Centro de Trail Running – Valongo

Caminhadas

Foi ontem inaugurado o Centro de Trail Running de Valongo e nós, no sábado, fomos explorar um dos quatro percursos disponíveis.

Ancorada no Parque da Cidade de Valongo esta infraestrutura oferece aos praticantes da modalidade uma rede de percursos de cerca de 90 Km distribuídos pelas serras de Santa Justa e Pias, serras que integram o Parque das Serras do Porto e ainda pelas serras de Quintarrei e Alfena. Os percursos, homologados pela Associação Portuguesa de Trail Running, encontram-se divididos em 4 níveis, Trilho do Rio Ferreira – 10 km, Trilho de Santa Justa – 12 Km, Trilho do Paleozóico – 23 Km e Trilho do Vale Longo – 45 km. Toda a informação sobre os mesmos encontra-se reunida no site centrotrailvalongo.pt. Este equipamento permite ainda acesso a balneários a quem venha desenvolver a sua atividade desportiva neste território.

Depois deste pequeno enquadramento sobre os percursos, vamos lá falar do Trilho do Rio Ferreira, um percurso circular, de 10 Km, com um desnível positivo de 400 m.

Saímos do parque da cidade de Valongo para uma viagem que nos transporta por um território da Era Paleozóica, por serras que guardam habitats e espécies de flora e fauna com estatuto especial de conservação, por um território com vestígios arqueológicos fantásticos, com destaque para a mineração aurífera romana.

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O percurso quase sempre fácil e plano, no seu inicio percorre paralelo à malha urbana da cidade que, à medida que a vai deixando para trás entra num percurso de monte paralelo ao Rio Simão. 

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Tal como o rio, caminhamos em direção ao Ferreira, um rio de maior caudal, de margens mais espaçadas, onde por estes dias as águas se agitam de forma mais brava trazendo umas espectacularidade extra à paisagem.

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Esta parte do percurso percorre a estrada de paralelos que nos conduz à aldeia de Couce, umas centenas de metros adiante corta pelo “Caminho Interior de Couce”, a antiga via de ligação ao lugar, onde com alguma atenção conseguimos detectar vestígios da circulação das carroças de bois.

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Alcançada a aldeia, cruzamos a mesma pela calçada empedrada.

Estas terras são ocupadas desde a era primitiva como nos “contam” os vestígios arqueológicos do Castro de Couce, o Castro de Pias ou ainda o Alto do Castro. Depois disso foram povoadas pelos romanos que nestas serras construíram um dos maiores, senão o maior, complexo mineiro conhecido. Ver vídeo sobre a mineração romana aqui.

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Transpomos o rio pela ponte romana de Couce e seguimos novamente paralelos ao rio Ferreira, contra corrente, pelo caminho dos pescadores, o segmento em que a beleza paisagística se destaca da demais.

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Este tramo de quase 2 km começa a ganhar altitude na sua parte final, por entre fragas e caminhos estreitos e acidentados, em alguns momentos, com vistas vertiginosas sobre a encosta. Nesta fase ainda há que ultrapassar uma ponte (ou algo parecido) que liga dois afloramentos rochosos.

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Daqui iniciamos uma descida acentuada que exige atenção redobrada atendendo às características do piso – pedra solta. Este tramo leva-nos até à cota do rio, a zona da Queiva, junto das minas de extracção de ardósia, um dos produtos identitários desta terra. A ardósia é o Ouro Negro da região e sobre ela já falei aqui.

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Atendendo a que a ponte ainda não se encontrava concluída, não oferecendo condições de segurança, fizemos um desvio até ao interior da vila de Campo para reforço alimentar.

Seguimos então pela rota do percurso 4, tendo como cenário os imponentes blocos de ardósia que delimitam a zona das pedreiras da Companhia Portuguesa de Ardósias. Por esta altura o cinzento que marcava o dia acentuou-se trazendo, ao cenário, algum dramatismo.

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Um pouco mais compostos seguimos pela rua da E.B. 2.3 Padre Américo, após cruzarmos a linha de comboio por uma passagem inferior, seguimos à esquerda pela escadaria e dali seguimos novamente à esquerda pela Rua da Azenha, percurso que nos leva à zona da Queiva, na margem oposta à ponte que se encontrava inoperacional. 

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Seguimos, uma vez mais, na direcção da corrente até às “Fragas do Castelo” local bem conhecido pelos amantes de escalada. Esta parte do percurso está instalado em terrenos de idade ordovícica, ou seja, compreendido entre 488 a 443 milhões de anos aproximadamente.

Neste ponto, o terreno volta a ganhar altura… em poucos metros ganhamos uma altitude considerável, por entre fragas, novamente por caminhos estreitos, com passagem por meia dúzia de metros em que a atenção tem de estar em nível elevado pois o “nada” está mesmo ali ao lado!

Nesta parte há que ter também especial atenção para os “fojos”, respiros das galerias das minas que, não estando sinalizados, podem confundir-se com a paisagem. Verifiquei que o mato deve ter sido limpo recentemente o que possibilita identificar “o buraco”, no entanto, convém manter a atenção e não sair do trilho. 

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Vencido o segundo e último desnível digno de registo iniciamos a descida rumo ao Corredor Ecológico, trajeto já percorrido no início e que se inicia naquela “linha” riscada no sopé do monte.

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Findo o percurso, porque não, repor alguma energia perdida num dos cafés, tabernas ou restaurantes do centro da cidade… ou então procurar uma biscoitaria para levar outro dos produtos que são imagem de marca desta terra.

Para os menos aventureiros, podem percorrer apenas o corredor ecológico que liga o centro da cidade até à aldeia de Couce, ou em alternativa, visitar o eixo histórico da cidade, a sua ligação ao pão, regueifa e biscoitos, tema que já falei na Rota do Grão ao Pão.

Quem encontra a sua motivação no património pode fazer um tour pelo património religioso da freguesia, embora não oficial, embora não marcado podem guiar-se pelo texto que disponibilizo aqui e seguir as setas laranjas que ainda se encontram espalhados pelo percurso proposto.

Fica assim o convite a virem descobrir este território… boas caminhadas ou bons trails.

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PR3 – Vale de Aveloso – Cinfães

Caminhadas

Com o “acampamento base” a poucos quilómetros de um património natural de elevada beleza, seria um crime não aproveitar essa oportunidade para passear em tais cenários, regressamos então ao concelho de Cinfães para calcorrear o quinto percurso por estas terras.

O percurso pedestre do Vale de Aveloso é um percurso circular, em forma de oito, muito bem sinalizado, com início e fim na junta de freguesia de Tendais. Um trilho de 11 Km e um grau de dificuldade moderado. Um percurso marcado pela existência de muita água,  de vertentes acentuadas, de caminhos alagados, de campos ensopados, onde fintar estes obstáculos poderá não ser tarefa fácil, principalmente, na época das chuvas.

A Freguesia de Tendais é composta por 15 lugares habitados, não existindo enquanto povoação, correspondendo apenas a uma designação que congrega todas as aldeias.  A origem do topónimo “Tendais”, segundo a lenda, teria a ver com grupos de tendeiros que há muitos anos atrás acampariam nesta região.

Depois desta breve introdução vamos meter pés ao caminho…

Com estacionamento contíguo à Igreja aparcamos aí a viatura e seguimos até à Junta de Freguesia onde se inicia o percurso. Daí começamos logo da melhor forma, em ascendente.

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Depois de fazer o atravessamento da estrada N321, seguimos por uma área rural até à aldeia de Macieira.

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Por calçadas antigas e caminhos murados seguimos até a ribeira de Covais, o seu atravessamento não foi problemático, no entanto, em dias de chuva poderá não ser fácil, quer pelo caudal da ribeira, quer pelo facto de o atravessamento ser efectuado saltando de pedra em pedra.

A região é essencialmente rural e os seus habitantes, ainda hoje, se dedicam na sua maioria a actividades agrícolas e pecuárias, com especial destaque para a criação de gado bovino (raça arouquesa), bem como ovelhas e cabras.

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Os rios correm para o mar e as águas dos montes correm para os rios e ribeiras, logo, este caminho paralelo à ribeira tornou-se numa verdadeira aventura para transpor sem molhar as meias!!!

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Um pouco adiante, o caminho oferece dupla possibilidade de seguir em direcção a Aveloso, nós optamos por seguir pela direita, a meu ver o melhor caminho, tendo em conta que o regresso foi feito pelo caminho da esquerda que nos pareceu mais irregular e ainda mais inclinado do que aquele que foi a nossa opção.

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Chegados a Aveloso, famintos e sequiosos, tratamos de inquirir a primeira pessoa com quem nos deparamos sobre a existência de um café, um tasco, ou algum local para beber… com dificuldade lá fomos encaminhados para as opções disponíveis no local… as fontes da aldeia! Do mal o menos…

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Como vem sendo hábito, o repasto fez-se em solo sagrado, sob o sol quente de inverno, com a companhia de um “fiel amigo” que parecia tão faminto quanto nós… e porque estávamos em solo de Deus, seguimos as suas demandas: – Dar de comer a quem tem fome.

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Finda a refeição não perdemos muito tempo para voltar a colocar pés ao caminho, uma visita rápida pela aldeia, deu para comprovar aquilo que saltava à vista… esta é seguramente a aldeia mais empobrecida por onde passamos, num isolamento ainda maior que qualquer das outras aldeias por aqui visitadas!!!

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A descer todos os santos ajudam e por isso não foi difícil regressar novamente ao “cruzamento do oito”. Daí seguimos a direito até à aldeia de Meridões, pelo caminho duas pausas, uma para falar com o pastor de um pequeno rebanho, que à nossa abordagem nos acolheu num sorriso franco. Ali, a quilómetros de distância da povoação onde reside, só ele, só mas não sozinho… e todo um mar de verde, os seus animais e o cantos de aves.

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Adiante, uma outra figura, mulher de estatura baixa, gasta pela passagem dos anos e pela dureza da terra, à nossa saudação, o mesmo sorriso do pastor, aberto, de felicidade como a convidar a “duas de letra”. Assim fizemos e ambos ganhamos com a conversa.

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Atravessamos o coração da aldeia e prosseguimos em direcção a Tendais. Descemos, uma vez mais, até ao nível da ribeira para vencer de seguida o último ascendente do dia.

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Desta margem é possível observar com clareza a forma engenhosa, os socalcos, como as populações venceram os desníveis acentuados das vertentes da serra adaptando-os para a agricultura.

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Guiados pela torre sineira dirigimo-nos até à Igreja local onde terminamos mais uma viagem fantástica…. 

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… Boas caminhadas.

PR5 – Caminho de Canaveses – Marco de Canaveses

Caminhadas

Uma ida até à aldeia é sempre uma oportunidade de explorar novos recantos e foi o que fizemos no final de semana… embora ponto de passagem, quase obrigatório, sempre que fazemos a viagem até “à cabana” nunca tinha sido ponto de paragem: Sobretâmega.

Sobretâmega, situa-se na margem direita do Rio Tâmega, hoje uma freguesia do concelho de Marco de Canaveses, outrora foi parte integrante desse mesmo território. Terra com grande ligação aos nossos antepassados, território de eleição da rainha D. Mafalda, esposa de D. Afonso Henriques. Foi também terra predilecta do Rei D. Pedro e segundo reza a história terá sido aqui, na Casa da Palmatória, que o mesmo jurou a sua mãe, D. Beatriz, que terminaria a guerra com o seu pai, D. Afonso IV, facto que não se chegou a verificar. Mas as origens da vila remonta ao tempo dos romanos que terão instalado em Sobretâmega uma estância balnear aproveitando a sua nascente de águas minerais. 

É neste território inundado de boas vistas e belas histórias que se desenvolve este PR5 – Caminho de Canaveses, percurso de 8 km, circular, de grau de dificuldade fácil e que tem inicio e términos junto ao Parque Fluvial do Tâmega, junto à Igreja Românica de Sobretâmega.

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Ao longo de quase um quilómetro percorremos o parque sobranceiro ao rio… depois o percurso segue por zonas mais agrícolas, em Teixogueira encontramos uma zona de bosque que adiante dará novamente lugar à paisagem rural dos campos de cultivo e vinhedo.

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No lugar de Pombal, transpomos o rio Paçô, pela Ponte dos Asnos… 

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…de seguida faz-se o atravessamento da estrada em direção à parte histórica da freguesia, o Largo do Santo e à Rua Direita onde se encontra edificada a Casa da Palmatória, já aqui mencionada.

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Daqui seguimos em direcção a Caldas de Canavezes, onde o percurso coincide com a estrada nacional mas onde o tráfego é reduzido o que dá alguma segurança a quem ali transita. Daqui, a vista volta a abrir para belos quadros naturais.

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Passagem por este pitoresco conjunto de casas que o inverno fez o favor de revestir de musgo conferindo-lhe alguma teatralidade… para adiante passar pelo antigo Hotel das Caldas de Canaveses que por estes dias se encontra em obras e que após conclusão será, seguramente, um edifício lindo para se visitar e fotografar.

O percurso deixa a estrada e volta a entrar na zona de parque fluvial para umas centenas de metros adiante, junto da Ponte, encontrar o seu fim.

Um percurso interessante para se descobrir… Boas caminhadas

PR1 – Trilho Corno de Bico

Caminhadas

Caminhada

Este trilho de natureza que se desenvolve ao longo de caminhos rurais tem início e terminus no Lugar de Túmio, em Bico, Paredes de Coura. Um percurso circular de aproximadamente 8 km com um grau de dificuldade baixo (folheto do percurso aqui).

No meu caso, aproveitei para fazer parte do PR2 – Trilho Alto dos Morrões, alongando a caminhada aos 12/13 km. As marcações do percurso nem sempre estão bem visíveis e o facto de existirem vários percursos no mesmo local pode levar a enganos. O melhor mesmo é levar um GPS ou telemóvel com uma app capaz de ler este tipo de ficheiros, mesmo assim, não asseguro que não se enganem. (risos) Deixo um link do Wikiloc para ajudar na tarefa aqui. 

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Partimos de Túmio, pela esquerda, onde a estrada de alcatrão dá lugar ao caminho empedrado de acesso ao centro do lugar. Estes pequenos núcleos ainda conservam muitos aspectos identitários da arquitectura do Alto Minho, desde logo, os inconfundíveis espigueiros. 

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Seguimos por entre campos de cultivo e de pastagem onde belos exemplares bovinos vão deambulando à procura da erva mais tenra. Longe do stress, com belos pastos, este gado tem tudo para ser feliz… não admira que a carne da região seja tão procurada e afamada.

Ao longo do percurso verificamos uma elevada diversidade de espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas, que dão abrigo a um infindável números de animais e pintam a paisagem com cores e odores fascinantes, impossíveis de demonstrar através de fotografias.

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O Corno de Bico é um pequeno santuário natural, um local de grande beleza que o homem soube moldar, mas não está a saber preservar convenientemente, mantendo-o protegido do flagelo dos incêndios. Este território ao longo dos tempos já serviu de local de culto, de espaço de defesa e de linha de fronteira, de zona de pastagens e de cultivo.

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O caminho transporta-nos até a um antigo posto de vigilância das florestas, em Alto do Espinheiro, o culminar deste percurso no Corno de Bico, assinalado por um marco geodésico à cota de 883 metros. Adiante, existe uma zona de lazer ideal para restabelecer energias e um pouco mais à frente, rodeado de blocos graníticos, encontramos o miradouro natural, onde é possível apreciar a beleza da paisagem que se abre para o Vale do Rio Coura, mas também, para os Vales dos Rios Vez e Lima.

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Na década de 40, do séc. XX, os serviços florestais levaram a cabo um processo de arborização deste território, até então, um espaço “rapado”, marcado pela excessiva actividade pastoril. Nos dias que correm, encontra-se inscrito na Rede de Áreas Protegidas de Portugal. Ao preservar o espaço natural contribuem igualmente para a preservação do património humano das comunidades rurais.

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Após a descida do miradouro continuamos por um estradão florestal que, aqui e ali, abre uma grande janela visual que permite pousar o olhar na linha do horizonte. Quando assim não é há, igualmente, muito para observar… os contrastes outonais, a beleza das cores… ou partir na busca de exemplares de cogumelos. (Aqui deixo dois, mas havia mais variedade).

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De volta a uma paisagem conhecida… o carro já estava próximo!

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Não me referia a este… era mesmo ao nosso. E à boleia desta imagem termina o percurso. Um belo percurso de natureza para fazer em qualquer altura do ano, mas acredito, que no outono tenha um charme especial.

Boas caminhadas.

 

PR4 – Encostas da Serra – Cinfães

Caminhadas

De volta às caminhadas, de volta ao concelho de Cinfães… desta feita para percorrer o PR4 CNF – Encostas da Serra. (folheto do percurso)

Um percurso circular de aproximadamente 8 km, com um grau de dificuldade moderado, com início na aldeia de Bustelo, também conhecida por Bustelo da Lage, nome que deriva da presença de uma impressionante laje de granito na aldeia que serve de eira. As eiras são grandes espaços amplos onde se realizam tarefas ligadas às atividades agrícolas como a secagem dos cereais ou a desfolhada do milho e, por norma, localizam-se em zonas de boa exposição solar e ventos favoráveis.
Esta em particular é uma eira comunitária de rocha natural, envolta num conjunto de edificações de apoio às práticas agrícolas, como espigueiros, pequenas arrecadações e cortes de gado, por aqui também denominadas como lojas.
A importância deste espaço foi tal, e ainda continua a ser, que a aldeia recebe no seu nome essa referência.

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Aqui, é possível observar as medas de milho espalhadas pela grande laje, cones “perfeitos” construídos com as canas de milho. Com alguma atenção também é possível observar mais alguns exemplares ao longo do percurso.

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Seguimos em direcção da aldeia de Alhões, mais precisamente do Centro de BTT. O percurso segue entre muros, por um caminho que altera entre o empedrado e terra, que vai subindo de uma forma ligeira sem causar dificuldade.

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Ao longo do percurso podemos contemplar as paisagens da serra do Montemuro, onde predominam as grandes rochas graníticas de formas e dimensões variadas.

Nas proximidades do centro de BTT temos de vencer um ascendente mais duro, mas não muito longo, aí chegados, percorremos a parte final de um percurso anteriormente realizado o PR5 – Caminhos das Portas, mas desta vez em sentido inverso, descida e nova budida até à aldeia de Alhões. (Percurso, fotos da aldeia, factos sobre a mesma e dos seus principais edifícios ver aqui)

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Como já conhecíamos a aldeia e estava quase tudo visto e revisto não perdemos muito tempo a turistar. Como já ia longe a hora do pequeno almoço e com o estômago e pernas a pedirem suplementos, decidimos aportar num local para o almoço volante. 

Não podíamos ter encontrado melhor local para o efeito do que o átrio da Igreja! Foi um almoço abençoado, aquecido pelo sol do início de tarde.

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Partimos em direção a Oeste, em direção ao vale do rio Bestança por calçadas e trilhos antigos, numa longa descida. Na foto seguinte está bem pronunciado o vale e ao fundo, o Douro, para onde corre o Bestança.

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Ao atingir a base da encosta passamos sobre o rio Bestança para a margem oposta, adiante voltamos a cruzar o rio uma outra vez… em sentido oposto.

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Atravessamento efetuado inicia-se a última dificuldade do dia, a subida até à povoação… aqui tivemos de vencer uma outra dificuldade!!! “Manadas” de mosquitos!!! Com o boné a funcionar como hélice lá tentei afastar a bicharada para longe, no entanto, eles deram luta e quase ganhavam a batalha!!!

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A aldeia de Bustelo tem no granito a base das suas edificações, embora modesto, um dos edifícios que se destacam na paisagem é o da Igreja Matriz, cuja fachada se encontra virada para o vale que acabamos de percorrer.  No adro encontramos uma arca tumular antropomórfica, que parece pertenceu ao culto cristão na época da monarquia suevo-visigótica.

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Daqui ao final restam uma centena de metros entre o casario.

Para os que se quiserem aventurar neste percurso o melhor local para ancorar a viatura é próximo do café Bustelo… ponto ideal para hidratar no final da contenda!

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Brevemente voltamos aos trilhos de montanha, até lá, boas caminhadas…

PR1 – Rota do Pico da Vila – Mesão Frio

Caminhadas

De passagem por Mesão Frio, não quis perder a oportunidade de conhecer um pouco da sua história, a sua cultura e o seu património natural, para isso decidi calcorrear o trilho PR1 – Rota do Pico da Vila, diga-se de passagem, muito mal marcado, disponibilizo por isso um track em GPX, aqui, para quem se quiser aventurar e não andar à deriva.

Percurso circular, numa extensão aproximada de 11,5 Km, com alguns desníveis bastante acentuados, percorre caminhos antigos entre monte e vinhas sempre em comunhão com a jóia local, o rio Douro. Segundo panfleto do percurso, o mesmo, inicia-se na Avenida Conselheiro Alpoim, centro da vila de Mesão Frio, no entanto, no local, não foi possível vislumbrar qualquer marco ou indicação do mesmo.

Começamos o nosso percurso um pouco antes do hipotético início do mesmo, no Largo do Cruzeiro.

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“1861  é a data inscrita na cartela do espaldar, assinalando a sua construção pela Câmara Municipal na frontaria do antigo Convento da Ordem Terceira de São Francisco  onde se tinham instalado os Paços do Concelho em 1834. Em 1940  foi deslocada pela Câmara Municipal do largo onde então se erguia para o actual local, devido a ter sido aí colocado um padrão comemorativo dos centenários da nacionalidade.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Descendo a rua por entre o casario caminhamos em direcção à Rua do Balcão, nome que deve advir ao facto da zona pedonal se encontrar mais elevada em relação à via, criando um balcão, mas antes de lá chegar, mais uma paragem para observar o pelourinho da vila.

“Situado na praça que tem o seu nome, foi o primeiro símbolo de poder local, remontando à época dos romanos. Este pelourinho é constituído por uma plataforma com 3 degraus, pela base octogonal, pela coluna e pelo remate com 4 argolas ao alto formando uma cruz. O reinado de D. Afonso III contribuiu para que a implantação deste símbolo fosse uma constante em todos os concelhos como poder local de julgamento, como era em Barqueiros, Mesão Frio, Vila Marim e Vila Jusã. A partir do século XVI serviam essencialmente para afixação de editais. Foi classificado imóvel de interesse público pelo Decreto-Lei nº23 122, de 11 de Outubro de 1993.”

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Sem mudar o rumo prosseguimos até à Avenida Conselheiro Alpoim. Inicio do percurso… nem vê-lo! Aqui na Avenida destaca-se o edifício que hoje alberga os Paços do Concelho, outrora, o Convento dos Franciscanos.

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“A fundação do Convento dos Franciscanos, em Mesão Frio, não tem uma data precisa. Fortunato de Almeida, o conceituado autor da “História da Igreja de Portugal”, diz que “o Mosteiro de São Francisco de Mesão Frio foi fundado em 1724, para frades”, e Frei Henrique Rema dá o ano de 1744 como data provável da sua função. É muito possível que o edifício para alojar os frades franciscanos tivesse começado a ser edificado em 1724, e que o seu acabamento se tornasse um facto apenas vinte anos depois. Entre uma e outra data aparece ao lado da igreja do Convento a Ordem Terceira de São Francisco, em cuja direcção estiveram outrora os frades. No interior dos Claustros do Convento, podem ver-se umas escadas subterrâneas que vão dar a um túnel. O povo, sempre de imaginação fértil, criou a lenda de que nesse túnel subterrâneo existe um caminho por onde os mouros atravessam o Douro em direcção ao Convento de Barrô. Actualmente, e desde 1834, é neste edifício que funcionam as várias repartições públicas do poder judicial, administrativo e autárquico da vila de Mesão Frio.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Em frente, encontra-se a Capela de Santo António, depois das fotos tiradas seguimos pela via da esquerda… em busca de alguma indicação sobre o percurso (!) na falta da mesma foi necessário recorrer ao apoio do GPS. 

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“Mesmo em frente à Travessa da Cerca do Convento, onde principia a Av. Conselheiro Dr. José Maria de Alpoim, destaca-se uma pequena capela de invocação a Santo António, em cujo frontispício se encontra gravado o ano de 1845. Álvaro Maria de Fornellos, diz que esta capela pública foi construída por “um tal Melo de Quintela” no ano de 1845, porém, quando foi arrematada em hasta pública a Cerca do Convento dos Franciscanos, o Edital da Junta de Crédito Público, publicado a 12 de Novembro de 1842, já falava da existência dessa Capela três anos antes da data que encima o edifício.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Na certeza que estávamos na direcção correta seguimos caminho sob um sol quente. Desaconselho este percurso em dias demasiado quentes ou chuvosos, no primeiro, porque a dureza dos ascendentes e a exposição solar dos mesmo pode levar a um “esgotamento”, no segundo, porque os descendentes, ora pela vinha, ora na estrada, podem precipitar uma queda…

Chegados ao largo da Igreja de São Nicolau temos de dividir a nossa atenção entre os dois edifícios que se destacam dos demais. Um é a própria igreja…

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“A Igreja de S. Nicolau, foi profundamente alterada no século XVIII. Diz-se que é um templo de raiz românica, mas, mesmo a versão de que o primitivo templo foi fundado pela rainha Dona Mafalda, carece de testemunhos documentados que legitimem a sua antiguidade. Muitos autores querem provar a antiguidade deste templo pela espessura das suas grossas paredes, mas o seu traçado arquitectónico é uma reconstrução oitocentista (na qual se aproveitou parte das pedras que pertenciam à antiga igreja da Misericórdia). No interior da Igreja de S. Nicolau, além da talha preciosa e de objectos raros do culto sagrado, encontra-se embutida na parede lateral virada ao nascente a sepultura de D. Francisco Souto Maior Pinto, fidalgo que foi Governador de Angola e capitão – general do reino. Do lado oposto a este túmulo construiu-se, em 1595, uma Capela brasonada na qual foram esculpidas as “armas” de António de Azeredo e Vasconcelos, seu fundador. As pinturas da sacristia são atribuídas a Manuel Arnau.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

… o outro é o edifício da Misericórdia.

“Ao lado do adro da Igreja de S. Nicolau, encontra-se o edifício da Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio fundada em 1560 por André da Fonseca. O grande impulsionador desta nobre instituição caritativa foi, sem dúvida, António de Azeredo e Vasconcelos ao legar-lhe todo o património rústico e urbano que se espalhava por Gradins, Vila Verde, Fundo de Vila, Vila Jusã, Barqueiros e Barrô.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Prosseguimos adiante na expectativa de encontrar alguma indicação sobre o percurso que haveria de aparecer um pouco mais adiante. Seguindo a orientação do mesmo lá prosseguimos paralelos à Adega Cooperativa e como o caminho anunciava passagem pelo miradouro de S. Silvestre, prosseguimos pela via em sentido ascendente. Numa centena de metros ficamos logo com uma visão ampla sobre a paisagem.

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As marcações voltam a desaparecer e volta a ser necessário recorrer ao ficheiro GPS, até porque, o caminho entra numa zona florestal sem qualquer tipo de referência, a não ser, a capela e miradouro lá no alto.

Aí chegados, uma visão de 360º percorrendo o território de três distritos, Porto, Vila Real e Viseu. No ponto mais alto deste monte encontra-se instalada a Capela em honra a São Silvestre.

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“Encontra-se nos cumes deste monte, com romarias desde os tempos imemoriais, evoca o primeiro papa do mesmo nome, natural de Roma, que faleceu a 31 de Dezembro do ano de 335. Desde épocas remotas a Capela teve ermitão próprio. Esta Capela foi restaurada em 1967, e, em dia de romaria que se realiza no último Domingo de Agosto, pode o visitante admirar os ícones sagrados do papa que lhe deu o nome, do mártir São Sebastião e de Santa Bárbara, quando em procissão religiosa, aos ombros dos romeiros, os andores sobem até à Capela.”

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Depois de contemplada a vista prosseguimos, desta feita, em sentido descendente, por um caminho, irregular, entre as vinhas. Desde o alto podemos seguir com o olhar o caminho a tomar até ele se precipitar sobre o monte seguinte.

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Este troço irá condizir-nos até uma estrada alcatroada que uma centena de metros adiante há-de passar a terra. É nesse segmento do percurso que somos surpreendidos por uma pintura vernacular pintada numa rocha e por novas indicações sobre o percurso. 

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Seguindo adiante, por um caminho com muito pó, havemos de redireccionar a caminhada em direcção ao rio. A descida é feita por estrada, quase sempre com uma grande percentagem de inclinação, com grande prejuízo para joelhos e musculos.

Este traçado, entre quintas, leva-nos a descobrir “pequenos mimos” que essas mesmas quintas guardam, pedaços de história em forma de adornos.

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Chegados a Barqueiros, aldeia que noutros tempos assumiu grande importância na região, tendo sido sede de concelho entre 1123 e 1836 e recebido em 13 Setembro  de 1123  foral pela rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, prosseguimos ao encontro da sua igreja, cujo o orago é São Bartolomeu.

“Tem como padroeiro São Bartolomeu, não obedece a qualquer estilo arquitectónico e foi construída em meados do séc. XIX. Esta igreja tem um aspecto enorme e robusto, pois a intenção da sua construção era acolher uma população numerosa. Em 1832 foi construção da sacristia (data inscrita no lintel da porta); 1855 a data provável de conclusão da construção (data inscrita sobre a porta principal); 1888 a execução do altar-mor (no frontal lê-se: José Caetano de Carvalho ofertou e mandou dourar em 1888).”

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Adiante encontramos a Casa do Povo.

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“A Casa do Povo de Barqueiros, foi a primeira a ser inaugurada, em todo o país corporativista. Aconteceu em 12 de Agosto de 1934.”

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Depois de ultrapassado o núcleo habitacional inicia-se uma ligeira subida que nos conduz a mais um edifício religioso.

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“Encontra-se na encosta da margem direita do rio Douro, rodeada de socalcos com vinhas. Ergue-se isolada e de flanco, entre um aglomerado de casas e a estrada, integrando-se num adro sobrelevado em relação à mesma, formando miradouro lateral para o rio. Construção efectuada no séc. 17 ou 18, em 1758 é feita referência à capela de Nossa Senhora da Conceição nas Memórias Paroquiais da freguesia, a qual tinha imagem muito milagrosa, razão por que era muito frequentada por romaria todo o ano.”

fonte  |  mesaofrio.com.pt

Daqui até ao próximo ponto de interesse, a estação de Barqueiros, é sempre a descer por estrada. Como tantas outras espalhadas por este país a estação / apeadeiro está encerrado e com sinais de degradação e vandalismo. Não quis deixar passar a oportunidade de registar alguns pormenores sobre as portas de acesso ao edifício.

Daqui por diante, até Vila Jusã, o caminho segue por um forte ascendente, ao longo de quase um quilômetro,onde são precisas vencer algumas rampas com 25% de inclinação. A subida altimétrica é proporcional à subida da beleza paisagística…

Daqui até ao final não dista muito, nem existem dificuldades no percurso que agora volta a entrar na malha urbana da vila de Mesão Frio.

Melhor que o relato é poderem viver a magia destes trilhos…

Boas caminhadas.

PR1 – Rota dos Cerejais

Caminhadas

Aproveitando a passagem por terras de Resende fomos calcorrear este percurso de pequena rota, circular, com uma extensão aproximada de 6 Km que se desenvolve por caminhos essencialmente rurais com passagem por pequenos núcleos habitacionais e tem o seu início junto à sede da Junta de Freguesia de São João de Fontoura.

Embora nem sempre com marcações adequadas ao rumo a seguir (característica a melhorar), o caminho é relativamente intuitivo e acessível a todos… Percorrendo um amplo “anfiteatro” natural possibilita captar toda a beleza do lugar e dos lugares circundantes, beleza que é transversal a todo o território Duriense.

O povo, no desejo de encontrar explicação para um nome um pouco estranho, diz que Fontoura vem de \”fonte da toura\”. Parece mais provável porém que derive de \”fons aurea\” = fonte de ouro, classificação popular que o povo daria, já na época da colonização romana, a alguma fonte existente no local que apresentasse cor amarelada nas suas águas, fruto de minerais desagregados e em suspensão como é por exemplo, a limonite.

Pode também o povo ter querido, já então, aplicar a uma fonte de águas frescas, abundantes e cristalinas que ali houvesse, a expressão conotativa, \”de ouro\”. No lugar chamado Fontoura existe de facto, ainda hoje, uma nascente de caudal nada vulgar.
O nome de S. João vem-lhe de uma ermida antiquíssima dedicada a Baptista, que existiu no lugar do mesmo nome, nomeada já nas Inquirições de D. Afonso III (1258).

in “Resende e a sua História” – Volume 2: As Freguesias, da autoria de Joaquim Correia Duarte

O inicio do percurso tem como referência a Junta de Freguesia de São João de Fontoura, no entanto, no largo onde o mesmo se inicia destaca-se como principal elemento arquitectónico a capela de Nossa Senhora da Guia e o cruzeiro. Neste local existe um café, o “Dez Filhos”, no entanto, não sei se o mesmo se encontra em funcionamento (!), uma vez que, na hora de partida e chegada, o mesmo, encontrava-se fechado. Também com dez filhos não deve restar muito tempo para o café!

Depois de visionado a placa com as características do percurso e de umas fotos à paisagem era hora de meter os pés ao caminho. Mas por onde? Felizmente à chegada dei conta de uma seta junto à estrada, decidi então optar por seguir essa mesma seta… para lá chegar é seguir até à capela e descer a escadaria junto à Junta de Freguesia, já na estrada seguir à direita e depois seguir as indicações.

Iniciamos um descendente bastante pronunciado por entre campos recheados de árvores de fruto, onde predominam as cerejeiras… produto que é imagem de marca do concelho e que o torna o principal produtor nacional deste fruto.

Em abril e maio, o caminhante tem a oportunidade de colher algumas para degustar ao longo do percurso. 

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O percurso rasga pequenos núcleos habitacionais, quase sempre com as marcas do tempo bem marcadas nas fachadas, muitas delas, em avançado estado de ruína. Estes percursos também possibilitam o contacto próximo com alguns residentes, sempre afáveis e com tempo para dois dedos de conversa. 

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Contornando a Igreja de São João de Fontoura, que se encontrava fechada, como acontece com quase todo o património da igreja, seguimos viagem por caminho de terra batida, passagem por um fontanário com água fresca, a única coisa fresca por agora, já que a temperatura seguia em sentido ascendente. 

Ter em conta que este percurso em dias de calor pode tornar-se um pouco difícil pois está constantemente exposto ao sol e entre socalcos o ar quase não corre.

Depois do lavadouro inicia-se uma ligeira subida que nos leva até uma bifurcação, opção A, continuar a subir, opção B, descida. Na falta de indicação seguimos a opção B pois na placa iniciar observei que teriamos de transpor um ribeiro e seguir em direcção ao Rio Douro, logo, pareceu-me a opção mais válida. E estava certo.

Cruzado o ribeiro, passagem por mais um núcleo residencial, também este, bastante degradado, com o Douro já em linha de vista… houve quem se quisesse fazer ouvir e marcar território, como a dizer: – Aqui, só eu canto de galo!

Prosseguindo no passeio damos de caras com um edifício imponente, alcandorado sobre as margens do rio, nota-se que não está em abandono, mas necessita de alguma intervenção.

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CASA DE PORTO DE REI
Na freguesia de S. João de Fontoura, junto ao rio Douro, zona de encostas e socalcos podemos encontrar um dos mais belos palácios do concelho de Resende, talvez mandado construir no século XVI, por Luís de Oliveira. Estamos a falar da “Casa Grande de Porto de Rei”, também chamada “Casa Grande”.
D. Maria Clara de Carvalho e Abreu, proprietária da Casa de Porto de Rei, no século XVIII e seu irmão, José Carvalho e Abreu que foi Chanceler da Índia, mandaram-na reconstruir e ampliar, fazendo dois torreões de grande beleza.
D. José de Carvalho e Abreu foi sepultado quando morreu, em 1743, na capela do palácio, num túmulo de mármore.
Palácio de grandes dimensões. É constituído por rés-do-chão e andar nobre. Do lado poente a capela de S. António, benzida em 29 de Março de 1746 pelo Bispo de Lamego, D. Frei Feliciano de Nossa Senhora. Esta capela é uma reconstrução da anterior que já devia existir no século XVI, mais pobre e tudo leva a crer noutro local.
Na fachada frontal, do lado poente, está o brasão de armas dos antigos solares, com os Macedos, Melos, Carvalhos e Abreus.
No interior do palácio existem diversos salões, com tectos riquíssimos de madeira de castanho, formando variadas figuras geométricas e uma grandiosa cozinha com descomunal chaminé, toda em pedra.
Parte da casa do lado poente pertence hoje ao Dr. João Afonso de Melo Miranda Mendes que procedeu recentemente a grandes reparações.
A quinta, que pertenceu a D. Madalena Macedo, está hoje na posse de várias pessoas estranhas à família, bem como a parte do palácio voltado a nordeste.
Dada a construção do cais de Porto de Rei, este solar pode ser um polo de atracção turístico para todo o Concelho de Resende. Dizem que o palácio tem tantas janelas quantos os dias do ano. Diz a lenda que era neste solar que D. Afonso Henriques se hospedava quando vinha a Cárquere, por ser Porto de Rei um lugar de desembarque.

fonte  |  http://solaresresende.blogspot.pt

Continuando o caminho vimos “desaguar” na margem do Douro, junto ao parque de lazer de Porto de Rei, num cenário de beleza ímpar.  Dividindo o espaço da praia fluvial encontra-se a piscina municipal com o mesmo nome do local, onde a entrada é gratuita!!!

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Aproveitamos a beleza do local, a calma e a frescura propiciada pelo arvoredo para repor alguma energia com os snacks que transportamos.

Retomamos o caminho que agora será quase sempre em sentido ascendente…

Ultrapassada a zona habitacional voltamos aos caminhos rurais e novos quadros se abrem, estes com os limites visuais bem alargados. O Douro em todo o seu esplendor!

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Voltamos costas ao rio no local onde mais um postal de região nos é apresentado e apontamos na direcção do inicio do percurso. Aí chegados não resistimos ao apelo da piscina que havíamos visto e decidimos relaxar um pouco com direito a pés de molho.

Se estiverem de passagem por esta região, aproveitem para caminhar por estes trilhos, relaxar nas margens do Douro e, porque não, degustar um peixe de rio!

Boas caminhadas.