PR1 – Rota dos Cerejais

Caminhadas

Aproveitando a passagem por terras de Resende fomos calcorrear este percurso de pequena rota, circular, com uma extensão aproximada de 6 Km que se desenvolve por caminhos essencialmente rurais com passagem por pequenos núcleos habitacionais e tem o seu início junto à sede da Junta de Freguesia de São João de Fontoura.

Embora nem sempre com marcações adequadas ao rumo a seguir (característica a melhorar), o caminho é relativamente intuitivo e acessível a todos… Percorrendo um amplo “anfiteatro” natural possibilita captar toda a beleza do lugar e dos lugares circundantes, beleza que é transversal a todo o território Duriense.

O povo, no desejo de encontrar explicação para um nome um pouco estranho, diz que Fontoura vem de \”fonte da toura\”. Parece mais provável porém que derive de \”fons aurea\” = fonte de ouro, classificação popular que o povo daria, já na época da colonização romana, a alguma fonte existente no local que apresentasse cor amarelada nas suas águas, fruto de minerais desagregados e em suspensão como é por exemplo, a limonite.

Pode também o povo ter querido, já então, aplicar a uma fonte de águas frescas, abundantes e cristalinas que ali houvesse, a expressão conotativa, \”de ouro\”. No lugar chamado Fontoura existe de facto, ainda hoje, uma nascente de caudal nada vulgar.
O nome de S. João vem-lhe de uma ermida antiquíssima dedicada a Baptista, que existiu no lugar do mesmo nome, nomeada já nas Inquirições de D. Afonso III (1258).

in “Resende e a sua História” – Volume 2: As Freguesias, da autoria de Joaquim Correia Duarte

O inicio do percurso tem como referência a Junta de Freguesia de São João de Fontoura, no entanto, no largo onde o mesmo se inicia destaca-se como principal elemento arquitectónico a capela de Nossa Senhora da Guia e o cruzeiro. Neste local existe um café, o “Dez Filhos”, no entanto, não sei se o mesmo se encontra em funcionamento (!), uma vez que, na hora de partida e chegada, o mesmo, encontrava-se fechado. Também com dez filhos não deve restar muito tempo para o café!

Depois de visionado a placa com as características do percurso e de umas fotos à paisagem era hora de meter os pés ao caminho. Mas por onde? Felizmente à chegada dei conta de uma seta junto à estrada, decidi então optar por seguir essa mesma seta… para lá chegar é seguir até à capela e descer a escadaria junto à Junta de Freguesia, já na estrada seguir à direita e depois seguir as indicações.

Iniciamos um descendente bastante pronunciado por entre campos recheados de árvores de fruto, onde predominam as cerejeiras… produto que é imagem de marca do concelho e que o torna o principal produtor nacional deste fruto.

Em abril e maio, o caminhante tem a oportunidade de colher algumas para degustar ao longo do percurso. 

19702325_10211471045244652_4725521795849255246_n19656966_10211471025684163_7291219845535402953_n19756449_10211471034604386_648096045055453764_n

O percurso rasga pequenos núcleos habitacionais, quase sempre com as marcas do tempo bem marcadas nas fachadas, muitas delas, em avançado estado de ruína. Estes percursos também possibilitam o contacto próximo com alguns residentes, sempre afáveis e com tempo para dois dedos de conversa. 

19665682_10211471031884318_8007013175206718836_n

Contornando a Igreja de São João de Fontoura, que se encontrava fechada, como acontece com quase todo o património da igreja, seguimos viagem por caminho de terra batida, passagem por um fontanário com água fresca, a única coisa fresca por agora, já que a temperatura seguia em sentido ascendente. 

Ter em conta que este percurso em dias de calor pode tornar-se um pouco difícil pois está constantemente exposto ao sol e entre socalcos o ar quase não corre.

Depois do lavadouro inicia-se uma ligeira subida que nos leva até uma bifurcação, opção A, continuar a subir, opção B, descida. Na falta de indicação seguimos a opção B pois na placa iniciar observei que teriamos de transpor um ribeiro e seguir em direcção ao Rio Douro, logo, pareceu-me a opção mais válida. E estava certo.

Cruzado o ribeiro, passagem por mais um núcleo residencial, também este, bastante degradado, com o Douro já em linha de vista… houve quem se quisesse fazer ouvir e marcar território, como a dizer: – Aqui, só eu canto de galo!

Prosseguindo no passeio damos de caras com um edifício imponente, alcandorado sobre as margens do rio, nota-se que não está em abandono, mas necessita de alguma intervenção.

19748478_10211471038004471_678759168282633283_n

CASA DE PORTO DE REI
Na freguesia de S. João de Fontoura, junto ao rio Douro, zona de encostas e socalcos podemos encontrar um dos mais belos palácios do concelho de Resende, talvez mandado construir no século XVI, por Luís de Oliveira. Estamos a falar da “Casa Grande de Porto de Rei”, também chamada “Casa Grande”.
D. Maria Clara de Carvalho e Abreu, proprietária da Casa de Porto de Rei, no século XVIII e seu irmão, José Carvalho e Abreu que foi Chanceler da Índia, mandaram-na reconstruir e ampliar, fazendo dois torreões de grande beleza.
D. José de Carvalho e Abreu foi sepultado quando morreu, em 1743, na capela do palácio, num túmulo de mármore.
Palácio de grandes dimensões. É constituído por rés-do-chão e andar nobre. Do lado poente a capela de S. António, benzida em 29 de Março de 1746 pelo Bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora. Esta capela é uma reconstrução da anterior que já devia existir no século XVI, mais pobre e tudo leva a crer noutro local.
Na fachada frontal, do lado poente, está o brasão de armas dos antigos solares, com os Macedos, Melos, Carvalhos e Abreus.
No interior do palácio existem diversos salões, com tectos riquíssimos de madeira de castanho, formando variadas figuras geométricas e uma grandiosa cozinha com descomunal chaminé, toda em pedra.
Parte da casa do lado poente pertence hoje ao Dr. João Afonso de Melo Miranda Mendes que procedeu recentemente a grandes reparações.
A quinta, que pertenceu a D. Madalena Macedo, está hoje na posse de várias pessoas estranhas à família, bem como a parte do palácio voltado a nordeste.
Dada a construção do cais de Porto de Rei, este solar pode ser um polo de atracção turístico para todo o Concelho de Resende. Dizem que o palácio tem tantas janelas quantos os dias do ano. Diz a lenda que era neste solar que D. Afonso Henriques se hospedava quando vinha a Cárquere, por ser Porto de Rei um lugar de desembarque.

fonte  |  http://solaresresende.blogspot.pt

Continuando o caminho vimos “desaguar” na margem do Douro, junto ao parque de lazer de Porto de Rei, num cenário de beleza ímpar.  Dividindo o espaço da praia fluvial encontra-se a piscina municipal com o mesmo nome do local, onde a entrada é gratuita!!!

19665338_10211471030684288_4005890189118770062_n

19665308_10211471045364655_2203031301622071167_n

Aproveitamos a beleza do local, a calma e a frescura propiciada pelo arvoredo para repor alguma energia com os snacks que transportamos.

Retomamos o caminho que agora será quase sempre em sentido ascendente…

Ultrapassada a zona habitacional voltamos aos caminhos rurais e novos quadros se abrem, estes com os limites visuais bem alargados. O Douro em todo o seu esplendor!

19665359_10211471049684763_66093895238653215_n19756367_10211471049644762_2860341819549497415_n19731799_10211471053164850_8201982227074679824_n19748359_10211471041724564_2791667891307224916_n

Voltamos costas ao rio no local onde mais um postal de região nos é apresentado e apontamos na direcção do inicio do percurso. Aí chegados não resistimos ao apelo da piscina que havíamos visto e decidimos relaxar um pouco com direito a pés de molho.

Se estiverem de passagem por esta região, aproveitem para caminhar por estes trilhos, relaxar nas margens do Douro e, porque não, degustar um peixe de rio!

Boas caminhadas. 

Anúncios

PR5 – Caminho das Portas – Cinfães

Caminhadas

Segundo dia, terceira caminhada. Depois do descanso não se aceitam queixas!!!

Partimos em direcção a Alhões, debaixo de um sol quente e um manto azul vivo, aldeia encrostada na vertente norte da Serra de Montemuro, a mais de 1000 metros de altitude, cujo topónimo radica em Aliones, povo claramente pré-histórico, derivado possivelmente dos celto-lígures Allobreges, provavelmente construtores das célebres muralhas conhecidas por Portas do Montemuro.

PR5 – Caminho das Portas, é um percurso circular de apenas 5.4 Km, de grau de dificuldade fácil. O percurso inicia-se no parque de lazer de Alhões, um excelente espaço para no final fazer um piquenique ou meramente descontrair as vistas sobre uma paisagem de excelência.

16864074_10210258937662720_6279368303273243122_n16807796_10210258943822874_3417535892923999771_n16831116_10210258947582968_4502745601566442045_n

O percurso inicia-se pela estrada de asfalto, virando logo à esquerda, por uma estrada de terra batida, começando logo a subir, logo de seguida, o piso passa a calçada e mais adiante novamente a terra batida num tramo onde o caminho começa a ser murado.

16830671_10210258937982728_5434816712374176604_n16830843_10210258944622894_7768320911688091442_n16683891_10210258947622969_6047824809161478085_n16864889_10210258938862750_5374154203816923855_n

Olhando em volta percebemos que rapidamente ganhamos uma centena de metros em termos altimétricos, isto porque, na partida a aldeia encontra-se ao nível do olhar.

16832227_10210258939742772_4755609480666790652_n

Depois de atingido o planalto, o percurso segue quase sempre entre muros. Montemuro, é uma serra de constituição essencialmente granítica onde se destacam os volumosos blocos desta rocha que caracterizam a aspreza da paisagem do topo da montanha.

Parte do caminho estava parcialmente alagado, reflexo certamente da chuva do dia anterior e talvez do degelo da neve que caiu uma semana antes nesta região, o que obrigou a alguma estratégia para ultrapassar esta zona sem molhar os pés.

16807762_10210258938302736_114948362800477733_n16831986_10210258940182783_8514852165042074353_n16681737_10210258946222934_7883870040614836720_n16864219_10210258941982828_645723394466459854_n16649267_10210258941302811_8355830159871224871_n

Quando atingimos o cruzamento entre percursos, volvemos à direita em direcção à aldeia. A visão sob a aldeia, lá do alto, é sublime, é possível distinguir sob os telhados o, bem delineado, Vale do Bestança, e lá ao fundo o rio Douro. O percurso atravessa toda a aldeia, aproveitando esse facto, demoramos um pouco mais a descobrir o espaço, desde a antiga escola primária, à arquitectura tradicional nos diversos edifícios habitacionais, aos característicos espigueiros e nem faltou a visita à Igreja local.

16832329_10210258943662870_6445180018467603365_n16831001_10210258941262810_2805633413682750416_n16831058_10210258938822749_125610836380772349_n16832194_10210258938022729_1116698982850255188_n16865204_10210258940902801_9050821583347569882_n

A paróquia de Alhões nasceu com a nacionalidade, passando em 1140 a gozar de privilégios de vila, por foral outorgado por D. Mendo Moniz. Em 1726, a Igreja ainda não possuía sacrário, mas detinha já três altares, sendo os laterais dedicados à Senhora do Rosário e ao Nome de Jesus. Em 1955 foram concluídas as obras de aumento e restauro da igreja, dando origem ao edifício atual. A decoração interior é escassa, contudo são visíveis as imagens de S. Pelágio e Nossa Senhora dos Remédios no altar-mor. Nos altares laterais estão Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus.

16864922_10210258945662920_585150808146223686_n16864843_10210258939102756_1930799753285666594_n

Depois da visita concluída seguimos viagem, cruzando a estrada de alcatrão e já com o final do percurso em linha de visão, descemos novamente por entre campos para depois de cruzar uma pequena ponte em pedra, iniciar a pequena subida até ao parque de onde havíamos partido.

16832200_10210258947302961_5053162204397865343_n16831163_10210258948903001_3776189025233968572_n16831076_10210258939622769_2596410351488240701_n16865014_10210258942262835_3378049676949465365_n

Terminado o percurso, aproveitamos o parque de merendas para retemperar forças e comer algo debaixo de um sol quente.

Este percurso embora curto é muito bonito paisagisticamente falando e poderá ser complementado com o PR4 (+ 8 Km) que inicia na aldeia vizinha. 

Guardamos esse percurso para uma outra ocasião… até lá, boas caminhadas.

Panfleto dos percursos de Cinfães aqui.

PR1 – Caminho do Prado – Cinfães

Caminhadas

Depois de um cozido à portuguesa caminhar… não é fácil!!!

Mas lá seguimos pelas estradas de curva e contracurva até ao Largo da Nogueira, em Vila de Muros, Cinfães, onde se inicia este PR1 – Caminho do Prado, para cumprir com o planeado.

Um percurso circular com aproximadamente 7 Km que se desenvolve ao longo das margens do Rio Bestança, com passagem pelas localidades de Vila de Muros, Covelas e Vale Verde, com um grau de dificuldade moderado, face aos acentuados descendentes e ascendentes, mas sobretudo, face às características do piso que em dias de chuva obrigam a cautela redobrada.

16832400_10210258920942302_6550622920621297682_n

Depois do tiro de partida, a primeira centena de metros é feita pela estrada até encontrar a indicação que nos encaminha para a Ponte de Covelas, mas até lá chegar há que descer o acentuado caminho.

16832271_10210258920022279_2632279511960729719_n16831880_10210258919102256_7389961133202240020_n

Um cenário deslumbrante ao longo da calçada, o musgo que cobre as pedras que ladeiam o caminho, a folhagem que reveste o chão, o teto formado pela copa das árvores dão ao percurso um ar de fábula… torna-o, por isso, fabulástico!

16864936_10210258923862375_6261288262216616116_n16864051_10210258922542342_1528482061396753871_n16681682_10210258925262410_7909635335599873403_n16864831_10210258923422364_7336475261085168749_n

Junto às linhas de água observam-se uma grande multiplicidade de árvores, nomeadamente, carvalhos e castanheiros.

A ponte de Covelas, de estilo barroco, permite o atravessando o rio Bestança para a margem direita que nos irá levar, através de uma subida acentuada, até à aldeia de Covelas.

Na sua arquitetura destaca-se o tabuleiro em cavalete assente num único arco e o medalhão no centro da estrutura. Construída no ano de 1762 a mando do padre Diogo de Sequeira e Vasconcelos, durante muitos anos a Ponte de Covelas foi um importante ponto de passagem das populações do vale do Bestança, principalmente entre Tendais e Porto Antigo.

16831865_10210258923822374_1235979790236174322_n16832127_10210258926382438_1573015642692661599_n16649009_10210258925222409_8273620664523928179_n

Terminada a subida, o percurso mantêm-se quase sempre à mesma cota ao longo de uma caminho agrícola, à medida que nos vamos afastando do nucleo habitacional o caminho vai perdendo o rigor e voltamos a entrar em zona em que a paisagem volta a “mandar”… em alguns pontos toma conta das habitações abandonadas no tempo.

16649431_10210258919862275_4064498758390480146_n16864362_10210258921222309_6817832766419930283_n16830952_10210258925862425_554168933547793617_n

Neste ponto do percurso convergem dois trilhos, nós, seguimos no sentido descendente através de uma calçada estreita e irregular até uma ponte de tijolos e cimento que nos fará cruzar, novamente, o rio para uma zona conhecida por Prado.

16864947_10210258924662395_3933667665844564812_n16864698_10210258918302236_8553775754722584311_n16807666_10210258919902276_7866855632844828495_n16831915_10210258918982253_2582831456835311859_n

Depois da terra batida entramos novamente numa calçada antiga e novamente no sentido ascendente, desta feita, com uma inclinação bastante ligeira… Vale Verde fica logo ali ao cimo.

16681574_10210258922382338_9164033091601534847_n16832047_10210258922582343_7749347873969739930_n16807354_10210258918222234_8890588937265526855_n

Depois de ultrapassado este lugar, o trilho continua por asfalto até Vila de Muros…

16807240_10210258918262235_5629739497699784741_n

O percurso pedestre PR1 – Caminho do Prado, atravessa frondosos carvalhais, prados, ribeiros, fragas e outras belezas deste vale encantado, encontra-se muito bem marcado e é seguramente mais um bom motivo para visitar e descobrir Cinfães.

Foi um dia bem preenchido para os sentidos… era hora de rumar à nossa “cabana” para um merecido descanso, pois, um novo trilho aguardava por nós no dia seguinte… mas isso é uma outra história, um novo post… 

Panfleto dos percursos disponíveis em Cinfães aqui.

 

PR6 – Caminhos da Vila – Cinfães

Caminhadas

De regresso aos PR`s… de regresso às caminhadas…

O PR6 Caminhos da Vila, em Cinfães, é um percurso linear de apenas 2.7 Km (ida e volta 5.4 Km) com um desnível acumulado de +428 m  e tem início na Loja de Turismo de Cinfães ou no Centro de Interpretação de Interpretação Ambiental do Vale do Bestança.

Optamos por iniciar o percurso em Pias junto à ponte que serve de travessia sobre Rio Bestança, desta forma, o ascendente seria vencido ainda com as forças intactas.

16831912_10210258962703346_5094981920419643579_n16649285_10210258965383413_4378463416891631769_n16864428_10210258965703421_3821628985279169457_n

Os cursos de água, nesta região, mercê do clima húmido que a barreira de condensação da Serra de Montemuro lhes proporciona, têm água ao longo de todo o ano. O facto dos leitos dos rios serem na sua maior parte bastante inclinados confere-lhes um regime torrencial, particularmente na época mais chuvosa.

16681830_10210258966863450_1922230923511380523_n

Através de uma calçada medieval inicia-se a subida até à Vila de Cinfães, este tipo de piso, recorrente ao longo do percurso, torna-se bastante perigoso, principalmente em dias chuvosos, pelo que, todo o cuidado é pouco para evitar escorregadelas e algum trambolhão… sei do que falo!!!

Ziguezagueando por entre o casario o percurso começa logo a ganhar altitude, meia dúzia de passos após a partida já é possível ter uma vista desafogada sobre a paisagem circundante.

16865165_10210258957183208_2014586462260385094_n16831048_10210258958063230_6362966588898264440_n16807145_10210258958903251_2788453950588636171_n

Após a passagem deste núcleo habitacional onde se encontra edificada a capela em honra de São Gonçalo e de cruzar a estrada de alcatrão entramos num espaço distinto, rodeados de muito verde… Caminhamos sob um manto castanho vivo proporcionado pela folhagem e não faltaram espectadores atentos à nossa passagem.

16807240_10210258967943477_3225828901455106290_n16649357_10210258963783373_8401833815309664756_n16830708_10210259534997653_4375602748958022126_n

Depois da passagem por este pequeno bosque, nova passagem pela estrada de alcatrão, entramos agora numa pista de terra batida que nos irá conduzir a nova zona habitacional já no coração de Cinfães.

16830809_10210258960583293_7376472073436536279_n16865065_10210258960263285_1830772779564012568_n16832239_10210258961583318_4105673572259887191_n16831959_10210258958943252_374743083398318587_n16831852_10210258957143207_4953789901262507492_n

Alcançada a Loja de Turismo era hora de regressar ao início do percurso para uma nova aventura, desta feita, gastronómica. 

Se durante a subida, S. Pedro, já nos havia presenteado com um belíssimo banho, no regresso, o banho só não foi maior graças a um beiral de uma das poucas casas que por ali havia… foi pena não ter levado o gel de duche!!!

16830698_10210258956983203_701470913809745647_n16807333_10210258967103456_4786982917287942520_n16831082_10210258964383388_2026061014401442718_n

Como diz o ditado… Depois da tempestade, vem… os pés molhados! Facto que não foi impedimento para uma visita, mais demorada, ao casario que nos havia recebido no início da jornada. 

Numas alminhas, um invulgar, pelo menos aos meus olhos, Cristo Crucificado. Seguimos depois até à Capela de Pias que, infelizmente, encontrava-se fechada.

16830663_10210258967903476_726114565397878727_n16831210_10210258959383263_71613460371396204_n16649147_10210258962103331_6943182921678808329_n

Mesmo sem sol, o relógio, indicava que eram horas de sentar à mesa ali nas proximidades, mais precisamente, em Porto Manso, Ribadouro, no Restaurante da Azenha, para degustar um belíssimo prato da gastronomia portuguesa… o Cozido à Portuguesa.

16649289_10210258957823224_5145356219740510654_n16807666_10210258957743222_8447654191967472753_n

A refeição passou no teste, com distinção… o pior foi fazer o outro percurso que havíamos planeado, mas isso, é uma história para outra publicação.

Panfleto dos percursos disponíveis em Cinfães – aqui

TP1 – Trilho das Lendas de Figueira

Caminhadas

No passado fim de semana rumamos até à aldeia de Figueira, no concelho de Penafiel. Este povoado que se estende ao longo de uma ligeira encosta, cujo verde é a cor predominante,  tem origem quase milenar! O primeiro documento onde é encontrada referência à sua existência data do ano 1085.

À hora marcada estávamos no ponto de partida deste trilho, que se inicia e finda junto à igreja de Figueira. Um percurso de pequena rota, com cerca de 12 km, que se desenvolve por caminhos rurais, com passagem por diversos pontos de interesse: levadas, moinhos, oito, distribuídos ao longo da encosta, alimentados pelo ribeiro de Pisão, penedos do Monte Mózinho e outros de cariz religioso. A somar a isto ainda podemos descobrir algumas das lendas locais que se encontram afixadas ao longo do percurso, como a Lenda da Figueira, a dos olhos de água, ou ainda, a de Gigantes e da sua calçada. Este percurso encontra-se marcado de forma idêntica à sinalética utilizada no território português para balizar percursos pedestres, mas, num único sentido. Este percurso encontra-se a ser melhorado em termos de sinalética.

Como esta actividade estava integrada na “Há Festa na Aldeia” só foi possível fazer parte do percurso, pelo que, brevemente iremos calcorrear novamente este trilho e nessa altura atualizarei a informação.

Algumas fotos do trilho.

15894596_10209886571233792_7892641190117167610_n15940673_10209886565353645_2628468527403778078_n15965265_10209886743998111_2382060910684346775_n15940999_10209886572713829_558803514333655948_n15965928_10209886572553825_7266416880217796818_n15966297_10209886570473773_1726508356898182315_n15895358_10209886565553650_221780130828438473_n15977444_10209886569753755_6094450674053180087_n

 

Depois do Natal…

Caminhadas

Depois desta maratona alimentar, depois destes dois dias de “enfarta burros”, houve a necessidade de fazer algo para queimar parte das calorias ingeridas.

Nada melhor que uma caminhada… 20 Km de natureza, entre a floresta e o mar, de Esmoriz a Ovar, sem pressas mas a passo ligeiro… relaxar, relaxar, relaxar e preparar, mentalmente, a semana e o novo ano.

Por este ano, as grandes caminhadas e as bicicletadas, com a Dona Isaura, terminam aqui, na esperança que no próximo ano não faltem oportunidades para “aventuras”.

Seguem alguns registos…

15741068_10209769645030710_1787849249880935284_n15698154_10209769639990584_9089231748784771047_n15697522_10209769639510572_3783908346374850431_n15727374_10209769639150563_7821878593914542747_n15747780_10209769640030585_2634178444715626882_n15780810_10209769645070711_6337018397705978886_n15726969_10209769639550573_3021190075788889071_n15672797_10209769639910582_6629537485181892870_n15727180_10209769639590574_9041543650820798764_n

PR3 – Trilho dos Currais – Parque Nacional da Peneda-Gerês

Caminhadas

Rumo ao norte, os quatro magníficos avançam para mais uma aventura por locais mágicos… a bordo da nave espacial, debaixo de chuva fresca procurando no vento a melhor orientação seguimos em direcção ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, classificado pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera. 

O percurso a explorar localiza-se no concelho de Terras de Bouro, mais precisamente na freguesia de Vilar da Veiga, com inicio e términos junto ao parque de campismo do Vidoeiro. 

15267773_10209499835845649_7558297795766276975_n

Este trilho de aproximadamente 10 km, com um grau de dificuldade média a elevada, motivado pelo acentuado ascendente e descendente, sinalizado segundo as normas internacionais, leva-nos a percorrer uma área de rara e impressionante beleza paisagística e de grande valor ecológico e etnográfico,  onde abunda uma grande variedade de fauna, corços, garranos, lobos, aves de rapina e de flora, pinheiros, teixos, castanheiros, carvalhos...

15203217_10209499835805648_4641574934945907113_n

Logo no início do percurso um belo postal, uma pequena amostra da beleza do local… uma beleza ímpar capaz de incendiar a visão. 

Iniciado o percurso não há que enganar, quatro “longos” quilómetros de subida, para fazer num ritmo de passeio, enquanto se equilibram os sentidos. Respiração e visão em rotação máxima, a subida e a magia do local não deixam que seja de outra forma. 

15181129_10209499836685670_8580216949989247183_n

O bosque encantado, árvores que se retorcem em busca de luz neste corredor arbóreo… onde o ar imaculado e fresco se consegue sentir na alma. 

15220193_10209499837085680_2099566563020364762_n

A chuva, embora menos intensa, continuava a cair como lâminas, rasgando a atmosfera, trespassando a folhagem onde perdendo a agressividade, atinge-nos de forma delicada, como que um beijo, terno, da mãe natureza nas suas crias.

15284141_10209499837725696_8979667060444308023_n

A este nível, tudo é silêncio, apenas quebrado pelo constante correr do fechos que vão abrindo e fechando os agasalhos. A este nível, a visão fica ampla, levando a linha do horizonte para mais adiante. A este nível, o vento sopra forte, empurrando-nos caminho fora.

15192772_10209499838125706_8394497138332666551_n

15268031_10209499838285710_2586866175117800475_n

15178111_10209499838605718_359729529629205607_n

15230584_10209499838925726_7375851958510698528_n

O PR3 – Trilho dos Currais proporciona um contacto directo com o espírito e tradições comunitárias locais, nomeadamente, a organização silvo-pastoril, denominada de vezeira. Revela-nos uma parte importante da serra do Gerês, diversas estruturas que são necessárias para este tipo de organização comunitária como são os Currais (o Curral da Espinheira, o Curral da Carvalha da Égua e o Curral da Lomba do Vidoeiro) e as respetivas cabanas, onde pernoitam os/as pastores/as, aguardando a sua vez de tomar a responsabilidade do pastoreio do gado – daí o nome de vezeira.

15241185_10209499839125731_1245113322736050372_n

15230739_10209499839405738_6792438653677324841_n

Serpenteando por este mar de contrastes seguimos viagem…

15241765_10209499839605743_2272790887020206170_n

Aqui e ali a vegetação abre-se dando a descobrir a beleza e imponência do sítio… todo ele silêncio e calma… 

15181359_10209499839805748_8509278024869536115_n

15181158_10209499840165757_2818739776777936106_n

15241907_10209499840325761_1190197174314670546_n

Embora muito bem sinalizado, existe um ponto (este) que merece atenção redobrada pois o sinal ou “pórtico” sinalizador encontra-se “perdido” confundindo-se com a paisagem, no entanto, houve quem já tivesse tido o cuidado de construir, com pedras, uma seta sinalizadora, ao nível do chão.

15220202_10209499840605768_1763627817832808976_n

15241330_10209499841805798_8478491503419601515_n

15192580_10209499841845799_4470552337461269523_n

15171006_10209499842365812_5044710182531264821_n

Sem mais enganos prosseguimos viagem para o Miradoiro da Pedra Bela, visita obrigatória para quem percorre este trilho, ou mesmo, para qualquer visitante do Gerês.

Alcandorado sobre a montanha, no alto dos seus 834 metros, este balcão rochoso  permite uma visão privilegiada, sobre as montanhas, a albufeira da Caniçada, a confluência do Rio Cávado com o rio Caldo, a vegetação ou a Portela do Homem…
A Pedra Bela desde sempre encantou, diziam os antepassados que foi a mão divina que ali a colocou! 

15241233_10209499842685820_909959560709618031_n

15283936_10209499843205833_7142586241270413966_n

15219595_10209499843765847_1996168844667669283_n

Pedra Bela é também local de inspiração para poetas… já dizia Miguel Torga:

“Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma…
qualquer coisa profunda e dolorida,
traída,
Feita de terra
E alma.

Uma paz de falção na sua altura
A medir as fronteiras:
-Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bico a picar estrelas verdadeiras…”

15284065_10209499843805848_1467370295834092944_n

15232046_10209499844005853_1365240960747073187_n

Sob o manto fofo da folhagem fazemos a descida da Serra, com cuidados redobrados, pois as árvores estendem as suas raízes para se fixarem nesta vertente íngreme.  Na base, na fonte, preparamos o bucho para receber o manjar do deuses.

15181540_10209499846165907_8121714039469456876_n

15267525_10209499846245909_1333441364923781553_n

15242011_10209499853926101_8200313248559989648_n

15253488_10209499854126106_3755715525428876790_n

O alcatrão indicia que o final do percurso está próximo, ladeados por muros vegetais e graníticos somos guiados para o último segmento encantado do percurso que corre paralelo à vila e desemboca em frente ao restaurante que nos haveria de acolher.

15230785_10209499858966227_5238389352186106995_n

15241325_10209499859086230_5357230451876455787_n

15232067_10209499835925651_2779959503438377211_n

Com a alma cheia, chegamos ao final do percurso… era hora de alimentar o corpo e repor as energias perdidas.

Contamos com a sabedoria gastronómica da D. Júlia que preparou de forma superior o repasto, uns rojões à moda da terra, com tudo que faz bem!!!  

15192635_10209499858246209_3744669518785924496_n

Boas caminhadas… até à próxima aventura.

 

 

Folheto do percurso