PR1 RSD – Vale do Cabrum Superior

Viajamos até ao concelho de Resende para percorrer o PR1 Vale do Cabrum Superior, um percurso circular de aproximadamente 10 Km, com um grau de dificuldade moderado. O rio Cabrum nasce na serra de Montemuro, viaja ao longo de 20 Km até desaguar no rio Douro através de um percurso acidentado, onde predomina o granito, por encostas de declive acentuado. Montemuro, marca a transição entre as regiões litorais, temperadas e húmidas, das regiões transmontanas, quentes e secas.

Iniciamos o nosso percurso junto à Ponte de Ovadas, edificada sobre o Rio Cabrum, ligava as aldeias de Covelinhas e Ovadas, esta ponte servia o caminho medieval que atravessava as Terras de Resende. A estrutura hoje existente terá sido construída no século XVIII, substituindo a construção original. Nas imediações existe uma zona de lazer com acesso ao rio onde, num dia quente como este, podemos tomar um banho refrescante.

Seguimos na direção da aldeia de Covelinhas sob um tapete verde e macio, em ligeira subida. Ao atingir a aldeia seguimos por um caminho antigo de pedra, um caminho de meia encosta, sempre em sentido ascendente até um aglomerado de casas e palheiros, o Monte de Covelinhas, que atualmente a sua ocupação se resume a animais.

Pelo caminho podemos desfrutar de uma visão panorâmica sobre o vale do Cabrum…

Ao longo do percurso vão sucedendo-se pequenas cancelas que vamos transpondo com algum engenho e arte, seguramente, servem para que os animais que fomos avistando não fujam das propriedades. A agricultura e o pastoreio de vacas e cabras eram as principais fontes de subsistência desta povoação, hoje desertificada.

Continuamos a subir, uma constante nos primeiros 3/4 Km, em direção à povoação da Granja que atravessamos sob um silêncio tumular… apenas interrompido pelo latir de um canídeo que nos saiu ao caminho.

Finda a povoação seguimos por uma estrada alcatroada, de onde conseguimos ter uma vista alargada da aldeia. Adiante, passagem pela antiga escola e por um peculiar cruzeiro que ocupa o eixo da via.

Junto ao Campo de Jogos, equipamento também ao abandono, seguimos por um caminho que nos deveria levar até à aldeia de Mariares, no entanto, perdemos as marcações do trilho devido ao excesso de vegetação que impedia a progressão. Decidimos voltar ao inicio do campo de futebol e continuar por estrada, seguindo as indicações da track que havíamos baixado para o telemóvel. Reencontramos as marcações do trilho mais à frente. O percurso conduz-nos até ao cruzeiro de Santa Eufémia, da autoria de António Madureira, o bruxo escultor.

Continuamos agora em sentido descendente, por caminhos empedrados, de vegetação abundante que oculta o caminho e vai castigando a pele nua!!! Daqui é possível avistar a aldeia de Panchorrinha. – a próxima aldeia que se apresenta ao caminho.

Baixamos ao nível do ribeiro do Taquinho, o qual transpusemos por um pequeno acesso. Uma vez mais o terreno vai empinando gradualmente, a vegetação rasteira, cerrada, envolve-nos aumentando a sensação de calor que se fazia sentir. Aqui e ali é possível ver através da vegetação… encaixada no vale uma pequena lagoa, formada pela barragem, compõe a bonita paisagem. A aldeia de Panchorrinha está à porta.

Percorremos as ruas estreitas e seculares da povoação, as casas de portas abertas não temem a presença de forasteiros! A porta da capela estava aberta. Subindo a mão cheia de degraus preparo-me para entrar quando da casa em frente, uma “guardiã do templo”, solta uma seca mas audível advertência – Não pode entrar! Estaquei à porta… Afinal o que não queria é que se sujasse o chão que ainda transpirava a limpo.

Saímos da aldeia por um caminho de terra, à medida que nos afastamos o caminho volta a precipitar.se em direção ao vale. Olhando para trás, alcandorada sobre a encosta, a aldeia exibe-se formando um bonito quadro.

Por caminhos antigos, ladeados por muros de granito, o percurso vai serpenteando entre campos agrícolas e de pastorícia. Carvalhos e alguns sobreiros vão protegendo o caminho do sol… a ligação entre a Panchorrinha e a aldeia de Ovadas, é feita por uma peculiar ponte de construção arcaica, mas muito interessante, a Ponte da Panchorrinha.

Acompanhando o curso do Cabrum seguimos pela margem protegidos pela sombra da galeria ripícola. As herbáceas formam um compacto mar verde que impedem a progressão rápida!!! Vamos apalpando o caminho com os pés. Ao abandonar a linha de água o caminho volta a subir, lentamente, agora exposto ao calor do meio dia, seguimos guiados entre muros até próximo de Ovadas de Cima.

Para seguir até à aldeia temos que desviar da rota traçada cerca de 500 metros. Com o calor a apertar e a fome também, decidimos não a visitar. As vistas daqui levam o olhar pelo carrossel de montes e vales até a um horizonte longínquo.

Continuamos monte abaixo por caminhos de pedra, capinados… já próximo de Ovadas de Baixo cruzamo-nos com um grupo de caminheiros que iniciavam o seu percurso. Trocamos umas palavras e depois das saudações caminheiras seguimos em direções opostas. O percurso aproxima-se do final, da aldeia podemos seguir diretos até à Igreja matriz de S. Pelágio (séc. XVIII) e depois, seguir por estrada, até ao ponto de partida. Como já havíamos visitado o templo noutras incursões por estas terras, decidimos seguir o trilho.

Tal como começou, o caminho termina envolto num manto verde, com um tapete fofo que nos conduz até ao final do percurso.

Esperamos voltar em breve a este território para descobrir novos percursos. A quem possa interessar deixo o link para o track do percurso – aqui.

Até lá, BOAS CAMINHADAS.

Uma opinião sobre “PR1 RSD – Vale do Cabrum Superior

  1. Muito bonito!👌🏻👌🏻
    E verifico que sobre o rio Cabrum existe essa ponte da Panchorrinha, que não conhecia, mas também a da Panchorra, um local muito bonito um pouco mais a sul.
    Tanta coisa para fazer e conhecer…😊

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