobre e tudo leva a crer noutro local.
Na fachada frontal, do lado poente, está o brasão de armas dos antigos solares, com os Macedos, Melos, Carvalhos e Abreus.
No interior do palácio existem diversos salões, com tectos riquíssimos de madeira de castanho, formando variadas figuras geométricas e uma grandiosa cozinha com descomunal chaminé, toda em pedra.
Parte da casa do lado poente pertence hoje ao Dr. João Afonso de Melo Miranda Mendes que procedeu recentemente a grandes reparações.
A quinta, que pertenceu a D. Madalena Macedo, está hoje na posse de várias pessoas estranhas à família, bem como a parte do palácio voltado a nordeste.
Dada a construção do cais de Porto de Rei, este solar pode ser um polo de atracção turístico para todo o Concelho de Resende. Dizem que o palácio tem tantas janelas quantos os dias do ano. Diz a lenda que era neste solar que D. Afonso Henriques se hospedava quando vinha a Cárquere, por ser Porto de Rei um lugar de desembarque.

fonte  |  http://solaresresende.blogspot.pt

Continuando o caminho vimos “desaguar” na margem do Douro, junto ao parque de lazer de Porto de Rei, num cenário de beleza ímpar.  Dividindo o espaço da praia fluvial encontra-se a piscina municipal com o mesmo nome do local, onde a entrada é gratuita!!!

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Aproveitamos a beleza do local, a calma e a frescura propiciada pelo arvoredo para repor alguma energia com os snacks que transportamos.

Retomamos o caminho que agora será quase sempre em sentido ascendente…

Ultrapassada a zona habitacional voltamos aos caminhos rurais e novos quadros se abrem, estes com os limites visuais bem alargados. O Douro em todo o seu esplendor!

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Voltamos costas ao rio no local onde mais um postal de região nos é apresentado e apontamos na direcção do inicio do percurso. Aí chegados não resistimos ao apelo da piscina que havíamos visto e decidimos relaxar um pouco com direito a pés de molho.

Se estiverem de passagem por esta região, aproveitem para caminhar por estes trilhos, relaxar nas margens do Douro e, porque não, degustar um peixe de rio!

Boas caminhadas. 

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